Os Protegidos
4 Sara
Sara abriu a dispensa. Estava vazia. Assim como a geladeira. Seus dois filhos reclamavam de fome. Ela não tinha nada na carteira para comprar comida. Estava perto da hora do jantar.
Sara entrou em seu quarto, fechou a porta e chorou copiosamente.
— Senhor, o que eu faço? Olha essa situação. Meus filhos com fome e eu sem um centavo no bolso. O que eu faço? Senhor, o que eu faço?
Sara ouviu seu filho mais novo chorar. Abriu a porta, foi até o quarto dos filhos e os abraçou, tentando acalmar o mais novo.
De repente, a mulher sentiu um incômodo. Levantou-se, pediu ao mais velho que cuidasse de seu irmão. Ela precisava sair. Pegou sua bolsa, saiu, fechou a porta e pôs-se a andar.
Quando Sara deu por si, estava em frente ao supermercado. Pegou um carrinho de compras e entrou. Passava pelos corredores e ia colocando os itens no carrinho; arroz, leite, feijão, macarrão, temperos, chocolate, carne...
Enquanto caminhava, Sara pensava: o que raios faço aqui?
O carrinho encheu. Ela saiu, pegou outro carrinho e o encheu. Depois encheu mais um. Três carrinhos cheios de compras.
Ao chegar ao caixa, Sara olhou em volta, preocupada. Então, começou a colocar as compras no balcão. A atendente foi passando os itens e um rapaz ensacava tudo. "É agora que passo vergonha", ela pensou ao ver que as compras já passavam dos quinhentos reais.
Assim que a atendente passou o último item, uma sirene soou bem alto. Confetes começaram a cair de uma placa presa no teto e uma faixa se soltou, anunciando o vencedor de uma promoção. A atendente, sorrindo, falou:
— Meus parabéns, você gastou exatamente oitocentos reais em compras e, por isso, ganhou um prêmio. Vai levar tudo sem pagar nada!
Sara olhava estupefata em volta. Os funcionários do mercado aplaudiam. O rapaz pegou as compras e as levou para um caminhão de entrega. Sara, ainda em choque, olhou para cima e disse:
— O Senhor tem um jeito estranho de fazer as coisas.
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