Os Montgomery: A Rainha Perdida
5 Sentindo o mal em mim.
Notas iniciais
Charlotte pôs os pés para fora da cama e respirou fundo. Sentiu o ar entrando forte e pesado. Ouviu que alguém estava subindo e vindo em direção ao seu quarto, abriu a porta e Benjamin estava prestes a bater.
– Bom dia. – ele disse elegante com o queixo erguido. Charlotte se apoiou na porta e fez uma cara de quem não estava interessada. Esperava que fosse Theo ali. Ben viu que ela esperava o que ele ia dizer e aquilo estava irritando-o. – Trouxe essas roupas pra você... Inês mandou. Ela achou que você não iria querer esses vestidos.
Ele entregou a sacola e Charlotte abriu e viu uma leggin azul marinho e uma blusa branca.
– Obrigada Benjamin. – ela disse e fechou a porta do quarto. Ben respirou fundo e saiu pisando forte. Ele estava começando a odiar sua suposta irmã.
Charlotte se vestiu e calçou o mesmo tênis que veio e desceu. Estava pensando em caçar alguns animais e se sentir menos fraca. Estava afim de ficar sozinha, pensando. Não queria ouvir nada que a ligasse a suas vidas passadas, não a interessava. Ela não queria saber, ela morreu e viveu muitas vezes... Agora ela só queria viver.
– Vamos Charlotte!!!! Sua garota estupida, você sabe que uma pessoa com o seu sangue não deveria viver. Bastarda. – uma mulher gorda gritava e dava tapas em minha cabeça. – Ninguém ama você, seu pai a cria por que não pode abandonar uma cria do demônio como você. Você é o inferno.- ela falava e me espancava.
– Me deixa em paz. – Pulei em seu pescoço e suguei todo seu sangue, esquartejei e joguei os pedaços para os lobos. Peguei a sua cabeça gorda e levei pra casa, ascendi uma fogueira onde minha mãe foi queimada e joguei a cabeça lá. – É pra você, mãe. Vou me vingar de todos que a mataram. Todos.
– Charlotte? – uma voz ecoava na sua cabeça, tentou abrir os olhos e estava tonta, ela achou que poderia ser Theo, mas não estava certa.
– Me deixa em paz... – disse engasgando. Tossiu e uma dor infernal latejava na cabeça.
Sangue. Sangue. Fogo.
– Charlotte... – ela abriu os olhos e viu Benjamin. Não Theo. – O que aconteceu com você?
Ela voltava a si, a dor passava, estava sentada em um degrau da escada segurando em um dos pilares de madeira. Benjamin estava ao seu lado, observando e com uma mão em seu ombro.
– Ta tudo bem, Benjamin. – ela disse recuperando o folego. – Isso acontece as vezes... São as memorias...
Houve um silencio, Charlotte levantou-se e equilibrou um pouco seu corpo para descer as escadas.
– Acho que você deveria se alimentar. – Benjamin disse atrás dela.
– Eu vou. Sozinha.
********
Benjamin entrou no escritório de Robert, onde seus irmãos estavam e sentou-se, calado. Pensou em como encontrou Charlotte na escada a pouco tempo, ela estava pálida e suava, olhos dilatados. Não parecia a garota irritante que abriu a porta do quarto.
Robert ergueu os olhos para ele, viu que Benjamin estava escondendo alguma coisa.
– Algum problema Ben? – ele disse colocando o celular na mesa.
– Não. – Ben respondeu rapidamente.
– Onde está Charlotte?
– Não a vi descer. – ele disse e deu de ombros. Robert sabia que ele tinha visto a garota e começava a intriga-lo o porquê de Benjamin não querer contar que tinha encontrado sua filha.
– Flavio ligou Robert. – Peter disse, mudando o assunto.
– O que ele queria?
Peter passou a mão no cabelo e umedeceu os lábios. Flavio Winnet era um vampiro que todos odiavam, era o xerife da área sul da Europa e desde que se tornara um imortal, pretendia tomar o império de Robert Montgomery e que iria ser o futuro rei dos vampiros e casaria com a rainha perdida, filha de Robert.
– A mensagem dele foi clara. Ele sabe que ela está aqui. – Peter disse.
Robert respirou e levantou-se. Seu corpo estava emanando poder, que os três rapazes se puseram de pé alinhados, prontos para obedecer. Ele era o Mestre, o Rei.
– Eu não quero Charlotte fora dessa casa. Liguem para Veronica e Jasmine... Preciso delas para ajudar a minha filha a se tornar uma dama. E vocês, cuidem de tudo. Preciso realmente ir a America, tenho uma reunião do Conselho com todos os xerifes... E lá pegarei Flavio. – Robert saiu e deixou os rapazes.
Robert foi para o quarto de Charlotte e não a encontrou. Rodou a casa inteira, gritando atrás dela.
“Estava caçando, papai’’
Uma lembrança tão velha quanto às paredes daquela casa. Claro, ela voltara. Saiu para a mata, sentiu o perfume dela por todo lugar. Robert odiava quando ela fazia isso, não era feminino. Ela tinha que esperar que levassem sua caça.
Viu Charlotte sentada na beira do rio, duas panteras e uma onça mortas ao seu lado. Ela se endireitou.
– Sabia que o senhor viria atrás de mim. – ela disse, levantou-se para ir ate o pai. Mas antes tirou um isqueiro do bolso e jogou nos animais mortos.
– Charlotte... Por favor... – Robert sorriu, despreocupado. Ela passou por ele seguiu em direção pra casa. Ela entrou em casa e seu pai em seguida, ela sabia que estava sendo infantil, mas não queria escutar seu pai falando de vidas passadas.
– Oi Char! – Peter disse a vendo entrar em casa e ir para cozinha. Ela não disse, apenas seguiu ate a cozinha. – Ok, que bom que você está gostando de voltar.
Robert parou e bufou.
– Ela estava caçando animais. Caçando.
– Ela não é do tipo que espera e nem é uma dama. Ela é um soldado. – Peter disse e foi ate a cozinha atrás de Charlotte.
Ela estava sentada no banco de frente para o balcão, estava comendo pão com café e leite. Peter pode ver que nas unhas ainda tinha sangue, os cabelos estavam presos e ela parecia suada.
– Você come. – ele disse
Ela so olhou pra ele e voltou a atenção para o pão.
– Ok. Só apareça pra conversar com seu pai depois. – Ponto para Peter, aquilo fez ela levantar a cabeça.
– Sobre o que? – ela falou virando-se para ele e largando o pão.
– Ele vai viajar, por um tempo e você vai ficar na nossa responsabilidade. – ele sorriu.
– Legal. – Charlotte disse e voltou pro pão. Ponto para Charlotte.
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A tarde caia e Charlotte passou maior parte do dia fugindo de todo mundo, principalmente de Robert. Foi até o jardim e ficou lá, tinha um banco entre as flores que a fez sentir-se bem. Pensou no feitiço que tentou fazer noite passada e não conseguiu, talvez ela não devesse ser uma bruxa como a sua mãe. Porém, ela sentia-se diferente todas as vezes que via seu passado, quando via o sangue em suas mãos e gostava daquilo.
Charlotte sentiu dentro dela que se não tivesse cuidado, ela poderia se tornar alguém que a os pais não queria que ela fosse... Mas e se ela não tivesse escolha? Era seu primeiro dia em casa e tudo o que ela queria era ficar sozinha. Pensou nos pais humanos, se eles realmente existiram e se o que ela era existiu algum dia.
– Posso acompanhar você no por do sol? – Theo chegou e sorriu.
– Claro.
Theo sentou-se e ficou olhando o sol se por era a hora favorita dele, onde podia sentir que suas forças estavam retomando a si. Olhou para Charlotte que estava de cabeça baixa, brincando com uma rosa.
– Você passou o dia fugindo.
Ela não respondeu nada, continuou com a rosa.
– Você precisa conversar com Robert.
– Theo... Eu não sei se quero estar aqui. – ela disse.
Theo se ajeitou para ficar de frente para Charlotte, sentiu seu nervosismo. Ela estava levemente bronzeada no rosto, ela não parecia uma vampira, a magia no seu sangue a mantinha como humana.
– Eu sinto que eu to lutando contra um mal dentro de mim. Como se eu fosse me tornar alguém ruim. Você sente isso, Theo?
– O tempo todo. É algo com que todos nós lutamos, Char.
Charlotte abaixou a cabeça. Ela sabia que não era a mesma coisa com ela, sabia que seria perigoso demais se entregar a sua verdadeira raiz.
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