Os Oito Elementos.
1 A Profecia do Velho Espírito.
Uma tarde fria de inverno caia sobre Avalon, a neve cobria toda o reino e as torres do castelo dos deuses. Os salões do castelo que a muito tempo permaneceram com suas velas, grandes lustres de cristais e seu grande caldeirão apagados, haviam misteriosamente sido reacessos e aos poucos as figuras das sete mulheres foram se materializando no salão da grande távola redonda dos deuses. Um burburinho começara até que uma das grandes deusas ali presentes com um simples aceno fez com que todas se calassem era Dana, a grande deusa mãe. Com seu olhar sério e pensativo que, faziam um belo conjunto com a pele branca, os cabelos negros e sedosos na altura dos ombros enfeitados com uma rosa rubra da mesma cor de seu vestido. Ela deu inicio a conversa.
- Coisas horríveis aconteceram nos últimos anos: tivemos guerras sangrentas, doenças trazidas de outros povos e tudo isso contribuiu para a dizimação do nosso povo. Os homens perderam a fé que tinham em nós e deram espaço para cultos onde a nossa imagem foi deixada de lado. Os nossos deuses, alguns maridos, pais e até filhos foram desaparecendo, uns fugiram e outros lutaram nessa guerra sem fim. E aqui estamos nós, mulheres, guerreiras, deusas para ajudar a nosso povo exercendo funções de rainhas, parteiras, camponesas e curandeiras. Mas hoje algo incomum aconteceu e temo que tenhamos novamente despertado a ira dos homens. Uma de nós fez uso de magia na frente de humanos cristãos e sabemos que eles atribuem a nossa imagem a tudo que seja de forças malignas, então chamei a todas aqui, irmãs, para um breve julgamento. E espero que a...
De repente Dana foi interrompida por uma explosão em uma das paredes do castelo e uma forma sombria e gigante que se assemelhava a um lobo saltou na sala e logo foi assumindo a forma de uma mulher. Ela era negra com olhos azuis que brilhavam como a lua, cabelos longos e negros como a escuridão, divididos em duas tranças. Ela trajava uma armadura de guerra e tinha machados presos as costas, seu nome era Morrighan ,a deusa da guerra. Todas as outras à encaravam e ela apenas tinha um sorriso sarcástico e silencioso nos lábios. Dana tornou a falar.
- Que bela surpresa Morrighan, mas entrar destruindo parte do castelo onde nossos ancestrais fizeram morada e atualmente é o nosso santuário não é bem a coisa certa a fazer. Assim como o que tem feito em Roma, usando seus poderes em público apenas por diversão! – exclamou dana.
Morrighan deu uma gargalhada forçada.
- E o que quer que eu faça? Viva me escondendo entre os mortais como vocês? Sendo submissa como vocês? Você sabe que eles não são como nosso povo, eles nos tratam como inferiores e eu terei o prazer de dizima-lós, um por um!
Algumas das deusas presentes começaram a cochichar entre si, o que se tornou um tanto desconfortante. Até que uma das outras mulheres levantou-se e andou em direção aos portões do grande salão, Dana a chamou.
- Arian? Onde está indo?
- Dana, todas nós entendemos a Morrighan e sabemos que no fundo, ela não está errada. Os homens nos odeiam, no nosso tempo costumávamos ser espíritos livres, donos de nossas terras e de nós mesmos. Essa reunião serviu para que eu pudesse ver a desgraça que a nossa existência se tornou. Nos rebaixamos a seres inferiores com a nossa tentativa de levar uma vida entre os mortais, os céus são a minha morada. Eu sinto falta de minhas funções nesse reino, falta dos tempos antigos em que todas as noites durante minhas caminhadas trazia comigo a aurora boreal, falta de ensinar meus caminhos ao nosso povo, falta dos nossos rituais, falta de como éramos unidas! – Exclamou Arianrhod.
Todas olharam para Dana e esperaram uma resposta até que Cerridwen uma das deusas e talvez a que tinha a aparência de ser a mais velha e sabia, levantou e andou em direção ao velho caldeirão o que deixou as outras deusas incluindo Morrighan, Dana e Arianrhod um tanto assustadas, a velha deusa olhava fixamente para o interior do caldeirão e murmurava palavras em uma língua primitiva e poderosa. Rhiannon, uma mulher loira, com os cabelos presos em um lindo coque e os olhos ora verdes ora azuis, levantou-se e caminhou até a velha Cerridwen.
- Grande anciã Cerridwen, você está bem? Nos revele suas visões, conte-nos o que os velhos espíritos de nossos ancestrais tem a nos dizer! — Após Rhiannon acabar de falar, Cerridwen se apoiou na borda do caldeirão e imediatamente um clarão tomou a sala. Ela começou a falar em vozes femininas e masculinas em um completo burburinho algo ilegível, até que Dana disse.
- Velhos e sábios espíritos, ancestrais de todas aqui presentes, revelem o que vocês tem a dizer!
O clarão se tornou um feixe de luz vermelho todas as outras deusas com exceção de Cerridwen se sentaram, um vento forte e gélido fez com que todas as velas de candelabros e lustres se apagassem e vozes que pareciam surgir de todos os cantos do salão exclamaram.
- “Uma maldição paira sobre vocês, tempos de guerra estão por vir. A rainha irá perecer. Uma traição abalará sua harmonia e deusas de outros reinos irão se aliar ao inimigo. Uma de vocês se tornará inválida e aquela que cobiça o trono e poder da grande deusa deverá ser exilada, para que Avalon seja preservada e a fé nas deusas seja restaurada.”
Todas se entreolharam assustadas e deram um longo suspiro.
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