Os Quatro Bruxos.
32 O Pastor de Ovelhas.
NARRATIVA DE EVERTON.
— Cara cala a boca! – gritei!
Eu já não aguentava mais, Breno não calará a boca desde que saímos de perto dos outros, eu estava quase surtando, ou me jogando da vassoura, quem sabe morreria e pararia de escuta-lo, se bem que ao julgar pela minha sorte era capaz de meu espirito ficar amarrado junto a ele e isso me impedir de ter paz.
Isso sem falar que nós já voávamos pelo mar o que estava me enjoando, todo aquele mar e nada de chegar a lugar nenhum, as chamas do Barcelos ainda queimava vivas e fortes, o que insinuava que ele ainda estava vivo, o que para mim estava bom, porque se fosse para ele morrer, eu o mataria.
O bom de ser um bruxo experiente e ter um semideus curioso por perto e que ele sabe quem vamos enfrentar e para onde estávamos indo.
Estávamos indo para o Mar de Monstros, no triangulo das bermudas, onde se encontram dois dos piores monstros do mundo grego/romano, Caríbds e sua irmã Squila e infelizmente esta é a única entrada para o mar de monstros.
— O que eu não entendi é o por que estamos nos preocupando com alguém que esta tão longe? – questionou Breno.
— Porque é longe para a gente, com ajuda de Urano ele poderia simplesmente aparecer lá em Daneva. – digo a ele.
— Será que ele terá um exercito de ciclopes nos esperando? – pergunta Breno.
— Sinceramente eu espero que não. – digo. – afinal isso seria um problema para nós. Bom estamos quase chegando no triangulo, acho melhor nos camuflamos, eu realmente não quero ser atacado por nenhuma das duas criaturas.
— E você conhece algum feitiço assim? – perguntou Breno.
— Sim. Camuflos Camales. – lancei. – e bem antigo... porem eu sou alguém muito tradicional.
Um manto preto nos selou e nos camuflou.
— Quando esse feitiço foi criado mais ou menos? – pergunta Breno.
Eu não entendia algumas duvidas dele, sinceramente não faria diferença para ele. Mas eu sempre gostei de mostrar que sei algo, quando realmente sei algo.
— Este foi um dos primeiros feitiços criados, sinceramente foi a muito tempo atrás, se Merlin existiu provavelmente foi ele quem criou. – eu ri desta piada, mas Breno não entendeu. – Enfim, ela foi criada para o uso militar em missões de elite. Mas eu aprendi a usa-lo no ano passado quando participei de uma missão e eu precisava me camuflar, invoquei alguns fantasmas e eles me ensinaram este feitiço na realidade muitos feitiços que sei hoje em dia foram os fantasmas que me ensinaram, claro que Daneva me ensinou muito, isso quando não me ajudou a aperfeiçoa-los.
Quando passamos pela boca da Caríbds e pelo penhasco da Squila eu apenas sorri vitorioso, porem um vento fora do normal nos pegou e eu desejei ter o Leo por perto para poder domina-lo.
O vento nos jogou a uma velocidade incrível para frente, se eu não fosse um bruxo versátil estaríamos nos afogando em alto mar agora, o problema e que o vento “lavou” nossa camuflagem, mas não corríamos mais perigo de sermos pego por Squila e Caríbds, então tudo bem.
Com um feitiço de levitação consegui salvar a nós e ao pégaso dele, porem minha vassoura se foi e o único jeito foi subir na garupa.
Voamos sob turbulência durante todo o tempo, mesmo eu usando um feitiço estabilizador não adiantou muito.
— Você acha que estamos longe? – perguntou Breno.
— Não, já da para sentir o fedor do ciclope daqui. – respondo, o que era verdade. – Esse monstro pertence ao seu mundo ele é o ciclope mais forte diz a lenda.
— Não é não. – questionou Breno. – Polifemo foi derrotado uma vez, por um bebe ciclope, irmão do Percy, Tyson é o ciclope mais poderoso do meu mundo.
— Ok. – digo, sem querer arrumar confusão. – não temos Tyson aqui para nos ajudar, então essa será uma luta difícil.
— Cara, eu já matei Ciclopes antes. – disse Breno.
— Mentiroso. – digo. – quando conversamos no acampamento você disse que nunca havia enfrentado monstros gigantes antes.
Ele riu.
— Só queria fazer piada.
— Idiota.
Neste momento o pégaso mergulhou de repente e uma mancha escura passou por cima de nossas cabeças.
— Diria que ele sabe que estamos chegando. – disse Breno. – Afinal ele pode sentir meu cheiro, e você não deve ter um cheiro ruim para monstros também.
— Eu tenho um plano. – digo. – Não se vai funcionar, mas...
Assim que a próxima pedra chegou a ficar próxima de nós eu teletransportei a gente, junto com o pégaso.
Aterrissamos na areia de uma praia, a nossas costas estava uma ilha que algum dia fora o lar do Velocino de Ouro um manto que da vida a natureza, porem no momento aquele lugar mais parecia uma ilha cheia de cupins.
— Cara você me assustou. – disse Breno. – essa magia que você usou me lembrou a viagem nas sombras...
— Imaginei que diria isso. – digo interrompendo ele. – eu uso meus poderes das sombras em quase todos os feitiços que eu uso. O teletransporte não é diferente.
— Mas porque viemos assim para cá? – perguntou Breno.
— Para que ele ache que nos pegou. – respondi. – assim teremos algum elemento surpresa. Camuflos Camales.
Lancei o feitiço em cima de nós novamente para que o ciclope não sentisse nosso cheiro e nem nos visse.
— Vamos ser rápidos, temos que voltar para Daneva, não estou com um bom pressentimento. – digo.
Corremos até um penhasco, e começamos a escalá-lo, não foi difícil chegar no topo, mas isso causou certo desgaste em nós, voltamos a correr em direção a onde eu esperava encontrar o ciclope.
Foi quando o rebanho de ovelhas carnívoras chegou à cima de nós. Não sei como nos detectaram meu feitiço deveria ser o bastante para nos camuflar de criaturas e humanos.
— Glácios! – digo apontando a varinha para o rebanho. Porem apenas algumas das ovelhas congelam, o restante continua se aproximando. – Se você quiser me ajudar.
Digo a Breno que esta revirando a mochila.
Ele tira uma pequena bolinha transparente e a joga em direção ao rebanho, quando ela toca ao chão ela explode.
— E melhor sairmos daqui logo, antes que o gás chegue a nós. – disse ele.
O gás era azul e quando tocava nas ovelhas eles congelavam e desintegravam.
— Nitrogênio com partículas de bronze celestial, não mataria um criatura grande, mas daria alguns segundos para pensar. – explicou Breno, enquanto contornávamos a nuvem de gás. – Mas para criaturas de médio e pequeno porte, é fatal.
— Certo. – digo. – Vamos lá, acho que ele esta lá em cima, esta vendo a caverna?
— Vamos luta com ele lá dentro? – perguntou Breno assustado.
— Se não tivermos escolha, mas eu tenho um plano. – digo. – O Sr.º Ninguém ira ressurgir.
— O Senhor Ninguém. – repetiu Breno. – Interessante.
Resumi o meu plano para Breno que graças ao meu Deus e aos Deuses entendeu ele rápido e direito.
Quando chegamos a beira da caverna e eu vi o tamanho do ciclope assumo que tive uma pequena pontada de receio e um vontade de virar as costas e sair andando para o mais longe possível de tudo aquilo, seria o maior que eu já enfrentara e eu já enfrentara muitos.
— Muito bem, lá esta ele, ele não pode nos ver nem ouvir, mas assim que eu remover parte do feitiço ele poderá nos ouvir e os senhores ninguém deveram ser ouvidos. – digo. – Então você ficara visível e o resto é comigo.
Agitei a varinha removendo a mudez da camuflagem.
— Olá! – digo. – como vai meu caro Polifemo?
— Quem esta ai? – pergunta o ciclope. – Os semideuses estão mortos, eu os matei com apenas uma pedra.
— Eu sou o Ninguém. – disse eu.
— Sim. – diz Breno do outro lado. – eu sou Ninguém.
Porém havia insegurança de mais em sua voz e isso me preocupou, mas pareceu que o ciclope não percebeu.
— Não! – disse o ciclope. – eu peguei o ninguém quando me roubaram o Velocino.
— Correção, você acha que pegou, mas não pegou! – disse Breno do outro lado.
— Eu ainda estou vivo. – digo. – e vim te fazer uma visita, já faz tempo.
— Desta vez então vou me assegurar de te matar Ninguém. – disse Polifemo.
— Ninguém vai matar ninguém Polifemo, vamos dar um passeio, apenas isso! – digo.
Finalmente consegui tirar ele da caverna, mas ele nem se quer fazia ideia se eu estaria saindo com ele ou não, afinal de contas ele não podia me ver.
Desfiz o feitiço em Breno tornando-o visível novamente, com cheiro e tudo mais, mas eu esperava que o ciclope não percebesse isso antes da hora certa.
Como Breno havia realmente entendido todo o plano e estaria executando-o de forma correta e rápida, afinal eu não sabia quanto tempo poderia enganar o ciclope.
— Ninguém? – perguntou o ciclope, girando para todos os lados procurando por mim.
— Estou aqui.
Ao dizer aquilo eu já mudei de lugar, não sabia ao certo o quanto ele era inteligente para se posicionar pelo som de minha voz.
Eu e ele trocamos algumas ameaças e eu sempre estava me mexendo para que ele jamais tivesse uma localização exata da minha pessoa.
Foi então que o sinal do Breno soou.
A primeira explosão da caverna.
O ciclope se esqueceu de mim, farejou o ar e correu.
— Semideus maldito sobreviveu a minha pedra voadora! – gritou ele correndo, ou o que ele achava que era correr.
Eu fui atrás, afinal se a parte do plano de Breno somada a minha parte do plano “A” não desse certo eu teria que entrar em ação de alguma maneira.
Espero que Breno já tenha saído de lá.
— Ado Fogus! – digo apontando a varinha para a caverna do ciclope que estava lá agora a vasculhando atrás de Breno que com sorte deixara algo seu para trás para confundir o cheiro.
Quando meu feitiço chegou próximo a caverna ele tomou a forma de um imenso dragão de fogo. Que penetrou na caverna causando uma imensa explosão.
Eu sabia que o fogo não o mataria, mas esperava que Breno tivesse posto as barras de bronze celestial que disse que poderia por e essas sim seriam capazes de destruir o ciclope.
Corri lá para cima para ver o que tinha acontecido.
Infelizmente a criatura ainda estava viva, felizmente a armadilha de Breno havia funcionado e havia deixado o ciclope gravemente ferido.
Tirei o feitiço de mim, precisava que ele me visse, na verdade eu queria que ele me visse, e eu queria vê-lo, queria ver a luz deixar os seus olhos.
Provavelmente acabarei comigo fazendo isso, mas é o que me ocorre.
— Acidis! – digo apontando a varinha para ele.
— Funcionou? – perguntou Breno atrás de mim.
— A explosão não. E esse outro feitiço que eu lancei não tenho certeza. Só terei daqui a 4 minutos. – digo a ele e pego em sua mão já correndo.
Passamos a correr em direção ao penhasco do qual escalamos para subir até lá, com sorte daria tempo o bastante para a maldição que eu lancei fazer efeito, caso contrario estaríamos perdidos.
Não sabia se poderia nos teletransportar de lá, não sabia se havia algum feitiço que impedisse a saída daquela ilha por meio de teletransporte.
— Você tem certeza que seu feitiço vai funcionar? – perguntou Breno.
Ele mexia com uma bolinha de gude na mão, rodando ela para a esquerda e para a direita.
— Espero que sim. – respondi. – eu nunca havia lançado essa maldição antes, e bem ele nem mesmo é humano. O que é isso?
— Uma mini copia de uma esfera de Arquimedes. – respondeu ele. – Se eu me lembrar da combinação certa posso fazer aquele monstro em pedacinhos.
— Por que você trás algo que nem ao menos sabe a combinação para uma batalha como esta? – pergunto meio irritado.
— Porque como eu disse, se eu lembrar a combinação ele ficara em pedaços! – respondeu Breno.
— 2 minutos. – digo. – e já estamos chegando no penhasco e ele vindo atrás de nós!
— Por que temos que esperar 5 minutos? – pergunta ele. Pelo menos contas ele sabia fazer.
— É o tempo que o feitiço demorará a agir. – explico.
— Você poderia usar seu soberano para acabar com ele não é? – perguntou Breno.
— Poderia, mas seria um desperdício de energia, levando em conta que estamos em guerra. – respondo.
Chegamos ao penhasco antes do tempo acabar.
— Porque não nos camufla outra vez? – pergunta Breno.
— Porque não adianta se ele já sabe que estamos aqui. – contei.
O ciclope gritou de dor! O que certamente queria dizer que meu feitiço estava funcionando.
— Consegui! – disse Breno quase que na mesma hora. – pronto, agora...
Ele fez uns giros doidos no pequeno objeto de sua mão e jogou em cima do ciclope.
Quando a pequena bola se prendeu ao braço do ciclope e diminuiu de tamanho, podendo assim entrar no organismo dele.
— O que essa bolinha vai fazer? – perguntei.
— Você vai ver! – disse ele.
O Ciclope começara a ficar deformado, sob o efeito da minha maldição que desintegrava o corpo dele de dentro para fora, fazendo-o parar de correr atrás de nós.
— Prepare-se para nos proteger! – ele olhou um relógio no bolso e contou. — 3, 2, 1!
Uma enorme explosão aconteceu, eu saquei a varinha e tudo que consegui foi criar uma barreira instantânea contra tudo que era tripa derretida de ciclope que voara a cima de nós.
Breno caiu sentado como se estivesse morrendo de cansaço.
Eu entendia enfrentar um bicho desses, por meio da inteligência, afinal querendo ou não Polifemo era um dos ciclopes mais poderosos do mundo e isso é para se assustar.
— Vamos nessa, vou tentar tirar a gente daqui e irmos direto para Daneva. – digo.
Peguei na mão dele e rodei meu corpo! A escuridão assumiu.
Fale com o autor