Os Segredos de Ster Bittencourt
2 Tio Marcus
Notas iniciais
“Como vou conseguir sair daqui? Preciso de ajuda!” esses eram ospensamentos que rondavam a mente de Kaitlyn, enquanto suas lágrimas não paravam de cair em sua blusa branca tornando-a cinza.
Logo, Kaitlyn ouviu um bip vindo de seu celular, que estava no bolso de sua calça; ela pegou o aparelho de forma bruta e rápida, viu que o sinal de rede havia voltado e decidiu rapidamente ligar para seu tio Marcus, para que ele fosse libertá-la.
– Alô! Kaitlyn, o que você quer essa hora da noite? – falou Marcus, com a voz sonolenta e um tom de bravura.
– Tio? Me ajude! – disse ela com uma voz tão chorosa que pouco dava para se entender o que dizia. – Estou presa no porão da minha casa.
– Kaitlyn, não acha que já está muito tarde para brincadeirinhas? Eu estava dormindo! .
– Tio, eu não estou brincando! – Kaitlyn falou com um tom desesperador – Um tal de Roger Petterson matou minha mãe. Você precisa vir aqui me ajudar!
– Roger Petterson? Ele matou Ster? – Marcus começou a acreditar no que Kaitlyn dizia – Estou indo aí! Não fique muito nervosa. Prometo que em menos de 10 minutos chego!
– Tá! Vem logo!
Kaitlyn desligou seu celular e o pôs no bolso de sua calça. Ela não conseguia parar de chorar, estava confusa, não sabia mais o que fazer. Decidiu tentar manter a calma, mesmo sabendo que seria difícil, e aguardar seu tio chegar.
Depois de aproximadamente 7 minutos, a menina loira ouviu um barulho de porta abrindo.
– Tio Marcus? É você? Estou aqui embaixo. No porão. – ela gritou, na esperança de que seu tio iria ouvi-la.
O barulho de passos foi surgindo em seus ouvidos. Kaitlyn sentara em frente a porta do porão, aguardando seu tio chegar.
Marcus estava descendo as escadas rapidamente. Quando chegou na frente da porta do porão, viu sua irmã jogada no chão com o sangue abundante no chão.
Caíram lágrimas de seus olhos, porém ele estava calmo. Ele nunca foi muito sentimental, mesmo em situações difíceis; estava focado em ajudar sua sobrinha.
– Kaitlyn, estou aqui! – disse Marcus – Afaste-se da porta, vou precisar arrombá-la!
Marcus deu um chute na porta de madeira, fazendo-a cair no chão causando um enorme estrondo em meio a noite silenciosa. O homem de cabelos curtos e grisalhos viu sua sobrinha com o rosto inchado de tanto chorar e logo foi abraçá-la.
A menina loira viu seu tio, porém ignorou sua presença. Ela correu até o corpo cheio de sangue de sua mãe e beijou sua bochecha.
– Mãe! Acorda! Acorda, por favor! – Ela berrava, mesmo sabendo que sua mãe já estava morta.
– Calma, Kaitlyn! – Marcus deu um abraço na adolescente, tentando consolá-la. – Eu entendo como você está se sentindo, mas você precisar manter a calma, por mais difícil que possa ser.
– Por que isso aconteceu? Minha mãe sempre foi uma boa pessoa. Aquele cara antes de matá-la falou algo sobre ela não ter pago o que devia e ter fugido. O que ele quis fizer com aquilo – perguntou Kaitlyn ao seu tio, com indignação.
– Vou te falar tudo, querida. Mas não agora. Você já passou por muito coisa. Vamos para minha casa, já está tarde da noite.
Marcus deu a mão para Kaitlyn e saiu do porão dando passos curtos e hesitantes. Ele pegou seu celular no bolso de sua bermuda azul marinho e ligou para a polícia.
Minutos depois, a polícia chegou. Kaitlyn e Marcus estavam no portão de garagem da casa de Ster. Marcus contou tudo o que podia e sabia para os policiais, mas Kaitlyn negou falar qualquer coisa. Ela não conseguia, não estava em condições para isso. Os policiais entenderam e disseram que iriam investigar o caso, e que em alguns dias procurariam Kaitlyn para um interrogatório.
Kaitlyn entrou no Ecosport prata de seu tio, olhou para Marcus, que estava ligando o motor do carro e disse:
– Vamos! Não consigo olhar mais para essa casa.
O moço de olhos castanhos claros olhou para sua sobrinha e deu um beijo em sua bochecha, dizendo:
– Tudo ficará bem! — Marcus pôs a mão no volante e dirigiu em direção de sua casa.
– Vai ter que ficar mesmo! Quero justiça! Não sossegarei até que Roger Patterson esteja morto!
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