Os Opostos Se Atraem
29 28º capítulo – Ciúmes
28º capítulo – Ciúmes
Tenho ciúme do vento
Que beija os teus cabelos
Aborreço-me com o tempo
Que te leva para longe
Sem ouvir os meus apelos.
Tenho ciúme do Sol
Que mesmo lá do infinito
Manda seus raios dourados
Bronzear teu corpo escultural
Para ficar mais bonito.
Tenho ciúme da Lua
E toda constelação
Que exerce em ti fascínio
Ocupando grande espaço
Em teu romântico coração.
Tenho ciúme das ondas
Que vem teu corpo abraçar
Refletindo em teus olhos
Toda magia e beleza
Do azul da cor do mar.
Tenho ciúme dos pássaros
Que ao alvorecer deixam os ninhos
Para cantarem em tua janela
Acordando-te de mansinho.
Tenho ciúme da noite
Que te faz adormecer
Conduzindo-te em sonhos
Por outros lindos caminhos
Que nem sequer vou saber.
Tenho ciúme das flores
Que desabrocham ao teu sorrir
Tenho ciúme de tudo
Que não posso competir.
Mas na luz desses meus versos
Aprendi que sou um tolo sofredor
Porque tendo tudo que mereces
É só meu teu grande amor.
…
Jassy sorriu maliciosa.
– Então é essa sua aposta?
– sim. – John cruzou os braços e a encarou de cima. – quando acaba?
– bem... se logo depois da gravidez, assim que meu irmão nascer, eles pararem de brigar, eu perco a aposta. Vamos esperar uns três meses depois. Se a briga continuar, até esses três meses, eu ganho. Fechado?
– Fechado. – John apertou a mão estendida de Jassy e a puxou para o seu colo no sofá.
A garota foi meio hesitante. Estava com medo daquele namoro tomar outros rumos. Caminhos que ela não gostaria de seguir.
Ela ainda não acreditara totalmente que o ódio virara amor. Não que... não que fosse amor. Não. Não era amor. Era apenas passageiro. Não era?
– Ei, vamos ao parque?
Jassy viu o pequeno John estremecer.
– Vamos. Quer ir mano? – Ela o observou se encolher um pouco, e depois de um segundo pensando, ele recusou.
Ele tinha traumas. E não falava nada a ninguém.
A raiva cresceu dentro de Jassy.
– Vamos logo. – disse puxando John para longe dali.
Se afastando da casa, Jasmine recorda o que o irmão postiço passara. O que os dois passaram. Sua raiva aumenta, e inconscientemente aperta com força a mão do nerd.
Este percebendo, apertou de volta e virou-a de frente a ele, encarando seus olhos consternados de raiva.
Firmou o olhar nos dela. Ele amava aqueles olhos. Amava olhar dentro deles e descobrir segredos. Segredos que ninguém nunca descobriria. Segredos que ela só compartilharia com ele.
Com esta linha de pensamentos, John se viu enterrando no próprio segredo. O segredo, o mistério que apenas ele e os pais sabiam. Segredo nebuloso e fantasmagórico. Segredo que talvez, para outros, não fossem nada demais, mas que para ele, era tudo. Tudo de pior que aconteceu em sua vida.
Ela contara seu passado. Contara suas dores. Ele não. E nem pretendia contar.
Sentiu raiva e vergonha de si mesmo, mas não queria que ela olhasse pra ele ou com raiva, ou com medo, ou com pena. Queria apenas viver aquela farsa de vida.
Não... não era essa a verdade. Queria voltar a jogar, queria a rockeirinha na arquibancada torcendo por ele, e ele correndo... fazendo um touchdown para ela. Queria não andar mais com aquelas roupas ridículas ou aqueles óculos pior ainda. Queria não ser mais zoado, ou mesmo isolado. Nem muito menos agredido.
Queria tudo aquilo. Mas sabia ser impossível.
Varreu aqueles tipos de pensamento e se concentrou na garota a sua frente. Linda...
Olhou para ela e para si mesmo.
Ela vestia um sobretudo quadriculado preto e cinza até as coxas, um cachecol vermelho, uma calça preta e uma bota de cano longo sem saltos.
Já ele vestia um casaco de bolas grandes que mais parecia uma camisola, com uma calça de listras verticais.
Ela estava sempre linda, radiante e bem vestida. Tinha o seu próprio estilo. Ele não. Ofuscava a beleza dela.
– O que você tem? – perguntou
– meu irmão... ele... tem traumas. E não nos conta nada. Isso é... péssimo.
John abraço-a apertado. – Calma. Vamos resolver isso.
Ela assentiu e continuaram a andar. Seguravam um a mão do outro, como se aquilo, somente aquilo, fossem deixá-los de pé. Como se aquilo confirmasse um ao outro, que apesar de tudo... Estariam sempre um ao lado do outro.
Caminhavam pelas estradas cobertas de neve, deixando suas pegadas. Ao passar por um grupo de garotos, eles começaram a assoviar e a mexer com a garota.
Jasmine ficou rígida. Detestava isso. John, num sinal de posse, trouxe-a para perto e abraço-a pela cintura.
– Iiii... olha lá, irmãos... aquela coisa linda, está com aquele? – disse um
– não é possível... ela é linda demais pra aquele nerd.
– é... Não pode uma garota gostosa daquela, que eu pegaria fácil, estar com... aquilo.
Os pensamentos que John obtivera há segundos antes voltaram com força total. Mesmo ela podendo ter o garoto que quisesse... podendo ter Brian... ela estava com ele. Ele. O nerd mentiroso cujo a vida era o silêncio no vazio negro. O garoto que podia ter quem quisesse, mas abdicara-se por um erro...
“- ei, John... para de beber cara.
John não sabia de quem era a voz. Na verdade não lembrava-se nem de quem era a si próprio. Esquecera-se de tudo. Só não esquecera-se do que mais queria.
– C-c-ca-cala a... booocaaaaaaa. Cala… a boca. Quem é v-vo-você? E-eu só quero esquecer... esquecer. – sua voz estava completamente embargada e falar lhe causava muita dor de cabeça.
– John... chega, cara. Vamos embora. Eu te levo pra minha casa.
– Não! Eu ainda não esqueci a vadia da Daphine. – Falou tudo de uma vez, pra depois fazer uma careta de dor. – Vou esquecer aquela puta. Espera... – parou pra pensar, se colocando de pé de maneira grotesca. Olhou para cima, tentando buscar algo na mente.
Começou a gargalhar e a dançar com uma garrafa de vodka na mão. – Eu esqueci. O que quer que fosse... eu esqueci.
Então, tirou do bolso algo que seu amigo não conseguira ver, e começou a fumar.
Quando o garoto percebeu o que era, correu e deu um tapa na droga de crack que John fumava.
– Você é louco, cara? Vamos embora. – Disse arrastando o amigo dali.
Ele se soltou com um puxão, e cambaleou pra trás. – Louco é você. Como faz isso? Nem te conheço.
Então, um barulho chama a atenção dos dois adolescentes. Tiro. E outro. Seguido de mais cinco.
O garoto fica assustado, mas o bêbado se entusiasma e corre desengonçado na direção dos sons que os tiros vieram.
– John! John!...”
–John! – Jasmine tirou-o dos pensamentos.
O garoto estremeceu de leve e então percebeu que eles tinham estancado no lugar.
– O que foi, nerd? – perguntou a garota preocupada.
– nada. Vamos, rockeirinha. Ignore esses idiotas.
Ele continuaram a andar indo em direção ao parque, mas então, um dos garotos da rodinha veio atrás deles e puxou Jassy para si abruptamente, segurando-a com força.
– Vêm, minha princesinha, larga esse idiota aí.
Jassy ficou com nojo e raiva. O garoto era alto e muito forte, fazendo com que ela não conseguisse se soltar. Seu hálito cheirava a bebida e vômito.
John ficara possesso. O sangue correu com mais velocidade em suas veias. Seus olhos ficaram vermelhos tamanha a raiva.
Jassy conseguiu dar um soco no garoto, que deu um grunhido animalesco e apertou-a mais.
– Fica quietinha, vadia.
John soltou-a do aperto do garoto, e com um só soco, potente e certeiro no nariz dele, ele caiu. Olhava incrédulo para o nerd, e segurava o nariz quebrado.
– Não encoste na minha namorada. – disso dando uma serie de socos violentos. – E não a chame nunca mais disso. Ou melhor. Nunca mais ouse chamá-la. Nunca mais ouse olhá-la. – cuspiu com um último soco potente no rosto do garoto já alquebrado, fazendo com que ele desmaiasse e os ossos de suas mãos doessem.
Levantou-se e viu que não tinha quase ninguém na rua, por causa do frio. Mas os poucos que estavam ali, o grupo de garotos, olhavam incrédulos para John.
O nerd percebera que eles só não avançaram nele, porque de um Jasmine tomara conta, deixando quase que no mesmo estado do que o John abatera.
– Vazem! – gritou Jassy.
Nenhum deles se mexeu. Quando Jassy ia avançar, John a para com uma mão.
– Não ouviram a garota? – sua voz era calma e extremamente ameaçadora.
Assentiram e correram dali, pegando de qualquer jeito os amigos estirados no chão.
John fechou os olhos com força e respirou fundo. Já sentira muitas vezes ciúmes. De Daphine, e da própria Jasmine. Mas nunca daquela forma.
Ver aquele garoto, encostar o dedo na sua garota, agarrá-la, e xingá-la, podendo feri-la, podendo fazer algo a ela, fez uma emoção que só sentia antigamente voltar a tona. Ele não podia deixar que acontecesse algo à ela novamente.
Ele não podia deixar novamente, ninguém que gostasse ser ferido.
Sentiu mais vontade que nunca de se livrar de toda aquela máscara que tinha.
Mas não podia. Por ele não podia.
Sentiu braços ao seu redor e logo soube ser os de Jass.
Abraçou-a apertado e enterrou a cabeça no vão de seu pescoço. – Nada, nada vai acontecer a você. Nada. Eu prometo.
– Eu sei. – sua voz era calma e doce.
Ele levantou os olhos para fitá-la. Acariciou sua face e beijou-lhe a testa.
– Vamos, rockeirinha. Vamos ao parque.
…
Sentados no banco de madeira no parque quase vazio, John olhava Jasmine quase em adoração.
– Você ficou muito nervoso, lá com aqueles garotos. Nunca tinha te visto assim.
John desviou o olhar. Ele era assim.
– é... eu não poderia... deixar nada te acontecer.
Antes que Jassy perguntasse algo, ou insistisse John a beija. Aproxima seu corpo do dele, e a abraça. Descarrega todo seu sentimento por ela no beijo.
Pensa no quão valioso cada beijo que trocavam era. Quão valioso cada olhar era. Quão valioso cada sorriso e abraços eram. Quão valioso era estar com ela.
Fora difícil perceber que a amava. Fora difícil perceber que ela era a mulher perfeita para ele. Fora difícil perceber que ela era a vida dele.
Ele nunca a deixaria ir facilmente. A dificuldade que passara valeria a pena de cada briga que viesse, de cada porrada que tomasse, de cada xingamento que ouviria. Valeria tudo a pena, se ele continuasse com aquela garota nos braços.
Jassy se afasta arfante. – Isso... foi... uou!
John nada disse. Apenas beijou-a. De novo. E de novo. A beijaria para sempre se pudesse. Nada tiraria o feitiço daqueles lábios.
Nada tiraria o gosto de menta com morango. Nada acabaria com a mágica que os entrelaçava.
…
No crepúsculo, seguindo em sentido a casa de Jassy, John seguia abraçado fortemente à garota. Sabia que ela não queria que ficasse algo grudento ou coisa parecida. Mas naquele dia, não poderia soltá-la nem a garota quisesse.
Não que Jasmine quisesse. Sentia-se segura e muito confortável nos braços musculosos do nerd.
Ficara surpresa com a atitude dele mais cedo. Mas, depois, pensando melhor, concluiu que ele fosse sempre assim no passado.
Ficara chateada por não saber quase nada dele. Por não saber nada. Afinal, o que ela sabia era o que via. E o que via era uma mentira.
Contara sua vida a ele. E ele mudava de assunto sempre que questionado.
– John? – uma voz masculina surge à frente. Jasmine segue o olhar na direção da voz e vê um grupo de cinco rapazes, todos altos, fortes, bem afeiçoados e bem vestidos.
O garoto para rígido.
–John? – repete o garoto.
Notas finais
Quem será o grupo de garotos que chamara por John?
Quero TODO MUNDO REVIWZANDO (minha nova palavra) OU ENTÃ... SEM CAPÍTULO. =) ( nem que sejam críticas, eu quero reviews!)
Beijos amores da minha vida. Até o próximo capítulo... ou não. ;)
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