Os Oito Elementos.

2 A mulher sobre a rainha.


Notas iniciais
Antes de começar o capítulo eu queria agradecer novamente a Bia Meli minha coautora e agradecer a Anny Gomez pela arte da capa e agradecer a todos que me aturam falando o dia inteiro sobre essa fic e sobre as grandes deusas.

Avalon, 924 D.C

– Grande espírito, aqui, abro meu coração e na voz do meu silêncio sinto minha alma respirar. Temo que ela não possa respirar por muito tempo. Nesse momento de total desconforto e tensão, consegui quebrar o espelho do ego e ver as falsas imagens das minhas defesas. Peço que, assim que o momento de meu renascimento chegar, perdoem a minha falta de compromisso com a minha tarefa que deveria ser eterna. Prometi cuidar e livrar o reino de tudo aquilo que poderia nos ameaçar e peço perdão por não cumprir com meu voto. Grande mãe terra, minha mãe, guardiã de tudo que é vivo e sagrado em nosso reino, dê a todo o nosso povo a lucidez de estar aqui. sou sua filha e sempre serei grata por tal dadiva. Que até o meu último dia, eu seja como a semente que cresce e aceita a sua natureza. Grande espírito, tu que és meu pai e Grande mãe terra, tu que és minha mãe, aqui eu deixo meu passado ingênuo para trás e digo adeus a criança amedrontada dentro de mim, que eu reconheça a mim como parte de tudo, que eu me perceba como a unidade da criação. Aqui e agora eu sinto, aqui e agora eu entrego minhas preces.

– Dana? Estávamos te procurando! Rhiannon ela está aqui, venha! – Brighid entrou no grande salão dos espíritos ancestrais e correu para abraçar Dana, seguida por Rhiannon que se juntou ao abraço das duas.

– Eu e Brighid estávamos te procurando. Não conseguimos ficar por muito tempo no salão da távola escutando todas as estórias de Cerridwen, e olhar para Morrighan me dá náuseas! – As três sorriram, em um breve momento de descontração. Sentaram-se sobre o chão do salão e voltaram a ficar tensas. Brighid quebrou o silencio.

– Ouvimos a profecia e você sabe que nem sempre elas se cumprem, não é? – Brighid e Rhiannon encararam Dana esperando uma resposta. Dana se conteve em apenas olhá-las com lágrimas nos olhos. Elas voltaram a se abraçar.

– Espero que quando a hora chegar, que sejam uma de vocês a sentar-se sobre o meu trono. Não fui uma boa rainha, não cumpri o meu dever e sinto que essa hora poderá chegar em qualquer momento. Me perdoem por não ser tão presente entre os nossos, eu me perdi na cultura deles, talvez Morrighan esteja certa em tudo o que disse. – Rhiannon se levantou um tanto furiosa.

– Morrighan certa de algo? Ela nunca foi das mais inteligentes, ela tem a importância dela em campo de guerra e domina um dos elementos mais necessários para a vida humana, mas ela nunca, nunca foi muito observadora. Dana se a profecia se cumprir ou não, apenas uma coisa é certa: Morrighan deve ser banida do nosso reino! Ela está pondo abaixo tudo que nossos ancestrais lutaram para conquistar, o nosso reino está em completo caos e ela apenas causa mais!

– Atrapalho, irmãs? Apenas farei uma prece à grande mãe em companhia de Arian e prometo que irei me retirar! – Morrighan, sempre com um sorriso debochado nos lábios, entrou no salão depois de escutar algumas partes da conversa.

– Não tenha pressa, já estamos de saída. Temos obrigações a cumprir! – Exclamou Rhiannon.

– Tudo bem, se estiverem realmente de saída, podem chamar Arian para mim? Precisamos ter um momento importante com nossos belíssimos ancestrais! E... Rhiannon, belo penteado, me lembrou o sedoso pelo de esquilos mortos! – O sorriso se tornou mais evidente.

Rhiannon se aproximou de Morrighan com uma velocidade sobre humana e antes que pudesse fazer algo Brighid a interrompeu.

– Rhiannon, não vale a pena! Uma briga entre vocês iria por tudo abaixo, venha, vamos ver o pôr do sol junto de Branwen e Blode! – Brighid com muito afinco conseguiu levar Rhiannon até a porta do salão. Ela continuou. – Dana? Não vem conosco?

– Sim meninas, mas antes preciso falar com Morrighan, vão na frente, encontro vocês antes do sol se por! – Brighid olhou um tanto confusa para Dana, mas logo saiu do grande salão.

– Dana, se você pensa que vai me convencer a me submeter as ordens de mortais você está enganada! Você pode ser a nossa Rainha, mas eles não são nada além de seres inferiores e insignificantes!

– Não. Eu não quero te convencer a nada, Morrighan. Só queria que, pelo menos uma vez, você parasse pra pensar que o que você está fazendo não adiantará em nada. Precisamos recuperar a fé perdida em nós de outro modo, o terror e o medo só gerará mais violência! – Morrighan deu uma gargalhada um tanto forçada e olhou diretamente nos olhos de Dana.

– E espera que sejamos todas idiotas, imbecis e submissas como você? Realmente acha que toda a sua bondade vá te levar a algo? Acha que venceremos seguindo os conselhos de uma rainha marcada para morrer? Você é velha, tola e imbecil. Se chegamos a esse ponto, em que temos que nos esconder, é porque você não soube ser uma boa líder. Somos Deusas, dadivas da natureza, donas dessas terras, não só de Avalon, mas de todos os reinos, em todas as épocas! Já passou da hora de assumirmos nosso lugar, como poderes supremos do universo. E ninguém tola o bastante para achar que somos menos que isso, deveria ser chamada de rainha!

Os olhos de Dana começaram a lacrimejar e antes que Morrighan pudesse dizer mais alguma coisa Dana a interrompeu.

– Morrighan, eu te desejo sorte e lucidez. Quero que tudo dê certo para você quando eu me for, e espero que algum dia, você possa enxergar com a claridade e transparência da água. – Morrighan deu outra gargalhada de escárnio.

– Eu vigio sua morte Dana, nunca se esqueça disso. Ela está mais próxima do que imagina e sabemos quem será a dona de seu trono quando você for reduzida a nada além de um monte de cinzas. Durante dois mil anos eu tive que aturar você, sua de nada útil bondade e sua patética doçura. Nunca mais me curvarei diante de nenhuma deusa, todas elas se curvarão diante de mim!

Dana sai do grande salão pensativa e abatida.