Notas iniciais
Com a ajuda de Bridgit e Isobel, Ethan confronta Jeffrey, mas o inesperado acontece. Uma fatalidade muda o rumo da história, enquanto o jovem lobo permanece aturdido em meio a descobertas reveladoras.

O medo era uma sensação longínqua para Ethan. Não conseguia se lembrar da útlima vez que esse sentimento se apoderara dele. Um dos raros episódios em que verdadeiramente se sentira desolado foi com a morte de sua mãe, mas isso já fazia muitos anos e, de alguma forma, ele tinha aprendido a superar. Agora era como se todo o medo do mundo decidisse atormentá-lo. Ele se via encurralado em uma situação perturbadora. Não sabia com que estava lidando, e quanto mais se aproximava da verdade, mais o seu temor aumentava.

Já escurecia quando Bridgit, Ethan e Isobel chegaram à casa de Jeffrey. Eles haviam passado tantas horas buscando informações na internet que perderam a noção do tempo. Os três caminhavam por uma rua quase deserta, em meio a casas e a alguns carros estacionados. Quando chegaram a seu destino, Bridgit se aproximou e bateu na porta. Após alguns minutos sem resposta, Jeffrey atendeu:

"Precisamos falar com você", anunciou a garota.

Seu amigo parecia confuso e estarrecido. "O que tá acontecendo?", indagou ele.

Ethan deu um passo à frente. "Engraçado... eu ia te perguntar a mesma coisa", declarou em tom irônico. Depois de alguns segundos, continuou: "Não adianta mais se esconder. Nós já sabemos do seu segredinho", afirmou o jovem lobo, sem desviar os olhos de Jeffrey.

Isobel e Bridgit permaneciam em silêncio.

"Sabe de uma coisa? Desde aquele dia que você devolveu minha carteira, eu percebi que tinha algo estranho acontecendo. Você não é o mesmo, Ethan", seus olhos encaravam o amigo com temor e desconfiança. "Seja lá o que for, eu já estou cansado dessa história", ele virou o rosto para o lado, passando as mãos pelo cabelo castanho claro.

A noite se fechava ao redor deles.

Ethan estreitou os olhos, mantendo a postura firme e inabalável. "Chega de mentiras, Jeffrey!" ele estava começando a ficar alterado. "Sabemos o que você é e o que fez com a pedra", alegou o garoto, seu rosto exalando fúria.
Isobel colocou a mão no ombro do amigo, na tentativa de acalmá-lo.

Jeffrey permaneceu estático na entrada da casa, a alguns passos da porta, como para se proteger das acusações. "Cara, eu já disse que não sei do que você tá falando!"

Nesse instante, se ouviu um grito mortal e arrepiante ecoando por toda a rua. Um grito de horror e agonia. Num sobressalto, eles ergueram a cabeça e olharam ao redor. Seus corações palpitavam. Todos ficaram paralisados.

"Stacy!!", bradou Jeffrey, ao reconhecer a voz por trás do grito. Estava alarmado.

"O quê?", perguntou Isobel.

"É a minha irmã!", respondeu ele.

O grito tinha vindo dos fundos da casa. O garoto disparou nessa direção. Os outros três o seguiram apressadamente. Eles se esgueiraram pela passagem que havia na lateral da casa e que dava para uma rua ainda mais deserta e sombria. Ao fundo, a floresta escura e sinistra espreitava como uma víbora. A princípio, não viram ninguém. O lugar estava vazio. De repente, Bridgit gritou:

"Tem alguma coisa aqui!". Ao lado de um Nissan prata, a garota se aproximava a passos lentos, com medo do que poderia encontrar. Os outros estavam afastados. Eles correram imediatamente até o local. Isobel se acercou suficientemente para ver. Em um gesto abrupto, ela levou as mãos à boca, apavorada. Bridgit deu um salto para trás. Havia um corpo no chão. Jeffrey entrou em pânico.

"Stacy!!", ele agachou-se e começou a tocar freneticamente o corpo de sua irmã.

Ela sangrava muito. A região do abdome estava embebida em sangue. Jeffrey começou a arfar. Seu desespero era imensurável. Seu corpo tremia muito. Todos exalavam terror e espanto. Eles não sabiam o que fazer. Estavam pasmados. Bridgit se pos ao lado de Ethan. Nesse instante, os dois ouviram um farfalhar das árvores, como se alguém estivesse espreitando da floresta. Eles se viraram quase ao mesmo tempo para ver. Quando reconheceram o que era, seus olhos ficaram petrificados. Em meio à negritude da noite, o lobo negro desaparecia entre as folhagens. O animal virou-se ligeiramente, e foi então que Bridgit e Ethan puderam ver seus olhos vermelho-sangue, repletos de ódio e furor. Foi tudo muito rápido, uma vista de relance. Os dois amigos se olharam, incrédulos.

A tensão era generalizada. Jeffrey estava muito ofegante. Ele suava frio. Isobel estava mais perto do corpo agora. De repente, ela notou algo na vítima. Intrigada, agachou-se para ver melhor. A camisa da garota estava rasgada, um pouco acima do local do ferimento. Por baixo, havia algo gravado em sua pele, e não era tatuagem. Isobel afastou os pedaços de tecido. Ela não acreditou no que viu. Na região peitoral da vítima, havia uma espécie de emblema ou símbolo, desenhado descuidadamente, com traços vacilantes, mas ainda assim, perfeitamente legível. Um círculo feito com alguma espécie de lâmina. Os cortes eram praticamente superficiais, por isso não sangravam muito. Dentro do círculo, havia uma diagonal dividindo-o em duas partes. No semicírculo superior, estava gravada a letra grega "Mi" μ, e no inferior, a letra "Fi" φ. Isobel não tinha a mínima ideia do que significavam.

Agachado diante do corpo, Jeffrey nem reparou no símbolo. Estava completamente desnorteado. De repente, ele berrou, sem sair de perto da irmã:

"Alguém chama uma ambulância! Agora!!"

Ethan puxou o celular do bolso.

Isobel segurou o pulso da vítima. "Jeff, eu sinto muito...", lamentou ela, aflita. "Sinto muito mesmo".

O silêncio reinou por alguns instantes.

Isobel respirou fundo e tomou coragem para falar.

"Eu acho que ela tá morta."

............................

As viaturas cercavam o local. Suas luzes ofuscantes piscavam incessantemente. A ambulância estava rodeada por uma pequena equipe médica. Eles colocaram Stacy cuidadosamente na maca. Jeffrey não saiu de perto dela em nenhum momento. Isobel, Bridgit e Ethan estavam juntos, tentando acreditar que nada daquilo era real. O pai de Ethan estava ao lado da vítima. Ele conversava com um médico.

"Ela perdeu muito sangue", afirmou o doutor, suspendendo a camisa da garota para examinar a lesão. Havia quatro cortes profundos em seu abdome. A essa altura, o sangue já adquirira uma tonalidade vermelho-escura, quase negra. "Esses cortes provavelmente perfuraram algum órgão interno. Precisamos levá-la ao hospital urgente", declarou ele. A vítima ainda respirava. Estava com vida. Mas o seu estado era grave. Não sabiam se sobreviveria.
Eles repararam no símbolo cravado no peito de Stacy. "Acredito que seja agum sinal deixado pelo agressor", sugeriu o médico.

Não muito longe dali, os três amigos escutaram tudo. Imediatamente, e sem hesitar, Ethan se aproximou.

"Sabemos quem fez isso", confessou o garoto.

Seu pai o encarou firmemente, franzindo a testa. O uniforme de policial lhe dava um ar de imponência.

Ethan respirou fundo. Ele olhou para trás, na direção de Bridgit e Isobel, como se buscasse apoio. Finalmente, ele disse: "Foi um lobo", declarou. "Um lobo atacou ela."

Joe Quinn assumiu uma expressão de incredulidade. "Não, isso é pouco provável", assegurou ele.

Ethan manteve o olhar firme, esperando por uma explicação.

"Não há ataques de lobos em Fort Woods há dez anos", revelou. "Não acredito que seja esse o caso."

"Além do mais, um lobo não poderia ter feito aquilo no peito da garota", acrescentou Bryan Connor, apontando para o emblema.

"Mas um homem-lobo sim", pensou Ethan.

Bryan era um dos parceiros policiais de Joseph.

A maca foi colocada dentro da ambulância. Jeffrey permanecia ao lado da irmã. Agora seus pais haviam chegado. Estavam exasperados. O veículo partiu para o hospital, que ficava a poucas quadras dali.

Isobel, Ethan e Bridgit decidiram ir também. Após alguns minutos de caminhada, eles já estavam na sala de recepção. Jeffrey e seus pais esperavam, impacientes. Uma enfermeira tentou acalmá-los, mas foi inútil. A apreensão e o medo invadiam a atmosfera. Quando o médico apareceu, todos levantaram os olhos e se puseram atentos.

"A paciente sofreu uma perfuração no estômago. Perdeu muito sangue. Uma hemorragia interna. Temos que operá-la agora mesmo."

A família da vítima estava completamente devastada. A mãe da garota chorava.

Ethan olhou as horas no celular. Quinze para meia-noite. Precisava sair dali imediatamente.

"Eu tenho que ir!", anunciou, lançando um rápido olhar para as duas amigas. "Já é quase meia-noite!", exclamou ele, começando a caminhar até a saída.

Bridgit deu um passo à frente. "Eu vou com você!"

"Não, vocês ficam aqui", insistiu ele. "O Jeffrey precisa do apoio de vocês mais que nunca." Ele respirou fundo. "Eu vou ficar bem."

Disso ele não tinha tanta certeza. Depois de tudo que havia acontecido, e diante daquela tragédia horrenda, ele tinha consciência de que o perigo estava à espreita. Ethan correu a toda a velocidade, adentrando a mata escura e tenebrosa, sem nenhuma pista do que o esperava. Para ele, a floresta poderia se revelar de alguma dessas duas formas: uma aliada fiel ou uma inimiga fatal.

............................

A luz do dia surgiu, trazendo um pouco de tranquilidade e esperança para Ethan. Esses sentimentos reconfortantes desvaneceram completamente ao se lembrar da noite anterior. Ele desejou que tudo tivesse sido um pesadelo. Era umas seis da manhã quando Bridgit telefonou para ele mandando notícias. Stacy não havia resistido aos ferimentos. Os médicos não tiveram tempo nem ao menos de realizar a cirurgia. Depois desse acontecimento sórdido, Ethan sabia que as coisas seriam diferentes. O jovem lobo se sentia despreparado para encarar a realidade, mas ainda assim, tentava recobrar forças.

Ele foi para casa, tomou uma ducha e decidiu ir ao colégio. Não poderia se esconder para sempre. Na escola, o clima era de comoção e angústia. Todos já sabiam do ocorrido. Ethan encontrou Isobel e Bridgit nos corredores. As duas estavam muito sérias e introspectivas. Não disseram uma palavra sobre a noite passada. A primeira aula era de química. Os alunos começaram a se acomodar em seus assentos. Todos encontravam-se muito absortos. Quase ninguém se atrevia a comentar sobre o infortúnio. Só de vez em quando se ouviam breves murmúrios e cochichos.

Sentado atrás de Ethan estava Grayson Parker. Seus cabelos pretos reluziam e sua pele estava mais pálida que o normal. Ele se inclinou para frente.

"Que terrível o que aconteceu... eu mal pude acreditar quando vi nas notícias hoje de manhã", confessou ele, com uma expressão de condolência.

"O Jeffrey deve estar arrasado. Se você o vir, diz a ele que pode contar comigo, de verdade, pra o que precisar", ele parecia realmente abalado.
Ethan acenou levemente com a cabeça.

No intervalo, todos foram para o refeitório. O jovem lobo escolheu uma mesa relativamente isolada, longe dos comentários imprudentes. Suas amigas o acompanharam. Já haviam visto o suficiente na noite passada, não precisavam ficar relembrando os detalhes. Ethan olhava fixamente para a maçã em cima da mesa, Isobel beliscava alguns snacks... eles haviam perdido completamente a fome. O garoto sentia o estômago revirar. Bridgit estava nauseada.

Subitamente, na Tv que havia no meio do salão, apareceu a notícia que todos temiam. A repórter começou a anunciar, numa voz baixa e densa:

"O episódio que chocou os habitantes de Fort Woods. Stacy Collins, uma garota de dezesseis anos, foi morta na noite dessa quarta-feira. Encontrada em situação de risco e gravemente ferida, a adolescente foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Causa da morte: hemorragia interna, provocada por quatro cortes profundos que sofreu a vítima.”

Apareceram cenas da noite anterior, o tumulto das viaturas, a ambulância, os policias rondando o local... Depois foi exibida uma foto da garota: cabelos loiros, rosto comprido, lábios rosados e olhos castanho claros. Para uma garota de dezesseis anos, ela aparentava ser bem madura.

“Stacy era estudante da Escola Secundária Fort Woods. Levava uma vida normal, cercada de amigos e família.”

De algum lugar no fundo do refeitório, se ouviam choros e lamentos femininos, provavelmente das amigas e colegas mais próximas da vítima. Ethan conseguia sentir a dor delas de longe.

“Um elemento inusitado parece orientar o andamento das investigações: uma espécie de emblema foi desenhado sobre a pele da vítima, certamente com o uso de alguma lâmina ou objeto cortante. O símbolo parece revelar algum tipo de código. Tudo indica que os policiais estão lidando com um assassino astuto, fora dos padrões...”

Isobel, Bridgit e Ethan se entreolharam. A voz da repórter foi se desvanecendo, tornando-se quase um sussurro ao fundo.

“Vocês têm certeza que foi um lobo que atacou ela?”, indagou Isobel, inclinando-se sobre a mesa. Ela sussurrou, olhando ao redor para garantir que ninguém a escutava.

"Eu sei muito bem o que eu vi", confirmou Bridgit. "Era ele. O lobo da foto. O mesmo que atacou o Ethan", garantiu ela, com toda a convicção.

"Além do mais, os cortes na barriga dela foram feitos pelas garras de um lobo. Disso eu tenho certeza. Eu reconheceria de longe", acrescentou o garoto.

Depois da escola, Ethan voltou para casa e, como sempre, submergiu-se em seus pensamentos. Sua mente convulsionava. Para ele, era muito difícil acreditar que tudo aquilo era real. Que de fato havia acontecido. Um assassinato na cidade. E ainda pior, o assassino era um homem-lobo. Isso tudo parecia uma loucura. Quase surreal. O garoto se lembrou da noite passada. Queria evitar, mas era impossível. Deitado em sua cama, começou a relembrar as imagens sinistras: o grito, o desespero, o sangue, a noite escura, a floresta sombria...

Pensou na angústia profunda que Jeffrey deveria estar sentindo naquele momento. Não conseguia imaginar a terrível aflição que se apoderava dele. Foi tudo tão repentino. Ethan sentiu-se verdadeiramente culpado pelas acusações que fez contra o amigo. Ele descobriu, da forma mais dolorosa possível, que Jeffrey estava falando a verdade. As suspeitas contra ele se esvaneceram por completo. A carteira encontrada em meio a suas coisas ainda era um mistério.
Havia um homem-lobo à solta, e Ethan precisava descobrir quem era, antes que ele cometesse mais uma atrocidade. O garoto refletiu sobre as circunstâncias da noite anterior. Era como se o lobo negro quisesse chamar sua atenção, como se quisesse armar uma espécie de jogo, um quebra-cabeças. Ethan teve um mau pressentimento. Ele sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo.

Por volta das seis da tarde, o jovem lobo recebeu uma mensagem de sua amiga Isobel. Ela havia descoberto alguma coisa. Eles marcaram de se encontrar na Jack's Burguer, uma das lanchonetes mais famosas e visitadas da cidade. Já era noite quando chegaram. O lugar estava menos cheio que de costume. Parece que o episódio fatídico havia afetado a muitos. O ambiente parecia artificial. Alguns adolescentes jogavam sinuca, outros jogavam cartas com os amigos, e outros estavam apenas sentados, bebendo e conversando. Ethan, Bridgit e Isobel escolheram uma mesa isolada ao fundo. Eles se sentaram e permaneceram em silêncio por alguns minutos.

"Eu estive pensando...", anunciou Ethan. "Tenho a impressão de que esse homem-lobo está armando um jogo para mim... ele quer que eu decifre as pistas, quer chamar minha atenção de qualquer forma", declarou ele, os olhos fixos em algum ponto distante. "Quer dizer... primeiro esse ataque brutal e depois o símbolo misterioso... tem alguma coisa por trás disso tudo", ele parecia apreensivo.

"Agora que a gente sabe que o Jeffrey não é o lobo negro, precisamos ficar atentos", advertiu Bridgit, perplexa. "Ele pode voltar a atacar a qualquer momento. Temos que descobrir quem ele é, o quanto antes."

Isobel tirou o celular do bolso. "Vocês se lembram do símbolo no peito da Stacy?", indagou ela. "Aquilo me chamou muito a atenção. Desde a primeira vez que vi. Aquelas letras gregas pareciam significar algo", declarou.

Bridgit e Ethan escutavam atentamente.

"Hoje à tarde eu estava pesquisando naquela página que vimos ontem, e olha só o que eu encontrei", ela virou o celular e mostrou uma foto.

Havia algumas escrituras em grego: "μεγαλύτερη φυλή".

"Notaram a inicial das duas palavras? A letra Mi e a letra Fi. São as mesmas que haviam no círculo do emblema", ressaltou Isobel. "Então eu coloquei no tradutor e descobri o que significa. Raça maior, clã maior ou clã magnus."

Eles se entreolharam, estarrecidos.

"Ethan, na noite em que o lobo te atacou, havia outros deles, não é mesmo?", perguntou Isobel.

"Sim, uma alcateia inteira", respondeu o garoto.

"Eu acho que essa é a insígnia deles... o símbolo desenhado."

Eles se puseram pensativos.

"Tem muito mais coisa por trás dessa história que ainda não conhecemos. E, pra falar a verdade, isso me assusta", confessou Bridgit.

Ela chamou o garçom. Precisava de um suco gelado para acalmar os pensamentos. Um rapaz de boné com uma caderneta na mão se aproximou para atendê-la. Parecia ser novo ali. Quando ele já estava se afastando, depois de anotar o pedido, Ethan deu um pulo na cadeira, sobressaltado. Havia notado algo no garçom e precisava ir averiguar. Ele se levantou repentinamente e foi até o balcão. O rapaz que atendera Bridgit estava de lado, limpando alguns copos. Sem que ele notasse, Ethan puxou o celular do bolso e tirou uma foto da tatuagem que havia em seu braço, logo abaixo da manga da camisa. Em seguida, o rapaz entrou na cozinha, ao mesmo tempo em que outro garçom saía. O jovem lobo se aproximou.

"Eu preciso falar com aquele cara, o de boné azul."

O garçom o encarou com um olhar entediado. "Drake, tem um garoto aqui querendo falar com você."

Isobel e Bridgit estavam ao lado do amigo agora.

"Ethan, o que aconteceu?", indagou Bridgit, atônita.

Quando o cara de boné apareceu, Ethan começou a falar:

"Você é um deles. A comunidade na internet..."

O rapaz ficou abismado. "Eu não sei do que você tá falando, garoto."

"A tatuagem no seu braço. É o mesmo símbolo que eu vi naquela página", insistiu Ethan. Seus olhos estavam vidrados.

O garçom parecia confuso. "Não pode ser... é impossível", ele falou baixo, para si mesmo.

Ethan se inclinou sobre o balcão. "Eu sei quem matou aquela garota. Foi um lobo", revelou.

Drake ergueu os olhos, surpreendido. "Você deve ter me confundido com outra pessoa", ele disse, e em seguida se virou e voltou para a cozinha.

"Não, espera! Volta aqui!", o garoto tentou impedir, mas foi em vão.

"Ethan, o que tá acontecendo?", Isobel parecia preocupada.

"Vocês lembram do emblema que havia no topo da página?", ele mostrou a foto da tatuagem no celular. "É o mesmo sinal!" A tela exibia a imagem de um triângulo dividido em três menores, com um pequeno círculo preenchido no meio.

As garotas observaram, pasmadas.

"Eu me lembro vagamente", admitiu Bridgit.

"Isobel, entra na página pra a gente verificar", pediu Ethan.

Sua amiga pegou o celular e entrou na internet.

"Que estranho... aqui diz que a página não existe", afirmou. "Hoje à tarde eu consegui acessar sem problemas."

"Talvez se a gente tentar o acesso pelo computador, pode ser que funcione", sugeriu Bridgit.

Eles saíram apressados. Os três estavam quase atravessando a porta quando alguém se lançou à sua frente, obstruindo a passagem. Era Bruce Adams, um dos caras mais populares da escola, o capitão do time de basquete. Ele usava uma jaqueta preta e escarlate de jogador.

"Aonde pensa que vai com tanta pressa, Quinn?", sua expressão revelava seriedade. Ele passou alguns segundos encarando Ethan, os olhos firmes e apertados. "Eu escutei tudo que você disse pra aquele cara. Agora você vai me explicar exatamente o que aconteceu", exigiu ele.

"Agora não, Bruce. Precisamos ir", Ethan avançou para frente, mas foi impedido pelo outro garoto, que segurou seu ombro com força.

"Vocês não vão a lugar nenhum sem mim", ele exalava fúria e rancor. "Esse tal lobo que você mencionou... ele matou minha namorada", declarou, ardendo em ira.

"A irmã do Jeffrey era sua namorada?", Bridgit parecia surpresa.

"Sim, ela era", respondeu, sem tirar os olhos de Ethan. "Eu não tenho certeza se foi um lobo ou um humano que atacou ela. Não sei se isso que você diz é verdade, Quinn", ele rangeu os dentes. "Mas de uma coisa eu tenho certeza... seja lá o que tenha sido, eu vou matar ele."