Os Montgomery: A Rainha Perdida
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Notas iniciais
A festa continuava até um burburinho começar e chamar a atenção dos Montgomery. Charlotte estava encostada na parede, com uma taça de vinho na mão observando os convidados, quando Peter chegou e tirou a taça de sua mão.
– Temos que conversar.
– Você é tão irritante.
Peter passou o peso da perna pra outra e bufou, saiu puxando Charlotte para a biblioteca onde estava Ben, Theo, Jasmine, Veronica e Jonah.
– Reunião? – disse Charlotte rindo para Jasmine, ela pode sentir que o clima não estava bom e um ar tenso pairava entre todos presentes ali.
– Houve um atentado no Canadá. – Jasmine disse. – Contra seu pai e o Conselho.
Charlotte sentou-se e respirou, sentiu como se estivesse voltado mil anos atrás, ouvindo os gritos do lado de fora do castelo no dia que sua mãe foi morta. A pergunta estava na ponta língua, fervilhando nas veias.
– Quantos mortos? – falou engasgada.
– Bombas ultravioletas foram jogadas no prédio. – Jonah começou a falar. – Alguns que estavam perto da saída conseguiram fugir os que estavam dentro do prédio...
– Meu pai... – Charlotte manteve a cabeça erguida.
– Dentro. – Ben disse sem olhar nos olhos dela. Não precisou pedir, Jasmine, Veronica e Jonah saíram deixando os filhos de Robert sozinhos. Jasmine parou na porta e disse:
– Vamos cuidar dos convidados, não se preocupem.
– Obrigada, Jas. – Theo disse baixo e rouco.
– Vamos pegar o Klaus. – Charlotte disse – Ele sabe alguma coisa.
Ben se virou para ela incrédulo. Tirou o terno do smoking e jogou na cadeira.
– Você está louca? Você sabe o que esse atentado trouxe para nós? Pela regra, Klaus ficará no lugar de Flavio Winnet. Veronica no lugar de Gabriela e Jasmine no lugar de Joana.
Charlotte se levantou, ela estava queimando internamente, ela sabia que aquilo foi preparado, ela podia sentir que o pai foi assassinado. Ela não podia contar com os meninos, iria agir por conta própria.
– Eu não posso acreditar que Flavio esteja morto. – Theo disse – Precisamos ver quem são os sobreviventes, temos que falar com Caesar, precisamos da lista de mortos.
Charlotte foi até a mesa, empurrou tudo e cortou a palma da mão. Pegou um copo e encheu de sangue. Os meninos aproximaram para ver o que ela estava fazendo, Charlotte começou a murmurar palavras estranhas e fechou os olhos.
Bem lembrou da vez que a encontrou na escada, Theo lembrou dela florescendo uma flor poucas horas atrás. Ela havia aprendido magia sozinha depois que chegou na casa de Robert, sua casa.
– O que está fazendo? – Peter disse baixinho.
Charlotte levantou a cabeça e abriu os olhos.
– Flavio esta vivo. Vamos pegar Klaus.
– Como você... – Ben começou a falar.
– Feitiço do Barqueiro. Permite ela ir até o mundo dos mortos e voltar, mas ela so pode ver quem ela procurou, se a pessoa não estiver lá... – Theo disse como se estivesse conectando tudo e olhou para Charlotte.
– É porque não está morto. – ela terminou.
**********
O dia amanheceu e ninguém conseguiu dormir, Charlotte ficou o resto da noite sentada na beirada da cama. O corpo todo formigava e suava, um feitiço tão poderoso teria consequências, os primeiros raios de sol começavam a entrar no seu quarto, resolveu tomar outro banho e tirar a camisola. Benjamin ficou sentado na biblioteca sozinho depois de tudo, não conseguia mover o corpo ou pensar, era um peso ter que aceitar que Robert havia morrido. Peter e Theo optaram por cuidar da casa e assumir as responsabilidades, mesmo com o luto, eles sentiram o dever de serem fortes para Charlotte e Ben.
Charlotte sabia que Klaus estava a avisando de alguma maneira, com aquele sorrisinho de flerte, que ela deveria está preparada. Ela mesma pegaria Klaus e o faria falar, ninguém poderia passar por cima de Robert e agora ele estava morto. Morto porque teve uma filha com uma bruxa.
Ela sabia onde Klaus estava, ouviu quando ele convidou uma mulher para dormir com ele durante a noite depois da festa, foi direto aonde lembrava.
Por sorte nenhum dos meninos a viu sair, ela poderia ter ido de carro, mas se era uma vampira pra que gastar gasolina? Lembrou que Theo reclamou que estava cara.
– Eu sabia que viria. – Klaus sentou-se na cama e riu.
Charlotte riu irônica.
– Mas não sabe pelo o que vim. – e jogou um feitiço que fez o pescoço de Klaus quebrar.
*************
Ao chegar em casa, levou Klaus ate o quarto onde o pai torturava os inimigos e selou com um feitiço onde ele não poderia fugir. Ouviu vários passos vindo, era seus irmãos.
– O que você fez? – Ben falou vendo Klaus jogado no chão.
– Não fiz nada. Ainda.
– Charlotte, você está louca. Ele... nós seremos..
Klaus acordou e começou a rir
– Briga de irmãos. Vou até aplaudir.
Charlotte deu um soco em Klaus que fez ele cair, ele começou a rir.
– Você não irá rir quando estiver morto Klaus. – ela disse.
– Charlotte – Theo repreendeu.
– Quer se unir a eles, Theodore? – Charlotte o olhou com fogo nos olhos e ele viu que nada a impediria.
– Se mata-lo, irá começar uma guerra. – Ben disse. – Nós seremos julgados, pois devemos punir quem faz a guerra e não ser criadores dela.
Charlotte riu.
– Uma pena. – ela abaixou-se e olhou para Klaus nos olhos – estamos sob novo reinado e eles não pensaram que começariam uma guerra quando mataram minha mãe e agora meu pai. Eu irei matar seu clã até chegar em Flavio e quando a hora chegar, eu vou colocar a cabeça dele em uma estaca e atear fogo para todos verem. – ela disse tranquilamente para Klaus.
– Você nunca vai conseguir. Estamos em maior numero, sua aberração. – Klaus segurou o braço de Charlotte que sorriu.
– Mil anos e vocês achando que eu sou apenas uma aberração. – ela se aproximou do rosto de Klaus, que fez sentir o hálito de vinho, pasta de dente e sangue dela. – Eu sou o pior monstro criado. Vocês estão sob o reinado de um mal maior do que fizeram com minha família. Não acabou pra você Klaus Mazzaroli, eu vou ouvir você pedir pra morrer.
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