"A vida é um jogo no qual suas peças são os próprios jogadores..."

— Edson Andrey de Araujo Falcão

—Alex, acorda, vamos nos atrasar.

—Já estou indo – resmungo.

—Não ta não. – A voz de Anne soa em minha cabeça – Você me obriga a fazer isso.

— Fazer o... – Antes que eu termine de falar um jato de agua atinge meu rosto e me fazendo pular da cama – LILIANE! EU JÁ ESTAVA LEVANTANDO.

— Alex eu convivo com você há anos, se você fala que já está indo é porque vai enrolar mais meia hora. Anda as meninas já foram, vamos perder o café.

Eu bufo.

— Te espero lá embaixo.

Dou uma olhada ao redor. É ela tem razão todo mundo já levantou, vou até meu malão e pego o uniforme e vou em direção ao banheiro. Estou com o rosto inchado e meu cabelo molhado. Obrigado Anne! Solto o cabelo e uso um feitiço pra seca-lo, e resolvo deixa-lo solto. Visto a capa e saio do dormitório. Anne está deitada no sofá olhando o teto e Domi está lendo um livro.

— Demorou hein? – Pergunta Anne se levantando.

— Foi mal se eu não tenho um super-relógio biológico que me faz acordar junto com o galo.

— Não comecem a discutir, vamos perder o café e eu estou morrendo de fome.

Saímos pelo buraco do quadro em direção ao salão principal. Audrey e Lizbeth estavam sentada na mesa da Lufa-Lufa junto de Oliver e Patrick que acenam para nós.

— Seus amigos estão chamando, vejo vocês depois. – Diz ela um pouco triste por ter que ficar sozinha.

— Vêm com a gente, eles vão adorar te conhecer – Diz Anne e eu assinto.

— Vocês tem certeza?

— Claro! – Respondemos juntas e a arrastamos para a mesa da Lufa-Lufa.

Sento me junto de Dominique ao lado de Audrey e Patrick enquanto Anne se senta ao lado de Oliver e Lizbeth.

—Ah, olá Dominique – Cumprimenta Audrey.

— Olá Rey.

— E ai meninas, dormiram bem? – Pergunta Oliver.

— Dormi, eu até dormi, até ser acordada por um jato de água – Respondo fuzilando Anne com olhar, mas ela apenas ri.

— Ah, e só pra constar Alex, sua cara foi hilária.

Meus amigos começam a rir de mim, que amigos legais eu fui arranjar.

— Vai ter troco Oken, melhor dormir de olhos abertos.

—Iiiih, melhor você aprender alguns feitiços de proteções Anne, da ultima vez que eu a vi com esse olhar assassino ela prendeu Artie num espelho. – Diz Patrick o que me faz rir ao lembrar do ocorrido.

Tínhamos 13 anos, eu estava em casa durante as férias de natal. Por alguma razão meu querido irmão (Olá sarcasmo) decidiu que seria legal me colar no colchão. Então eu decidi que me vingaria dele, meu tio, é um grande palhaço, sempre aprontava quando estava em Hogwarts, trabalhou na Zonko’s ao sair da escola. E nesse ano, ele achou que me dar um livro com feitiços feitos especificamente para pegadinhas. O que resultou num espelho enfeitiçado que prendia dentro dele a pessoa que olhasse por mais de 5 segundos. Infelizmente meu pai desfez o feitiço mais rápido do que eu planejei, mas mesmo assim valeu a pena ver a cara assustada dele.

— Bons tempos – Comento olhando o teto enfeitiçado.

— Você prendeu seu irmão no espelho? Me ensina isso por favor – Dominique diz e nos rimos.

—Mas é claro. Aprendizes são sempre bem vindos – Digo piscando pra ela.

— Mas então – Começa Anne – Lizzy, onde foi que você se meteu? Ficamos esperando um tempão por você.

— Espera, não fala. – Começa Patrick – Deixa-as adivinharem.

— Idiota – resmunga Liz, mas não fala nada apenas olha para Anne esperando o palpite.

— Tem a ver com algum garoto? – Pergunto.

— DIM DIM DIM TEMOS UMA VENCEDORA – Liz da um tapa no braço de Oliver.

— Ai Liz, você tem a mão pesada.

— Cala a boca, não foi nada demais, eu só esbarrei em um garoto no trem e ele me convidou pra irmos juntos na carruagem. Nada demais. – Ela dá de ombros.

— Liz, com todo respeito, mas vindo de você, nunca é nada demais.

O professor Longbottom passa distribuindo nossos horários antes que Lizbeth possa dizer algo. Droga, aula dupla de adivinhação, porque eu escolhi essa matéria mesmo? Eu e Domi – únicas que fazem adivinhação – terminamos o café apressadas nos despedimos e fomos andamos em direção à torre norte.

Chegamos à sala que mais parecia uma casa de chá vitoriana com mesas circulares com pequenos pufes alguns alunos da sonserina – casa que temos aula de adivinhação em conjunto. Já haviam chegado. Escolhemos uma mesa um pouco no fundo, assim seria mais fácil ela não nos notar se caíssemos no sono porque fala serio com uma sala assim é quase impossível não ficar com sono além de a matéria em si também dar muito sono, a única que gostava realmente da matéria era provavelmente Martina Hiews. Aos poucos a sala foi enchendo, logo os primos de Domi que são da grifinória — Alvo, Rose e Roxanne – chegaram, Alvo se sentou com Rose e um garoto da Sonserina e Roxanne veio em nossa direção.

— Posso ficar com vocês? – Pergunta.

Olho para Dominique que apenas dá de ombros.

— Porque não? – Digo sorrindo e ela sorri também.

— Roxanne Weasley – Se apresenta.

— Alexandra Jaekins.

— Já ouvi falar dos Jaekins, seu pai trabalha no ministério não é mesmo?

— Sim, mas eu não faço a mínima ideia do que ele faz lá. – Afirmo balançando a cabeça.

— E sua mãe?

— Ah, ela é Medibruxa.

— Serio? Sempre quis ser medibruxa, tudo bem, eu não sou muito boa em poções, mas nada que não possa melhorar, já sabe o que quer fazer?

— Não ainda não, mas eu considero ser Auror ou quem sabe Medibruxa como a minha mãe. Mas pensando bem eu odeio hospitais.

— Ninguém gosta, mas quando se é Medibruxa é outra coisa, sabe? Por que você vai ajudar alguém até salvar vidas. – Diz com entusiasmo.

— Sim, sim. É uma profissão maravilhosa, cresci indo trabalhar com minha mãe. Aprendi muitas coisas.

— E você Domi? – Ela pergunta olhando dessa vez para a prima.

Antes que Dominique pudesse falar alguma coisa à professora Sibila entra na sala. Ela falou alguma coisa sobre examinar as bolas de cristais e sobre as folhas de chá e para tentarmos abrir nossas mentes coisas assim. Depois de um tempo encarando a bola de cristal desisto de tentar achar alguma coisa.

— Ei, espera – digo – Acho que estou vendo alguma coisa.

Roxanne e Dominique se aproximam.

— Serio? O que? – Pergunta Dominique.

— Fumaça – Respondo a elas tentam conter o riso –O que será que isso significa?

— Aah. Isso eu sei, significa, que vai ter um nevoeiro daqueles hoje a noite.

Já não contemos as risadas.

—Queridas, está tudo bem por aqui?– Pergunta a professora se aproximando.

— Ah, é, só que a Alex acha que viu alguma coisa – Dominique crispa os lábios tentando não rir. Lanço um olhar fulminante a ela.

—É, só que eu não consigo ver mais.

— E o que você tinha visto antes minha querida?

— Ãhn, é – Dominique e Roxanne me olham com cara de riso – Uma floresta, e, e tinha uma pessoa também, parecia estar esperando alguém.

—Muito bem, querida, deixe-me ver sua xícara – Pede estalando os dedos. E Roxanne passa para ela que observa durantes uns segundos – Ah minha querida, sua vida é bastante conturbada não? Imagino que tenha uma longa linhagem de pessoas com a visão interior em sua família, pena que não foi bem desenvolvido é realmente uma pena, você tem uma visão interior natural – Diz colocando uma mão em minha cabeça e me fazendo ir pra trás. – Se conseguir vir mais alguma coisa me chame sim?

— Viu Alex, você tem a visão interior – Diz Roxanne imitando a voz da professora sibila.

— Odeio vocês – Digo mostrando a língua, Roxanne e Dominique riram.

Assim passou a aula com as nossas “previsões” sobre o futuro.

POV LIZBETH

Depois que as meninas foram para a aula de adivinhação e Liliane foi para a biblioteca (Depois eu e Audrey que somos nerds) Audrey, Oliver, Patrick e eu fomos para a aula de historia da magia. A matéria que era pra ser muito interessante se tornou em no mínimo tedio total, o Profº Binns era o tipo de professor que conseguiria deixar até mesmo quadribol entediante se o mesmo narrasse os jogos.

Chegamos à sala e me sentei com Audrey que fazia questão de anotar cada palavra dita pelo professor, eu apenas escutava tentando manter o foco, enquanto Oliver já estava adormecido do meu lado, Patrick rabiscava algumas linhas em seu pergaminho.

Ele estava novamente falando sobre a guerra bruxa, coisa que eu já sabia de cor, e pela primeira vez em anos cai no sono em meio à aula.

— Lizzy, Lizlindinha. LIZZY – Levanto com um banque e olho em volta, alguns alunos também estavam sendo acordados pelos colegas. Audrey levantou e foi até Oliver e Patrick chacoalhando-os – Oliver, Patrick. Acordem a aula já acabou.

— Só mais 5 minutos mãe – Oliver resmunga.

— Primeiro não sou sua mãe. Segundo, você vai se atrasar para a aula de transfiguração e imagino que a Professora Minerva não vá ficar nada feliz com isso. Terceiro se você não levantar agora eu grito o mais alto que conseguir e nos quatro ficamos de detenção.

— Que isso Spence, respira. – Patrick esfrega os olhos.

— Vamos logo. – Diz Audrey saindo irritada. Pego as minhas coisas e levanto sendo seguida por Oliver e Patrick.

— Quer dizer que a senhora perfeitinha também dormiu na aula? Tsc Tsc, Lizzy ontem deve ter sido bem proveitoso hein. Já que você quase dormiu no café também – comenta Oliver.

— Oliver você é meu melhor amigo, mas se você não calar a boca eu te jogo por aquela janela. – Digo com a voz ameaçadora – Agora vou indo para a aula de feitiços, vejo vocês no almoço.

Vou atrás de Audrey que já estava bem a frente conversando com Dorothy, uma garota que dividimos o quarto.

— Olá Dorothy.

— Ah, Olá Liz. Vi você dormindo na aula de historia da magia, não te culpo eu estava quase considerando usar o kit-mata-aulas de tão chato que estava aquilo.

— Pra você considerar essa opção devia estar um tedio mesmo não? – Levanto uma sobrancelha.

— Absolutamente, não sei como a Audrey consegue prestar atenção nisso. – Balança a cabeça frustrada.

— Eu apenas tenho concentração, não é complicado. E Lizzy dormir na aula foi arriscado, se o professor visse você além de perder pontos podia ganhar uma detenção. Além de perder a matéria.

— Não perdi a matéria. Era uma revisão, já sabia de tudo aquilo.

Audrey suspira derrotada.

— Que aula é agora mesmo? – Pergunta Dorothy.

— Feitiços com a grifinória – Digo ao chegarmos no corredor.

— Ah, claro.

O Prof. Flitwick, que ensinava Feitiços, era um bruxo miudinho que tinha de subir numa pilha de livros para enxergar por cima da mesa. Era um dos professores preferidos pelos alunos da corvinal, já que o mesmo era responsável pela casa. Chegando a porta da sala viram Liliane e Alex já dentro dela junto com Dominique e outra aluna da grifinoria, essa tinha o cabelo moreno e pele um tanto mais escura. Apresentou se como Roxanne Weasley.

— Muito bem alunos – Começou o Prof. Flitwick subindo em sua pilha de livros – Antes de começar quero dizer que os pares nas aulas não continuaram os mesmos – Pode se ouvir muitos murmúrios de insatisfação dos alunos – Silencio! Nos professores decidimos que os alunos deveriam conhecer novas pessoas e assim sair de sua zona de conforto e é por isso que hoje eu irei decidir os pares e sem mais comentários por favor. – O professor começou a montar as duplas.

— Por favor, seja alguém legal, por favor – Murmurou Alex que estava sentada ao meu lado.

— Por favor, seja alguém gato, por favor – murmurei imitando a que me cutucou com o cotovelo.

— ... Srta. Jaekins e Sr. Potter... – Pude ouvir Alex murmurar um ‘droga’ antes de se levantar xingando baixinho. Alex e Alvo não se davam bem desde o 3 ano quando este disse que garotas eram demasiadas fracas para jogarem na posição de batedoras o que fez com que Alex acertasse um balaço em Alvo quebrando o braço do garoto. Não tiro a razão dela, eu teria feito a mesma coisa. -... Srta. Daniels e Srta Weasley. – Disse apontando para Rose que se levantou e sentou se ao meu lado sem nada dizer. Eu e Rose não tínhamos nada uma contra a outra mas éramos digamos competitivas, e não me levem a mal sempre achei que ela tivesse problemas para aceitar uma derrota. Vi que Audrey teve como par um garoto da grifinoria enquanto Roxanne ficou com Dorothy e Dominique com um garoto corvino assim como Liliane. – Esses seram seus pares até o final do ano letivo ... – Pude ver Alex socando a carteira. — ... Em todas as aulas...

— O QUE?! – Exclamaram Alex e Alvo. – Professor, Por favor...

— Sinto muito Srta. Jaekins mas não é algo que possa ser mudado, todos os professores do corpo docente concordaram com essas duplas, agora.... – Ia ser um longo ano.