Os Quatro Bruxos.

24 É, eu salvo uma Deusa.


Kate Borman.

Após a visita de Ártemis na qual ela me abençoou, dizendo que ela estava cumprindo um pedido de Kevin, para que ela me abençoasse, depois disso eu me senti ainda mais ansiosa para ter as outras bênçãos, eu não via diferença alguma nos meus poderes, mas talvez eu só visse mesmo quando todos os outros tiverem me abençoado e todo o ciclo tivesse acabado.

Ártemis me fez a proposta de me juntar a ela, me tornar uma de suas caçadoras, mas como eu poderia abandonar meus amigos, meu irmão, recusei na mesma hora, eu tinha uma missão e não ia abandona-la.

Eu e Rufos tínhamos reservado nossos primeiros dias para a pratica de feitiços, o que eu sabia que era diferente dos demais, eu já aprendera 90% dos feitiços que são ensinados no 2 ano em Daneva, me sentia muito bem comigo mesma.

Estávamos dormindo em um hotel na China procurando por Demeter, viemos para China por teletransporte, realmente rápido, aqui não podemos usar meios fáceis de achar a deusa, o que torna a busca chata e cansativa.

Eu estava deitada, tinha acabado de acordar quando batem na porta de nosso quarto, mas veja nossos leitos ficam em ambientes separados, ele garantiu isso de forma a ambos termos nossa privacidade.

Rufos vai atender.

— Kate nós temos uma visita inesperada aqui. – disse ele a mim.

Me levanto e dou de cara com uma bela mulher, vestindo uma túnica grega bege magnífica.

— Quem é você? – pergunto com a voz suave e tranquila.

A mulher sorriu um sorriso lindo.

— Eu sou Hécate... – disse ela, mas eu a interrompi a raiva me dominando.

— A deusa da magia e das encruzilhadas. – digo sorrindo falsamente.

— Muito bem, você sabe quem sou. – disse a Deusa. – e eu sei o que você deseja.

— Sabe? – questiono, e desta vez deixando transpassar um pouco de irritação.

— A benção dos Deuses. – disse ela. – e por consequência a minha benção.

— Não quero a sua benção, eu tenho magia, e posso me orientar sozinha. – digo a ela. – também sei o que você fez a meu irmão, a Stela e o Kevin passarem. Você é patética se acha que vou fazer a mesma coisa, eles foram vencidos por você, mas tudo pela raiva, mas eu sou diferente, então se não se importa, estávamos planejando como encontrar uma Deusa que eu realmente queira a benção.

Hécate pareceu realmente ofendida, mas não se deixou levar por mim.

— Você precisará da minha benção para achar Deméter. – disse Hécate.

— Sei que não preciso Hécate. – digo confiante. – Se você quer minha ajuda para algum trabalho para você esta perdendo seu tempo, não estou interessada, não sou um peão a ser usada por você.

— Você estaria interessada se eu dissesse que posso ajudar o seu irmão no caminho que ele esta travando nesse exato momento. – disse Hécate.

— O que tem meu irmão? – pergunto. Ela tocou em um ponto critico.

Uma nevoa branca saiu das mãos da deusa e 3 imagens apareceram a minha frente.

Em uma meu irmão estava caído com uma lança que crepitava eletricidade transpassando seu peito.

Na do meio, ele caminhava por uma caverna onde no final havia um exercito tão imenso de monstros que ele não seria capaz de enfrentar mesmo com Jarry ajudando.

E na ultima, Hécate lhe dizia algo e ele passava por uma passagem lateral longe do perigo e chegava onde tinha que chegar.

— O que eu tenho que fazer? – pergunto.

Rufos, esta me olhando com preocupação.

— Apenas libere o seu soberano. – disse Hécate. – Não quero nada especifico, não tenho nada que você possa fazer, mas exigir que você libere o seu soberano é uma ótima tarefa para mim.

— É claro, para o bem do seu mundo nós que fazemos parte da profecia temos que ter nosso soberano libertado. – digo numa fraca e irritante imitação de sua voz.

— Você sabe o que eu conversei com seu irmão. – disse Hécate. – isso é bom, quer dizer que você sabe que o caminho dele esta ficando difícil, ao se aproximar do fim. E ele ira em seu auxilio para lhe ajudar no seu.

— Calada! – digo começando a me irritar com essa deusa sabe tudo. Liberar o soberano quer dizer que eu tinha que matar alguém.

— Não é só matar alguém, é matar alguém para proteger/libertar/salvar outro alguém! – disse Rufos, ao ver minha expressão. – isso torna as coisas mais fáceis, pois se fosse só matar alguém muitos bruxos já teriam liberto essa magia.

— Ele entende. – disse Hécate. – Mas não são muitos bruxos, a maioria não teriam poder para isso.

— Sem problemas! – digo. – Vou continuar procurando por Deméter e quando alguém se impor diante de outro alguém para matar eu protegerei.

Passei pela deusa ignorando o olhar dela em cima de mim.

— Vamos Rufos, temos muito que fazer. – digo.

Rufos me olha como se eu estivesse ficando louca em virar as costas para uma Deusa, mas eu já estava no elevador quando ele me alcançou.

— Vamos procurar Deméter. – digo a ele.

— Sem problemas, mas por onde vamos... – começa ele perguntando a mim e eu o interrompo.

— Se nós formos para uma floresta talvez eu consiga localiza-la usando meus poderes, ela deve emanar muita magia de agricultura de si, posso sentir esse tipo de coisa se estiver bem conectada com a natureza. – digo a ele. – na verdade eu nunca tentei algo assim, mas no meu sonho eu era capaz.

— Ok. – disse ele. – vamos para a floresta dos monges, dizem ser a floresta mais fechada que há por aqui.

Quando saímos do hotel, seguimos de taxi até o norte da China, e me deparei com uma montanha onde pelo que eu podia sentir no topo havia um templo e era só.

— Porque Deméter viria aqui, se na china eles idolatram outros Deuses? – pergunto.

— Bom minha jovem um dia você vai perceber, que a China, a Grécia e Roma estão mais ligadas que um ventilador na tomada. – ele me olhou curioso, talvez tivesse percebido o quanto sua comparação foi patética, ambos rimos muito.

Finalmente começamos a adentrar na floresta.

— Tem alguma coisa vindo em nossa direção. – digo.

Rufos se abaixa e põem a mão no chão seus olhos brilham em amarelo e quando ele se levanta, já estamos cercados por pinheiros tão fechados que seria impossível alguém de fora nos ver.

— O que é isso? – pergunto apenas movendo os lábios.

Olhando para fora, eu via escamas, como uma cobra gigantesca.

— Os monges. – respondeu Rufos da mesma maneira.

A criatura fez um som que pareceu um rugido e depois desapareceu. Os pinheiros sumiram juntos.

— O que era aquilo? – pergunto um pouco assustada.

— Os monges, eles possuem certos poderes, entre eles se transformarem em criaturas. Esse era o Monge Chang, ou o Monge Dragão. – disse Rufos. – quando senti a presença dele no alto da montanha sabia que só havia uma alternativa, pinheiros de pinha, a pinha cega o dragão Chang, não sei o porquê, mas cega.

— Como sabe tanto sobre eles? – pergunto.

— Quando eu era jovem e meus pais eram vivos eles eram monges como esses. – explicou Rufos. – eles não vão nos deixar entrar mais que isso na floresta deles, não sem nos apresentarmos como devemos.

— E como se faz isso? – pergunto.

— Não temos tempo, vou teleportar a gente mais adiante e nos proteger enquanto você procura Deméter. – Rufos estava preocupado. – Sei que eles vão odiar isso, mas precisamos ir mais fundo, onde a magia da floresta é mais forte, segure meu braço.

Quando o fiz apareci em um local diferente, havia um lago com uma pequena cascata.

As plantas ao redor pareciam vivas.

— Kate. – chamou Rufos, olho para ele. – Rápido.

Sento no chão em posição de meditação, encosto minhas mãos no chão, eu chamo a natureza a mim, chamo o poder daquele ambiente para mim, procuro por um poder maior, um poder de uma Deusa. Sinto Rufos, sinto os monges no alto da montanha, sinto toda a china. A essa altura meu olhos deviam estar brilhando de verde, meu poder se manifestando de tal forma era poderoso de mais, unir magia a minha alquimia fazia minha alquimia mais poderosa e com isso e via muito mais coisas, sentia muitas coisas.

— Rufos a sua direita, um rinoceronte está vindo. – digo a ele.

— Não se preocupe comigo, encontre Deméter para que possamos sair logo daqui. – disse ele seriamente para mim.

No outro instante uma arvore nova é elevada e o rinoceronte se eleva junto a ela.

— Rufos Carter. – disse o Rinoceronte. Eu conseguia ouvir, havia tempos que eu havia aprendido a controlar meus poderes e me focar no meu redor. – um dos filhos dos Carter os monges mais poderosos que já houve em nosso santuário.

— Olá Rino. – cumprimentou Rufos. – Como vai?

— Muito bem. – a voz de Rino era grave, seria e muito calma. – O que faz aqui com uma bruxa marcada como ela?

— Estamos procurando Deméter. – disse Rufos. – assim que a acharmos vamos embora, não vamos levar nada da floresta e nem destruir nada.

— Seus pais disseram o mesmo depois que foram embora e voltaram para ter você e seu irmão. – disse Rino.

— Meu irmão? – pergunta Rufos, ele está muito confuso. – Eu não tenho irmão.

Rino riu com desdém.

— Foi um feito simples separa-los, embora não planejado. Afinal os dois juntos quando nasceram destruíram nosso antigo templo. Seus poderes unidos criaram um tornado de plantas e ar que devastou nosso templo, nossos santuários, nossos lares. – disse Rino.

Eles se encaram por um momento.

— Claro para seus pais era uma magia formidável o que vocês fizeram, vocês eram brilhantes, já quando bebês, mas para nós, um feito horrível que nos custara muito. Todos contra seus pais, mas uma jovem monja amiga de sua mãe resgatou vocês e os separou, apesar de ser leal a sua mãe e impedir que matássemos vocês ela ainda acreditava no perigo de ter vocês dois juntos, assim cada um fora criado por “avós” diferentes, mas vocês conheciam parte de suas histórias, vocês sabiam quem seus pais haviam sido, embora não soubessem que eram os mesmos. Vocês nasceram gêmeos de placentas diferentes, por isso não se parecem em nada, seus poderes não são iguais, suas fisionomias não sai iguais, seus jeitos não são iguais. – disse Rino, eu podia sentir satisfação na voz dele ao contar essas coisas a Rufos.

Eu já havia encontrado Deméter, mas preferi continuar no meu estado de busca, seria melhor, pois assim Rufos ouviria mais sobre sua vida.

— Vocês caçaram meus pais, e por isso eles estão mortos? – perguntou Rufos, sua voz soava calma, mas as vibrações do chão eram exasperadas.

— Lamento, mas sim. Eu mesmo não queria que eles fossem mortos a magia deles era brilhante, eles eram simplesmente muito poderosos, e suas formas animais eram perfeitas, tenho orgulho em dizer que os treinei bem, e que meu irmão em Daneva lhes ensinou muito bem antes de mim. – disse Rino. Havia pesar agora em sua voz. A satisfação de ter separados os dois irmãos parecia satisfazê-lo, mas a morte dos pupilos não, ao que parecia eles prezavam muito as leis de seus templos, mas a morte dos pais de Rufos não deveriam ser desta maneira. – Sinto muito por eles terem morrido.

— Sei que sente. – disse Rufos calmo. As vibrações de exasperação haviam sumido. Como ele podia estar calmo após ouvir tudo aquilo eu não sabia. – conheço as leis do seu monastério, as leis do templo e as repeito tendo eu mesmo treinado aqui por um tempo, mas como pedido, quero saber quem é meu irmão?

— Você o conhece. – disse Rino. – Se formaram juntos, se tornaram amigos e hoje trabalham juntos. Vocês se identificaram por serem iguais, por serem marcados com o mesmo passado. Jarry é o seu irmão, o captor do vento.

Rufos caiu de joelhos e nessa hora toda minha força se tornou mais raivosa, outro monge vinha a caminho.

— Rufos temos que ir. – falei.

Ele pareceu entender e se pôs de pé rapidamente.

— Rino, você estava chamando Draco não é? – perguntou Rufos ofensivamente.

— Eu não podia lidar com bruxos como vocês, não sozinho. – disse Rino.

— Sabe de uma coisa caro Rino, nem se você reunir todos os monges aqui será possível derrotar esses dois. – diz alguém no céu. E uma mulher linda, de cabelos negros e olhos azuis, vestindo uma daquelas roupas de monge, porem a dela era vermelha. – Você nunca se importou com ninguém seu velho encardido, você matou os pais dele, você sabia que era sua obrigação já que os havia treinado, se eles se rebelassem e se empenhassem de verdade em salvar a si e os filhos eles teriam acabado com vocês, mas após os filhos salvos eles se entregaram a você.

Ela falava, não sabia como ela podia dizer aquelas coisas com tanta certeza ela parecia tão nova, mas sabia que era daquele jeito, sabia que a história verdadeira era aquela.

— Você não foi um herói, ou o vingador do seu templo, você foi um velho nojento que se aproveitou do momento de rendição de seus próprios discípulos. – disse ela.

— Agui! – disse Rino com tanto desprezo que a arvore que o erguera tremeu.

— Você é Agui, a monja águia. – disse Rufos reconhecendo-a.

— Sim. – respondeu ela, embora Rufos não tenha lhe feito uma pergunta. – Receio dizer que foi eu quem levei você e seu irmão para caminhos diferentes.

— Obrigado por salvar minha vida. – agradeceu Rufos.

— Não a de que. – disse ele sorrindo. – eu devia isso a sua mãe e ao seu pai, eles eram meus treinadores, me ensinaram tudo que sabiam em um mês, e eu com a inteligência e voracidade de uma águia aprendi tudo. Acho que eles sabiam o que viria a acontecer. Bom esse verme do qual eu sou obrigada a servir desde o incidente se tornou líder dos monges após derrotar os causadores da destruição. Ele contou para todos que vocês estavam mortos junto com seus pais.

— Se você sabia disso por que não contou aos outros a verdade? – perguntei.

— Na lei dos monges, o monge líder tem sempre razão, ele é sempre verdadeiro, não havia como eu contar sem ser morta. – disse Agui. – estou ansiosa pela morte deste rinoceronte, para que outro assuma o comando.

— Sua galinha maldita! – berrou Rino. A árvore criada por Rufos rachou, mas ele continuou lá me cima. – Quem vai morrer é você monja incompetente.

Ela gargalhou, mas a risada parecia mais um pio de águia.

— Você não pode me vencer, você não pode me derrotar e sabe disso. – disse ela. – sua forma de rinoceronte é medíocre, sua magia é medíocre e suas habilidades de combate são ainda mais medíocres que todo o resto.

Ela se virou para nós.

— Vocês sabem que Draco esta a caminho, e se ele chegar suas chances de achar Deméter serão reduzidas. – disse Agui. – você tem que partir agora, eu seguro o Rino, mata-lo será muito bom para mim.

— Lamento Agui, mas não vou deixar você para traz, é hora desse rinoceronte aprender a não conquistar as coisas pisando em outras pessoas. – disse eu. – Você pode segurar o Draco?

— Não posso derrota-lo. – disse ela. – mas acho que consigo atrasá-lo.

— Tudo bem, faça isso. – eu me viro para Rino. Ele cai de cima da arvore e me encara. – você acha que eu tenho medo de você seu covarde ridículo.

Rufos me olhava intrigado, e eu entendia o porquê ele nunca me vira desse jeito. Eu estava exaltada, muito irritada, completamente entorpecida pela raiva, eu gostava muito de Rufos e ouvir tudo aquilo sobre os pais dele me fez explodir, eu sentia meu poder emanando de mim, eu estava muito forte, os oito portões mágicos abertos sabia que meus olhos deviam estar brilhando em verde, pois Rino me olhava com horror.

— Rufos, a deusa Deméter está no monastério. – digo a ele. – eles a prenderam, pois odiavam as plantações que ela fazia crescer aqui, eles destruíram muitas plantações dela, eles não cultivam a Deusa, e se ela continuar presa sua essência ira desaparecer.

— Como você sabe? – pergunta Rufos a mim.

— Quando estava procurando por ela, ela me contou tudo. – digo. – e por falar nisso...

A deusa havia me pedido um favor, dar pelo menos um golpe nele com trigo, seu símbolo.

Rodei meu corpo no chão e trigo surgiu ao meu redor, o joguei todo para cima de Rino que de alguma forma fora arremessado para trás.

Eu havia praticado muito com Rufos e aprendera a não falar meus feitiços e alquimia de forma que podia usar meus poderes em segredo sem que outros soubessem o que eu faria.

Com meu bastão em uma mão e a varinha na outra eu estava pronta, Rino lançou um feitiço em Rufos que se desviou e contra atacou, lançando um tornado de espinhos de pinheiro em cima dele.

— Kate, vamos acabar com ele juntos. – disse Rufos. – nossa primeira batalha juntos.

— Primeira de muitas, Rufos. – digo.

— Qual forma? – pergunta ele, eu sabia do que ele estava falando, nós havíamos treinado as formas das plantas, lutar como um rosa com classe, mas fatal, lutar como um pinheiro, uma barreira contra muitos, destruidor na queda, entre outras formas.

— A forma do trigo em homenagem a Deméter. – digo. A forma do trigo, sorrateira, baixa e afeta diretamente inimigo.

— Repassaremos todos os movimentos. – disse ele.

Assenti com a cabeça e ficamos ombro a ombro virados para Rino.

Movimento um: crescimento do trigo, erguer a mão.

Movimento dois: Avanço do trigo em forma de ataque, rotação para a direita.

Rino era arremessado para trás.

— Rufos, você assume a forma do pinheiro e eu da samambaia. – digo.

— Sem problemas.

Rino já se transformava de rinoceronte de novo.

A mudança de estilo surpreendeu Rino, ele atirou feitiços em nós, mas nós os bloqueamos com facilidade.

O brilho do pinheiro estava nos olhos de Rufos embora com o tom amarelado de seus olhos.

Os meus estavam brilhando como samambaias eu sabia.

Prisão de samambaias! – pensei.

Samambaias surgiram do chão e agarraram Rino erguendo-o do chão, mas ele se soltou com facilidade. Rufos estava com um cajado de Pinha parecia o cajado com o qual Dionísio o deus do vinho Grego costuma aparecer nas pinturas e monumentos e o arremessou contra Rino. O cajado bateu de encontro ao chifre de Rino, do outro lado da floresta eu ouvi Agui gritar, ela lutava em algum lugar com o monge Draco.

— Rufos, alguém tem que ir ajudar Agui. – digo a ele.

— Vá. – disse ele a mim. – Ele é meu.

Eu não estava contente em deixa-lo para trás com um adversário como Rino, mas eu precisava ajudar Agui.

Com todas as minhas forças me afastei da batalha contra Rino e corri ao encontro de Agui que estava atrasando Draco.

No caminho me concentrei em criar uma armadura com folhas e árvores verdes. Afinal Draco devia significar dragão, e eu não queria ser queimada.

Quando a vi caída no chão, diante de um dragão de 30 metros de altura, fiz a única coisa que podia, criei uma barreira de pinheiros em torno dela e arremessei três pinheiros para cima dele.

— Deprimo! – gritei apontando a varinha e um raio branco saiu e atingiu o primeiro pinheiro que ia acerta-lo o pinheiro explodiu salpicando em seus olhos e perfurando por entre suas escamas, os outros dois pinheiros o acertaram em cheio e ele foi abatido caindo para trás de costas no chão.

Corri ao encontro de Agui, ela estava muito ferida, usei meu poder de cura e fui curando os ferimentos dela um a um, mas ainda assim não era o suficiente, eu tinha que fazer algo por ela.

Fogo.

Draco estava novamente em pé e queimava os pinheiros ao nosso redor.

Eu precisava curar Agui, e precisava me livrar daquele monge.

Quando Agui finalmente acordou eu estava com uma boa dianteira de Draco.

— Ele esta junto com Rino, é da mesma espécie de homem, cruel e abusivo, utiliza de momentos para se apoderar de poder. – a força que ela utilizou para falar a esgotou, ela estava realmente ferida. Eu havia curado o superficial, mas o interno ainda estava bem ferido. E correndo para evitar Draco eu não consegui me concentrar ao ponto de cura-la tão bem.

— Eu preciso lutar Agui. – digo. – você fica aqui.

Eu a coloco no chão, eu crio uma cúpula de plantas com guerreiros verdes protegendo ela, e um curandeiro verde, para cura-la.

Corro ao encontro de Draco.

— Draco!- grito e jogo uma pinha nele, ele recua. É isso Rufos havia dito que ele não enxergava atrás de pinheiros de pinha, então pinha era seu ponto fraco – Você já era Draco.

Ele emite um som estranho e cuspe fogo em cima de mim, o feitiço de proteção básico e o suficiente para me proteger.

Ele voltou a forma humana.

— Uau! – foi a única coisa que fui capaz de dizer. Ele era incrivelmente jovem se comparado com Rino. Devia ter uns 22 anos, cabelos longos e pretos, olhos castanhos dourados, lembravam o de Rufos, porem os dele eram bem mais dourados. – Você é o Draco?

Minha pergunta soa um pouco mais indignada do que eu queria.

— Sim. – respondeu ele, com uma voz normal e calma.

— Que triste achava que você era mais como um dragão. – eu disse inocentemente.

— Todo mundo acha isso. – disse ele ainda calmo e tranquilo.

Em algum lugar atrás de mim eu podia sentir Agui sendo curada por meu homem verde da cura.

Eu estava mantendo muita magia com alquimia nela, para que ela se curasse, mesmo com os oito portões mágicos minha alquimia ainda exigia muito de minha força.

Mas eu precisava fazer algo, estava perdendo tempo, não sabia como Rufos estava se saindo com Rino.

— Olha... – falei. – lamento, mas eu não tenho todo o tempo do mundo, então ou você vai embora ou eu terei que acabar com você.

Ele esboçou um sorriso. O tipo de sorriso que me faria derreter em outras circunstancias, mas naquela situação apenas me irritou.

— Mesmo você sendo quem é não tem chances contra mim garotinha. – disse ele.

Eu não sabia como estaria frente a um adversário irritante, mas eu já tinha ajudado a acabar com um bruxo lendário não seria um maguinho qualquer que ia me parar.

— Olha aqui, normalmente eu sou muito calma, adoro ajudar as pessoas, eu poderia tentar curar seu coração e seu cérebro, tentar ajudar você a ser um homem melhor, você ainda é jovem e pode muito bem se tornar alguém melhor do aquilo que Rino te propôs a ser. – digo.

— A questão pequenina, é se eu quero mudar. Eu gosto desse jeito. Eu gosto do poder. – disse ele.

— Se você se rendesse, Agui podia lhe ensinar muita coisa, eu sinto a experiência dela, o poder que emana dela.

— Ela foi derrotada por mim, ela é fraca, como alguém fraco poderia me ensinar algo! – ele grita.

— Ela perdeu uma luta, não a batalha. – digo. – E caso você não saiba, tem um outro monge embaixo de nós, e foi ele quem a fez ficar fraca para que você pudesse atingi-la.

— Mentirosa! – disse ele. – Agui sempre teve medo de mim.

— Ter medo é uma coisa que todos os sábios deveriam ter. – digo a ele. – você como um monge deveria saber isso, Agui estava apenas te atrasando para que Rufos pudesse por um fim em Rino.

— Ele morrerá, ninguém jamais derrotou Rino. – disse ele. – ele é poderoso de mais.

Um tatu tamanho gigante surgiu ao um lado vindo da terra.

— Olá. – disse uma voz feminina vinda do tatu.

— Vá embora Tata. – disse Draco.

— Me desculpe por acertar Agui, eu não sabia que ele era devoto de Rino com tanta vivacidade, nem que era igual a Rino. – disse a Tatu. – Você não poderia ter derrotado Agui sem que eu o ajudasse, ela foi treinada pelos melhores monges que já existiram em nosso monastério. E Rino só os matou depois que eles se entregaram.

— Você esta mentindo. – disse Draco. – Rino nunca mataria alguém que se entregasse, ele poder ser muitas coisas, mas ele tem honra.

— Claro que ele não admitiria isso para seu pupilo, a vergonha é tamanha. – disse ela. – E não venha me falar de honra!

Os olhos de Draco brilhavam com fogo.

— Sua come terra imunda! – disse ele, e se transformou novamente em dragão.

Tata não se moveu, mas eu dei um passo para trás, com a varinha e o bastão em punho.

É isso pensei, meu bastão de bronze negro, se eu colocar uma pinha na ponta dele, posso fazê-lo atravessar Draco eu poderia me livrar dele.

Eu sou contra matar alguém seja quem for, mas uma coisa eu não permito, a morte de inocentes alem do mais ele queria me matar.

Canalizo a alquimia e a ponta do meu bastão se transforma em pinha, mudo sua cor para que fique igual a do cajado.

— Homus Arbus. – digo. Um novo homem verde aparece, mas esse é grande, forte o bastante para fazer meu bastão atravessar aquele couro de dragão.

Ele cospe fogo em cima de mim, mas Tata repele o fogo com um feitiço, o homem planta imita meus movimentos, a dança do Pinheiro, pensei.

Giro em um circulo perfeito, para me preparar para as posições e pela primeira vez eu me sinto verdadeiramente um pinheiro, forte e capaz de destruir algo ou alguém, passo essa força para meu homem planta, ele pega meu bastão, Draco ainda esta cuspindo fogo e Tata ainda o repele.

Viro para a esquerda e para a direita, iniciando a dança, finalmente pulo para a ultima parte da coreografia um salto com um giro no alto, e nessa hora imito o lançamento de meu bastão e o homem planta faz o mesmo.

O bastão entra nas chamas e atravessa a garganta de Draco.

Ele voltou a forma humana e despencou no chão, eu cai a sua frente já chorando, eu tirara a vida de alguém.

Senti um peso em cima de mim, depois algo se libertando.

Deixamos Draco caído no chão e corremos para Agui. Meu homem planta de cura estava terminando o trabalho com ela.

Encontramos Rufos vindo ao nosso encontro, ele carregava um Rino morto nas costas, pegamos Draco e os levamos até o templo.

Fui direto para a prisão de Deméter.

— Somente Rino podia abrir a cela pequena bruxa. – disse ela. Uma mulher de cabelos castanhos vestindo uma túnica cor de trigo, com trigo no cabelo.

— Soberano! – gritei. Um ser constituído de plantas surgiu ao meu redor. – Vamos ver.

O soberano agarrou as barras da cela e com um puxão arrancou do chão, quase sem nenhum esforço.

— Você me prestou um imenso favor, pequena. – disse Deméter. – Sei do seu caminho difícil, e sei que você só veio aqui me procurar para pedir minha benção, não podia estar mais honrada em da-la a você. Eu Deméter dou minha benção a Kate Castell.

Um manto foi criado ao meu redor e um colar com dois cristais apareceram.

— O que é isso? – pergunto.

— Após algumas bênçãos o manto abençoado aparece, depois que seus 8 portões abrirem o manto some e esses cristais que estão em cima de seu ombro direito se tornam um só, você o engole, sente uma dor mínima e depois você estará com todo o seu poder a seu controle. Você se tornara a própria floresta. – disse Rufos. – podemos chamar até de mãe natureza.

Eu assinto e sorrio.

— Eu tenho que ir embora tenho deveres a cumprir. – disse Deméter. – Boa sorte em sua jornada pequena, e obrigada pela ajuda.

E dizendo isso ela sumiu em um redemoinho de trigo.

Nós ficamos para os funerais de Rino e Draco. Vimos Agui assumindo o posto de Monja Mestra e Tata assumindo o posto de vice, foi uma cerimônia bem bonita, repleta de monges humanos e animais, eles eram um exercito muito poderoso.

Nós voltamos para o hotel já era noite.

— Finalmente. – disse Hécate sentada em uma cadeira esperando por nós. – Você matou com muita inteligência, decência e coragem pequena Kate.

— Não matei por você, nem lembrei de você durante a luta. Você é insignificante! – digo a ela. Minha vontade era enfiar meu bastão na garganta dela.

Ela riu como se lesse meus pensamentos.

— Como prometido. – disse ela. – Eu Hécate lhe abençoo com magia e orientação.

Uma nevoa dourada brilhou ao meu redor e mais um cristal apareceu. Eu tinha três, um prateado, um amarelo trigo e agora um branco.