Os Protegidos
5 Ensinando o caminho de casa
Estavam todos reunidos na capelinha. As pessoas fizeram um círculo e cada membro fez uma oração diferente; um pediu por cura, outro por bênçãos, e assim foi até que chegou a vez de Dona Fátima. A velhinha fechou os olhos com convicção e começou:
— Senhor, te agradeço pelas bênçãos que tu nos deste até hoje. Obrigada de coração. Mas venho te fazer um pedido importante. Minha netinha não pode vir orar conosco porque ela está doente e de cama. Peço que a cure. Mas, já que ela não está aqui, acho que o Senhor vai precisar ir até a minha casa para curá-la. Por sorte, não é difícil o caminho. Olha, o Senhor tem que caminhar até o bar do seu Mário ali na frente. Então o Senhor vira à esquerda.
Enquanto a senhorinha orava na sua simplicidade, os presentes seguravam o riso. Ela, sem se dar conta disso, continuava:
— Então, o Senhor segue em frente e vai passar uma pontezinha. Em frente tem um monte de casinhas simples. A minha é a terceira do lado esquerdo. Tem um portãozinho branco, é a única que tem um portão dessa cor. O Senhor pode entrar. Minha netinha vai estar no quartinho dela. Então o Senhor pode curá-la. Te agradeço desde já por essa cura, pois sei que o Senhor gosta muito dela e que és fiel. E, por favor, quando sair, feche o portão. Obrigada, amém.
Todos na capela lutavam para não gargalhar da oração de Dona Fátima. Algumas das mulheres colocaram as mãos na boca, tamanha era a vontade de rir, outras pensavam consigo desde quando Deus precisa que ensinem o caminho de alguma coisa a Ele.
Enfim, o culto terminou e todos foram para suas casas.
Quando Dona Fátima passou a pontezinha, viu sua neta em frente ao portão, sorridente e segurando sua pelúcia. Assim que viu a avó, a menina correu até ela e a abraçou.
— Vovó — falou a menina –, veio um homem muito gentil me visitar. Eu estava me sentindo mal, mas quando ele apareceu e começou a conversar comigo, eu melhorei. Acho que melhorei quando ele tocou minha cabeça.
— Ah é? E quem era esse homem? — a senhora perguntou com um sorriso.
— Ele disse que o nome dele é Jesus. É o mesmo que você me falou que é o filho de Deus?
— É ele mesmo, minha filha. E o que ele te falou?
— Ele me falou muitas coisas. Depois ele disse que tinha que ir embora, que me amava e que amava a senhora também. Falou que ia sempre estar conosco e... E ai ele saiu. Disse que tinha que voltar. E fechou o portão.
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