Os Montgomery: A Rainha Perdida
9 Kings and Queen.
Notas iniciais
''E os gritos começam
Eles ficam loucos por nós
E como se desenrola
Agora estamos na arena
E estamos vindo atrás de sangue''
~ Lorde — Glory and Gore.
Charlotte abriu os olhos e viu que o sol ainda não havia saído, estava no inicio de um novo dia, não tinha sono suficiente para continuar tentando dormir. O baile de inverno era hoje e ela estava inquieta para ver quem iria, nenhuns dos meninos falaram quem estariam presentes, apenas disseram que ela seria apresentada como Rainha do Novo Império Montgomery e Robert confiaria nela para que fosse uma dama.
Seus pensamentos rodavam e deixa o quarto embaçado, parando para analisar as coisas, ela era uma princesa. Uma princesa teria que conhecer o seu povo, não teria? Será que ela se lembraria daqueles que mataram sua mãe? Charlotte já não sentia a magia no sangue como antes, só sentia a vontade de vingar-se dos inimigos que a queriam morta e que mataram Irvina há séculos atrás.
Charlotte fechou os olhos e respirou fundo e sentou no chão, cruzando as pernas, ficou de frente para a janela. O silencio ajudou-lhe a concentrar no seu interior, em latim, começou a conjurar uma proteção e visão de tudo aquilo maligno que estava tentando se aproximar.
O mal é você, Rainha. Você é aquela que trará a ruína de todos.
Charlotte abriu os olhos assustada procurando a voz.
Você deve morrer pequena rainha. O mal reina em você desde o momento em que aceitou a magia e o sangue de inocentes em você.
– Quem ta ai? – ela disse baixo.
Lembra quando você bebeu o sangue daquelas crianças perdidas na floresta há mil anos atrás? Quando você torturou todos aqueles empregados que não conseguiram fazer sua comida favorita...
Imagens apareciam na mente de Charlotte, sangue e gritos suplicantes de pessoas presas a grilhões em masmorras sujas e fedorentas. Ela viu a si mesma debruçada sobre os corpos bebendo suco, queimando os outros e oferecendo algum tipo de deus.
– Pare! Isso não é verdade! – Charlotte pôs a mão na cabeça, lateja e seu corpo todo tremia – Pare de me mostrar isso, pare, pare, pare!
É difícil aceitar quem somos de verdade, não é? Principalmente quando não somos bons.
– VAI EMBORA! – Charlotte gritou e ficou ali no chão tremendo, suando e ouvindo os gritos. Algo estava ali, dentro do seu quarto, ela sentia e não se permitiu abrir os olhos. Tudo estava tão vivo ali, os gritos das pessoas, o fedor de sangue e gente morta. Robert nunca soubera que ela fez aquilo debaixo do seu próprio teto.
Charlotte gritava para ir embora, pedia pra se livrar daquilo.
Sua alma está manchada, rainha.
*********
Na mesa do café, estava todos reunidos, os irmãos. O lugar de Robert, na ponta principal estava vazia, Charlotte e Ben estavam a esquerda, Theo e Peter a direita.
– Eu não lembro de ter te batido com muita força ontem. – Peter disse colocando um pedaço de bolo na boca e apontou pro ombro roxo de Charlotte.
– Realmente... – Ben disse olhando para o ombro dela e depois Theo levantou o olhar para ver também.
– Cai no banheiro. – mentiu. Ela sabia que os hematomas apareciam logo depois de ter uma descarga de lembranças.
– Olha eu sei que... – Peter ia começar a se gabar
– Porque vocês comem comida humana? – Charlotte cortou o barato do irmão e perguntou sem animo.
– É costume. – Theo disse e sorriu e ela apenas fez um bico de que havia entendido.
Charlotte revirou os ovos no prato, brincou com o suco no copo, estava sem fome e dolorida. A voz dos irmãos era distante e pareciam zumbidos.
“É difícil aceitar quem somos de verdade, não é? Principalmente quando não somos bons.’’
A frase ecoava na sua cabeça assim como as imagens.
– Charlotte! – Peter estalou os dedos – Acorda...
– Hum?
– Você parece indisposta.. – Theo disse preocupado.
– Um pouco. Eu vou descansar ok. Vejo vocês no baile.
Ela se levantou e Ben segurou a mão dela, Charlotte sorriu sem vontade para Ben e saiu para o quarto. Ele sabia que ela havia visto mais coisas sobre o passado, ele sabia dos hematomas porque viu com os próprios olhos e porque ouviu os gritos.
*****************
Itália.
– Lorde Klaus, sua bagagem está pronta para sua ida a Espanha. – a mulher ruiva se endireitou para que o homem não visse sua postura desajeitada ao entrar. – E o convite do baile está na mesinha ao lado da porta de saída.
– Obrigada, Morgana. – respondeu secamente.
A mulher continuou na sala, vendo o seu mestre que estava de costas, enquanto encarava a estante de livros e segurava um copo de gim na mão.
– O senhor pretende retornar logo, milorde?
Klaus riu. Lorde de toda a Itália, Klaus tinha 890 anos, para os humanos ele tinha apenas 29 anos. Alto, bronzeado, olhos azuis e cabelos castanhos claros, Klaus Barison fora nomeado Lorde de toda Itália como punição por dizimar três vilarejos italianos por Robert. Klaus odiava tanto a Itália quanto odiava Robert Montgomery e toda a família real vampiresca. Com a volta da filha perdida pela maldição, Klaus poderia vingar-se de toda a humilhação que ele e os três filhos o fizeram passar.
Klaus iria conquistar a filha e casar-se com ela, um clichê que iria acabar com Robert e todo seu império.
– Possivelmente não. Não sei quanto tempo ficarei por lá, afinal de contas a Rainha Perdida retornara para a família, seria muito desrespeitoso como um Lorde não mostrar meu desempenho com minha cidade.
Morgana abaixou a cabeça, já ouvira barbaridades da boca de Klaus em relação a família Montgomery, agora ele parecia ansioso para conhecer a garota hibrida. Ele se aproximou da mulher e colocou o cabelo para o lado.
– Espero que não se importe. – disse e cravou os dentes no pescoço dela.
********
Charlotte passou o dia no quarto com a sua dama de companhia, como Robert dissera. Ela ajudou com o cabelo e a maquiagem, Charlotte iria usar um vestido purpura, um pouco sexy, tinha uma saia longa parecendo um véu, a parte superior parecia um top porém havia tiras que ligavam com a saia.
– A senhorita irá ficar linda. — a mulher disse e sorriu dando palminhas vendo o vestido no manequim.
– Eu não quero receber ninguém até a hora do baile. Você pode dizer que estou indisposta? — Charlotte pediu, estava sentada na mesa de café que tinha no quarto.
– Sim, senhorita. — A mulher foi até a porta e Charlotte ouviu a voz de Theo, ele queria entrar e conversar.
*****************
– Klaus virá para o baile. — Peter disse de cara fechada. — Devemo manter Charlotte muito ocupada com outras pessoas, ela e ele não devem se aproximar.
Theo apareceu na sala de estar e Peter olhou pra ele instigante.
– E ai? Como ela está?
– Indisposta. A Ana disse que ela pediu pra ficar sozinha.
Ben estava calado, pensando no que ela poderia ter visto.
– Klaus virá. — ele disse e olhou para Theo.
– Ele não chegará perto dela, Benjamin. — Theo garantiu. Os irmãos passaram a tarde discutindo sobre a festa, recebendo as confirmações dos convidados e tentando conversar com Charlotte.
Enfim, a noite chegou, todos estavam prontos. Charlotte se olhou no espelho e tentou parecer confiante.
– A senhorita está perfeita, minha rainha. — A dama disse.
– Obrigada, Ana.
Charlotte abriu a porta e foi indo para o salão de festas. Se admirou de nenhum dos meninos estivessem na porta de seu quarto a esperando, parou de frente a porta e respirou. O salão de festas ficava no fim do corredor de quadros da familia Montgomery, virou-se para atrás e viu o quadro pintado por Ines Morello e desejou profundamente que ela estivesse nesse baile.
Irvina parecia sorrir para filha no quadro, lhe encorajando. Charlotte abriu a porta e entrou no salão, todos viraram para olha-la.
– Senhoras e Senhores, aqui está a Rainha Perdida. — Benjamin disse em voz alta e Charlotte apenas sorriu maliciosamente e poderosa.
Theo se pôs rapidamente ao lado dela, levando-a para onde Peter e Benjamin estavam. Perto da escadaria, se posicionaram como reis e rainha, sorrindo para seu povo.
– Você poderia ter vindo nua, Char. — Ben disse sorrindo para frente — Não iria fazer diferença com esse vestido.
– E porque você não aparou a barba? — ela disse sorrindo docemente para Ben.
– Estamos lindos, meus irmãos. Lindos. — Peter disse e sorriu, pegando uma taça de champagne.
**********
Fale com o autor