Os Millers

7 Beijo , Nonna e Roupas Novas


Notas iniciais
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." - Fernando Teixeira de Andrade

Rose sentiu-se transportar às nuvens. Toma­da de surpresa, não poderia se mover mesmo que quisesse. Porque todos seus sentidos estavam atentos ao toque sublime em seus lábios e em seus cabelos.

Os pensamentos a abandonaram. Nada mais importava a não ser a língua de Joseph em sua boca e as mãos quentes e macias em sua pele. E ela ô deixou acariciá-la e provar seu sabor porque simplesmente nunca havia sentido algo que se comparasse à magia daquele momento.

Ao primeiro sinal de que Joseph iria interromper o beijo, Rose deixou escapar um gemido de protesto. Seu corpo, como se tivesse vontade própria, aconchegou-se ao dele, ansioso por sentir a rigidez dos músculos e mergulhar naquele calor que a absorvia.

Não queria que o encanto se desfizesse. Não queria abandonar o paraíso quando acabava de descobrir que ele existia.

Joseph correspondeu a sua paixão com um gemido ainda mais forte e beijou-a até que perdessem o fôlego. Suas mãos a percorreram e se moldaram às curvas voluptuosas. E ela estava se perdendo nas sensações daquele novo beijo quando Joseph se afastou com tanto ímpeto que a fez hesitar.

Ele não disse nada. Não foi preciso. Ao ver o modo como ela o havia agarrado, amassando sua camisa, sentiu o rosto afoguear de constrangimento. E agora? O que Joseph iria pensar a seu respeito? Que ela era uma sexo maníaca?

Como pôde perder o controle a esse ponto? Se Joseph não tivesse colocado um fim naquele beijo, ela não sabia o que mais poderia ter feito.

Incapaz de raciocinar, cheia de culpa pelo que acabara de acontecer, Rose levou uma das mãos à boca e fechou os olhos.

— Sinto muito — Joseph se desculpou. — Isso não deveria ter acontecido.

A voz soou firme, mas Rose notou o tremor das mãos que devolviam a camisa para dentro da calça. O constrangimento aumentava cada segundo com o silêncio que se seguiu. Rose mordeu o lábio. Joseph estava certo. Aquilo nunca deveria ter acontecido. Por alguns minutos, ela havia conhecido outro mundo onde só existia felicidade, mas a volta ao presente po­deria significar o aumento de barreiras a transpor.

— Vou entrar — Rose avisou com um fio de voz, incapaz de continuar suportando a tensão.

Á medida que caminhava pelo jardim, contudo, Rose co­gitou que uma pequena luz poderia ter surgido no fim do túnel. Porque se aqueles beijos significaram um acréscimo de proble­mas, serviriam, ao mesmo tempo, para afastá-la de joseph de uma vez por todas e também daquela casa.

— Por aqui — Joseph a segurou pelo braço e a conduziu por outra direção quando ela errou o caminho.

Rose tentou ignorar a eletricidade que lhe percorreu o corpo como sempre acontecia quando Joseph a tocava. Com uma de­terminação que a surpreendeu, encarou-o com frieza e soltou-se.

Pela primeira vez, viu-o corar.

— Não tenha medo — ele murmurou. — Não estou levando você para nenhum lugar isolado nem irei forçá-la a nada.

Rose se encolheu ao tom de inesperada mágoa. Joseph suspirou. Não pretendia causar aquela reação. Foi um gesto instintivo de defesa ao ser rejeitado quando queria apenas ser gentil. Se fosse sincero consigo mesmo, daria razão a Rose. Ela tinha todo direito de se esquivar depois do modo como ele a havia tratado.

Sem tornar a tocá-la, Joseph se limitou a indicar cada novo corredor ou escada por onde deveriam seguir.

— Talvez eu devesse lhe fazer um mapa da casa — ele tentou brincar. — Você se sentiria melhor se conseguisse se localizar sozinha na propriedade.

Rose não respondeu e Joseph praguejou consigo mesmo. Não deveria tê-la beijado. Não que o momento de intimidade tivesse sido premeditado. Sua intenção inicial se resumia a um gesto de consolo depois de entender finalmente como Rose deveria estar se sentindo após o trauma que sofrerá. E por querer compensá-la por seu comportamento desagradável e por suas acusações maldosas que ela jamais merecera.

A intenção, portanto, era demonstrar compaixão com um bei­jo fraternal e um abraço amigo. Jamais poderia imaginar que perderia o controle. Dio! Ao sentir Rose tremer em seus bra­ços e os lábios macios abrirem para recebê-lo, como se fossem pétalas de rosa dando as boas-vindas aos raios do sol, ele se abandonou à doçura e ao prazer mais embriagador do que o melhor dos néctares e vinhos, até que um sinal de alarme soou em seus ouvidos e ele tentou se afastar.

Mas, exatamente naquele instante, Rose o abraçou e cor­respondeu ao beijo e ele não teve forças para sufocar a explosão de emoções que o dominaram por inteiro.

Apenas a ideia de que ele não seria melhor do que Victor, se permitisse que aquela loucura continuasse, teve o poder de lhe devolver o controle. Não era igual á seu irmão, um homem incapaz de amar alguém que não fosse ele mesmo. Ao contrário de Victor, ele havia amado tanto sua esposa que jurou nunca mais amar outra mulher quando ela morreu. Porque doía de­mais. Nada valia tanto sofrimento.

Joseph respirou fundo e se forçou a não recordar o passado. A vida iria continuar.

Como sempre. Porque ele continuava de­terminado a não se envolver emocionalmente. Em especial com Rose Makepeace. Não quando tivera sucesso em cumprir a promessa que fizera a si mesmo, durante dez longos anos.

A receita para isso seria nunca mais tocá-la. A partir daquele instante, Rose era um tabu. Assim como consideraria um tabu, pensar nas sensações que o assaltaram ao tê-la em seus braços. Além de tudo, Rose merecia seu respeito. Ela estava vulnerável após tudo que passou. Seria um crime magoá-la ainda mais.

Mas compensá-la pelo mau juízo, ele lhe devia isso. Seu com­portamento havia sido imperdoável. Jamais deveria tê-la condenado sem ouvir sua versão da história.

— Talvez você se sinta melhor se eu lhe disser que o amor que Victor e Lorna possam ter dedicado um ao outro, já havia acabado quando vocês se conheceram. Eles mantinham um ca­samento de mera aparência. Não sei quanto a Lorna, mas meu irmão teve um caso atrás de outro. Bastava achar uma mulher atraente e ele partia para a conquista. E bastava conseguir o que queria para que ele perdesse o interesse.

Havia tristeza, mas também desprezo, nos olhos de Joseph. Embora tivesse amado seu irmão, ele o condenava por sua odio­sa falta de moral.

— Para poupar meu pai, eu nunca lhe contei sobre as aventuras de Victor. Ele é um homem bom e honesto e seu desgosto seria imenso se soubesse que um de seus filhos era um crápula. Sou grato a você, Rose, por sua piedade. Poderia ter contado sobre o modo como foi usada, mas omitiu a verdade em consideração.

Rose sentiu como se um peso lhe fosse tirado do coração. De repente, conseguiu respirar como há muito não fazia. Estava leve e feliz. Joseph acreditava nela!

Para se libertar do transe quase hipnótico que aquele olhar, tão diferente do que ela se acostumara a ver, lhe produzia, Rose baixou a cabeça.

Antes não o tivesse feito porque seus olhos pousaram na boca de Joseph e ela se lembrou imediatamente do beijo.

Precisou umedecer os lábios com a ponta da língua. Ele sor­riu, então, e ela sentiu uma onda de desejo tão forte que seu corpo amoleceu.

— Precisamos nos apressar. — Ela pestanejou à voz que a fez voltar à realidade. — Pedirei que Maria a leve a seus apo­sentos para que se prepare para o almoço.

Rose estava tão aturdida que não se lembrou de suas objeções quanto a participar de uma nova reunião em família e simplesmente seguiu a criada pelo hall e pelas escadas.

Joseph ficou olhando Rose se afastar. Seu coração batia descompassado.

Cometera um grande erro ao beijá-la. Maior ainda ao tocá-la. O contato da pele macia e quente lhe desper­tou necessidades que há muito não sentia.

Tão logo conseguisse acomodá-la naquela casa e convencê-la de que fazia parte da família, tanto quanto seu filho, ele iria embora. Distrações não lhe faltariam. Havia trabalho suficiente para ele se ocupar vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Em vários países do mundo.

Quando Rose finalmente desapareceu de vista, Joseph se afastou para cumprimentar a avó que já deveria ter chegado. Quase conseguia adivinhar o modo como ela havia se dirigido a seu pai:

— Trate de se levantar logo dessa cadeira, Eduardo. Você é novo demais para estar aí. Olhe para mim. Sou vinte anos, mais velha e estou forte como um touro!

Joseph sorriu consigo mesmo ao pensar na língua afiada de sua avó. Seria bom se ela conseguisse colocar um freio em suas palavras no que dissesse respeito á Rose.

Aliás, ele estava determinado a proteger Rose de toda e qualquer acu­sação que qualquer membro da família tentasse lhe fazer.

Não que ele tivesse preocupado com Rose por motivos pes­soais, é claro. Ele apenas era um homem justo.

Rose encontrava-se junto à janela de seu quarto, apre­ciando a vista e respirando o ar puro e perfumado da Toscana.

Estava com os nervos em pedaços e não deveria se sentir assim. Porque estava tudo bem agora. Joseph acreditava em sua inocência, Eduardo a recebeu com o coração aberto e a avó de Joseph foi simpática com ela durante o almoço.

Foi um alívio ver Genevieve sair do quarto depois de lhe pedir permissão para se ausentar por algumas horas. Nada lhe trazia maior paz e prazer do que ficar sozinha com seu lindo bebê.

Pouco a pouco, Rose conseguiu relaxar. Não havia moti­vos, realmente, para preocupação, ela pensou. Ao menos por aqueles momentos. O almoço não havia se revelado o sacrifício que imaginara.

A avó de Joseph, Nonna, como gostava de ser chamada a tratou com cordialidade e respeito. Deixou-a sem jeito, no início, ao examiná-la da cabeça aos pés, e se fixar por mais tempo do que ela desejaria em sua saia estampada e em suas sandálias de plástico. Mas depois, durante o almoço, não demonstrou ne­nhum preconceito em seu interesse por conhecer o modo de vida que ela levava.

A esse respeito, Rose não se sentiu envergonhada. Não tinha nada o que esconder, afinal. Sabia que era simples demais para uma família importante como os Millers, mas não estava ali por nenhum motivo desonesto.

Sua maior preocupação agora estava relacionada ao beijo que havia trocado com Joseph. O que aquele beijo havia significado para ele? Por que a afetava tanto? Por que foi diferente de todos os outros que recebera?

Após o prato de massa, um delicioso macarrão penne com frutos do mar, foi servido uma salada acompanhada com um vinho branco que Rose descreveria como um manjar dos deuses.

Os familiares de Joseph, ao contrário das outras vezes, trataram com cordialidade.

Tia Donatella lhe perguntou, inclu­sive, se estava se sentindo confortável na casa e Lorna se ofe­receu para lhe mostrar os arredores da propriedade.

Ela sentiu a falta de Eduardo, contudo, que não os acompa­nhou à refeição porque estava se sentindo um pouco cansado.

Joseph, para sua surpresa, havia voltado a olhar para ela como se o encontro no jardim não houvesse acontecido. O que era o certo é claro. Ela também iria se esforçar para esquecer aqueles beijos. Mas e quanto ao resto? Não deveriam se tratar como ami­gos? Ou ao menos como conhecidos? Porque Joseph não havia lhe dirigido nem sequer uma palavra à mesa. Era como se ela estivesse invisível! O comportamento dele á deixou tão perturbada que derramou quase metade da xícara de café na blusa.

Em seu quarto, Rose trocou a blusa, ordenou-se a esque­cer Joseph e a pensar em sua própria vida. Assim que Sam acordasse, ela lhe daria uma mamadeira e o levaria para pas­sear no jardim. Aproveitaria a tranquilidade da tarde para fa­zer planos de deixar aquela casa o quanto antes. Estava certa em sua intuição quanto ao beijo ter significado uma barreira a mais em seu relacionamento com Joseph.

Duas semanas no máximo! Rose jurou a si mesma en­quanto arrumava o quarto de Sam, embora ele já estivesse na mais perfeita ordem.

Precisava voltar para seu país e arrumar um emprego em vez de se entregar a fantasias de que Joseph poderia se apai­xonar por ela assim como ela havia se apaixonado por ele...

A súbita descoberta a deixou sem fôlego. Não! Não podia se apaixonar por Joseph!

Poucos meses antes, ela acreditava es­tar apaixonada pelo irmão dele!

Mas com Victor foi diferente. Com ele, ela se sentia calma e confortável. Ela o admirava por seu empenho no trabalho e por sua luta por ocupar um lugar melhor no mundo. Preocupava-se com ele porque temia que se esgotasse de tanto trabalhar. Gostara de Victor e gostara de se sentir desejada. Quando ele falou em casamento, aceitou feliz, porque o que mais queria era ter sua própria casa e formar uma família.

O que era o amor, então? Uma paixão selvagem capaz de derreter uma pessoa ou uma sensação de paz e de conforto? Não podia ser as duas coisas. Talvez não fosse nenhuma. Talvez o amor só existisse em filmes, livros e novelas.

Acalorada, Rose cogitou que o amor talvez fosse apenas uma explosão hormonal.

Algo puramente físico. Seu corpo nun­ca havia passado por tantas transformações.

Em breve, tudo voltaria ao normal.

A dúvida voltou a assaltá-la quando, alguns minutos depois, Joseph abriu a porta e murmurou que havia batido, mas que ela não ouvira e que ele achara melhor não insistir para não acordar Sam.

A mera presença de Joseph, o ar ficou impregnado de ele­tricidade. Rose temeu que seu filho fosse acordar, mas ele continuava dormindo calmamente.

Um nó fechou a garganta de Rose ao ver a expressão de êxtase e também de dor quando joseph se colocou ao lado do berço.

Para afastar o perigo de uma emoção, obrigou-se a quebrar o silêncio.

— Você queria alguma coisa?

Ele se virou, relutante, como se preferisse continuar admi­rando o pequeno ser.

Seguiu-a, então, para a sala, onde res­pondeu apenas depois que ela fechou a porta.

Rose mal conseguia respirar. De terno e gravata, Joseph parecia frio e distante como se eles não se conheces­sem. Ou seria apenas uma fachada quando a tensão quase o impedia de se locomover?

— Tenho um recado de Lorna. Ela a levará amanhã cedo a Florença para fazerem compras.

Rose franziu o rosto. O orgulho a fez erguer a cabeça em protesto.

— Não tenho condições de comprar roupas novas e não quero sua caridade.

Joseph suspirou. Já esperava por isso. A mulher que imagi­nara que Rose fosse teria dado pulos de alegria diante do co­municado. Mas a Rose que ele aprendera a conhecer não se importava com a ideia de ganhar um guarda-roupa inteiramente novo.

Era simples, mas orgulhosa. E ele a respeitava por isso.

Joseph percebeu a necessidade de mudar de tática.

— Quando meu pai e Nonna se juntam ninguém consegue escapar. Hoje, você e Sam foi o assunto da conversa.

A tentativa de brincar não funcionou. Rose olhava para ele com um brilho obstinado no olhar. Mas ele concordava com a de­cisão de seu pai e de sua avó e precisava convencê-la da necessi­dade de comprar roupas. Sem que ela se desse, conta disso.

— Você já sabe que meu pai a considera uma pessoa da família. Ele disse que uma jovem bonita como você merece ter roupas que lhe façam justiça. Não quer deixá-lo triste, não é? Ele e Nonna ficarão magoados se você não aceitar esse presente que fazem questão de lhe oferecer.

— Oh, céus! — Rose exclamou. Como alguém podia dizer que era bonita quando era tão simples e comum? Victor sempre elogiava sua beleza, mas Victor era um mentiroso.

Joseph se obrigou a calar sua opinião. Rose estava no­vamente com aquela expressão vulnerável que lhe dava ímpetos, de abraçá-la e de lhe dizer palavras de conforto. Bonita era uma palavra que não fazia justiça a Rose. Ela era a mulher mais linda que já conheceu!

Se ele desse, vazão a sua vontade de elogiá-la, contudo, pa­receria igual a Victor aos olhos dela. E ele não queria quebrar sua promessa. Precisava se contentar em admirar aqueles ca­belos loiros e sedosos que emolduravam o rosto perfeito, os olhos grandes e castanhos que não sabiam ocultar os sentimentos que lhe atravessavam a alma e as formas voluptuosas que a camiseta deixava entrever.

— Lorna conhece as melhores lojas e pode mandar debitar as despesas em nossa conta bancária. Por favor, aceite esse presente que meu pai quer lhe dar. Ele se sentirá melhor se puder mimá-la um pouco. — E eu também, Joseph pensou. Depois da maneira injusta e preconceituosa com que a recebi.

Rose vacilou. Se for para dar prazer a Eduardo, o caso mudava de figura. Ao mesmo tempo, ela não se sentia à vontade com a ideia.

— Acho que será um desperdício. Afinal eu não ficarei aqui tempo suficiente para usar roupas elegantes que destoarão em meu ambiente quando eu retornar em breve. — Rose parou de falar ao notar o modo como Joseph estreitou os olhos. — Bem acho que eu poderia tornar a usá-las cada vez que voltar aqui para visitar seu pai.

O lembrete de que Rose não pretendia permanecer em Villa Fontebella por muito tempo teve o efeito de um soco no estômago de Joseph. Mas ele continuou teimando que não era nada pessoal. Não podia ser. Ele próprio não havia decidido ir embora em breve?

O que ele desejava apenas eram a paz e o bem-estar na família. Seu pai havia melhorado a olhos vistos depois de conhecer Rose e o neto. E, ao contrário de sua opinião inicial, Rose e a criança precisavam do apoio de todos. Eles tinham esse di­reito.

Sam, afinal, era filho de Victor.

A essa altura, Rose estava andando, inquieta, de um lado para o outro do quarto.

Estava acontecendo uma verdadeira batalha em seu interior, Joseph tinha certeza.

Sua inclinação natural de agradar as pessoas estava guerreando com seu lado orgulhoso. Havia uma pequena ruga entre seus olhos que indi­cava sua preocupação. A vontade de abraçá-la e de acalmá-la com beijos estavam se tornando intolerável. Ele precisava acabar de uma vez por todas com aquela excitação que o vinha assal­tando cada vez que se aproximava de Rose.

Como primeira medida, ele colocou as mãos nos bolsos.

— Não interprete mal a generosidade de meu pai — Joseph pediu. — Sua recusa lhe partirá o coração. Eu terei de viajar a negócios esta noite e só poderei voltar daqui um mês. Você promete ficar até meu regresso ao menos e não dizer a ninguém sobre seus planos de nos deixar?

Jamais em sua vida, Joseph teve razões para temer sua reação a uma mulher.

Agora que perdeu a confiança em seu autocontrole, a solução mais simples seria fugir à tentação an­tes que fizesse algo de que viesse a se arrepender depois.

A única indicação de que Rose ouviu seu pedido foi o modo como parou, subitamente, no meio do quarto.

Seu coração já estava cheio de saudade de Joseph. Sabia que sentiria terrivelmente sua falta. Por outro lado, se sua per­manência era inevitável, ao menos não teria de lutar consigo mesma contra seu desejo por aquele homem.

— Está bem. Eu prometo — concordou, sem coragem para encará-lo.

E se pôs a chorar quando Joseph se retirou após um mur­múrio de agradecimento.