Os Mistérios De Corvinal (Hiatus)
6 Mão de beringela
Notas iniciais
Acordei ao som de gritos vindo do salão comunal.
– Rato! Rato! — Ouvia gritarem.
Rapidamente chequei os meus arredores à procura de meu rato, ele não estava lá.
Desci as escadas para o salão comunal correndo e cheguei bem à tempo de rato de livro entrar na manga do meu pijama ao mesmo tempo que me batiam na mão com o livro. Ser acertado com a enciclopédia da história do quadribol na mão não faz muito bem ao seus dedos. Minhas cordas vocais quase explodiram quando eu gritei, e talvez os tímpanos de todos as pessoas por perto também. Olhei para minha mão, já estava roxa que nem uma beringela.
– Temos que te levar a ala hospitalar — A garota com a enciclopédia na mão me disse.
– E nem vai se desculpar antes? — Eu perguntei histérico mas com o mesmo tom irônico que eu sempre tinha.
Ela me olhou com um olhar bem frio, como se estivesse dizendo “Quem liga?”.
…
– Vai ficar assim por uma semana — A enfermeira disse depois de ter enfaixado minha mão.
– Mas como vou fazer minhas anotações com minha mão desse jeito? — Perguntei.
– Ora, peça à alguém para fazer por você — Ela me respondeu.
Eu olhei para a garota que tinha transformado minha mão numa beringela madura.
– É, você serve — Eu disse.
– Ah, nem vem! — Ela começou a reclamar.
– Você machucou a mão dele, agora vai ter que ajudá-lo! — A enfermeira disse.
– Quem mandou deixar o rato nojento dele por ai?! — Ela reclamou de volta.
– Sabe, não sou nenhum druida, não sei controlar animais — Eu retruquei.
Ela me pegou pelo meu colarinho segurando meu rosto bem perto dela de um modo bastante agressivo.
– Druidas, não, fazem, isso! — Ela exclamou lentamente e violentamente.
– Ei ei! Não vá piorar a situação — A enfermeira nos separou — Por favor senhorita Nightgale, se retire.
A garota saiu sem dizer mais nada. Quando estava saindo ela passou por outros três estudantes, eram Scorpio, Alvo e Emillia, todos eles pareciam bastante preocupados, menos Scorpio que continuava com sua face imparcial.
– É, tá bem ruim… — Scorpio comentou quando todos eles ficaram ao meu lado.
– Você nem viu esse negócio desenfaixado, parece um beringela madura — Eu disse.
– Tá assim tão ruim? — Alvo e Emillia perguntaram preocupados.
– É, mas não se preocupem, vai curar em uma semana, até lá, alguém vai ter que me ajudar com as atividades escolares — Eu disse.
– E isso tudo no primeiro dia? Nossa, tá começando bem — Scorpio comentou.
– Scorpio, não é hora de piadinhas! — Emillia disse séria.
– Nah, eu nem ligo, até que é bom para descontrair… — Disse.
– Eu… Eu faço as anotações para você! — Alvo disse meio tímido.
– Valeu cara, vou precisar — Agradeci.
– Ah… De nada — Ele disse com um sorriso.
– Bem, querem fazer algo à mais? Ele tem que descansar — A enfermeira avisou.
– Não, tudo bem, já estamos indo — Scorpio disse, saindo, meio que arrastando os outros dois que não pareciam querer deixar o meu lado.
Eu fechei os olhos e dormi.
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