Os Segredos de Ster Bittencourt
1 A Morte de Ster Bittencourt
Notas iniciais
*Prólogo
A escuridão daquela noite estava mais densa que o normal. A rua estava deserta, só se ouvia o barulho dos ventos se envolvendo nas folhas das árvores e a chuva batendo fortemente no chão.
Kaitlyn estava sozinha em casa, assistindo a um bom filme de terror. Tudo parecia como de costume, até que ela ouviu passos vindos do porão de sua casa.
Por um momento ela pensou que o barulho vinha de sua cabeça, porém percebeu que o som dos passos era mais que real. Kaitlyn ficou assustada e apreensiva.
Decidiu pausar o filme que assistia e desceu as escadas lentamente com uma lanterna acesa na mão, iluminando o caminho escuro até o porão.
Quando chegou ao porão, ela abriu a porta cautelosamente enquanto o som dos passos aumentava em seus ouvidos.
– Tem alguém aí? – ela disse, com a voz levemente trêmula.
Ninguém respondeu. Quando ela fechara a porta, o barulho cessou. Kaitlyn decidiu vasculhar o porão todo para ver se encontrava algo, ou alguém, que justificasse o barulho dos passos. Porém, nada encontrou. Pensou em voltar para a sala de estar e voltar a assistir ao filme que pausara.
A menina de cabelos louros levemente cacheados e compridos decidiu encarar o fato de que os passos que ouvira era fruto de sua imaginação. Percebeu que tudo que passava era do medo de estar sozinha em casa pela primeira vez e decidiu voltar a assistir o filme.
Quando Kaitlyn deu dois passos para a saída do porão, sua lanterna desligou, deixando o ambiente em profunda escuridão.
A adolescente de 14 anos ficou desesperada. Pensou em ligar para sua mãe, Ster Bittencourt, para saber se ela iria demorar muito a chegar do supermercado.
Ela colocou sua mão, que estava suando frio, no bolso esquerdo de sua calça jeans azul-marinho e pegou o celular. Tentou discar para Ster, mas o celular estava sem sinal, devido a chuva forte que caía.
– Socorro! Alguém me ajude! – gritou nervosa, andando de uma lado para o outro. – Estou presa no porão!
O porão ficara extremamente silencioso. Kait ficou cada vez mais apavorada e assustada com toda a situação. Sem ter o que fazer, ela resolveu sentar no chão e esperar sua mãe chegar para libertá-la.
Sentada, sozinha, naquela densa escuridão silenciosa, ela sentiu seus pêlos se arrepiarem. Kaitlyn ficou espantada e com muito medo de ficar sozinha naquele terrível lugar. Arregalou os olhos, como um peixe morto, e bufou de raiva, como um búfalo. Tudo o que ela queria era que sua mãe chegasse.
Ouvira um barulho de porta abrindo, vindo da entrada de sua casa, que ficava logo acima do porão. Ela abriu um enorme sorriso pensando que sua mãe havia chegado.
– Mãe? MÃE? – ela disse, com a voz apreensiva e um sorriso de alívio, na esperança que sua mãe já a tiraria do lugar sombrio.
– Kaitlyn? – Ster achou estranho o fato de ter ouvido gritos apreensivos de sua filha. – Onde você está?
Ster entrou no quarto de sua filha para ver se ela estava mexendo no computador, estudando. Quando entrou no quarto, Ster encontrou tudo bagunçado. Cama desforrada, pratos com restos de comida perto do computador...
A mãe, de cabelos loiríssimos e curtos, não achou nada tão estranho assim, pois não era surpresa que sua filha era desorganizada e desleixada.
– Mãe, estou trancada aqui embaixo. – Ster ouviu a voz de sua filha, vindo do porão. – Me ajude!
Srª Bittencourt foi descendo rapidamente as escadas até chegar ao porão. Seus passos eram firmes. Ela estava aliviada por saber onde sua filha se encontrava, porém preocupada com o fato de Kaitlyn estar presa no porão.
Quando a mãe de Kait estava chegando na porta que levava ao porão, ouviu passos vindos em sua direção. Ster olhou para trás e viu um homem branco pálido, com a roupa toda preta, cabelos pretos, e com um aspecto de criminoso.
– QUEM É VOCÊ? – gritou assustada, por saber que sua casa tinha sido invadia por um estranho.
O homem se aproximou lentamente, pegou o braço dela de forma brutal com sua mão grossa e áspera, e disse sussurrando em seu ouvido:
– Não se lembra de mim, Ster Bittencourt? – disse ele, com um tom de ironia, acrescentado em sua voz. – Estou de volta!
Ster reconheceu a voz grave e fria do estranho. E descobriu que já tivera contado com ele.
– Roger Petterson? O que você quer? Já não teve o que queria?
– Sim, sou eu. – ele falou com um tom de soberania. – Eu te dei tempo suficiente para você me passar as informações e o dinheiro que me devia. Porém, você fugiu! Achou que o pouco que me dera era suficiente. Depeça-se de sua filha! O seu tempo com ela está acabando. – disse Roger, com sua voz tensamente fria.
– NÃO! – Srª Bittencourt ficou apavorada pensando que Roger fosse fazer algo de ruim com sua filha. – O que você vai fazer com Kaitlyn?
– Relaxa. Não farei nada com ela. Prometo. – disse o vilão pálido, com um ar de deboche em suas palavras entonadas gravemente. – O meu problema é com você. Você não cumpriu o trato e por isso arcará com as consequências.
O homem de roupa preta colocou a mão no bolso e pegou uma pistola de fogo apontado-a para a cabeça de Ster, dizendo:
– Você tem seus últimos minutos de vida. Quer mandar um recado para sua filha? Fale, provavelmente ela está ouvindo atrás da porta.
– Filha, eu te amo. Te peço desculpas por nunca ter te contado nada, eu realmente sinto muito. – Disse Ster, com a voz chorosa. – Só lembre-se de uma coisa: Não confie em ninguém exceto seu tio Marcus. Diga a ele que Roger me achou. E não esqueça que eu te am...
Roger apertou o gatilho em direção a cabeça de Ster, dizendo:
– Já falou demais. Tempo suficiente. Adeus Ster Bittencourt!
A bala entrou brevemente na cabeça da mãe de Kaitlyn, deixando-a sem terminar o recado que estava passando para sua filha.
Roger seguiu até a porta do porão, que se encontrava trancada, e disse:
– Como sou um homem de promessa, não farei nada com você, queridinha. – disse, rindo. – Bom, por enquanto!
Roger subiu as escadas e em poucos segundos saiu da casa, deixando Kaitlyn sozinha e presa no porão.
Kaitlyn ouviu tudo e ficou apavorada. Ela entrara em estado de choque. Suas mãos tremiam e suavam. Seu coração palpitava descontroladamente. Lágrimas caiam em sua blusa branca, fazendo-a manchar. E o único pensamento que vinha em sua mente era: “O que fazer?”
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