Notas iniciais
alalô manos esse capitulo ficoi enormeeee, meu Deus, espero que gostem. indico essa musica (um pouco antiga) do My Chemical Romance, The Ghost of You, acho que ela cai bem para os bonitinhos durante esse momento.

''No fim do mundo ou na última coisa que vejo
Você nunca está voltando para casa
Nunca está voltando para casa
Eu poderia? Eu deveria?
E todas as coisas que você nunca me disse
E todos os sorrisos que vão sempre me assombrar (...) E todas as feridas que sempre me deixarão cicatrizes
Por todos os fantasmas que nunca vão me pegar.''

My Chemical Romance — The Ghost of You.

Talvez perder um ente querido fosse a coisa mais dolorida desse mundo, mais dolorido que um coração partido ou um corte no pé. As coisas não foram nada boas para os filhos de Robert, eram crianças na visão de um conselho de vampiros antigos obrigados a serem adultos, mas a manhã turbulenta deles não ajudou muito a visão dos outros para eles.

Os irmãos tomaram café em um Pub na St. Granville ficava bem longe de onde eles tinham feito arruaça e bem próximo ao Memorial Center, na Pacific Boulevard. Em completo silencio e vergonha, andaram até o prédio onde estavam que ficava poucos quarteirões. O relógio do sinal já dizia que era 9H00 da manhã e que a vida em Vancouver já estava ligada já havia algumas horas.

Charlotte andava ao lado de Theo, de mãos dadas, já não havia o que esconder para Peter e Ben, estava com a cabeça pesada e latejante fazia muito tempo que não ficava chapada e isso a fazia de lembra da vida que levava como Clarissa, a poucos meses atrás e que para ela parecia anos.

Anos que ela era a Rainha Perdida, sendo a filha perdida de um homem poderoso e solitário, seu coração parecia que estava em mil pedaços quando se lembrou de seu pai, tão jovem e forte. Ela era fascinada pela força que Robert expelia, era alto e tinha um bronzeado natural, o cabelo tão escuro que caia nos olhos e o sorriso de menino imprudente. Era assim que Ines havia dito uma vez.

“Seu pai sempre teve o sorriso de menino imprudente, era isso o que fazia ser surpreendente contra o mundo’’

Ela sentiu os olhos arderem e um nó na garganta se formou, apertou a mão de Theo que retribuiu o afeto. Ambos não haviam falado sobre o que tinha acontecido no beco, a imprudência de serem pegos e presos.

Chegaram no prédio friamente cinza e espelhado, Charlotte sentiu-se frágil e enjoada, queria poder não estar ali por que seu pai estava morto, queria estar ali por algum motivo estupido de Robert tentar transforma-la em uma dama educada.

Entraram e uma avalanche de pessoas começaram a cumprimenta-los, os mais inúmeros pêsames, condolências e formas de ‘’se precisar estaremos aqui’’.

– Eu só queria ir pra casa. – Charlotte disse baixo e Peter a respondeu com um ‘’Eu também’’ quase inaudível.

Havia dois banheiros no quarto-apartamento, coisa que não incomodara nenhum dos quatro, Peter e Charlotte foram tomar banho, um em cada banheiro.

– Vou pedir um café forte, vai querer? – Theo disse a Ben que lhe respondeu levantando um copo já cheio de conhaque.

– Ben, você está bebendo demais.

– Sou imortal, posso beber o quanto quiser. – ele bebeu tudo em gole só.

– Só não vire um vampiro alcoólatra e arrume confusão com alguém que o mate. – Theo discou o numero da recepção e pediu um café para quatro pessoas e uma agua com gás.

– Quem se importa com a morte de um homem que nem eu – Ben murmurou dentro do copo e Theo rapidamente foi até ele e tirou o copo de sua mão.

– Eu me importo... Peter e Charlotte também. – Theo tirou a bebida e foi ate a janela e derramou – Não vou deixar você enlouquecer sozinho, Benjamim, nenhum de vocês. – Então atirou a garrafa de vidro contra a parede, estraçalhando vidro por todo chão.

– Vejo que não sou o único enlouquecendo. – Benjamin suspirou e foi para o acesso ao quarto e fechou a porta corredora.

O dia foi passando lentamente, Charlotte dormiu ao lado de Benjamin, que estava completamente desmaiado, Theo acabou dormindo no sofá imenso enquanto lia o jornal e Peter estava sentado em uma cadeira na varanda. Estava pensando na sua vida antes de ser um vampiro, quanto era Peter Adams, jovem e inconsequente.

Quando o acidente quase o matara e Robert o salvou, dando-lhe seu nome e sua linhagem, transformando-o em Peter Montgomery, o observador. Peter queria ser que nem Robert, sempre procurou ser um homem que nem ele até que um dia o próprio pai havia lhe dito que ele era único.

“Você tem um grande potencial Peter. Olhe para o horizonte e verá serás um homem extraordinário, não precisa se espelhar ou ser igual a ninguém. Você tem a visão do mundo que ninguém tem, filho, use isso para o bem.”

– Queria poder ter visto a sua morte, pai. – ele pensou alto e respirou pesadamente.

O telefone tocou e Peter atendeu, era a recepcionista dizendo que Caesar já estava esperando eles na recepção.

– Porra, já são 15h30? – ele disse surpreso.

– Sim, senhor. – a moça respondeu do outro lado da linha.

– Obrigado, diga que estamos descendo. – e desligou.

Peter acordou Charlotte e Benjamin, logo em seguida Theo. Houve intensamente murmúrios de palavrões e pragas pelo horário, os filhos atrasados para o memorial do pai.

Charlotte prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, deixando uns fios soltos e colocou o vestido hippie preto rapidamente, não se importando nenhum pouco com os irmãos a vendo de calcinha e sutiã. Benjamin colocou um suéter cinza com o blazer preto juntamente com uma calça jeans.

Theo vestiu uma blusa de flanela preta com um blazer cinza escuro por cima e Peter vestiu um terno, porém não se importou em colocar a gravata. Correram para o elevador e o rapaz apertou o botão para leva-los até a recepção.

Caesar estava conversando com algumas pessoas, logo avistou os quatro e levantou-se para cumprimenta-los.

– Theo, Benjamin, Peter e Rainha Charlotte. – sorriu falso demais para o gosto de Charlotte, que revirou os olhos quando ele virou as costas para ir à porta de saída.

– O memorial será no Memorial Pacific Center, na Pacific Boulervard, não irá demorar até chegarmos lá. – Caesar disse.

– Deveríamos ter ido a pé, então. – Charlotte disse secamente. Peter revirou os olhos como se estivesse de saco cheio do antagonismo de sua irmã pelas pessoas.

– Suponho que não queria estragar os sapatos e nem estragar a maquiagem – Caesar respondeu tranquilamente, fazendo os meninos morderem o lábio para segurar um riso.

– Claro. Pra que estragar meus sapatos e maquiagem se tem a borracha dos pneus de seu carro, não é? – ela disse e sorriu feito uma menina de 5 anos.

– Chegamos. – Benjamin disse, como se tivesse algo entalado em sua garganta. Caesar desceu primeiro, indo para dentro do salão, enquanto os outros desciam um por um do carro. Todas as atenções viradas pra eles. De lado a lado, parecia uma linha de guerra, esperando as armas virar contra eles. E talvez, aquele memorial fosse apenas o estudo de todos sobre eles.

Lá dentro, estava todos só representantes dos anciões do conselho que estavam mortos. Havia assentos em todo o salão, lá na frente estava quatro cadeiras ao lado da foto enorme de Robert Montgomery, era onde eles iriam sentar. Charlotte arquejou, fazendo Peter segurar sua mão e perguntar se ela estava bem, ela olhou completamente perdida para o irmão, queria correr dali e gritar. Tinha algo empurrando um peso horrível contra seu peito, estava ficando completamente sem ar.

– Vocês chegaram. Estava preocupada já. – Jasmine veio deslumbrante até eles, abraçando cada um e ficando ao lado de Benjamin e segurando sua mão. Charlotte foi para perto de Theo, fazendo Peter ficar sozinho. – Ali está o lugar de vocês, eu tentei fazer Marina não coloca-los tão expostos, mas ela achou que seria bom, um bom jogo de politica.

– Acabamos de perder nosso pai. Acha mesmo que me interesso para jogo de politica nesse momento, Senhorita Carter? – Charlotte virou-se para olha-la, estava ficando tão ansiosa que estava irritada com toda a situação que ela não podia controlar.

– Char... – Peter repreendeu.

– Tudo bem, Peter, ela estava reagindo ao luto. Eu tentei não deixar vocês ali, queria coloca-los ao lado dos novos integrantes do Conselho, que alias, amanhã será a apresentação deles como novos representantes dos continentes. Eu mandei um e-mail avisando... – ela disse e olhou para todos, questionando completamente se haviam lido as noticias que ela passara para eles.

– Desculpe Jasmine, não lemos nada esses dias. O que temos que fazer? – Theo disse dando de ombro tristemente.

– Trarei o e-mail impresso para que leiam e saibam o que devem falar. – ela suspirou e olhou em volta. – Antes do inicio da cerimonia, eles virão se auto apresentar para vocês, então boa sorte. Volto daqui a pouco.

Então Jasmine foi e deixou-os ali, parados no meio de muita gente. Começaram a andar e cumprimentar as pessoas havia vampiros de todos os lugares, Charlotte estava um pouco maravilhada com todos ali. Eram muitas raças unidas em uma só espécie, estava conversando com uma mulher de meia idade, porém muito bonita.

Ela dizia que conhecia a Espanha muito bem, pois quando humana, foi casada com um espanhol que morreu em uma guerra. Não tinha filhos e estava doente de tuberculose quando foi transformada.

– Quem a transformou? – Charlotte perguntou, curiosa.

– Edward Phillips. – ela disse e sorriu triste, então Charlotte percebeu que ela era Evelyn Phillips, esposa de Edward. Ouviu os meninos falar dela um vez, mas estava com muito sono ou pensando em outras coisas para continuar no assunto com eles.

– Eu sinto muito pela sua perda, sra. Phillips. – Charlotte disse envergonhada.

– Eu digo o mesmo, minha jovem.

Elas foram interrompidas por Caesar dando tapinhas no microfone, pedindo a atenção de todos. Theo veio até Charlotte, a levando para os assentos reservados a eles, dando um leve cumprimento a Evelyn.

– Irmãos, estamos aqui nesse memorial para velarmos os corpos dos nossos anciãos mortos durante essa semana em uma reunião geral do Conselho. Creio que todos aqui estamos com um pesar enorme no peito pela perda de vários Chancelers e principalmente, nosso rei, Robert Montgomery. – então olhou para os quatro, que estava vindo se sentar nos seus respectivos locais.

Charlotte ficou na ponta, como mais nova, já que os meninos adotaram uma postura que parecia regra, do mais velho ao mais novo. Ela estava de frente para provavelmente mil pessoas, na fileira da frente estava um grupo vestido de cinza, Evelyn e Veronica estavam lá, talvez fossem os novos representantes.

Ela virou para olhar os irmãos e viu que eles estavam olhando Caesar falar sem parar sobre Robert, sobre os outros e sobre eles. Fingiu estar prestar atenção, mas na verdade, o som estava todo abafado e a sensação de pânico começava a surgir.

Não aguentou olhar para Caesar por tanto tempo, então passou a olhar para a multidão, na esperança de ver o rosto do pai e que aquilo tudo fosse um sonho.

– ... Suponho que os filhos ou príncipes e a nossa futura rainha queira da algumas palavras. – Ela voltou a si quando Peter pôs a mão em sua perna e ela ouviu as ultimas palavras de Caesar Westlock.

Subiram até o palco baixo e Benjamin a colocou na frente do microfone, sorrindo a encorajando. Charlotte viu todos a olhando, ela não podia fraquejar na frente daquelas pessoas, onde provavelmente o assassino de seu pai também estaria. Ele poderia estar a vendo ali, pestanejando a falar e parecendo uma garota inútil.

– Quero agradecer a todos pelas condolências dadas a mim e aos meus irmãos durante esta tarde. Eu poderia falar muitas coisas aqui, mas não ando muito bem emocionalmente, então serei breve. Robert, meu pai, era o homem mais incrível que alguém poderia conhecer, não foi a toa que me minha mãe, também uma mulher excepcional, se apaixonou por ele. Mas hoje, de volta a família, encontrei três replicas dele e posso dizer que me sinto segura em reivindicar o trono, porque sei que mesmo sem ele aqui. Serei capaz de ser a rainha. – ela levantou o queixo. – E eu serei a rainha, eu sou a rainha e meu pai ficará orgulhoso de mim, assim como irei vinga-lo. Obrigada a presença de todos.

Afastaram-se do microfone e desceram do palco. Charlotte sentia a adrenalina no corpo, ela poderia sair rindo na cara de todos nesse momento, mostrando o dedo do meio e gritando que ela era a rainha. Ela iria acabar matando todos.

– Mandou bem, Char. – Benjamin disse. – Por isso deixei você falar. – ele riu.

Cada vez que eles conversavam entre si, se tocavam, era como se fosse uma novidade para todos. Ninguém esperava que eles fossem próximos, cheios de piadas internas e principalmente, sentissem afeição um pelo outro. Eles não esperavam que iriam encontrar uma família.

Notas finais
Capitulo enoooooooooorme. Obrigada pra quem ler e deixem os comentários de vcs pra eu saber o q acham... :3 beijoos