Os Rejeitados
11 Um conselho de James Sirius Potter
Notas iniciais

“Podemos guardar os sentimentos o tempo que quisermos. Mas isso não significa que não existam.”
Cheguei ao corredor do sétimo andar. Andei três vezes em frente à parede me concentrando no que eu queria. Mas nada aconteceu. Droga. Alguém devia estar usando a sala. Lagrimas já escorriam pelo meu rosto. Voltei a correr e acabei por me sentar em uma escadaria. Como Anne pode ter falado que não tinha nada para falar conosco? E ainda nos tratou como se nos fossemos uma pedra no sapato dela. As palavras de Artie ecoavam em minha cabeça. “Até sua melhor amiga, se é assim que podemos chama-la percebeu. Alex você é o problema, sempre foi. Alex, o mundo seria bem melhor sem você”.
O mundo seria bem melhor sem você.
Você é o problema.
Mais lagrimas. Como ele pode dizer aquilo? Ele é meu irmão, e por mais que discutíssemos ele continuaria sendo meu irmão, e irmãos no fundo se amam não é mesmo? Independente das brigas eles sempre estariam lá para te ajudar quando precisasse, não para te fazer se sentir um peso nas costas dos outros. Nunca fui a melhor pessoa do mundo, mas, ele não tinha o direito de falar assim. E Henry, ele ficou quieto, não disse nada. Apenas como se concordasse. Aposto que a maldição cruciatus doeria menos do que o que eu estou sentindo agora.
Nunca fui muito de chorar ou demonstrar fraqueza, era como se não conseguisse, só chorei na frente de três pessoas em toda a minha vida. Minha mãe, Liliane e Artie. Eu e Artie costumávamos nos dar bem, às vezes eu me pergunto como tudo isso se transformou em discussões e magoa. Talvez fosse culpa do meu pai, ele nunca foi um pai muito bom, sempre irritado, preconceituoso, e nunca gostou de mim talvez por eu não corresponder ao padrão de filha perfeita, quando nos discutíamos era Artie que ficava comigo, Henry era pequeno demais para entender o que estava acontecendo. Ouvi passos atrás de mim, tento inutilmente limpar as lagrimas que insistiam em cair. Até que ouvi uma voz levemente familiar.
— Olha se não é a pessoa sem nome que derruba os outros pelo corredor. – Viro-me para olhar a pessoa que estava atrás de mim, o garoto que eu derrubei o dia que estava correndo de Audrey. Ele tinha um sorriso no rosto que logo se desfez ao ver que eu chorava. – Ei, o que aconteceu? – Pergunta sentando se ao meu lado na escada.
— Nada – Digo simplesmente, ele levanta uma sobrancelha. – Como descobriu que fui eu que te derrubei se eu estava de costas?
Ele ri.
— Bom, não são muitas pessoas que tem um cabelo castanho nessa coloração, um tom de mel... – Levanto uma sobrancelha. – Tudo bem, eu te vi vindo até aqui e te segui. Satisfeita?
Solto uma risada fraca.
— Você me seguiu? – Pergunto divertida.
— Claro, queria saber seu nome e talvez conseguir conversar melhor já que aquele dia você saiu correndo sem nem ao menos informar o nome da pessoa que de uma forma brutal – Diz ironicamente e eu sorrio. – Me derrubou.
— Não foi minha intensão, estava tentando continuar a viver, sabe aquela expressão ‘corra pela sua vida?’ É foi mais ou menos isso.
— Claro, claro. Vai me dizer seu nome? Por que caso não saiba eu sou muito curioso... – Diz com um sorriso.
— Só se você disser o seu. – Falo em um tom de desafio.
— James Sirius Potter. – Diz, eu provavelmente fiz uma careta porque ele logo completa. – Eu sei, eu sei. Sim, sou o filho do grande Harry Potter...
Solto uma risada, ele provavelmente acha que eu fiz isso por causa daquele negocio de “filho do eleito” e coisas assim. A maioria das pessoas nessa escola tratam eles como se fossem o próprio Harry Potter.
— Não é isso, é que não me dou muito bem com seu irmão. – Esclareço.
— Ah, Bom, Se isso te fizer sentir melhor, eu e ele não nos damos muito bem também. – Diz bagunçando os cabelos. E depois me observa. – E o seu nome?
— Alexandra Jaekins. – Digo.
— Até que é um nome pequeno. – Zomba ele.
— Ah não, meu nome completo é Alexandra Violet Lancaster Jaekins. Eu me apresento apenas com o primeiro nome e com o sobrenome.
— Seus pais eram bem indecisos em questão de nome. – Diz ele. Levanto uma sobrancelha confusa. – Conheço seu Irmão Henry, o nome dele não é consideravelmente pequeno, afinal, Henrique Leonard Lancaster Jaekis. Isso é algum tipo de tradição da sua família ou coisa assim? Quero dizer, nomes grandes...
— Não, não, é só que, meus pais decidiram que iam escolher o nome dos filhos juntos, porque afinal uma hora eles iam chegar a um acordo, o que não aconteceu. Meu pai queria colocar meu nome de Alexandra, mas minha mãe disse que era serio demais, e sugeriu Violet, meu pai disse que era um nome simples demais, e por fim decidiram colocar os dois, assim como com os meus irmãos. Mas e o seu nome, qual a historia dele? – Pergunto dramaticamente, ele ri.
— Nada demais, James era o nome do meu avô, e Sirius o nome do padrinho do meu pai e melhor amigo do meu avô James. Ele achou que seria uma boa ideia juntar os dois e bom, é isso. – Diz dando de ombros. – E agora que você conhece a historia do meu nome, poderia me dizer por que estava chorando?
— Ah. – Abaixo a cabeça e começo a mexer em uma das pulseiras em meu braço. – Discuti com a minha melhor amiga. – Digo baixinho.
— Isso deixa qualquer um triste. – comenta olhando para os sapatos, James provavelmente nunca tinha lidado com uma situação dessas. – Se me permite perguntar, o que aconteceu?
Suspiro. Devo contar pra ele? Bom, até agora ele se mostrou uma boa companhia. Resolvo contar resumidamente, apenas uma parte da historia ocultando algumas partes já que a coisa da família de Liliane e da minha briga com Artie eram assuntos pessoais demais para serem contados a alguém que se acaba de conhecer. Quando termino de contar James fica em silencio por algum tempo, provavelmente pensando e logo depois suspira.
— Complicada essa sua vida hein? – Comenta e eu rio. – Bom, eu nunca passei por algo assim, mas sei que quando duas pessoas estão num conflito, as duas estão erradas. – Faço menção de dizer alguma coisa, mas ele faz um gesto pedindo para eu não falar nada. – As duas têm um pouco de culpa na situação, as duas estavam passando por coisas difíceis e esqueceram de que outras pessoas também têm problemas, não foi legal ela ter se afastado, mas descontar nela também não foi legal, e calma, eu sei que você não tinha a intenção, mas geralmente quando magoamos alguém não temos a intenção, não é mesmo. – Conclui o pensamento e eu o encaro boquiaberta.
— Droga. Você tem razão. — Ele começa a rir.
— Eu sempre tenho razão. — Diz convencido. — Mas olhe, se sua amiga for mesmo importante para você peça desculpas, não deixe o orgulho te impedir de fazer isso
Depois de um momento em silencio resolvo me pronunciar.
— Obrigada James. – Digo fazendo ele me encarar. – Mal nos conhecemos e você já teve que me aguentar em um dos meus momentos de drama.
— Ei, não se preocupa com isso. E espera um dos seus dramas?
Solto uma risada.
— Claro, mas não se preocupa, não costumam acontecer muitos. — Suspiro.
— Não estou preocupado. Talvez mais momentos de dramas signifiquem mais momentos conversando com você. – Eu coro e ele parece arrependido de ter dito isso por um momento.
— E porque seria preciso um momento de drama para você conversar comigo? – Pergunto e ele apenas da de ombros mudando de assunto.
— De que casa você é? Nunca tinha te visto antes daquele dia. – Eu o encaro e aponto para o uniforme com o brasão da grifinória como se fosse obvio, ele fica um pouco surpreso e balança a cabeça.
— Não acredito que somos da mesma casa e eu nunca te vi antes. – Comenta incrédulo.
— Um dos meus talentos é passar despercebida. – Digo como se não fosse nada demais.
— Por quê? – Pergunta.
— Digamos que sou um tanto tímida, se eu estivesse numa situação normal, provavelmente não estaria conversando tão normalmente com alguém que acabei de conhecer. – Explico.
— Devia deixar a timidez de lado, imagina quantas chances de conhecer pessoas novas ou fazer coisas novas você perde com essa timidez? Talvez até tivéssemos nos conhecido antes.
— Eu sei, preciso melhorar isso. – Comento.
E assim passou o resto da tarde, conversando com James, não fui a ultima aula já que não estava a fim de falar com Liliane ainda e não queria encarar Alvo depois dele me ver chorando e James não tinha a ultima aula já que era Runas antigas e ele não fazia essa aula, sendo assim tinha o horário vago. James era um cara legal, um pouco arrogante às vezes, mas legal e engraçado. Logo o horário do jantar chegou e nos decidimos ir à cozinha já que ambos não estávamos a fim de ir ao salão principal, pelo que James havia me contado o clima estava um pouco tenso entre ele e os primos. Descobri que a cozinha ficava perto do salão comunal da lufa-lufa, Oliver e Patrick provavelmente sabiam disso, vou mata-los por nunca terem me contado.
A cozinha era um lugar incrível, elfos domésticos trabalhavam lá e era muitos gentis, Liliane teria adorado esse lugar já que tem duas coisas que ela adora que são comida, e elfos domésticos. Como eu queria as coisas estivessem normais entre nós. Quando terminamos de comer, subimos para o salão comunal, o jantar ainda não havia acabado por isso lá estava vazio, despeço-me de James e subo para o dormitório. Por sorta também estava vazio, não queria conversar com Liliane, pelo menos não ainda. Deito-me na cama de dossel e fecho as cortinas, sem me dar ao trabalho de me trocar de roupa, estava exausta. E alguns minutos depois, caio no sono pensando numa forma de me desculpar com Liliane.
POV LILIANE
Ficamos procurando por Alex o dia inteiro depois daquela discussão, Lizbeth e Oliver foram procurar na sala precisa o lugar que ela costumava ir para ficar sozinha, mas nada. Já estávamos no meio do jantar e nem sinal dela, estavam todos sentados na mesa da lufa-lufa menos eu que estava na da grifinória. Alvo passou a tarde toda me perguntando o que aconteceu, ele parecia preocupado o que era no mínimo estranho, eu e ele havíamos nos tornado amigos já que eu havia passado muito tempo com sua prima Rose.
As coisas que ela disse realmente mexeram comigo, não era minha intenção machucar eles com o afastamento, eu pensei que seria melhor me afastar. Não sabia da briga que Alex teve com os irmãos, mas eu sabia que sempre que ela brigava com eles ficava mal já que eles costumavam ser muito próximos quando crianças. Lizbeth se levanta da mesa da lufa-lufa e se senta ao meu lado.
— Como se sente? – Pergunta olhando pra mim, eu apenas encarava o prato de comida a minha frente.
— Cansada, triste, confusa. E mais um milhão de coisas que mesmo se eu tentasse não iria conseguir definir. – Respondo-a com um suspiro.
— Olha, o que a Alex disse, não foi por mal. Ela não costuma fazer isso, ela só estava sobrecarregada, sei que ela não te culpa pelo que aconteceu. E sei que você também não a culpa, logo, logo vocês voltam a se falar e as coisas voltam a ser como antes. – Ela diz, Lizbeth é uma boa amiga. Sinto que ela sempre sabe o que dizer.
— Obrigado Liz, de verdade. – Dessa vez olho para ela que sorri para mim.
Nesse momento a porta do salão se abre, pensei que pudesse ser Alex, mas era apenas Fred Weasley que entrou acompanhado por Roxanne, sua irmã. Eles se sentam algumas cadeiras mais para o lado e Roxanne nos cumprimenta.
— Ah, olá Anne, Lizbeth. – e começa a se servir. Fred Weasley levanta o olhar para Liz.
— Olá Liz. – Diz com um sorriso que é retribuído por Liz. Espera, desde quando eles se conhecem?
— Olá Fred. – Ela diz e olha para mim. – Conversamos depois. – Diz ela se levantando e indo em direção à mesa da Lufa-Lufa sentando se ao lado de Audrey. Nota mental, perguntar a Liz desde quando ela conhece Fred Weasley.
— Olá Anne. – Diz Rose Weasley sentando- se onde Liz estava há alguns segundos atrás. – Esta melhor?
— Um pouco. – Suspiro.
— Olha isso é normal, amigos vivem brigando, não vai durar muito.
— Obrigada Rose, podemos mudar de assunto? – Ela acena com a cabeça e começamos a conversar sobre coisas aleatórias como livros, o passeio a Hogsmead no próximo fim de semana, as aulas de adivinhação que segundo Rose eram uma piada. E assim passamos o jantar, ao chegar ao salão comunal não encontro Alex, ela provavelmente já estava no dormitório. Converso um pouco mais com Rose e logo depois subimos. Alex já dormia como eu esperava. Deito na cama e fico pensando em um jeito de me desculpar com ela, demoro um pouco, mas depois de um tempo o sono vence e eu acabo dormindo.
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