Os Segredos dos Seus Braços

23 O inimigo está ao lado - parte 1


Notas iniciais
Olááá.
ENtão, minhas semanas estão ficando mais corridas a cada dia, credo.
Mas, enquanto eu tiver capitulos prontos para postar, a fic não atrasa.
È uma pena que os cap. pronto acabaram.
Ah, mas nem em problema, né? skapsk
MAs eu tenho que admitir que estou um pouco desapontada com algumas leitoras, hein? AIai
MAs aqui está outro cap. Creio que com o final dele, vcs já saberam, mais ou menos, o que está prestes a acontecer.
Ui. skapska
TAh, entao, boa leitura.
:*

Cap. 23- O inimigo está ao lado — parte 1

Biloxi, Mississippi

1901

Alice estava com tanto sono que sentia vontade de ficar naquela cama até completar 30 anos.

Porem, era Domingo e o dia parecia tão vistoso que seria um grande pecado fazer aquilo.

_ È sua vez de abrir as janelas – Jasper disse, quebrando o silencio do quarto. Alice não entendia como ele podia saber quando ela já estava acordada, se sempre dormia bem às suas costas.

E ele, assim como ela, sempre acordava com uma preguiça quase mortal.

_ Então é bem possível que morramos no escuro – retrucou ela com a voz sonolenta. Sua boca estava quase tampada com o travesseiro e seus olhos se fechavam vez ou outra.

Mas já era tão tarde que, talvez, já houvesse o almoço disposto à mesa deles.

Jasper riu, descobrindo seu corpo nu do fino lençol. Em um movimento vagaroso, ele a abraçou pelas costas, aspirando o divino cheiro de camomila que tinha seus cabelos.

Deus, Alice o entorpecia já de manhã.

_ Não comece, Sr. Witlock – advertiu ela, sentindo ele, pouco a pouco, rolar por cima dela aos risos – Eu irei tomar banho.

Jasper riu em sua nuca, passando a mãos insinuosas por suas costas nuas. Começou a beijar sua nuca, enquanto empurrava o lençol que ainda a cobria, para baixo.

_ Sou eu quem tomará banho primeiro – disse ele em uma clara provocação.

Alice suspirou contra o travesseiro enquanto sentia ele e sua tenra intimidade pétrea pressionar-se contra ela.

_ Onde está enterrado seu cavalheirismo? – resmungou ela, detestando a forma baixa com que ele a persuadia – Sou eu quem irá tomar banho primeiro.

Tocando seus seios depois de afastá-la do colchão.

_ De forma alguma – disse quando segurou seu frágil quadril em uma posição que não o impedisse de estar nela de forma alguma – Ou você se submete à mim ou não sairá daqui – sussurrou ele, mordendo o canto de sua orelha.

Alice ofegou, agarrando um pouco mais ao tecido macio de seu travesseiro para que não gemesse alto demais.

_ Jamais me submeterei à você – retrucou ela com seu fio de voz.

Jasper sempre conseguia desestabilizá-la primeiro.

_ Então eu espero que você goste de ficar exatamente onde você está – determinou ele, ameaçando invadi-la com todo o desejo que conseguia reunir logo pela manha.

Ah, para fazer amor com ela, ele parecia encontrar energia e desejo apenas de um Bom dia.

Dessa maneira, Jasper a rendeu outra vez e a fez dele. A amou com tanta vontade que Alice chamou seu nome diversas vezes enquanto ele movia-se contra ela com vontade, com possessão.

Como se a marcasse.

O suor já começava a escorrer pelas costas de ambos, grudando suas peles uma na outra, enquanto Jasper a pressionava contra o colchão, beijando as costas salgadas de suor que ele tinha bem à sua frente.

Ele não mostrara pudor algum em estarem fazendo aquilo daquela forma tão nova. Certamente, se as irmãs de Alice descobrissem que ela e Jasper não se amavam da forma como todos os castos e puritanos casais faziam, se chocariam com sua ousadia.

Mas era tão... Deus, era muito quente tê-lo dentro de si de uma forma que nem mesmo conseguia vê-lo.

E quando ela alcançara o ápice de sua paixão, seu corpo todo estremeceu e contorceu-se de maneira tão intensa que ela até assombrou-se, emitindo sons roucos contra o travesseiro, que beijava a cada vez que Jasper movia-se contra ela, preenchendo o vazio que ela tinha e fazendo-a gemer a cada vez que ele saia de dentro de si.

Jasper não parou seu ritmo lento até que a sentira completamente esgotada, sentira que ela experimentara o clímax e o maior desejo que ele poderia dar a ela. Assim, passou a mover-se freneticamente, terminando o que haviam começado com tanta despretensão. Talvez Alice estivesse certa e estivessem virando coelhos.

E ele não se importava nenhum pouco com esse fato.

Mas quando o momento chegara para ele também, Jasper agarrou suas mãos no beiral da cama, seu quadril em um delicioso movimento de quase dança, e deixou-se ir.

A molhada pele de suas intimidade intactas.

_ Minha Alice... – ele sussurrou enquanto perdia momentaneamente os sentidos...

_

O quarto estava novamente silencioso. Alice o observava falar sobre seus negócios, um pouco menos empolgado do que deveria apresentar-se, mas sabia que não estava realmente prestando atenção em nenhuma de suas palavras.

Havia algo gritante em sua cabeça que a estava tirando de qualquer concentração possível. Eram palavras que havia escutado e que tentava desesperadamente saber o por que haviam sido ditas.

Mordeu o lábio, hesitante em parar para perguntar. Pensava se ele iria negar-se àquele assunto ou se negaria que havia falado aquilo.

“Mas você nunca saberá se não perguntar, sua grande tola!”, ela pensou consigo mesma, em uma torturante luta de seus pensamentos.

Porem, no momento em que tomara coragem e abrira a boca para indagá-lo, alguém batera fracamente na porta, atraindo a atenção dos dois para a mesma. Alice suspirou, negando com a cabeça quando Jasper fizera menção de ir até lá.

Mas ele estava nu.

Assim, Alice fechara seu penhoar em volta da cintura e andara até lá. Tinha quase que absoluta certeza de que aquelas batidas tímidas e fracas eram de Consoelo, que sentia o momento que importunava.

Abrira apenas uma pequena brecha, sentindo que parecia mal educada por não abrir a porta toda, mas Jasper ainda estava sem suas vestes e ela não queria realmente deixar outra mulher vê-lo daquela maneira.

Ainda mais uma pobre Sra. viúva.

_ Sim? – disse ela, escorando-se na pequena brecha.

Consoelo abaixara um pouco a cabeça em sinal de respeito e constrangimento. Estendeu suas mãos calejadas de onde pendia uma carta requintada e bem trabalhada.

Alice franziu o cenho ao encarar aquele pedaço de papel, que cheirava tanto perfume que ela quase desmaiara.

_ O que seria isso, Consoelo? – indagou ela, pegando o papel das mãos de sua serviçal.

_ Um entregador trouxe agora pouco, Sra. – disse ela com sua voz de miado – Se me der licença.

Alice assentiu para a mulher e a esperou dar as costas corredor à frente para poder fechar sua porta. Virou a perfumada carta entre as mãos para ver de quem era.

~ ○~•♥•~○~

Caro Sr. e Sra. Witlock

Eis aqui o convite de suas Senhorias para o matrimonio de

Sr. James Hale juntamente com a Srta. Lauren Jay Stanley; filhos de:

Sr. Evalfred Tom Hale e Sra. Leah Turner Hale

&

Sr. Cho Chang Manksvist del Valderado Stanley e Sra. Emily Ulley Stanley

Que ocorrerá dentro de uma semana nas propriedades dos Stanley. Devidamente convocados a comparecer com suas ilustres presenças, desde já os esperamos, sendo sugerido a presença do presente dos noivos, cuja sorte de vossas Senhorias será depositada em tal, sendo este um jogo de louças de prata da Platão e Pratarias, localizada no condado de Florence.

Atenciosamente

Família Hale e Stanley

~ ○~•♥•~○~

_ Oh meu Deus, Lauren Stanley irá se casar na próxima semana! – Alice exclamou com um devido tom de evidente surpresa.

Jasper se empolgara tanto com aquele comunicado que tampouco erguera a cabeça dos meios de suas camisas.

_ E quem seria o pobre desafortunado? – perguntou ele com seu humor ácido.

Alice riu da forma como ele colocara aquilo,enquanto fechava novamente o papel adocicado de perfume.

_ Não sei porque, mas tenho uma impressão de que ela e sua irma Jessica disseram a mesma coisa sobre você ao receber nosso convite – disse ela aos risos, pensando em como o choque delas deveria ter permeado por mais de semanas.

Jasper riu, encarando-a por sobre o ombro.

_ Certamente o Sr. Newton virá – disse ele com um tom de satisfação – Ele também fora capitão dos filhos do Sr. Hale, James e Jacob – continuou, lembrando-se do boato desse casório.

O Sr.’s sócios de seu pai eram mais fofoqueiros do que suas próprias Sra.’s.

Alice depositara o requintado convite em sua penteadeira, um pouco desconfortável quando o assunto fora novamente o famoso Sr. Newton.

Ela ainda escondia dele o fato de ter jogado sua carta no lixo.

_ Hmm – ela murmurou, fechando seu penhoar um pouco mais, claramente nervosa – Quem sabe, não? Mas eu não me empolgaria, se fosse você. Afinal, Lauren pode não querer pessoas tão brutais, como esses seus amigos soldados, em sua festa luxuosa.

Jasper arqueou as sobrancelhas, virando-se para ela como se seu comentário fosse novo para ele.

_ Brutais? — indagou ele – Não, minha cara, está enganada quando à natureza deles – Jasper projetara os lábios para frente, em um bico descontente – Não são brutais, nem selvagens nem piratas sem índole como os antigos capitães. Para falar a verdade – ele fizera uma pausa, segurando um curto riso – São delicados como donzelas – disse – E Sam nem tem mais o mindinho.

Alice sentiu o coração um pouco apertado pela culpa que ainda sentia por ter feito o que fizera. Mas conseguira sorrir para ele.

Jasper ficava muito empolgado quando falava em seus amigos.

_ Espero que o Sr. Collins venha, então – disse, incapaz de desejar o contrario quando isso o deixava tão contente. Se fosse para ser assim, que viessem todos de que ela temia.

Que viesse todo o antigo exercito dele.

E quando escutara aquilo, Jasper sorriu para ela, dando-lhe uma piscadela.

_ Nada de gritos de choque dessa vez? – disse, mirando a conversa para outros rumos.

Alice encostou-se em sua penteadeira, olhando-o. Sabia que ele falava do fato de estar trocando-se na frente dela.

A primeira vez que ela o vira fazer aquilo, ela traumatizou-se por uma vida inteira.

Lembrando-se daquela noite, ela balançou a cabeça, vendo como era imatura e boba.

Deus, realmente era.

_ Não, não dessa vez. Você acabou com minha inocência – disse ela, com um fingido tom de pesar.

_ Oh, eu sinto muito por isso – respondeu ele, imitando o passado dos dois juntos, quando um não se dirigia ao outro sem uma indireta irônica.

Alice deu de ombros, decidida a empurrar a questão Sr. Newton de sua mente.

_ Não sinta – sorriu – Eu não gostava dela.

Jasper dera seu sorriso de lado, e Alice sabia o que aconteceria agora.

Não que ela pudesse reclamar, mas estava realmente preocupando-a.

Ele se aproximou dela, nu como ainda se encontrava. Alice sentiu o momento em que seu coração começara a bater. Estava em alerta quanto àquilo.

Era sempre quando ele se aproximava dela, fosse com qualquer intenção que tivesse em mente.

Quando ele estava frente a ela, acariciando seu quadril, ela rodeou seus ombros até aproximá-lo mais.

Já sentia seu corpo dando sinais.

E o dele também não ficava para trás quando à isso. Ela o sentia crescer bem em seu ventre, a medida que ele descia sua mão por sua perna, fechando-a em volta de seu joelho, levantando-a até seu quadril enquanto começava a roçar seus lábios no canto de sua boca.

_ Jasper? – Alice perguntou de repente, antes que ele a beijasse de verdade.

Ele não abrira os olhos, mas arqueara as sobrancelhas, como se mostrasse que estava atento ao que ela falaria, porem que não perderia a concentração.

_ Sim?

Alice dedilhou seus dedos nos músculos de sua pele, completamente deletada com a forma com que ele a abraçava, exteriorizando sua vontade de tê-la.

E ela não segurou suas palavras.

_ O que... o que você quis dizer com aquilo? – ela rondou, cautelosa em sua tentativa de arrancar aquela explicação, que martirizava em sua cabeça.

Jasper afastou-se pouca coisa para olhar frente a ela.

_ Com aquilo o que? – perguntou ele, a testa franzida.

Alice mordeu o lábio, relutante. Não sabia como perguntar aquilo.

Mas já que havia perguntado...

_ Com o que disse quando.... quando... – ela corou, desviando os olhos dos dele – Quando me chamou de sua Alice?

Jasper pareceu ter sido pego de surpresa, pois um choque passara por seus olhos. Ele enrudeceu sua expressão, afastando-se um pouco seu rosto do dela, encarando-a.

Alice engoliu em seco enquanto suportava o olhar indecifrável dele. Sentia, sob suas mãos tremulas, os músculos dele tensos e duros, e o medo de ter tocado em algo que não deveria a paralisou.

Mas antes que qualquer um dos dois cortasse o silencio desconfortável que sobressaiu, novamente alguém batera na porta.

Alice fechou os olhos com força, praguejando baixo. Com sua esperança, ainda esperou que ele dissesse alguma coisa.

Mas de Jasper não saira nada, nem mesmo sua resposta.

Com a mente inquieta, Alice distanciou-se dele e fora novamente à porta. A abriu e vira, dessa vez, Lilly.

_ O que há, Lilly? – ela perguntou, tentando esconder sua impaciência e sua frustração.

_ Desculpe Sra. Witlock, mas é que o Sr. Witlock tem visitas – disse ela em um meio sorriso – São o casal dos chás.

Alice assentiu, um pouco desanimada. Agora, sua conversa com ele teria que ser adiada.

Adiada por um tempo que ela nem tinha idéia se seria determinado.

_ Obrigada, Lilly – disse ela com um longo suspiro – Desça e deixe-os à vontade. Diga que o Sr. meu marido logo descerá.

Lilly assentiu, sorrindo, e pusera-se de volta. Alice fechara a porta muda, voltando para o clima tenso que se instalara, repentinamente, dentro daquele quarto.

_ È o Sr. sócio de seu pai – disse ela, arriscando olhar para ele. Jasper já vestira suas calças e começava a abotoar o primeiro jogo de camisas, tão em silencio que nem mesmo parecia ele – O que quer fechar o negocio do café.

Jasper parecia estar evitando olhá-la nos olhos, pois apensa assentiu de cabeça baixa. Ele, que sempre tivera a precisão na hora de abotoar seus botões, parecia desajeitado. Sempre encarava as pessoas frente a frente, parecia tímido e sem jeito para fazer aquilo com ela, naquele momento.

Alice apenas não sabia se aqueles eram bons sinais.

_ Jasper, você está bem? – ela arriscou a perguntar, pois o silencio já estava ficando ridículo e infundado.

Ele terminou seu serviço em suas camisas e virou-se para ela.

Parecia distante como o inferno.

_ Sim – disse ele, incomodado em não conseguir olhá-la nos belos olhos castanho-vivos, como sempre o fazia – Sim, estou bem. Agora... agora eu descerei.

Ele passou as mãos pelos cabelos cacheados, como se quisesse arrumá-los.

_ Venha cá, eu os arrumo para você – disse ela, estendendo-lhe as mãos.

Aquele ato pareceu ter sido como um choque elétrico para ele, pois ele dera um passo automático para trás. Seus olhos estava distantes e brilhavam mais do que o normal.

_ Não – disse limpando a garganta a fim de falar com mais clareza do que o fazia – Não, não há necessidade de se incomodar. Está bem assim.

Alice cruzou os braços em volta de si, sentindo-se estranha. Não gostara muito de ver como ele parecia querer distancia.

_ Tudo bem – foi o que disse antes de sair de seu caminho.

_

Alice descera quase 40 minutos depois de Jasper. Tratou de tirar da cabeça o assunto mal resolvido dos dois, pensando se o incomodaria com aquilo outra vez ou se o esqueceria de uma vez por todas.

Começou a cogitar a hipótese de ter escutado por ela mesma, sem que ele realmente tivesse dito aquilo.

Assim, apenas se confirmaria a eminente loucura dela.

Ela terminou de descer as escadas em silencio, enquanto pensava. Dera com Lilly e Consoelo conversando baixo na sala de estar, perto da porta do escritório de Jasper.

_ O que aconteceu? – ela indagou assim que chegara atrás das mulheres.

Lilly e Consoelo deram um pulo pelo susto e enrubesceram quase que de imediato ao darem cara a cara com sua patroa.

_ Oh, Lilly, eu lhe disse para sairmos daqui! – sussurrou Consoelo com a voz esganiçada.

Lilly bateu nos ombros da mulher, sussurrando para que ela se calasse.

_ Sra. Witlock, não estávamos espionando muito menos escutando atrás das portas, jamais fazemos isso – defendeu-se ela, encarando Alice com os olhos arregalados.

Alice arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços sobre o peito, esperando, muito atentamente, que as mulheres continuassem.

_ O que faziam, então?

_ Ah, estávamos discutindo se batíamos na porta ou não, pois eles já estão trancados lá por tanto tempo que estávamos temendo que tivessem morrido – disse ela, no alto de seu exagero.

Alice segurou o riso que quis dar, mas manteve-se séria e firme, encarando suas serviçais como se não acreditasse muito em sua historia.

_ E vocês acham isso algo digno de se fazer? – indagou ela com a voz propositalmente dura. Depositou as mãos na cintura a fim de passar uma postura muito mais severa do que o que ela conseguia.

Lilly e Consoelo e se entreolharam antes de abaixarem a cabeça, constrangidas. Alice nunca havia passado sermão nelas e elas pareciam um tanto surpresas com aquele.

_ Sinto muito, Sra. – murmurou Lilly – Não era nossa intenção.

Alice balançou a cabeça vagarosamente, semicerrando os olhos para elas, como se estivesse prestes a dar-lhes uma punição.

_ Vocês sabem o que vai acontecer agora, não sabem?

_

Alice, Consoelo e Lilly levantaram as cabeças ao mesmo tempo quando Jasper abrira a porta.

A principio, não disfarçaram muito bem, pois Jasper passara por elas, em direção à biblioteca, com um pequeno riso debochado. Porem, quando ele voltara pelo mesmo caminho com uma enorme maleta de papéis, adentrando novamente ao seu escritório, elas escoraram-se na porta outra vez.

_ Conseguem escutar alguma coisa? – Alice perguntou com a voz baixa, silenciando-se logo em seguida para tentar escutar os ruídos de dentro daquele escritório.

_ O Sr. conhece meu pai, Sr. Delantis – disse Jasper o pouco que as três conseguiam ouvir – Conhece como ele trabalha e conhece toda a plantação. Não vejo por que ainda há receios.

Dentro da saleta, o homem suspirara, e Alice pôde até mesmo escutá-lo remexendo seu enorme traseiro no couro do sofá, como se estivesse desconfortável.

_ Ah, filho, mas você bem entende que o preço do café não está tão mais alto do que o do chá, não? – argumentou ele, puxando argumentos para seu lado.

Alice sabia que estava sendo um tanto trabalhoso para Jasper conseguir fechar negocio com aquele homem, pois ele vinha falando dessa reunião, marcada por seu pai, Félix, a mais de semanas.

Bem conhecia aquele homem e sua fama de pão-duro.

_ Oh Deus, Jasper deve estar tenso como o inferno lá dentro, não acham? – Alice perguntou um pouco aflita.

Pobre de seu marido.

_ Infelizmente não podemos ajudá-lo – lamentou Lilly, remexendo a cabeça e escorando um pouco mais seu ouvido à porta.

E Consoelo apenas ficou calada, ainda tentando ouvir.

Alice saira de frente a porta e passou a andar de um lado para outro no corredor.

Tinha que conseguir entrar lá dentro para ajudar.

_ Já sei o que pode ser feito! – ela exclamou, de repente, assustando as duas mulheres que estavam concentradas. Sua animação parecera confusa para suas serviçais, pois elas a olharam com as testas franzidas.

_ E o que pode ser feito, Sra. Witlock? – Lilly perguntou pausadamente, como se temesse a resposta para aquela pergunta.

Alice a encarou com os olhos brilhando e um sorriso enorme moldara sua face.

_ Vamos fazer café...

_

_ Bem, eu realmente estava esperando o Sr. seu pai para esta conversa, filho – dizia o Sr. de enormes bochechas – Não quero lhe ofender, mas você parece qualquer coisa, menos negociante.

Jasper recebeu aquela revelação com um pouco de surpresa. Tudo bem que sua expressão dizia, claro e evidente, que ele não gostava nem uma grama de vender café ou fechar negocio com ele.

Porem, ele esperava que, ao menos por tanto tempo acompanhando seu pai nas negociações, ele herdasse um pouco de seus trejeitos.

Mas se enganara outra vez.

_ Sinto muito por isso, Sr. Delantis – desculpou-se ele com humildade, colocando suas mãos nos bolsos, pensando que acabara toda a negociação – Se houvesse algo de que eu...

_ Vim lhes trazer café, cavalheiros! – Alice anunciou quando abrira a porta de repente. Sorria largamente enquanto as xícaras fulminantes de café erguiam uma fumaça quente.

As três cabeças que estavam ali dentro viraram-se automaticamente para a nova voz que adentrara o escritório.

Porem, fora apenas o loiro de 1, 90 que empalidecera das pontas das botas surradas até o ultimo fio de cabelo cacheado.

_ Ah, desculpe minha indelicadeza – disse ela quando todos haviam silenciado. O casal requintado e bochechudo a encarou como se achassem sua intromissão naquela visita um tanto quanto inesperada. Talvez, Alice pensara, achassem que fosse parte do contexto – Cavalheiros e dama – disse ela com uma rápida piscadela para a mulher, que rira enquanto seu decote balançava com a enorme gama de conteúdo que tinha.

_ A-Alice? – Jasper gaguejou um pouco, enquanto um sorriso tremulo aparecera em seus lábios – O que faz aqui, querida? – ele a perguntou com um olhar sugestivo, enquanto aproximava-se dela com cautela, como se estivesse com medo de assustá-la e ela acabar por falar o que não podia.

E, vindo de Alice, qualquer coisa não poderia.

Alice o olhou com sua estampada cara-lavada. Fingira que não havia motivos para ele ficar tão temeroso quanto a sua repentina visita.

Fingiu não entender o que ele falava.

Assim, se o Sr. e a Sra. Delantis captassem as expressões de Alice, achariam que Jasper era um confuso e perturbado jovem herdeiro de café.

E quando Alice sorriu para ele, Jasper suou nas mãos.

_ Não será indelicado deste tanto, não é meu bem? – ela tocou suas bochechas carinhosamente, assustando Jasper um pouco mais – Não me apresentará aos convidados?

Jasper piscou algumas vezes antes de engolir em seco.

Alice tinha a intenção de estragar ainda mais as coisas?

_ Hãm... – ele balbuciou, rodando um pouco nos calcanhares – Bem, Sr. e Sra. Delantis, essa é Alice, minha esposa – ele a olhou significativamente – que já está de saída, não é? – sorriu nervosamente, colocando as mãos em suas costas para guiá-la até a porta o mais rapidamente possível.

Porem, Alice desviou-se de sua mão graciosamente com um largo sorriso em seu rosto.

_ Ir? – disse ela, aproximando-se de seus convidados – Não, querido, vim aqui cumprimentar o Sr. e a elegantíssima Sra. Delantis! – exclamou, apontando para seu enorme chapéu preto, que continha uma enorme margarida na ponta — Mas que chapéu digno de capital! – sorriu ela, e olhou rapidamente para o vestido lotado de lantejoulas – E esse vestido, então? Certamente são donos de alguma loja além da fabrica de chá, suponho?

O Sr. arqueou as sobrancelhas, como se pensasse que aquela suposição fosse absurda demais e passar batido pela conversa fora normal. Porem, ao seu lado, a Sra. de rosto redondo e enorme decote rira alto, tremendo o sofá onde se espremiam.

_ Ah não, Sra. Witlock, eu mando fazer todas as minhas vestes sob medida! – explicou ela, ainda sob seus risos agudos.

Alice e Jasper se entreolharam, como se confirmassem o que a mulher dizia.

Quer dizer, ela jamais encontraria um vestido que coubesse seus enormes melões, como pensavam.

_ Bem, e quanto ao café? – Jasper interrompeu os devaneios, voltando a ficar nervoso. Precisava muito fechar aquela venda e, certamente, com Alice ali, aquele era um feito muito difícil.

O Sr. de enormes bochechas dera um olhar de soslaio para sua Sra., assim como Alice e Jasper quando conversavam sobre algo.

_ È difícil admitir, jovem Witlock, que ainda não me convenci sobre os benefícios capitais de me associar ao café.

Jasper praguejou-se por dentro, passando as mãos pela barba por fazer. Já havia usado quase todos os seus argumentos e eles de nada haviam valido.

Estava começando a entregar-se.

_ Olhe Sr. Delantis, poderia, não sei, pe...

_ Ah, mas não está pensando em associar-se com os Oliveiras para aumentar seus chás, está? – Alice o cortou de repente, passando à sua frente e o calando. Olhou para o casal com os olhos fingidamente chocados.

_ Hãm... – o homem parou um pouco, desconfortável diante do olhar de Alice. Remexeu seu enorme traseiro sobre o couro – Bem, sim, eu estava.

_ Não! – Alice exclamou, assustando os três – Não faça isso, Sr. Delantis – o semblante do homem ficara confuso e, certamente, um tanto desconfortável, porem estava lidando com Alice agora, alguém que aprendera sobre os negócios desde o ventre de sua mãe – Quer dizer, o Sr. já viu aquelas coisas verdes e gosmentas que tem nas folhagens dos Oliveiras? Eu fico verde apenas de ver! – estremeceu, colocando a mão sobre o peito em uma fingida falta de ar.

Os olhos do casal se arregalaram em espanto e quando o homem limpara a garganta e a Sra. abanou-se imediatamente, Alice soube que o ponto havia sido seu. Pensou que, naquele momento, eles estariam pensando o que seriam as coisas verdes.

E sorriu ao se dar conta de que era exatamente isso que queria.

_ Coisas verdes? – a mulher perguntou para o marido em uma voz esganada. Imediatamente, ele se virou para Alice.

_ Coisas verdes?

Alice assentiu, pesarosa.

_ Mas, no mínimo, são aqueles grilos — refletiu ela, encarando a mesinha de centro – Ou quem sabe aquelas lagartas de folhas, não? – sorriu largamente, enquanto o casal fazia uma incomparável expressão de nojo.

_ Lagartas? – o homem indagou, virando-se para Jasper – Em suas folhagens de café não tem lagartas, espero eu?

Jasper franziu a testa antes de manear a cabeça, um tanto desnorteado.

_ Não, não Sr.

Alice tocou o ombro dele, sorrindo.

Como se lhe desse os parabéns.

_ Do contrário, acham que eu teria essa pele? – Alice esticou o braço na direção dos Delantis – Nada de manchas, sinais ou verrugas.

Nem cor, mas sabia que eles não olhariam essa parte.

Ela jogara aquela indireta sobre eles e recebera um olhar muito pouco admirado do Sr. Bochechas. Porem, da Sra. Delantis, ela notara os olhos brilharem repentinamente, como se aquela idéia a tivesse arrematado a atenção.

Certamente, as enormes elevações vermelhas de seu rosto a incomodavam.

_ E como a Sra. consegue a isto, Sra. Witlock? – indagou a mulher, inclinando-se inconsciente em sua direção.

Alice encarou a mulher com o mesmo olhar que usava em Jasper para tentar persuadi-lo.

Mas com aquela mulher, funcionara.

Aproximou-se dela vagarosamente, como uma serpente, tocando seus ombros lantejoulados com as duas mãos. Enquanto hipnotizava a mulher com seus olhos excessivamente brilhantes, Alice murmurou.

_ Tomando café.

Três tipos diferentes de lampejos passaram pelos rostos dos três que testemunhavam o poder de Alice.

O primeiro de era de desejo.

O segundo de dó, certamente de si mesmo.

E o terceiro de espanto.

Jasper olhou para Alice duvidando de que ela era mesmo capaz de mentir tão descaradamente daquela maneira.

Quer dizer, Alice nunca tomaracafé.

_ Ah, mas fala seriamente? – indagou a Sra. com espanto e surpresa – Seus segredos resumem-se apenas no café?

_ Oh, sim, certamente que sim!

Os olhos da mulher, antes já brilhantes, sorriram. Ela passou a abanar-se freneticamente, olhando, de repente, para as xícaras de café.

_ Bem, eu agradeço, mesmo, o tempo que conversamos, Sr. Witlock – o homem tratou de pôr-se de pé em um átimo, prevendo que logo não teria escapatória – Tenham um bom dia – disse, estendendo a mão.

Porem, quando Jasper fizera o mesmo, a enorme Sra. Delantis batera na mão de seu marido, colocando-se ao seu lado.

_ Feche negocio com ele, querido – disse em alto e bom tom.

Alice, Jasper e o pobre Sr. Delantis a olharam.

_ Desculpe, querida, como? – indagou o homem, pegando seu chapéu, já colocado na cabeça, e segurando-o contra o peito em sinal de desamparo.

_ O Sr. escutou, Sr meu marido – a mulher endureceu a voz – Feche negocio com ele.

_ Mas docinho, eu ainda gostaria de conversar com o Sr. Oliveira, antes – insistiu o homem, tentando desesperadamente persuadir sua Sra. – Falar sobre os chás, lembra-se? Você...

_ Eu não vou repetiu, Sebastian! — a mulher sibilou baixo, seu rosto começando a ficar vermelho vivo. O homem ainda travou uma silenciosa guerra pelo olhar com a mulher.

Porem, quando Alice pensara que ele se imporia sobre a vontade da mulher, ele virou-se para Jasper com a mão tão estendida que quase lhe tocava o estomago.

_ Temos um negocio, Sr. Witlock?

_

_ Certamente que a Sra. poderia vir visitar-se durante as reuniões – disse Alice enquanto eles se encaminhavam para a saída – Na verdade, seria um prazer, Sra. Delantis.

Quando os quatro passaram pela sala de estar, Lilly e Consoelo arregalaram os lhos, descrentes pelo sucesso da reunião.

Não seria esse fim que teria a 20 minutos atrás.

_ Nos vemos na próxima semana, jovem – o Sr. apertara a mão de Jasper outra vez.

_ Certamente, Sr. Delantis.

O homem assentiu antes de colocar seu chapéu sobre a cabeça. Enlaçou o antebraço com o de sua Sra., e ambos se ambos se encaminharam em direção à saída.

_ Sra. Delantis? – Alice a chamou antes que ela cruzasse a porta.

Imediatamente, como se fosse sua melhor amiga de toda uma vida a tivesse chamado, a mulher virou-se para trás, sorridente.

_ Sim?

Alice arqueou as sobrancelhas, apertando fracamente o braço de Jasper, onde ela segurava.

_ Seu cabelo está fora do lugar...

Jasper abaixou a cabeça para não rir alto demais. E quando a mulher fora embora, ele se permitiu soltar um longo suspiro.

_ Acredita em tal fato? – perguntou ele quando ela fechou a porta da sala – Tenho uma mulher melhor negociante do que eu!

Alice riu enquanto se aproximava dele.

_ O segredo é não agradar os homens, e sim as mulheres deles – ela explicou, abraçando-o pela cintura – Por que, no final de tudo, são elas que decidem.

Jasper semicerrou os olhos para ela, começando a travar com ela uma batalha de gêneros.

_ Esqueça – disse no alto de seu ego masculino afetado – Você teve apenas sorte.

Alice arqueou uma sobrancelha para ele, sorrindo.

_ Você não acredita em sorte, lembra?

Jasper pegou uma mecha de seu cabelo e o colocou atrás de sua orelha. Quando fez isso com a outra, voltou a falar.

_ Eu não preciso acreditar para você ter, sabichona.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississpi

1901

Uma semana depois

Alice ajeitava seu vestido laranja sobre os ombros, começando a se preparar para a festa que haveria por conta do noivado de Lauren Stanley e... bem, um homem cujo nome era James.

James de alguma Senhoria, Alice pensava.

Nunca fora o maior afeto das irmãs Stanley, principalmente após o episodio da cola de sapateiro nos coques delas em uma das aulas de etiqueta, para que soubesse o nome de seus pretendentes, de qualquer forma. E iria naquela festa apenas por motivos sociais.

Esme prezava muito a reputação da família.

E, apenas para não desgostar sua mãe, ela estava arrumando-se tão bem. Certo que já estava um pouco atrasada naquele ato, mas não estava se importando muito.

Porem quando ela olhou para trás de si no reflexo do espelho, vislumbrara Jasper, ainda deitado e ainda nu, olhando-a se aprontar como se também não o tivesse que fazer.

Bufou, batendo as mãos nas laterais do corpo.

_Vamos, Jasper, levante-se daí e vá se aprontar! – ordenou ela — O que vão começar a dizer se chegarmos tarde na festa? Sempre comentam as pessoas que se atrasam muito.

Jasper, sendo sua versão masculina, deu de ombros, se importando tanto com aquela festa quanto se importava com os cafés de seu pai.

Ou seja, muito minimamente.

_ Irão entender que estávamos muito bem aqui, fazendo amor, e que agora estamos realmente zangados por termos que parar para ir a essa festa estúpida – disse ele, não conseguindo esconder sua real frustração com a realidade de que teriam mesmo que ir.

_ Jasper! – Alice o repreendeu, mostrando que ele não venceria, dessa vez. Ele não se comportaria como um rapazote de 15 anos.

E Jasper percebera isso.

Vira que não haveria saída nem escapatória e que não poderia fazer Alice mudar de idéia.

Mas, bem, talvez pudesse retardá-la.

_ Tudo bem, Alice – disse com uma voz vencida – Então venha aqui e me dê um beijo – chamou ele, levantando sua cabeça do travesseiro.

Alice o olhou por sobre o ombro com um olhar desconfiado.

_ Chantagem? – indagou ela, tentando ocultar seu sorriso e parecer tão séria quanto gostaria.

_ Incentivo, minha querida.

Alice não conseguiu e acabou por rir dele. Jasper era um maldito persuasivo, mesmo.

Ajoelhou-se sobre a cama e lhe dera um beijo no canto da boca. Mas quando tentou retroceder, Jasper a puxou pelos braços e ambos caíram na cama outra vez.

Para começarem tudo de novo.

_

Duas horas depois, Alice já estava sentada em sua poltrona de bordar, balançando a perna freneticamente e observando Jasper caminhar pacientemente pelo quarto.

Ele enrolara até o ultimo segundo possível, mas por fim tomara seu banho para irem.

Alice precisou empurrar-lhe muito.

Mas, enfim, ele já estava com sua toalha em volta da cintura, os cabelos a recém gotejando e o cheiro de essências frescas exalando de seu corpo masculino.

_ Jasper, eu lhe separei seu colete – disse apontando para a cama, onde a roupa dele já estava devidamente exposta – Combinará perfeitamente com suas botas – sorriu, pondo-se de pé.

Jasper assentiu um pouco surpreso em como Alice tornara-se uma esposa praticamente... perfeita.

_ Obrigado, meu amor – murmurou ele inconscientemente, pegando sua camisa para começar a vestir-se.

Porem, por mais murmuradas que suas palavras pudessem ter sido ditas, Alice escutara como se ele houvesse gritado-as.

Virou-se para ele no mesmo instante, sentindo o coração acelerar-se desobedientemente.

_ Do que.... do que me chamou? – indagou ela com um sufoco no peito. Não podia ter escutado realmente bem, podia?

Jasper a havia chamado de... amor?

Ela engoliu em seco, encarando-o intensamente, a fim de não perder palavra alguma que ele dissesse.

Porem, Jasper também se dera conta do que falara e achou-se tão absurdo que até corou.

E não era homem de corar, Santa miséria!

Pareceria a parte fraca daquele casamento se ficasse dizendo aquele tipo de coisa.

Alice jamais havia dito aquilo....

Levemente incomodado e sem jeito, Jasper desviou-se dela em seu caminho para trocar-se no outro extremo.

_ De Alice – respondeu ele quando ela já não podia afetar-lhe com seu perfume. Detestava mentir para ela, mas naquele momento era necessário — Lhe chamei de Alice.

E fora muito melhor para ela que ele lhe houvesse dado as costas, pois assim não fora testemunha da caída drástica de sua expressão. Seu coração, que havia ficado tão empolgado, de repente, murchara dentro do peito como uma bexiga.

E ela obrigou-se a voltar para a realidade. A realidade que, de um dia para outro, passara a lhe incomodar, como um machucado aberto.

Apenas ficou observando-o, em silencio, vestir-se mecanicamente.

_

Alice ajeitou seu vestido azul novamente, um pouco mais nervosa do que antes. Estaria sentindo-se muito melhor com seu vestido laranja, mas depois de Jasper tê-lo amassado como a uma folha de papel, ela se vira obrigada a usar aquele.

Mas esqueceu-se do vestido quando olhara pela janela da carruagem e vira as diversas luzes do salão dos Stanley.

Era, definitivamente, um dos mais importantes casamentos da temporada.

Alice nunca fora muito amiga das irmãs Stanley, porem não poderia fazer a desfeita de faltar.

Elas eram escandalosas e extravagantes demais para que ela pudesse perder.

_ Acalme-se, Alice, ou vai tirar a cor de seu vestido de tanto que passa as mãos – disse Jasper, inclinando-se para ela. Era como todos os outros homens.

Não entendia nada das mulheres e ainda achavam-se no direito de fazer gozações.

_ Oras, Jasper, não estou nervosa – retrucou ela, ajeitando seu vestido outra vez – Apenas ansiosa. Quer dizer, haverá tanta gente...

Jasper riu ao seu lado.

_ Ah, Alice – suspirou ele – Ninguém falará nada de você.

Alice bufou, fuzilando seu perfil.

_ E como pode ter tanta certeza disso? Você não conhece todas as jovens que estarão aí, hoje. Elas são as responsáveis por todos os meus terrores de infância, Jasper!

Ele passou seu braço por seus ombros, rindo como Ernest, o cocheiro, também ria.

Mulheres.

­_ Elas não falarão nada, pois você será a mulher mais bonita dessa festa.

_

Porem, Jasper estava enganado, Alice pensara no momento em que seus pés pisaram no salão iluminado, enfeitado e brilhante. Haviam tantas pessoas bem vestidas e sofisticadas que Alice não sabia para quem olhava.

_ Está cheio, não? – disse ela com a voz trêmula. Com o braço enlaçado ao de Jasper, ela apertou-se.

_ Sim, está – Jasper, sempre natural demais para a paciência de Alice, disse – Tem tanta luz que eu mal consigo enxergar.

_ Ah, até que enfim vocês chegaram! – Rose, com sempre, fora quem os avistara primeiramente.

_ Olá minha irmã! – Alice a abraçou um tanto aliviada por ver alguém conhecida.

_ Está linda, Alice, realmente linda! – Rose riu, oferecendo a mão para Jasper, que a beijou respeitosamente – Não está, Sr. meu cunhado?

Os dois riram enquanto Alice corava.

_ Sim, está – disse ele no alto de seus quase 1,90 – E onde estaria o Sr. Seu marido?

_ Ah, Emmett está entupindo-se de bolinhos de carne – ela revirou os olhos, ajeitando seu coque loiro – E mamãe está tentando fazê-lo parar.

Alice riu alto, começando a perder toda a apreensão que tivera antes.

Uma dança tocava, e algumas pessoas dançavam.

_ Já viram a noiva? – Alice perguntou, olhando para todas as elegantes pessoas que conversavam e sentindo falta de uma das Stanley.

_ Sim, Lauren está desfilando por todos os lugares – disse Rosalie, olhando juntamente com Alice – Enquanto que seu noivo, Sr. James.... bem, creio eu que não o vi em lugar algum.

Enquanto as duas mulheres trocavam olhares confusos pela ausência do noivo, Jasper rira discretamente ao seu lado, como se o que falavam lhe era deveras divertido.

_ O que é tão engraçado, Jasper? – Alice indagou ao marido, encarando-o de forma inquisitória.

Porem, era Jasper. E tinha saídas como Jasper.

_ Nada, minha cara – disse ele sendo evasivo – Estava apenas a observar o Sr. McCarty andando com cinco bandejas de bolinhos de carne pela pista de dança.

Alice e Rose olharam de imediatamente para a direção onde Jasper apontara. Alice rira enquanto Rose bufava.

_ Ah, não, Emmett, outra vez não! – disse ela saindo apressadamente em sua direção.

E quando ela se fora, Alice rodara os olhos por todos os lados. Todas as pessoas conversavam em um agradável tom, bebendo vinhos e wisk, e rindo alto.

E ela não conhecia nem metade das pessoas que estavam ali.

_ Por favor, quando avistar a Sra. minha mãe, avise-me – ela implorou para Jasper em um murmúrio.

Jasper sorriu enquanto caminhava com ela em seu enlace.

_ Até mesmo as filhas do Sr. e da Sra. Delantis vieram de Florence – disse ele apontando para um canto, onde diversas moças, aparentemente da mesma idade, conversavam animadamente.

_ Ah, certamente estão discutindo qual dos moços solteiros dessa festa está disponível para o matrimonio – Alice zombou sarcasticamente – È melhor que seus amigos soldados não estejam aqui, esta noite, ou não escaparão.

Jasper riu ao seu lado, pegando uma taça de vinho que um dos serviçais oferecia.

_ Se eles não escaparem, então devemos ver o que há de errado com essas garotas – zombou ele, enquanto Alice unia-se a ele em uma descontraída risada.

Porem, quando ambos calaram-se, olhando ao redor, Alice avistara alguém de que queria passar longe.

_ Oh, que sorte! – ela resmungou, abaixando a cabeça até quase enterrá-la na taça de Jasper.

_ O que foi? – ele perguntou, erguendo sua cabeça.

_ Boa noite – a voz fina interrompeu a conversa dos dois, atraindo suas atenções.

Uma de surpresa, outra de desgosto.

_ Boa noite, Srta. Volture – Jasper cumprimentou a mulher, no alto de sua polidez e cortesia.

Porem, ao seu lado, Alice apenas a encarou, perdendo a etiqueta e negando a dar-lhe um cumprimento.

_ O que há de errado, Alice? – Jane indagou, como se estivesse surpreendentemente chocada com sua atitude.

Alice não conseguia olhá-la cara a cara, pois as lembranças de tudo o que ela havia lhe dito em seu ultimo encontro ainda ardiam em seu peito. O desconforto pousou ali e ela apenas desviou o rosto, negando-se a ter que fingir cortesia com aquela Srta.

_ Ah, Alice, eu sei que as aulas de etiqueta e bons modos não foram suficientes, mas, ao menos, poderia fingir e devolver-me um cumprimento.

Alice apertou a manga da camisa de Jasper entre os dedos, desejando muito sumir. Ficou pensando até quando Jane Volture ainda faria aquilo com ela.

Talvez, esse quando fosse para sempre.

_ Talvez seja melhor não insistir, Srta. Volture – Jasper intrometeu-se, um tom estável que causou certo desconforto em Alice.

Mesmo depois de tudo, Jasper ainda tinha que agir tão educadamente com aquela mulher?
Jane deu de ombros, virando-se para ele.

_ È muito bom revê-lo, Jasper – disse ela, trocando o peso entre as pernas com a intenção de mexer em seu decote e atrair a atenção dele.

Alice trincou os dentes com aquilo, quase rasgando a camisa de Jasper.

_ Certamente faz muito tempo, Srta. Volture – ao menos, Alice notou, ele não agia intimamente com ela como ela fazia com ele.

_ Penso que me dará uma dança essa noite, certo? – sugeriu ela, com um doce sorriso e um tom persuasivo.

_ Acho que ele não poderá dar-lhe coisa alguma, Jane – diante do absurdo que aquela mulher dissera, Alice se vira no dever de intrometer-se, a fim de não deixar Jasper nem ao menos pensar a respeito.

A expressão de Jane fechou-se como um tempo chuvoso, enquanto ela fulminava Alice com a descrição e a inocência que sempre fizera.

_ O que há de errado em uma dança, Alice, minha querida? – indagou ela, forçando um sorriso amistoso – Não se preocupe, esta noite você parece muito bela, também. Claro, não podemos comparar meus vestidos de Jacksonville com os daqui, de Biloxi – disse ela, descendo seu olhar por todo o corpo de Alice – Mas este seu quase lhe deixa graciosa, também – sorriu, adorando aquela guerra particular, o que, pensava ela, não deveria fazer sentido algum para Jasper.

Afinal, ele era homem, e homens não entendiam indiretas de mulheres para mulheres.

Alice respirou ruidosamente, despejando em Jane toda sua raiva por seu olhar.

Queria poder dizer a ela tudo que vinha em sua mente, nesse instante.

_ Pois sabem vocês, Srta’s, o que eu acho realmente engraçado? – Jasper disse de repente, seu rosto resplandecendo em uma naturalidade que Alice já não vinha gostando.

_ Eu, sim, gostaria de saber o que seria, Jasper – disse Jane, sorrindo largamente para ele, enquanto iniciava com ele a conversa que queria.

Porem, Jasper não mudara de expressão, tom de voz nem muito menos excitação diante do charme que Jane jogava para ele.

E, agora, Alice começava a confundir-se.

_ Acho engraçado a Srta. dizer que alguém é desajeitada, sem modos e desprovida de beleza, sendo que é esse alguém que se encontra casada, e muito bem casada, enquanto a Srta. continua enrugando, a espera de um marido.

Suas calmas palavras fizera tanto Jane quanto Alice o olharem chocadas, enquanto um clima tenso pairava entre o encontro dos três.

Os olhos de Jane tremeram nos cantos quando ela se dera conta de que Jasper, o seu Jasper, acabara de chamá-la de enrugada.

_ P-Perdão, o que foi que disse? – gaguejou ela com a voz grasnada. Pela primeira vez na vida, ela não sabia o que fazer, o que dizer, nem como manter sua postura sobre seus saltos.

_ A Srta. escutou muito bem, suponho eu – disse ele bebericando seu vinho – Ou, além de enrugada, está surda, também?

Alice tapou a boca, chocada, enquanto Jane gemia fracamente, perdendo o ar. Ela dera dois passos para trás, precisando de um apoio.

_ Jasper, por que está falando assim? – indagou ela com um fio de voz. Logo, Alice pensou, ela começaria a chorar para fazer sua cena.

Porem, Jasper continuara com sua postura séria e natural, dando de ombros, indiferente, ante seu quase choro.

_ Para que a Srta se acostume, pois toda a vez que se dirigir à minha esposa com suas grosserias, serei eu quem responderei por ela – disse ele, agora com uma voz um pouco mais dura, olhando bem dentro dos olhos azuis indignados de Jane — E, se nos der licença, temos alguns amigos para cumprimentar.

Jane engoliu em seco, seu olhar distante, enquanto Jasper e Alice passavam por ela sem encostar um único centímetro de pele na dela.

_ Deus, você disse aquilo para Jane! – Alice exclamou, exultada, quando tomaram certa distancia do corpo petrificado e envergonhado de Jane, ainda no mesmo lugar em que eles a haviam deixado – Quer dizer, você a chamou de enrugada e surda. Enrugada e surda! – quicou ela, incapaz de esconder sua imensa satisfação em ver, pela primeira vez, Jasper a defendendo daquela Srta.

_ Alice, é obvio que eu não deixarei Jane humilhá-la novamente – explicou ele, terminando de beber sua taça de vinho.

Alice riu, desviando dos serviçais que passavam com mais bandejas.

_ Bem, antigamente você diria que era implicância minha para com ela – disse ela, exteriorando aquele fato, que a incomodava a muito tempo, porem, que agora, ela já não ligava mais.

Porem, Jasper os parou no meio do caminho, olhando para ela.

_ Sinto muito –disse – Não era minha intenção ser injusto.

Alice não era capaz de tirar seu sorriso da face, de modo que encarou seu pedido de desculpas com diversão.

_ Não há com o que se preocupar – disse ela – Eu mesma duvidaria de mim se eu dissesse que não a provocava. – deu de ombros, ajeitando a gola da camisa bege dele.

Jasper sorriu antes de puxá-la para dar-lhe um rápido beijo em sua testa.

_ Ah, eu disse-lhe que o Sr. Capitão Newton estaria aqui – Jasper disse de repente, olhando por sobre a cabeça dela.

Alice se distanciou dele para poder olhar para trás. A uma significativa distancia, um homem alto e de belos cabelos platinados aparecia de costas, conversando em uma roda de homens.

_ Aquele é o famoso Sr. Newton? – indagou ela, curiosa quanto À aparência dele.

Jasper sorriu largamente.

_ Sim, aquele é meu capitão – respondeu ele com intensa satisfação.

Alice não entendeu a euforia que sentiu no peito, mas tentou reprimi-la para longe.

_ Seu ex-capitao – corrigiu ela, detestando a forma presente com que Jasper sempre falava de seu passado.

Ele virou-se para ela, encarando seu perfil, que recusava-se a olhá-lo de frente.

_ Carlisle sempre será meu capitão, minha cara – disse ele com o tom mais ameno que conseguia. Alice não conseguia entender, por mais que ele insistisse em lhe dizer, o que ele sentia com relação ao seus amigos de exercito – Eu sempre pertencerei ao Exercito de Michigan.

Alice bufou, cruzando os braços sobre o peito, portando-se como fazia quando tinha sete anos e era contrariada.

_ Bem, então eu deveria ir até ele pedir para que ele pare de chamá-lo para as guerras – resmungou ela, a boca projetando-se em um bico.

Jasper não segurou o riso, enquanto a puxou pelos ombros para perto de si.

_ Desculpe, Alice, mas eu sempre irei quando precisarem de mim, pois é de minha natureza – Jasper disse, tentando convencê-la de que não adiantaria mais brigas. Aquela era uma realidade da qual ele não estava disposto a abrir mão. Claro que, se Alice piorasse, ele faria de tudo para não sair de perto dela, porem, enquanto a doença parecia controlada, quase extinta, ele poderia pensar a respeito.

Certamente, Lilly e Consoelo seriam orientadas de muitas funções em sua ausência com relação à saúde de Alice.

_ Mas Jas...

_ Eu irei – ele a cortou, porem não era rude. Acariciou sua bochecha com lentidão – Mas, como você se preocupa tanto, eu tomarei cuidado – ele a encarou bem no fundos dos olhos castanhos vivos. Os mesmos olhos que ele sabia que conseguia reconhecer em outra pessoa — Se você me pedir, eu vou voltar.

Alice sustentou seu olhar por um tempo indeterminado antes de assentir. Mas, o que sentira, não fora o delicioso reboliço que sentia quando ele dizia-lhe coisas como aquelas. Isso por que se lembrava perfeitamente do momento em que amassara e jogara fora a carta de seu capitão, mandando para longe a possibilidade de ele lutar outra vez.

_ Eu pedirei – murmurou com dificuldade, tocando sua mão ainda em sua bochecha.

Ele sorriu, virando-a gentilmente pelos ombros, na direção que estava o alto e loiro homem.

_ Agora vamos até lá para eu apresentar você a ele – Jasper a conduzira entre as pessoas com vagarosidade – Ele não acredita que você é linda. Acha que eu não teria toda essa capacidade. Acredita em tal absurdo?

Alice não riu, pois o nervosismo ardia na boca de seu estomago.

Porem, iria chegar lá tão corada quanto um tomate.

_ Sr. Newton?! – Jasper o chamara alto, pois ainda estava distante. Certamente fora sua enorme satisfação em apresentar dois lados de sua vida.

Porem, quando o homem se virara para trás para ver quem gritara seu nome, alguém surgira, sorridente, logo à frente de Alice e Jasper, tapando a visão do Sr. Carlisle Newton.

E esse alguém fora Esme.

Notas finais
E entao????????
Ah, vcs são espertas, eu tenho certeza que já sacaram o que vai acontecer, hummm?
ENtao, vou tentar terminar o proximo cap.
Espero que nos vemos sexta que vem.
Beijosssssssss
:*