Os Montgomery: A Rainha Perdida
6 No way no.
Notas iniciais
''Ei, meu bem, seu coração é muito grande para ser tratado pequeno.
Então, por favor não me culpe, por tentar ser o único que pode ter isso tudo. Você sabe que isso é estúpido, te dizendo que está escuro quando você está vendo a luz e eu sei que você não é tola, só me dê uma chance, eu posso te tratar bem.''
– MAGIC! — No Way No.
Passou alguns dias e Charlotte continuava se alimentando de animais, fazendo magia escondido do pai. Ela falhara todas as vezes que tentava, ligava para Ines, mas não adiantava muito. Peter a levou para fazer compras, ele sabia que ela odiava os vestidos que tinha que usar e então resolveu salvar a irmã.
Charlotte ainda não havia sido treinada para lutar, apenas para ser uma dama e aquilo a deixava louca. Veronica e Jasmine iam todas as tarde ensinar-lhe a sentar-se à mesa, comer e se vestir para as ocasiões que o pai frequentava sempre. Ela ouvia seus irmãos andando de um lado para outro pela casa, resolvendo assuntos burocráticos, enquanto ela tinha aulas de etiqueta com duas vampiras.
Veronica era loira, alta, pele branca e olhos azuis imensos. Era falante, gostava de fazer piadas, porém elegantemente rude. Jasmine também era alta, os cabelos eram bem pretos e lisos, tinha uma pele morena e era calada. As duas eram amigas de Robert havia muito tempo, elas foram transformadas por Caesar na era vitoriana, quando haviam sido sequestradas por homens aproveitadores. Caesar também era amigo próximo de Robert, era xerife da área norte da América, sempre mantinha as informações atualizadas para que Robert estivesse no controle de tudo.
– Charlotte, venha até meu escritório, por favor... – Robert passou pela sala de jantar onde estava a filha e Jasmine – Olá Jas, como vai?
– Oi Robert, vou bem. –Jasmine sorriu e voltou a olhar para os talheres. Jasmine ensinava a Charlotte como sentar na mesa e usar as taças, talheres e pratos.
– Não sei se Jasmine irá deixar, pai – disse Charlotte, passando a mão no cabelo para arrumar os fios que caiam nos olhos. Ela não olhou para ele, passou dias fugindo dele e de conversar sobre tudo.
– Creio que Jas não ira se importar. – ele olhou pra Jasmine que fez um gesto de ‘’por mim, pode ir’’ e voltou a olhar para Charlotte. – Ate porque você é um caso perdido pra todo o esforço que ela e Veronica fazem.
Charlotte levantou lentamente da cadeira, arrumou a blusa e sorriu.
– Obrigada Jasmine... Por todo o seu esforço. – ela disse a ultima frase olhando para Robert e foi em direção ao escritório do pai. Robert esperou ela sair para começar a rir junto com Jasmine.
– Ela não é pra isso Robert. – Jasmine disse colocando tudo de lado e olhando para Robert.
– Eu sei, eu sei. Ela é igual a mãe. Até mais Jas e obrigado por... aturar essa menina chata. – ele disse e riu.
**
Charlotte estava sentada na cadeira que ficava de frente a mesa de seu pai. Ela estava com sono e cansada de brincar de chá o dia todo, brincava com a barra do short e pensava o que iria fazer quando o pai viajasse e não estivesse ali para da as ordens.
– Acho que vamos ter reunião em família. – Benjamin sentou na cadeira que ficava do lado da que ela estava. Charlotte não levantou a cabeça e nem respondeu, ela não gostava muito de Benjamin, o achava muito metido e sempre queria ser o que sabia mais, então ela apenas suspirou forte e pesadamente.
Theo e Peter entraram, falando sobre algum assunto de luta e sangue e Robert vinha logo atrás.
– Oi Char! – Peter disse – Não vi você o dia inteiro, por onde esteve?
– Brincando de ser a Barbie no seu castelo. – Charlotte respondeu e sorriu sarcástica. Robert apenas ignorou o tom dela e sentou na cadeira dele.
– Você é uma Barbie lutadora. – Peter disse, levantou a mão para que Char e ele fizesse um high-five. Benjamin viu a cena, olhou para Theo que ria de tudo aquilo e com toda certeza iria perguntar a Charlotte qual era seu problema com ele.
– Eu acabo com você, Ken. – Char disse sorrindo para Peter.
– Veremos Barbie.
– Ninguém vai acabar com ninguém aqui. – Robert disse sorrindo – Eu quero falar com vocês, vou viajar hoje e sinceramente não sei quando volto. As coisas não andam muito boas pela América e Caesar precisa que eu fique por um tempo lá. Então, Theodore, Benjamin, Peter e Charlotte... – ele respirou – Não coloquem fogo na minha casa, não arranquem a cabeça um do outro – Charlotte sentiu que aquilo foi pra ela e Benjamin – E sejam educados.
– Impecável e ágil. – Peter disse baixinho.
– Theo, direcione Charlotte em algumas atividades de negócios. Peter você vai caçar com ela e Benjamin você vai treinar Charlotte. – Robert disse e Charlotte começou a rir. Benjamin olhou pra ela e revirou os olhos. – Posso contar com todos?
–Ah, com certeza. Vai ser muito legal. – Charlotte disse e olhou para Benjamin sorrindo.
************
Robert viajou e deixou todos ocupados. Charlotte não conhecia todos os empregados, não tinha muitos, havia apenas uma cozinheira que foi contratada logo quando ela chegou para fazer suas refeições humanas, quatro camareiras e Jonah, o loiro que estava conversando com Robert quando ela chegou.
As caçadas com Peter era a parte favorita dela. Peter deixava que ela corresse para todo lado e uma coisa que ele não entendia era o porquê de Charlotte sempre queimar os animais e ficar observando o fogo consumir tudo, sempre de olhos fechados.
Theo ficava durante a noite com Charlotte, passando tudo o que podia para ela. O nome de todos xerifes que comandavam as áreas e os valores que cada um ganhava e o que o império recebia.
– Charlotte, esse é o valor que... Charlotte? – Theo olhou para o lado e viu Charlotte dormindo na cadeira. Theo a pegou nos braços e levou ela até o quarto, colocou- a na cama, tirou os tênis surrados e a cobriu. – Você parece está num bom sonho, acho que eu sou entediante.
Ele ficou sentado olhando Charlotte dormir e se perguntou o porquê aquilo estava gostando de ficar observando ela dormir. Ele se levantou e fechou as cortinas para ir para seu quarto.
– Theo? – Charlotte disse baixa e sonolenta. Ele se virou e sorri. — Você pode ficar aqui comigo?
Theo colocou a mão no bolso, não sabia muito que dizer, aquela não parecia Charlotte que ele estava acostumado a ver.
– Não sei...
– Eu não tenho dormido muito bem essas noites... Tem muita memoria vindo enquanto durmo. – ela disse de cabeça baixa. – Muita coisa ruim.
Theo foi até a cama e ficou ao seu lado, puxou ela para seu peito e a cobriu.
– Que conversar? – ele perguntou quase rouco. Ele estava tenso e confuso. Aquilo era permitido? Ele gostava dela de um jeito diferente e não era como um irmão. Com certeza a vontade que ele tinha de ficar perto dela e de protegê-la não era igual a Peter ou Ben.
– Não. – ela respondeu aninhada no seu peito. – Você cheira tão bem.
– Obrigado. – eles riram baixo. – Você também cheira bem.
Fale com o autor