Os Protegidos
2 O Pistoleiro
Notas iniciais
Josué era um pastor extremamente dedicado. Tudo o que ele podia fazer pela igreja, ele fazia, e toda vez que alguém tinha algum problema, podia contar com ele. Se alguém se machucava e precisava ir ao hospital, Josué tinha sempre as chaves do carro em mãos. Se alguém não tinha o que comer, Josué dava cesta básica que montava com o dinheiro de seu bolso. Se alguém precisava conversar, mesmo no meio da madrugada, Josué mantinha o celular sempre ligado.
Apesar de tudo, Josué não era um homem rico. Ganhava o suficiente para as necessidades básicas, mas nem sempre sobrava muito para mimos. O que sobrava, ele guardava para eventuais situações.
A igreja que Josué pastoreava era pequena e todo o fim de semana era feito evangelismo na cidade.
Num desses dias de evangelismo, Diego, um homem grande, conhecido por todos por ter o pavio curto e sempre andar armado, foi à igreja e acabou por se converter. O pastor a pregar nesse dia fora Josué.
Depois de um tempo, Diego quis frequentar o evangelismo. Os pastores não viram nenhum problema nisso, ficaram até contentes.
No primeiro dia que Diego foi, Josué fora novamente o pregador. Ao final da pregação, o pastor fez um apelo para que aqueles que se convenceram de que Jesus era o salvador levantassem as mãos para aceitá-lo. Ninguém levantou.
Na semana seguinte, novamente uma pregação, dessa vez de outro pastor, e novamente houve o apelo, e novamente ninguém levantou a mão. Na terceira semana a mesma situação.
Na quarta semana, Diego estava irritado. Pensava consigo por que ninguém levantava a mão. Tantas pessoas que ouviam a mensagem e até voltavam à igreja, mas não levantavam as mãos. Aguardou o fim da pregação daquele dia. Chegou a hora do apelo. Josué perguntou se alguém ali aceitava Jesus. Ninguém levantou a mão.
Então, antes que o pastor falasse algo, Diego sacou sua pistola e gritou:
— É o seguinte! Ou você levantam as mãos, ou vão tomar tiro. E bala é o que não me falta. Ninguém aqui quer morrer sem ser salvo, não é?
Assustados, todos os presentes levantaram as mãos.
— Bom! É isso mesmo, — disse o homem, satisfeito. — E é bom todos estarem aqui na semana que vem, hein!
Os pastores não sabiam o que fazer. Josué, estático, apenas suspirou. O que falar para aquele homem? Sem ideias, Josué apenas orou pelas pessoas que levantaram as mãos e encerrou o culto.
Quando todos foram embora, Diego se aproximou do pastor e, sorrindo, disse:
— Viu? Ninguém resiste à palavra de Deus!
O pastor suspirou, passou a mão no rosto e falou:
— Err... Irmão... Temos que conversar.
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