Os Montgomery: A Rainha Perdida
13 I'm So Sorry - Theodore Montgomery
Notas iniciais
Eu estava na beira da loucura e não podia mostrar a minha dor. Peter agora sabia o que havia acontecido entre mim e Charlotte, eu estava de luto e iria enfrentar inimigos da minha família. Eu sabia que todos estavam sofrendo, que todos estavam se refugiando em algum lugar de suas mentes. Estava naquele porão com o que havia restado de Klaus, peguei o isqueiro do bolso e coloquei fogo.
Andei com passos arrastados, eu precisa me alimentar, fui para cozinha onde tínhamos um estoque de bolsas de sangue. Robert dava dinheiro para o hospital e em troca recebíamos algumas bolsas de sangue, era errado, mas evitava que matássemos muitas pessoas. Chegando lá, abri o freezer e tirei uma bolsa O+ e despejei em um copo, odiava tomar no saquinho.
– Theo. – era ela. Não me virei para olha-la, ouvi sua respiração acelerando como sempre ficava quando estávamos pertos. – Eu vim só beber agua, estava terminando as malas para amanha e depois ia verificar se Klaus falaria alguma coisa.
– Klaus está morto. – disse e virei pra ela. Nunca iriamos ter um momento romântico que pudéssemos nos resolver, pois sempre iria haver assuntos burocráticos, de família ou inimigos.
– O que? – Era impressionante como ela mudava a aparência de garota delicada pra uma mulher fervendo de raiva. Ela fechou os olhos e respirou. – Peter?
– Eu, na verdade. – encostei-me a pia. – Fui ver se conseguia algo dele, ele me provocou e brigamos, Peter me ajudou.
Ela coçou o queixo e passou umedeceu os lábios.
– Estamos ferrados. Que horas vamos amanhã?
– As 12h00. – respondi. Ela saiu pisando forte.
***
Chegou a hora de embarcar, Peter não havia nem trocado uma palavra comigo, estávamos todos reclusos em seu próprio luto. O circulo estava se fechando, Charlotte tinha que ser coroada e treinada para tomar conta do império Montgomery.
Jonah foi nos deixar no aeroporto em Barcelona, ficava uma hora até a cidade, Peter foi à frente e Charlotte entre mim e Benjamin no banco de trás. Era 17h e 20min até Vancouver, apesar de irmos de jato particular, precisávamos embarcar de Barcelona. Ordens de Caesar.
Chegamos ao aeroporto, odiava vir a cidade, eu podia sentir todos olhando para nós e aquilo me irritava. Sim, Theo Montgomery era inseguro com sua ‘’extraordinária beleza inglesa’’, como dizia Joana Lopez. Já Peter desfrutava da atenção, deliciando cada olhar que tinha pra ele.
– Parece que somos celebridades. – Charlotte olhou pra mim e sorriu.
– Atração da presa pelo predador. Apenas. – respondi, colocando o braço pelo seu ombro e ela passou o dela pela minha cintura.
Fomos para a pista onde o jatinho estava a nossa espera, olhei o relógio e era 11h30, Jonah falou com o piloto e entramos na aeronave. Quatro poltronas, viradas de forma que iriamos ficar de frente um para o outro.
Finalmente decolamos e veio uma aeromoça, Maya Banks, a reconhecia de outras viagens, nos oferecer bebidas.
– Olá senhores, gostariam de alguma coisa? – ela disse, sorrindo diretamente para mim. Peter estava do meu lado, de frente para Charlotte que tinha Benjamin ao lado dela.
– Não, obrigada, Maya. – disse e dei de ombros.
– Eu quero uma agua. – Peter disse.
– Um conhaque, Senhorita Banks. – Benjamim respondeu sorrindo de lado – E você, Char?
– Um suco de laranja. – Charlotte disse e olhou pra mim, desconfiada, esperou Maya sair para falar – Por qual motivo tenho a sensação de que vocês estão com alguma piada interna?
Fechei os olhos e Benjamin riu junto com Peter.
– Theo e Maya já ficaram. – Peter disse – ela sempre deu uma atenção maior pra ele.
– Em uma viagem, Robert pegou Theo e Maya no banheiro. – Benjamin disse.
– Robert já pegou vocês também. – retruquei, irritado, não queria que Charlotte soubesse daquilo.
– Robert disse que tínhamos que nos controlar, éramos cavalheiros e não animais, por isso que hoje somos bem discretos nos nossos romances. – Benjamin disse e limpou uma pequena poeira do seu suéter.
– Você é tão discreto que não deve ter ficado com ninguém. – Peter rebateu e todos riram, menos Benjamin.
– Eu não preciso espalhar com quem eu fico para você, seu idiota.
Peter se arrumou na poltrona e disse:
– Então vamos falar quando foi nossa ultima vez, cada diz com quem foi, aonde foi e quando foi.
Eu olhei para Charlotte que não retribuiu o olhar, estava apenas quieta olhando pela janela.
– Você é estupido, Peter. – Charlotte disse e sorriu. – Você começa então, pegador.
– Ok. Vamos lá. – ele limpou os lábios e começou – Jasmine. Baile de Inverno. Quarto do Ben.
– O que? – Benjamin arregalou os olhos – Você... O que?
– Ela estava atrás do lavabo, aconteceu. Desculpe.
– Eu odeio você. – Benjamin disse.
– Sua vez. – Peter disse para Benjamin
– Nora. Meu quarto. No dia em que Charlotte voltou para casa.
– Quem é Nora? – perguntei.
– Não sei. Acho que trabalhava na cozinha. Agora você e Charlotte.
– Theo. Lago Irvy. Primeira semana na mansão. – Charlotte disse e olhou para mim, aquilo foi um tapa na minha cara, vi Benjamin olhar pra mim e ela de olhos arregalados.
– Charlotte. Lago Irvy. Primeira semana dela em casa. – disse quase engasgado.
Ninguém disse nada, o clima ficou tenso, Maya veio com as bebidas e cada um continuou sem falar nada. Aquela ia ser a viagem mais longa de todas. Peguei um livro na mochila e o abri, minha cabeça não conseguia se concentrar, eu queria explicar o que tinha acontecido entre mim e Charlotte, dizer que eu não a queria como irmã.
– Eu não gosto de Theo como irmão, desde o momento em que o vi, eu o queria ele de outra forma e devo dizer que até hoje eu não o vejo como irmão e sim como um homem. – Charlotte disse e olhou para Peter. – Eu sabia que você já sabia e que fez esse jogo estupido para que eu ou ele contasse, pois você não iria falar para Benjamin, já que é tão importante para você saber com quem cada um aqui transa ou deixa de transar. Mas, você e Benjamin, sim, vocês são os irmãos mais insuportáveis que alguém pode ter.
Aquela mulher lia meus pensamentos, usava a bruxaria dela para me colocar nos piores momentos da vida. Benjamin colocou a mão na perna dela e disse:
– Você é insuportável também, Charlotte. Aposto que Robert ficaria mais aliviado em saber que você gosta de um homem como Theo, como seu irmão, eu também fico.
Sorri para Benjamin e naquele momento eu queria abraçar Charlotte e sentir o cheiro de maça verde do seu shampoo, e beija-la. Ela olhou pra mim e sorriu feliz.
– Eu concordo com Benjamin e eu odeio você, Char. – Peter disse.
– Não odeia, sei disso. – ela rebateu.
A viagem seguiu tranquila, com algumas brincadeiras inventadas por Peter e com desafio de quem comia mais.
– Chegamos em Vancouver. – Peter olhou pela janela.
– Hora de ser os órfãos de luto e ingênuos. – Charlotte disse
– Eles sabem que matamos Klaus. – Peter disse.
– E é isso que nos torna ingênuos para eles. – Benjamin disse – Uma boa jogada da Charlotte.
Os dois fizeram um high-five e Peter deu de ombros.
– Eu não confio neles. – ela disse, fazendo um rabo de cavalo no cabelo. – Não me importaria de explodir a casa de cada um ou arrancar a cabeça.
– Gata selvagem. – Peter disse e riu.
– Eu também não me importaria Charlotte, mas há consequências a serem pagas depois, principalmente quando se trata de nós.
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