Os Millers
2 A Ameça
Notas iniciais
— Eu não tenho certeza de que quero ir — Rose murmurou trêmula. — Acho que vou para meu quarto desfazer as malas.
— Não seja tola! — a mãe exclamou, horrorizada, diante da janela. Fazia horas que espiava por trás da cortina para ver Joseph Miller chegar. Estava tudo pronto para a viagem. As malas haviam sido trazidas para o hall e Sam já estava trocado e alimentado. — Não há o que pensar. Sua viagem a Toscana está decidida.
Joyce Makepeace se pôs a andar de um lado para o outro, nervosa e impaciente.
— Se tivesse me escutado e prosseguido com os estudos em vez de viver nas nuvens agora teria uma carreira e um salário decente para cuidar de seu filho. Seu pai e eu não temos condições de sustentá-los, você sabe.
— Eu pretendo voltar a trabalhar...
— Seu patrão colocou outra em seu lugar.
— Procurarei outro emprego.
— E seu filho? Quem cuidará dele quando você sair para trabalhar? Eu não tenho mais idade para tomar conta de criança. — A mãe fez uma pausa. — Mesmo que eu ficasse com Sam enquanto você estivesse fora, acha que o salário de uma garçonete daria para custear as despesas? No início, os bebês só precisam de mamadeiras e de fraldas. Mas logo eles perdem todas as roupas e precisam de outros tipos de alimentos. Isso para não falar no preço dos colégios e dos livros.
Rose mordeu o lábio. Sua mãe estava certa. Embora gostasse de trabalhar como garçonete, ao menos no Joe's Café onde o Sr. Weston sempre a tratara bem, seu salário sempre foi baixo e as gorjetas, que costumavam representar metade do orçamento em outros estabelecimentos, ela quase nunca recebia porque eram raros os clientes que se sentavam a uma mesa. A maioria se limitava a tomar uma xícara junto ao balcão.
Com os olhos marejados ao olhar para o filho, Rose decidiu enfrentar a realidade e aceitar seu destino. Por ele. Porque não tinha nada para oferecer a Sam exceto amor.
— O avô italiano de Sam é um homem rico e poderoso. Ele tem condições de dar conforto a você e ao bebê. — O pai declarou. — Ele parece ser um homem bom e sensato. Não disse que você poderá voltar para a Inglaterra, caso não se sinta feliz na Itália?
Rose quase se pôs a chorar à iminência do passo que estava por dar. Forçou-se a recordar cada palavra da carta que o pai de Victor lhe havia enviado. Seu pai estava certo quanto a não haver recriminações ou ameaças sobre planos de ficarem com seu filho.
Eduardo Miller realmente parecia ser um senhor amável e generoso. Dizia que queria conhecer não apenas o neto, mas também sua mãe, pois ambos já faziam parte da família.
Antes de encerrar, ele colocava sua vila à disposição deles e afirmava que poderia ficar; hospedados lá o tempo que ela desejasse. Quanto mais tempo, melhor.
Não havia motivo para medo, havia? Por que estava tão insegura? Não era uma doutora, mas tinha determinação e capacidade suficiente para criar seu filho. Se não desse certo com a família de Victor, se eles tentassem afastá-la de alguma forma para exercerem maior influência sobre Sam, então ela arrumaria as malas e voltaria para a Inglaterra. Junto com os passaportes, estava levando o que sobrou de suas economias. Não era muito, mas daria para pagar uma passagem.
— Ele chegou — disse a mãe e correu para o hall.
Rose ajeitou a alça da bolsa no ombro e apanhou o cesto onde Sam dormia. Um nó lhe fechava a garganta. Não gostaria de ter de ir embora, mas entendia seus pais. Ela não foi uma boa filha. Decepcionou-os aos lhes apresentar um neto ilegítimo.
Joseph Miller estava tão atraente e elegante com seu terno cinza-claro, camisa cinza-escura e gravata azul-marinho quanto mal-humorado.
— O que é isso? — Ele indicou as malas e caixas empilhadas junto à porta.
— Coisas do bebê — Rose respondeu, irritada. — Nunca ouviu dizer que quando se leva um bebê em uma viagem é quase como carregar uma casa?
— Eu avisei para você levar apenas o essencial — resmungou a mãe.
— Está tudo preparado em Florença para receber a criança — disse Joseph. — Para a viagem, só será necessária uma troca de roupa.
Não que ele entendesse de crianças, Joseph pensou. Mas não estava disposto a se preocupar com caixas, malas e pacotes. Bastava ter sido obrigado a servir de intermediário para seu pai no trato com uma das inúmeras amantes que seu meio-irmão deixou.
Rose estreitou os olhos e ergueu o queixo. Precisava ter coragem ao menos uma vez na vida. Se estiver iniciando uma nova etapa em sua existência, que começasse com o pé direito.
— Eu comprei o enxoval de Sam com sacrifício. Nenhum de nós irá á parte alguma sem ele.
Rose se lembrou do carinho com que escolhera as roupinhas, as mamadeiras, o esterilizador e os artigos de higiene. Lembrou-se também dos presentes dos amigos e vizinhos. Não. Ela não deixaria nem sequer um bichinho de pelúcia para trás.
— Eu ajudo a colocar no carro — o pai ofereceu ao notar o impasse.
Quase simultaneamente, a mãe segurou-a pelo braço e cochichou em seu ouvido.
— Sei que está receosa com a ideia de ir para a casa de estranhos, mas não é preciso. Quando seu pai telefonou para o Sr. Miller para se certificar de que você e Sam seriam bem recebidos, ele foi muito atencioso.
— Papai fez isso? — Rose perguntou, emocionada.
— Lógico! Acha que nós não estávamos preocupados?
— Oh! — Foi tudo que Rose conseguiu dizer. No fundo, seus pais a amavam e á seu filho. Depois de ter essa certeza, ela não se importou mais com o cenho franzido de Joseph Miller.
— Entre no carro — ele ordenou assim que a bagagem foi colocada no porta-malas do luxuoso, BMW. E no momento que Rose fez menção de acomodar o cesto, ele tomou o bebê nos braços e sentiu o fôlego lhe faltar à inesperada emoção.
Os cabelos pretos não negavam a herança. O bebê era filho de Victor. Embora não fosse legítimo, era o primeiro membro da nova geração dos Miller.
Rose se acomodou no confortável banco e acompanhou os movimentos ágeis de Joseph ao prender o cesto do bebê com o cinto de segurança. Depois, sem refletir, examinou o rosto moreno de traços másculos e a boca sensual. Os ombros eram largos e o peito forte. Ele era o tipo de homem em cujos braços uma mulher deveria se sentir, amparada e protegida.
Joseph olhou para ela, ao terminar de prender o cesto de Sam, e algo estranho aconteceu. Um estremecimento a sacudiu. O fôlego lhe faltou. Era inacreditável, mas estava se sentindo atraída por alguém que a desprezava.
Os olhos de Joseph Miller ficaram pousados nos dela por tanto tempo que provocaram um incontrolável rubor em suas faces.
Para seu alívio, ele se afastou, então, e bateu a porta.
Sem saber o que fazer, Rose cruzou os braços e olhou para frente enquanto Joseph se despedia de seus pais. Seus pensamentos á levaram longe. Quando deu por si, o carro já estava se afastando pela rua.
O desejo de gritar para que o motorista parasse foi tão forte que Rose mordeu o lábio. Tentou se concentrar em Sam. Ele parecia um anjo quando dormia.
Ele sorriu durante o sono e ela se viu sorrindo também. Eles estavam juntos. Isso era o mais importante. Em vez de acalentar o medo, devia tentar encarar aquela viagem como uma aventura. Quando chegassem á Itália, seria mais fácil. Joseph Miller a entregaria ao pai e voltaria para seus negócios.
Mal podia esperar!
Quando tornou a erguer a cabeça, Rose surpreendeu Joseph olhando para ela pelo espelho retrovisor. No mesmo instante, virou o rosto para outro lado. Sua pulsação estava novamente acelerada.
Não sabia o que estava acontecendo, mas o que quer que fosse não era bom. Joseph Miller era o último homem do mundo por quem ela deveria se sentir, atraída.
Sua beleza seria a razão? Victor também era bonito e não foi por sua aparência exterior que ela se apaixonara. Ela se interessou por Victor pelo que pensou que ele fosse.
Rose deixou escapar um suspiro. Como se captasse sua tristeza, o tempo se manifestou com pequenas gotas de chuva que começaram a cair.
Joseph tentava se concentrar no caminho para o aeroporto. Quando menos esperava, flagrava-se procurando Rose pelo espelho retrovisor. Ela ainda estava sorrindo. Por que não haveria de estar? Seus sonhos de colocar as mãos na fortuna dos Miller agora estavam prestes a se tornar realidade.
O único momento que a expressão de Rose mudou coincidiu com o encontro de seus olhares. Ele estava ajeitando o cesto do bebê no banco e ergueu os olhos. Ela ficou corada e até mesmo um pouco ofegante.
Teria olhado da mesma maneira para Victor quando se conheceram? Bastou um olhar? Ele não ficaria admirado.
Duas horas mais tarde, o avião estava decolando rumo à Itália. Para bloquear qualquer tipo de conversação, Joseph abriu seu laptop e tentou verificar os últimos relatórios recebidos da matriz. A tarefa se revelou difícil. Ao brincar com o bebê, Rose falava baixinho. E ele, incentivado, balbuciava para ela.
Rose estava diferente do dia que a conhecera. Mais magra, de jeans e blusa branca e os cabelos estavam sedosos e brilhantes, presos somente com uma presilha.
Mas ainda não tinha nada a ver com o tipo de mulher que costumava atrair o interesse de Victor. A explicação talvez estivesse em seu sorriso. Ele não conhecia ninguém que sorrisse como Rose.
Naquele exato momento, por exemplo, ela estava sorrindo para a comissária de bordo em agradecimento por ela ter aquecido a mamadeira de Sam. Quem a visse pensaria que estava conversando com sua melhor amiga e que era a pessoa mais feliz do mundo.
Joseph acompanhou a troca de gentilezas entre as duas mulheres de modo disfarçado. Também aproveitou e olhou de esguelha para o bebê. Ele parecia saudável e bem cuidado. Apesar de ter se envolvido com um homem casado, Rose parecia ser uma boa mãe.
Por outro lado, por que ela trataria mal seu passaporte para a fortuna dos Millers? A criança era seu trunfo.
Joseph estava mergulhado nesse estado de espírito de desconfiança e sarcasmo quando a comissária perguntou se ele aceitaria um café.
A resposta foi tão seca que Rose cogitou, pela primeira vez, que seria preciso fazer algo para quebrar o gelo. Não por si própria, mas por Sam. Não queria que ele fosse alvo de energias tão negativas.
— É a primeira vez que viajo de avião — ela disse hesitante.
Sam terminou de mamar e Rose o ergueu contra o ombro.
Gostava de conversar. Faria de conta que Joseph era uma pessoa como outra qualquer.
Mas ele não parecia disposto a tolerar sua iniciativa. Seu perfil continuava como talhado em pedra. Dava para duvidar que ele á tivesse ouvido.
— Quando eu era criança — Rose insistiu, — meus pais me levavam a museus, a galerias de arte, e á locais de interesse histórico em minhas férias. Nunca fui à praia como a maioria costuma fazer. Mais tarde, quando comecei a trabalhar, em vez de gastar minhas economias com turismo, reservei-as para...
Rose sentiu o sangue lhe subir ao rosto. Por pouco não deixou escapar o que não devia. Esse era um de seus grandes defeitos. Sua mãe vivia dizendo para ela pensar antes de abrir a boca. O que Joseph diria se soubesse que todas suas economias estavam reservadas para quando pudesse concretizar seu sonho de casar, de ter uma casa e filhos?
Que ao conhecer Victor e se apaixonar por ele, redobrara os esforços nesse sentido?
Joseph estava de luto pelo irmão. Por pior que Victor tivesse se comportado com ela, mentindo sobre suas condições financeiras que alegava ser o único motivo para adiarem o casamento; ela não faria recriminações que viessem a magoar seus familiares.
Rose examinou o perfil de Joseph mais uma vez. Da mesma forma que ele parecia não ter ouvido suas palavras, não dava sinal de ter notado a interrupção da frase.
A impressão que dava era estar de estar; concentrado em seu trabalho. Só que seus olhos não estavam se movendo...
Talvez ele estivesse dormindo. Não. Nesse caso, seus ombros estariam relaxados e ela nunca vira uma postura mais tensa em sua vida. O que a levou a concluir que estava sendo ignorada deliberadamente.
— Ele está quase dormindo outra vez — Rose se referiu a Sam.
Não houve resposta, mas Rose não desistiu. Mais cedo ou mais tarde, Joseph teria de romper a barreira do silêncio. Havia detalhes que ela precisava saber antes de desembarcarem. Não apenas sobre o lugar onde passaria a residir nos próximos tempos, mas principalmente sobre a família.
— Você é casado? Tem filhos?
Por mais frio e carrancudo que fosse Joseph Miller, ela se recusava a acreditar que não houvesse alguém em sua vida. Uma mulher que conseguisse enxergar amor e paixão por trás daqueles olhos escuros e hostis, que conhecesse cada centímetro daquele corpo moreno e perfeito...
Rose forçou-se a expulsar aqueles pensamentos de sua mente. O homem á seu lado não queria nem sequer lhe dirigir a palavra. Não era certo imaginá-lo despido, olhando para ela com desejo...
De repente, Rose sentiu-se tomada pelo pânico. Jamais se deixara envolver por fantasias eróticas. Isso nunca lhe havia acontecido antes. Nem sequer com Victor. Seus outros dois namorados trataram de sumir assim que conheceram seus pais e perceberam que não teriam nenhuma facilidade.
— Lembre-se sempre de que os homens querem sexo acima de tudo. É preciso cérebro e beleza para atrair a atenção de alguém com intenções sérias — a mãe vivia dizendo como quem não acreditava que a filha fosse capaz.
Joseph fechou o laptop em silêncio. Confusa e humilhada, Rose virou-se para a janela e desejou estar em qualquer outra parte do mundo que não ali.
Então ela queria conversar, Joseph pensou irritado. Um bate-papo leve e descompromissado só para passar o tempo? Não dava para ela perceber que o que ele menos queria era estar ao lado de uma mulher sem escrúpulos?
Ele detestava falar de sua vida pessoal, mesmo com amigos e parentes. Em uma tentativa de colocar um fim naquela disposição de Rose em iniciar uma conversa, ele abordou o assunto que supunha ser um dos mais penosos para ela.
— Seus pais pareciam ansiosos por se livrar de você. Nada de abraços, nem de pedidos de telefonemas e de cartas. Confesso que achei curioso.
Diante do imediato rubor que cobriu as faces de Rose, Joseph teve certeza de que havia acertado no alvo. Estranhamente, porém, sentiu-se mal ao atacá-la.
Ainda determinada a não atingir seu filho com vibrações menos sutis, Rose preferiu não retrucar à altura. Além disso, se estivesse no lugar de Joseph, ela, provavelmente, teria chegado à mesma conclusão sobre sua despedida.
— Não pense mal deles...
— Não estou pensando, garanto. Não me passou pela cabeça condená-los.
Claro que não, Rose suspirou consigo mesma. Ele a via como única culpada de tudo que acontecera. De qualquer modo, ela não queria que ele ficasse com a impressão de que seus pais não se importavam com o que pudesse lhe suceder.
— Eles têm idade — Rose murmurou. — Casaram-se tarde e eu cheguei de surpresa. O que ganham, mal dá para suas despesas. Eles não teriam condições de sustentar mais duas bocas. Mesmo quando eu voltasse a trabalhar, não daria certo. Eu teria de deixar Sam com minha mãe e ela não iria aguentar. — Rose se deteve e olhou para Joseph. — Você deve estar pensando que eu poderia deixar Sam em uma creche. Seria a única saída, eu acho. — Rose balançou a cabeça. — No fundo, eu entendo como eles se sentem. Lutaram muito na vida e querem paz e sossego na velhice. Eles encararam o convite de seu pai como a solução mais sensata nas circunstâncias. Ainda assim, eles entraram em contato com seu pai para terem certeza de que...
— Já fui informado a respeito — Joseph a interrompeu. — Sei que a integridade e a generosidade de meu pai foram questionadas. A atitude deles foi imperdoável. E não venha me dizer que não deu pulos de alegria diante da oportunidade.
Rose mordeu o lábio enquanto procurava encontrar uma resposta para a injusta acusação.
Quanto mais tentava amenizar o clima entre eles, mais Joseph Miller se voltava contra ela. Se ele considerava a preocupação natural de seu pai como uma afronta à dignidade de sua família, o que pensaria se ela proclamasse a verdade? Como ele encararia o fato de que a generosidade de Eduardo Miller era a última coisa que ela desejava? Que somente a insistência de seus pais a levara a aceitá-la?
Subitamente, Rose teve dúvidas sobre a sabedoria de sua decisão. Com que espécie de família iria conviver? Ela sabia que eles eram ricos e poderosos, mas seriam boas pessoas realmente ou se julgavam melhores do que o resto do mundo? E se todos fossem como Joseph? Se os outros também a consideravam uma infame destruidora de lares, o que mais desejariam dela exceto convencê-la a lhe entregarem o filho de Victor?
O medo à fez falar mais consigo mesma do que com o homem á seu lado.
— Seu pai tinha o direito de conhecer Sam. Eu seria uma tola se lhe negasse a oportunidade de ver o próprio neto. Por outro lado, reservo-me o mesmo direito de ir embora e levar meu filho comigo, caso algo me leve a tomar essa decisão.
Mal acabou de falar, Rose se arrependeu do tom empregado. Ela queria demonstrar firmeza, mas acabara se colocando na defensiva como se propusesse um desafio.
Foi exatamente o que aconteceu. Ao se sentir ameaçado, Joseph Miller estreitou os olhos. Ali estava a prova do que ele afirmou desde o princípio. Aquela mulher arquitetou um plano e pretendia seguir com ele até o fim. Se não conseguisse arrancar tudo que desejava de sua família, usaria o filho como arma.
Seria recomendável ela rever seu plano. Não mais tarde, mas naquele exato instante.
Porque ninguém iria fazer chantagem com seu pai e comprometer ainda mais sua saúde delicada, enquanto ele, Joseph Miller, estivesse por perto.
— Não se faça mais de vítima inocente porque não irá funcionar. Eu praticamente implorei para que meu pai não a procurasse e que se limitasse a prover o necessário para o sustento do filho de Victor. Mas ele foi irredutível em sua decisão de trazê-la e ao bebê para nossa casa. Eu decidi atender seu pedido porque não tive coragem de decepcioná-lo e de me sentir responsável pelo agravo de sua saúde. Portanto, fique avisada, desde já, que se eu ouvir qualquer tipo de ameaça ou de insinuação sobre você querer tirar o neto de meu pai, farei com que arque com as consequências. Juro que a farei sentir todo peso e poder da família Miller quando formos ao tribunal para lutar pela custódia da criança.
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