Os Segredos de Ster Bittencourt
3 A conversa de Rose com Marcus
Capítulo 3 – A Conversa de Rose com Marcus
Marcus dirigia rapidamente. A noite estava fria e deserta, quase não se via carros na estrada.
– Tio, Lindsay está em casa?
– Sim, mas já está dormindo – disse Marcus.
– Imaginei. Já está tarde. – disse Kait, decepcionada – Amanhã quero conversar com ela. Lindsay é a única pessoa com quem posso desabafar; e além disso, ela sempre me alegra, mesmo quando estou passando por situações muito difíceis.
Marcus abriu um sorriso leve e concordou com a cabeça. Foi desacelerando o carro vagarosamente, fazendo-o parar.
– Chegamos! – disse Marcus, com um suspiro de satisfação.
Kaitlyn saiu do carro e deu um abraço apertado em seu tio, dizendo:
– Te amo! Obrigado por me ajudar.
– Eu também te amo. – disse Marcus, dando um beijo na bochecha de sua sobrinha.
Os dois subiram a escada do prédio abraçados e sempre olhando para cada degrau que pisavam. Caíram duas lágrimas dos olhos de Marcus, Kaitlyn percebeu e rapidamente as enxugou.
O moço de olhos castanhos parou em frente ao seu apartamento, pegou a chave no bolso direito de sua bermuda e abriu a porta lentamente.
Rose estava sentada na poltrona de sua sala de estar. Assim que viu sua sobrinha entrando em seu apartamento, ela se levantou bruscamente, correu até Kaitlyn e deu-lhe um abraço forte.
– Sinto muito por tudo o que aconteceu, meu amor – disse Rose, com os olhos cheios de lágrimas – Você não merecia isso.
A adolescente de 14 anos correspondeu ao abraço forte de sua tia porém não disse nada.
Rose passou a mão suave e branca nos cabelos claros de Kait e olhou fixamente para seu esposo com um olhar preocupado.
– Tia, tudo o que eu quero agora é tomar um bom banho e logo após dormir.
– A toalha está no banheiro, e a cama está forrada no quarto de Lindsay, tudo bem?
– Tá! Então estou indo tomar um banho. Onde está a roupa de dormir?
– Coloquei em cima de sua cama.
– Obrigada! Boa noite!
Kaitlyn foi até o banheiro, tirou a roupa suja que estava vestindo, as jogou no chão e entrou no Box.
Ela terminou o banho em poucos minutos. Pegou a toalha vermelha que estava pendurada na porta do Box, secou-se rapidamente nela, a enrolou em seu corpo e foi em direção ao quarto de Lindsay.
Kaitlyn abriu a porta do cautelosamente, ela não queria acordar sua prima; pegou a roupa que Rose tinha separado e as vestiu.
Ela voltou ao banheiro para pendurar a toalha. Assim que chegou, olhou para o chão e ficou abismada. Kaitlyn tinha deixado o banheiro todo molhado. A menina decidiu não se importar com o acontecido.
Deu dois passos rumo a porta do Box, para pendurar a toalha, e escorregou no tapete enxarcado e caiu sobre a superfície escorregadia. Por sorte, não havia se machucado. A adolescente loira pendurou sua toalha e antes de sair do banheiro, se olhou no espelho e riu da situação.
Andou no corredor, voltando para o quarto e ouviu vozes vindo do quarto de Marcus. Aproximou-se da porta do mesmo para escutar o que seu tio estava falando, e ouviu tudo curiosamente.
– Por que você ainda não contou a ela sobre Albert? – perguntou Rose a seu marido.
– Amor, ainda não está na hora. Kaitlyn já passou por muito coisa. – falou Marcus, com a voz solene e grave.
Kaitlyn aproximou-se ainda mais da porta do quarto de seus tios e continuou atenta a cada detalhe da conversa dos mesmos. Sua expressão estava confusa, ela não estava acreditando no que estava ouvindo.
– Tudo bem, mas não demore muito para contar, ela precisa saber o motivo da verdadeira morte de seu pai – disse Rose
– Pode ficar tranquila. No momento certo contarei a ela sobre isso. Boa noite! – disse Marcus
Kaitlyn ficou assustada com tudo o que tinha acabado de escutar. Ela pensava que seu pai tinha morrido em um acidente de moto, mas tinha acabado de perceber que a versão da história que sabia era falsa.
A adolescente correu até o quarto de sua prima, jogou-se na cama de forma bruta e desleixada e começou a chorar. Seu choro era silencioso, porém melancólico. Sua menta estava cheia de dúvidas:
“Se meu pai não morreu em um acidente de moto, como ele morreu? Por que ele morreu? Alguém o matou, assim como aconteceu com minha mãe?”
Ela tentou se acalmar e guardar todos esses questionamentos para perguntar ao seu tio no dia seguinte.
Kait enxugou suas lágrimas, agarrou seu travesseiro e aos poucos rendeu-se ao sono.
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