Os Lendários Guardiões:Templo Dos Deuses
12 Aprisionados
Notas iniciais
Gostaria muito de agradecer aos leitores que deixaram seus reviews e também as recomendações! Obrigadão! ^^
Boa leitura!
Os Lendários Guardiões
–Templo dos deuses-
Livro 1: Planta …......................................................................... Capítulo 12:
Aprisionados
–Narração de Helleonora Valquíria-
Olá, caro leitores! Eu irei narrar esse capítulo hoje. Não sei o porquê de eu ser a escolhida, mas será uma honra. Para começar, contarei um pouco de minha história.
Eu me chamo Helleonora Valquíria. Bem... É o que eu me lembro. Eu morava na cidade de Versailles, há muitos anos luz daqui. Eu e meu irmão, Chronnos, vivíamos com nossos pais, Ellira Valquíria e Kiren Velasco em um grande castelo erguido no período em que o meu pai era o rei de Versailles. Se bem que eu acho que ele ainda é, pois em Versailles, você só perde o trono caso você morra, fique impossibilitado de governar ou quando alguém te desafia valendo o trono. A minha cidade é linda! Tem lagos cristalinos, campos verdes e muitos animais. Sinto saudades... Depois que eu cheguei nesse mundo, me lembro de poucas coisas. Como uma feiticeira com poderes baseados no espaço, eu sou bastante forte. Perco somente para meus pais e meu irmão Chronnos. Como herança de minha mãe, eu herdei a telepatia e a calma. Sou de natureza pacífica e acredito que tudo pode ser resolvido sem nenhuma agressão física.
Felizmente eu tenho que começar o capítulo. É que o autor está fazendo capítulos especiais para que os leitores, que acompanham a história, conheçam melhor os personagens. E hoje é meu dia, então tenho que aproveitar.
Eu e Larienne havíamos sido capturadas por um bando de elfos que possuíam as habilidades de dominar plantas. Eu estava batalhando muito bem e estava vencendo a batalha por três fatores surpresas: eu voava, era telepata e meus poderes eram fortes o suficiente para destruir aquela floresta somente com a força da gravidade. Só que eu fiquei com medo de acontecer algo de errado. Querem saber como fomos capturados? Então irei te contar...
Havia se passado 10 dias desde que eu estava na Floresta da Desilusão e eu não achei problema nenhum em estar nela. A direção da Escola de Preparação e Magias estava realizando missões e haviam mandado diversas equipes para diversos lugares onde seriam aptos a batalhar. Eles separaram as equipes e as colocaram incoscientes em um canto da Floresta. Assim, quem acordasse primeiro teria mais vantagens do que aquele que acordara por último.
Eu fiquei com a minha carinhosa equipe composta por Ellira, Larienne e eu, claro. Ellira era bastante forte e dominava excelentemente a água. Larinne era a garota que podia absorver os poderes dos outros. Elas eram muito fortes. Nós havíamos derrotado diversas equipes rivais e estávamos se unindo com a equipe dos meninos. Nataniel e Caio eram uma boa equipe. Ainda mais que o professor Éric pôs outro garoto no lugar do Edward... Este garoto se chama Oliver e, comparando com os outros, ele nem me dá atenção. Eu acho que gosto dele.
Voltando ao assunto, nós não havíamos descoberto a localização da torre ainda. Só sabemos que, a única coisa que encontramos foi diversas árvores e uma delas era muito estranha...
–Flashback de Helleonora (on)-
–Ai, gente.-disse Ellira cansada, após batalhar contra uns bisontes. –Eu tô com uma baita de uma fome...
–Eu também...-disse Larienne. –Eu daria tudo por uma boa cama e uma ótima refeição agora!
Eu estava andando ao lado de Oliver, que evitava falar comigo o tempo todo. Caio, que estava comendo umas frutas que achara no chão, próximas de uma árvore queimada, estava ao lado de Nataniel, que estava muito diferente depois do aconteceu na sua primeira missão. Nós estávamos cansados de batalhar com um monte de criaturas e equipes. Já não estávamos nos aguentando em pé.
–Gente!-gritou Ellira levantando a cabeça. –Sentem só o cheiro... É uma delícia.
–É mesmo!-dissemos respirando o máximo que podíamos.
Em poucos segundos nós já estávamos hipnotizados com o cheiro doce que estava no ar. Quando decidimos seguí-lo.
–É só uma árvore!-disse Nataniel prendendo sua espada de engrenagens novamente nas costas. –Não acredito que uma árvore tem esse cheiro bom.
Ellira foi à frente e sentiu o aroma da árvore. Foi quando ela provou o líquido que escorria de uma flor.
–É uma delícia, gente.-disse ela com a boca cheia. –Vem, gente!
Todos foram, exceto Caio.
–Flashback de Helleonora (off)-
Depois que comemos as plantas, nós fomos procurar a tal torre que existe naquela floresta. O ruim é que, vendo do alto, a única coisa que vimos foram muitas árvores e nada mais. Nós descançamos um pouco e brincamos também. Aquela floresta era linda. Mas o pior de tudo é que o Oliver não me dava atenção.
O Caio era o único desconfiado da história. Em vários momentos ele olhava para trás, como se estivesse assustado e ficava ativando seus poderes.
–Caio, fica calmo, cara.-dizia o Nataniel sempre. –Tá certo que aqui é sinistrão e tudo mais. Mas fica calmo.
–É que parece que estamos sendo vigiados. Ninguém percebeu não?
Realmente eu havia percebido. Só que eu não contava por dois motivos: o primeiro motivo era simples. O meu poder mais forte aqui neste mundo é a telepatia e ninguém a vê. Numa batalha, eu posso usá-la livremente se um indivíduo estive com a cabeça desprotegida de qualquer auréola de metal. Segundo motivo: se eu contar para uma pessoa se quer, ela vai ficar receosa e sempre vai arrumar um jeito de se proteger. É que eu posso ser boazinha, mas comigo não tem esse negócio de “privacidade mental”. Eu saio invadindo e vejo o que eles estão pensando.
–Eu também estou sentindo.-disse Oliver olhando para os lados. –Será que é mais uma equipe?
–Acho que não.-disse Ellira perto de Caio. –As outras equipes não teriam como se esconder tão bem de nós. Não é, Larienne?
Larienne, na ultima batalha, absorveu o poder de um garoto que tinha como habilidade sentir e ver a energia dos outros. Como se fosse um sharingan ou um byakugan.
–É demais!-disse Larienne muito surpresa.
–O que foi, Lari.-perguntou Nataniel. Eles estavam muito próximos ultimamente. –Tá vendo o que?
Larienne olhava tudo em volta. Seus olhos estavam claros, meio esbranquiçados.
–Toda a Floresta está coberta de energia. A grama, árvores, cipós, videiras e tudo mais.-disse Larienne pegando um punhado de grama do chão. –Tem muitos fluxos de energia e, quando a arrancamos, esse fluxo some.
–E você consegue ver a fonte desse fluxo?-perguntou Oliver, que estava do meu lado. Ele nem me dava atenção e sempre fugia de mim.
–Eu consigo sim. Mas parece que estamos longe dele... Pera aí... Eu consigo ver diversas silhuetas humanas nas árvores... São umas quinze... Não. Vinte. São dezenas!
–Então é hora de lutar!-disse Nataniel desembanhando sua grande espada de engrenagens e fincando numa árvore que estava próxima. –Minha espada está com tanta vontade de cortá-los em pedacinhos...
–Espera, Nataniel.-disse Oliver segurando a lâmina da espada. –Se eles não atacaram é porque não nos viram ou não querem lutar.
Oliver é um garoto de aproximadamente 16 anos, cabelos castanhos, arrepidos, olhos azuis. Seus lábios eram meio que sensuais e sempre estavam sendo umidecidos por ele. Naquela manhã, Oliver estava vestindo uma jaqueta preta de algodão por cima de uma camisa vermelha de mesmo tecido. Sua calça era preta também. Ao contrário de Nataniel, que usava sempre sua armadura, a única peça da armadura que usava era as botas douradas. Sua pele era clara e ele tinha um brinquinho na orelha. Mas o que era legal em Oliver era a sua seriedade e a sua calma. Ele ficava quieto todo o tempo e sempre que abria a boca para falar, sempre falava a coisa certa. Dava conselhos que tinham fundamentos e nunca falou uma coisa que fosse mentira.
–Oliver, eles podem estar se preparando para atacar.-disse Nataniel vendo a mão de Oliver segurando sua espada. O fio de sua lâmina era tão forte que, se um objeto macio estivesse a três milímetros de distância do fio de corte, já havia se cortado. Mas Oliver segurava a lâmina sa espada na maior calma.
–M- Me desculpe.-disse Oliver soltando a lâmina. –Esperem um momento. Larienne, aponte para a silhueta mais próxima, por favor.
Ela então disse que a silhueta mais próxima estava a mais ou menos doze metros de distância. Oliver então foi até ela.
–O que ele está fazendo?!-perguntou Ellira dobrando a umidade do ar e transformando em pequenos cristais de água. Embora o estado físico da água manipulada por Ellira era somente na forma sólida, os cristais “líquidos” de água furavam perfeitamente uma árvore. –Ele vai acabar arrumando encrenca...
Quando Oliver chegou próximo de uma árvore, sem nenhum tipo de arma, a tocou. Deu várias voltas na árvore e não viu nada.
–Estranho... O Oliver está dando voltas na silhueta. Mas não a vê.-disse Ellira. –Gente, lembram-se do que o Edward fez com a jaqueira?
Foi quando diversos homens saíram das árvores. Ellira vira cada um e, desativando sua supervisão, ela agora enxergava normalmente.
–Formação!-disse um homem que estava na árvore. –Atacar!
Das árvores, finas estacas de madeira foram lançadas. Elas vinham com uma força incrível! Quando estava para acertar nosso grupo, Caio fez um tipo de muro com a sua energia escura e nos protegeu. Ellira estava atirando os cristais de água na direção dos homens, mas eles dobravam muito bem as plantas, que aborviam a água lançada. Oliver batalhava corpo-a-corpo com os homens. Sua agilidade era incrível e ele disviava das estacas como se elas estivessem em câmera lenta.
–Quem é esse povo?-perguntou Caio conseguindo defender nosso grupo com a “parede de sombra”. –As estacas parecem ser lançadas a vácuo. A pressão é muito forte...
–Eu não sei quem são.-disse Larienne ativando sua supervisão. –Que droga! O poder está sumindo. Nataniel posso pegar um pouco do seu poder?
–Não tenho poder.-respondeu Nataniel. –A minha espada é quem tem. Eu só sou muito ágil com a minha espada.
–Pega o meu, Larienne.-disse Ellira. –Mas não me encosta muito, hein!
Ellira disse isso porque, quanto mais tempo a Larienne encosta numa pessoa querendo absorver seu poder, mais tempo ela fica com o poder da pessoa. Larienne deu um pequeno toque em Ellira e esta se sentiu um pouco fraca. Agora, nós tínhamos duas dobradoras de água.
–Gente...-disse Caio vendo sua parede de sombras começar a “rachar”. –Eu não estou aguen... Tando muito.... Tem... Po.
Quando terminou de dizer a frase, Caio desfez a energia. Eu o segurei para que não caísse no chão e então fiquei atirando alguns raios nas estacas. Nataniel estava mais desprotegido, pois era, além de Oliver, o único que não tinha poderes. Ele então começou a correr em direção a frente do grupo. Foi quando as engrenagens de sua espada começaram a brilhar e a rodar. Quando isso aconteceu, Nataniel ficou todo brilhoso e então ganhou uma armadura extra. Esta se parecia muito com a espada pois, era formada por engrenagens.
–Uau!-disse Ellira vendo Nataniel todo coberto com o metal da espada. –Ficou um gato, hein.
Eu tinha que admitir: Nataniel estava um arraso. Só que uma vez ele me disse que, a espada dele repelia qualquer tipo de energia. Incluindo a energia do próprio Nataniel. Quando ele usa a armadura da espada, a armadura drena metade de sua energia e vai gastando sempre, até não haver mais. Na verdade, aquele tipo de armadura serve para pessoas como o Edward, cujo fluxo de energia é constante.
–Storm of Swords!-disse Nataniel lançando a magia da armadura.
Dos pulsos de Nataniel diversos mísseis de metal semelhantes à lâmina da espada de Nataniel foram lançados em direção aos homens! Estes ficaram feridos e foram embora. Isso foi estranho pois, durante um tempo, eu ouvi um chamado telepático. Mas não havia nenhum telepata ali. Quando nos demos conta, todos haviam ido embora. Sumiram do nada.
As estacas estavam sendo lançadas por todos os lados e eu e Larienne estávamos sendo responsáveis por elas. Ellira, Nataniel e Oliver estavam tentando impedir que os homens a lancem novamente. Já que eles haviam sumido, a situação era boa.
Oliver, vendo que tudo havia acabado, correu rapidamente ao nosso encontro. Ele batalhara bravamente sem nenhuma arma e nem estava cansado, como nós que estávamos praticamente parados estávamos. Nataniel estava fraco. Até um cego podia ver isso. Retirando a armadura da espada e também a sua, ele agora estava sentado, debruçado nas pernas de Ellira. Ele respirava rapidamente e parecia que ia desmaiar.
–Gente, eu tô muito cansada!-disse Larienne enquando manipulava a água, como se estivesse entregando para a Ellira. –Essa florestá é fo***.
–Êeeeeeta, meninaaaaaa!!!-disseram Caio, Nataniel, Ellira e eu na mesma hora. –Olha a boca.
–Desculpe. Acho que ainda é efeito do poder do garoto.
–O poder dele é falar palavras impróprias?-perguntou Oliver pegando poções de vigor e de HP e dando para cada um.
–Não, Oliver querido.-disse Larienne. Eu fiquei com um pouco de ciúmes. –É que, quando eu toco nas pessoas, eu posso absorver os poder e lembranças também. Só que as lembranças somem rápido.
–Então nunca me toque.-disse para ela, que deu um sorrisinho maléfico.
Foi quando o chão começou a tremer e muito rapidamente as raízes que estavam no chão começaram a enrolar em nossos pés. Eu tentei voar, mas as raízes prenderam em meus pés até chegarem à minha cintura. O mesmo aconteceu com Larienne e Nataniel. Oliver estava desviando das raízes que constantemente tentavam prendê-lo. Caio fez uma cúpula redonda e conseguiu se defender. Ellira estava também dentro de uma cúpula de água, que estava girando em seu próprio eixo. Semelhante ao jutsu Rotação do Neji. As raízes não conseguiam prendê-la e então ela ficava potegia.
A única coisa que eu posso dizer que aconteceu após isso, foi a hora em que as raízes enrolaram nos corpos de Larienne, Nataniel e no meu corpo e nos puxou para baixo. Depois disso ficou tudo escuro e, com falta de ar, eu apaguei...
Não sei quanto tempo passou desde quando estávamos na floresta, mas quando eu acordei estava numa prisão feita de predras, ferro, e plantas. Era meio escuro e eu quase não enxergava nada. Sorte minha que tinha a telepatia.
–Onde eu estou?-perguntei olhando a minha volta. –Larienne? Nataniel?
–Helleonora, eu tô aqui!-disse Nataniel de algum lugar próximo de onde eu estava.
–Eu tô aqui também, Helleonora.-disse Larienne levantando-se do chão. –Onde a gente está?
Eu estava com um odor forte de terra. Minhas roupas estavam úmidas e eu estava suja. Larienne estava no mesmo lugar que eu. Minhas mãos e pés estavam acorrentados, mas eu conseguia me soltar, basta usar meus poderes. Eu podia me livrar de onde eu estava se soubesse onde eu estava.
–Nataniel! Você tá bem?-perguntou Larienne.
–Eu estou sim. Não sei onde a gente tá, mas acho que tem a ver com aqueles homens da floresta.-disse Nataniel. Eu não sabia onde ele estava. –Hey! Eles pegaram minha espada.
–Nós estamos aprisionados em algum lugar que talvez esteja em baixo do chão.-falei com a cabeça abaixada. –Eu só queria saber se o Oliver, a Ellira e o Caio estão bem...
–“Leonora”, você gosta do Oliver?-perguntou Larienne.
–Não, garota.-falei para ela meio sem graça e sem jeito. –De onde você tirou isso?
Quando ela ia dizer, as luzes se acenderam e uns homens com diversas bandeijas apareceram. Foi aí que eu pude ver onde eu realmente estava. O lugar parecia um grande túnel escavado em uma montanha. O teto estava coberto por uma camada de raízes, mas podía-se ver a parte de pedra. Nas paredes haviam algumas salas onde estavam alguns prisioneiros. Entre eles estavam Nataniel. As grades eram feitas de metal simples e todo o lugar estava coberto por raízes. Os homens então colocaram as bandeijas em cada cela e os prisioneiros avançaram que nem formiga nos pratos. Nataniel não quis comer. Quando colocaram as bandeijas na cela onde estavam a Larienne e eu, um dos homens ficou olhando para mim e então se retirou.
–O que é isso?-estranhou Larienne. –Será que é a comida de gente?
–Eu não sei.-respondi. –Come.
A comida era diferente, mas tinha um cheiro bom. Havia uns tentáculos e umas folhagens nos pratos. Além disso, tinha uma coisa que parecia purê de batata e alguns grãos. Na cela, só estava eu e Larienne. Enquanto nas outras celas estavam quase dez pessoas juntas.
–Hey!-chamei um homem que estava com um molho de chaves. Nataniel e todos que estavam no corredor ficaram observando. –Hey, moço.
Ele iria me ignorar e eu ia pagar mico na frente de todos, mas aí eu decidi usar meu charme...
–Moço... Vem cá, por favor.-chamei ele, que ficou me olhando. Nataniel e todos ficaram me estranhando. –Vem cá, eu não mordo.
O homem era alto e forte, musculoso. Seus cabelos eram negros e tinha uma longa trança. Sua pele era moreninha. Usava um tipo de armadura de metal e seus pés estavam descalços.
–O que quer?!-respondeu o homem com uma voz grossa e trovejante.
–Poderia me soltar, por favor?-perguntei enquanto me aproximava das grades. –É que meu tornozelinho está doendo...
Ele então pegou uma chave e então soltou meus pés. Eu então peguei a chave de sua mão e guardei em meu decote. Nataniel ficava me olhando e durante um bom tempo olhou meu decote. A maioria dos prisioneiros ficaram me olhando completamente surpresos.
–Se fosse possível, você poderia abrir a minha cela?-perguntei enquanto aproximava meus lábios do dele. –É que eu não gosto de ficar presa aqui. Se não quiser, pode me dar a chave...
O homem então me deu a chave, que eu guardei dentro de minha bota. Olhando em seus olhos, eu peguei todas as informações de onde eu estava e de onde era a saída. Como agradecimento, eu dei um pequeno selinho no rapaz. Foi quando ele voltou ao normal.
O que está fazendo, sua...
–Deixe-a, Migazaq!-disse uma voz estranha. –Ou sofrerá as consequências.
Eu não conseguia ver quem era. Tinha uma parede impedindo. Os outros prisioneiros ficaram olhando para quem estava lá. Seus rostos demostravam surpresa e com uma expressão de medo e pavor.
–Lord Plantmort!-disse o homem se curvando. –Perdão, my lord. Eu não queria fazer isso.
–Está tudo bem, Migazaq. Que isso não se repita...
Eu já estava ficando com medo. Mas decidiu manter a calma. Apertei novamente as correntes que me prendiam e fiquei sentada. Nataniel olhava para o dono da voz e também me olhava surpreso. Quando Migazaq se retirou, eu pude ver quem estava falando.
–Pode comer. A comida daqui é boa...-disse um monstro todo coberto por raízes e por folhas. –Poderia saber seu nome, bela prisioneira?
–É-É Valquíria...-respondi, trêmula.
A visão era horrível. Larienne tremia de medo. Parecia que ia morrer. Assim que ele disse isso, pude ouvir diversos sussurros vindos das celas. Eu fiquei quieta e olhava para baixo, tentando imaginar de onde vinham tantas raízes.
–Hum... Valquíria?... Nome nada mal...-disse a criatura me olhando nos olhos. –Deixe-me apresentar: sou Lord Plantmort. Senhor desta floresta e governante deste reino. Porém, não tenho uma rainha para governar ao meu lado.
Eu não sabia o que ele queria dizer com essa frase. Lord Plantmort então levantou suas mãos, esta era formada por raízes escuras, e então começou a acariciar o meu rosto. Que nojo!
–Deixe-me fazer uma observação. Todos vocês estão aqui para poderem achar uma torre e então irem para Lockhaven, não é?
Todos os prisioneiros responderam “sim”.
–Já era de se esperar. Tenho um hóspede em meus aposentos que também veio para essa missão suicida.-disse Plantmort olhando para mim. –E olha que eu nem precisei ser um telepata para saber.
Eu não fazia ideia de quem seria esse tal hóspede, mas devia ser algum monstro igual a ele.
–Helleonora, case-se comigo e eu libertarei todos eles.-disse Plantmort.
–Largue ela, seu... Monstro!-disse Nataniel com as mãos na grade.
Com raiva, rapidamente as raízes das mãos de Plantmort cresceram e este deu um soco nas grades, arrancando-as. Segurando Nataniel pelo pescoço, a criatura começou a apertá-lo. Eu, então, tentei atingí-lo com uma rajada psíquica. Ele então recuou.
–Você?-disse Plantmort com calma. –Como ousas me atingir mentalmente?
–Desculpe-me. Agi sem pensar.-me desculpei rapidamente.
–Por causa de sua ousadia, daqui a trinta dias todos os prisioneiros serão mortos.
Foi quando muitos das pessoas presas começaram a me atirar restos de comida.
–Ordem!!!-esbravejou Plantmort. Eu já estava com bastante medo. –Como disse antes, se casar comigo eu libertarei a todos. Você escolhe.
–Agora?-perguntei para ele. –Preciso de um tempo para pensar.
–Tudo bem.-respondeu Plantmort. –Você tem até três dias. Nada mais.
E então ele saiu.
–Antes de tudo...-disse voltando. –Você tem alguma coisa que me pertence...-ele então colocou umas videiras em meu decote e pegou a chave.
Eu fiquei muito corada e indignada com a atitude daquele... Verme! Eu fiquei horrorizada com a proposta de casamento daquele monstro horripilante. Eu não sabia o que fazer. Larienne, que permanecera calada o tempo todo estava me olhando atentamente.
Agora eu estava deitada, pensando no que iria dizer. Se eu não me casar com ele... Ele matará todos esses prisioneiros... Eu prefiro morrer à me casar com ele. Mas eu queria tanto saber quem era esse tal hóspede. Mas isso não importa. Eu quero sair daqui.
Nataniel estava sentado, olhando para mim com os braços para fora da grade. Esta já estava colocada no lugar. Eu estava olhando os prisioneiros, imaginando o que eles fizeram para estarem ali. A nossa missão era somente encontrar a torre e derrotar o guardião dela. Nada mais. Larienne estava deitada e eu estava sentada no chão frio. Estava querendo sair dali. Eu estava com fome, pois não comi aquela comida de aparência horrível e nem iria comer. Foi quando todos ficaram alegres de repente.
–E aí, gente! Dormiram bem?-disse um senhor de cabelos grisalhos. Parecia estar trazendo o café da manhã.
–Um pouco.-responderam os prisioneiros. –E o senhor?
–Ah! Eu dormi bem sim, obrigado por perguntarem.-respondeu. –Adivinhem o que é o café da manhã?
Aquele guarda era diferente de todos os que eu já vi na vida. Ele conversava com os prisioneiros e brincava também. Ele sorria e fazia os outros sorrirem.
–Vejo que temos prisioneiros novos.-disse ele enquanto colocava pão, frutas e sucos para que eu e Larienne comessemos. –Sejam bem vindas.
Eu dei um sorrisinho tímido. O senhor era gentil e falava calmamente. Quando ele terminou de entregar os cafés, ele pegou uma caneca que tinha o mesmo suco que estávamos bebendo e começou a conversar com a gente.
–Posso saber o nome dos prisioneiros novos?-perguntou ele olhando a sua volta.
Todos os prisioneiros estavam sentados, olhando para o senhor.
–Meu nome é Nataniel Charoux.-respondeu Nataniel se sentindo mais a vontade. –Vim de Lockhaven.
Ele deu um sorriso e olhou para mim e para a Larienne.
–Eu sou Larienne Victória. Mas pode me chamar de Vic.
–Tudo bem então, Vic.-disse o senhor sorrindo enquanto tomava seu suco. –E o seu?
–Eu sou Helleonora Valquíria.-respondi enquanto comia as frutas. –O senhor trabalha aqui há muito tempo?
–Muito prazer em conhecer a todos. Eu trabalho aqui há uns quarenta anos. Vocês nem sonhavam em nascer.-respondeu Sr. Camargo. –Eu sou gente boa e sou responsável pelos cafés da manhã e os lanches, à tarde. Eu custumo conversar bastante, pois me distraio e destraio vocês também.
Todos gostavam muito dele. Até eu estava gostando de suas conversas. E olha que nem precisei usar a atelepatia.
–Moço, o senhor conhece a maioria das pessoas daqui, não conhece?-perguntei enquanto tomava o suco.
–Nós carcereiros não sabemos muita coisa do que acontece aqui. Mas o que gostaria de saber?
–Eu gostaria de saber se o senhor sabe quem é o hóspede do Plantmort?-perguntei enquanto olhava a minha volta.
Sr. Camargo então começou a falar baixinho. Só para nós ouvirmos.
–Eu não sei quem é não, mas tem um garoto que anda com ele para todos os lados.-disse ele enquanto olhava para a entrada da prisão. –Parece que ele está treinando o garoto.
–E como é esse garoto?-perguntou Nataniel parecendo desconfiar de alguma coisa. –O senhor sabe dizer?
–Olha, rapaz, eu não sei dizer muito porque eu só o vejo de longe.-disse ele coçando a cabeça. –Ele é mais ou menos do seu tamanho, Helleonora. Tem cabelos vermelhos e anda sempre com a mão na parede.
–Obrigada, Sr. Camargo.-agradeci enquanto olhava para Larienne e para Nataniel.
Será que é o Edward? Acho que não. Se não ele estaria preso.
Eu queria perguntar mais coisas, mas não na frente de todos.
–Senhor Camargo, o senhor sabe-me dizer onde estamos?-perguntou Nataniel. –Eu quero logo sair daqui.
–Ora, rapaz. Estamos na Vila Orchcraft. Eu não posso dizer sua localização, pois ela é escondida e todas as pessoas que vem para cá, vem desacordadas.-respondeu Camargo olhando para o teto. –Mas não se preocupem. Geralmente, quando prendemos os invasores, eles deixam os prisioneiros aqui somente por um tempo e depois os deixam soltos fora da floresta.
Foi aí que um homem gordo se levantou e então começou a falar num tom áspero e indelicado.
–O senhor fala isso porque não vai morrer daqui a um mês.-ele então apontou para a nossa cela. –Essa daí atacou o chefão.
Sr. Camargo levantou-se surpreso e então começou a falar para a Larienne.
–Menina! Como você fez isso? Ele podia ter te matad...
–Não é essa daí não, seu Camargo.-falou o homem. Até agora eu não sei o nome dele. –Eu tô falando dessa aí, ó.
–Helleonora?!-disse o homem surpreso. –Por que você fez isso?
–É que eu estava defendendo o meu amigo.-respondi. –Mas agora ele vai matar todo mundo se eu não me casar com ele.
–Que coisa... Mas Lord Plantmort nunca agiu dessa maneira...
–Sr. Camargo.-disse um homem que estava sentado numa cela ao lado da que Nataniel estava. –Eu estou preso há uns seis anos e nunca vi uma prisioneira tão linda como essa. Até eu, se fosse o rei disso aqui, me casaria com ela e teria uns 100 filhos!
Cem filhos?! Tá louco se eu teria cem filhos. Ainda mais desse cara: seu rosto era meio oval e era um moreno. Em seu rosto havia uma placa de ferro presa com parafusos. Só havia um olho visível, pois o outro a placa tampara. Seus cabelos eram lisos e pretos e seus dentes eram amarelados. Como estava sentado eu não podia ver sua estatura.
–Realmente ela é muito bela, sim. Mas eu fiquei surpreso com atitude de Plantmort.-disse Camargo enquanto se levantava. –Gente, acabou meu horário e eu tenho que ir para casa.
–Puxa! Mas então está bem, Sr. Camargo.-disse um homem lá. –Dê um abraçado na Jéssica!
Senhor Camargo pegou seu banquinho, se despediu e saiu. Agora, o silencio e sussurros tomavam conta do lugar. Larienne continuava deitada e quieta. Eu estava pensando na decisão que eu teria que tomar: casar-me e ser infeliz, ou morrer junto com todos. Se bem que todas essas alternativas tem maneiras de eu me livrar, mas agora eu estava pensando em qual destas alternativas eu correria mais riscos.
–Narração do autor-
Enquanto isso, em algum lugar da Floresta Orchcraft...
–Como será que a Helleonora e os outros estão?-perguntou Ellira com água em volta das mãos. –Já faz quase um dia que não os vemos.
–Não sei...-respondeu Caio. –Quem sabe estão bem. Temos que pensar positivo.
Oliver, Caio e Ellira estavam andando na floresta tentando encontrar alguma pista de onde todos estavam. Caio sentira falta de Edward, pois eles conversavam bastante e nunca imaginaram que iriam se separar algum dia.
–O Edward que se daria bem aqui, não é?-disse Caio sentando-se numa pedra. –Com seus poderes de planta ele se daria muito bem, nesse lugar cheio de árvores.
–Pois é.-respondeu Ellira aquecendo seus braços e sua barriga, por causa de um vento frio que passou, acompanhado de uma forte chuva. –Caramba! Que frio que está fazendo aqui.
–Tome.-disse Oliver retirando sua jaqueta e entregando para Ellira. –Vista isso, vai se esquentar.
–Obrigada.-disse Ellira sorrindo, enquanto vestia a jaqueta confortável. –É quentinha mesmo.
Para não se molharem, Ellira dobrou a água e a transformou em uma cúpula de gelo. Foi bem simples: ela apenas deu a forma de uma “bola oca” e a congelou. Os pingos, que caiam ali, eram congelados e davam a forma de uma cúpula. Isso, em certo modo, era ruim, pois Ellira não manipulava o gelo.
–Uau!-disse Caio surpreso. –Nós nos surpreendemos a cada dia com as pessoas! Nunca pensei que você podia fazer isso.
–Pois é, Caio.-disse Ellira enquanto fazia uma janela na cúpula, para a entrada de ar. –Mas como você também me surpreende a cada dia.
–Já que está chovendo e não tem como fazer muita coisa na chuva, que tal nós descansarmos?
Ellira então chegou perto de Oliver e sentou-se ao seu lado, abraçando-o. Este retribuiu o carinho.
–Por que está fazendo isso?-perguntou Oliver olhando Ellira nos olhos.
–É que eu pensei que você podia estar com frio.-respondeu Ellira dando um sorriso com seus dentes brancos. –Além do mais, eu não gosto de ficar sozinha.
–Tudo bem, então.-respondeu Oliver enquanto sorria junto com Ellira, que estava passando as mãos em seus cabelos.
–Por que você só fala uma frase por vez, hein?-disse Ellira enquanto repousava nos braços de Oliver.
–É que eu sou mais de ouvir do que ficar falando.-respondeu Oliver dando um sorriso. –Mas eu também não gosto muito de ficar falando.
Caio estava sentado em um canto da cúpula. A cúpura era feita em cima de uma pedra grande, para que o chão, molhado, não sujasse a roupa. Caio, para não se envolver na “intimidade” entre Ellira e Oliver, estava em um canto isolado, esquecido, encima de um “banquinho” feito de sombra. Ele não estava bem alí dentro. Não por estar “segurando vela”, mas por estar confinado e esquecido. Se bem que Oliver falava com todos, mas Ellira, com quem tinha mais intimidade, não estava lhe dando atenção.
–Com licença, mas eu vou ali e já volto, pessoal.-disse Caio meio triste.
–Cara, tá chovendo lá fora.-disse Oliver se levantando e deixando Ellira deitada na pedra. –Espera parar de chover e a gente continua...
–Não precisa ficar preocupado não, cara.-interrompeu Caio. –Fiquem aí vocês dois, enquanto eu vou procurar comida.-cobriu a parede de gelo com sombra e entrou nela.
Ellira e Oliver ficaram sozinhos na cúpula. Oliver estava se sentindo mal por ter ignorado Caio, companheiro de equipe, mas Caio era responsável e muito confiável.
–Por que será que ele saiu?-perguntou Ellira acariciando o rosto de Oliver.
–Deve ser porque não estávamos lhe dando atenção. Fingindo que ele não estava aqui.
–Narração de Caio-
Tem-se uma coisa que eu não gosto é de ser ignorado. Se bem que eu sempre fiquei muito distante das outras pessoas e, ao contrário do que eu previa, tive que me adaptar a uma escola onde eu teria que compartilhar um quarto com mais duas pessoas. Mais dois costumes diferentes, duas pessoas diferentes. Agora, cá estou eu numa floresta sinistra, numa chuva danada e sozinho... Sem nenhum amigo para conversar.
Foi quando um bicho estranho pulou na minha frente... Ele era pequeno, mas sua mandíbula era coberta por fileiras e mais fileiras de dentes. A chuva caía forte, fazendo o meu pé afundar na lama, reduzindo a minha velocidade.
–Nem vem, monstro malvado.-disse envolvendo a minha energia nas mãos. –Eu faço você comer metade dessa lama.
Como era de se adivinhar, ele não me ouviu e, dando um salto enorme, pulou para cima de mim. Mas eu o bloqueei com uma parede de sombra. Ele não desistia. Eu não queria matá-lo ou coisa do tipo. Eu estava no território dele então tinha que respeitar.
–Sai daqui!!!-disse enquanto atirava na lama, fazendo uma pequena onda para cima do monstro, que sumiu.
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Eu parecia estar com saudades. Mas de quem? Do Edward? Da Helleonora? Da Ellira? Eu realmente não sei. De todos esses, o que eu tenho mais saudades é o Edward. Pessoa gentil e muito bom amigo. Agora, eu tenho ficado muito tempo sozinho, com uma equipe onde dois dos integrantes são independentes e muitas das vezes só lembram-se de mim em um momento de ataque, para defendê-los.
Eu ia continuar contando a minha lástima e angustiante vida para vocês se o monstrinho não tivesse ido chamar companhia. Agora, cerca de trinta ou mais desses monstros estavam me cercando, monstrando para mim suas mandíbulas.
–Xô!-disparei um raio neles. –Saem daqui, seus monstros!
Eles começaram a pular em cima de mim e eu estava conseguindo me defender bem, com uma cúpula de sombra. Se compararmos com a vida real, a minha visão, dentro da cúpula, se assemelha muito a visão de uma pessoa dentro de um carro com os vidros fumês. Era bem ruim de enxergar. Os monstros estavam mordendo a minha proteção, mas era bastante forte e dava para aguentar.
–Saem de cima de mim, seus filhos da mãe!-disse atacando os monstros com minhas sombras. Foi aí que eu consegui ver um monstro semelhante as outros, só que mais claro, concentrando um raio de luz em sua boca...
–O que é aquilo?...-para ver melhor, eu retirei minha proteção. Os monstros já haviam recuado. –Aqui é brilhoso... É LUZ!!!!
Foi quando o monstro disparou o que seria (leiam bem: SERIA...) um raio solar. Porém não era. Eu tentei me defender e, durante algum tempo eu estava conseguindo, fazendo muitas camadas de energia que eram “quebradas” pelo raio luminoso. O bicho era forte: durante um minuto e meio ele usou seu raio de luz em mim e eu tentei defender. Eu, com o impacto, fui jogado para trás e cai numa ribanceira. Eu rolei e rolei quase desacordado. Meus braços estavam ardendo muito. Pareciam queimar por dentro, de modo que eu não conseguia fechar as mãos de tanta ardência.
–Bicho desgraçado...-cuspi no chão, para tirar a lama e a água da boca. –Me sujou todo... Meus braços... Queimam!
Caio?! É você Caio?
Eu estava ouvindo uma voz semelhante à de Helleonora. Olhando a minha volta eu pude perceber que estava sozinho em alguma parte da floresta onde não existiam árvores. Helleonora não estava ali. Como isso pode acontecer.
–Helleonora? Você está aqui?
Ninguém respondeu. Eu queria pensar num jeito de saber se eu estava ficando maluco ou estava ouvindo mesmo as vozes de Helleonora.
Caio, responde, disse a voz de Helleonora mentalmente. Eu estou falando com você por telepatia. Se puder me responda por pensamento...
A Helleonora é telepata?! Para mim isso era uma novidade. O que me alegrou mesmo era saber que ela estava viva, então eu faria de tudo para ajudá-la. Concentrei-me bem e comecei a meditar...
Helleonora!–pensei enquanto estava sentado no chão. É você mesmo? Onde você tá?
Que bom em estar falando com você! Eu e o resto do pessoal da escola estamos presos em algum lugar do chão. Se for possível, poderia ficar em algum lugar escuro?
Imediatamente Caio criou um grande cubo de sombras. Estava escuro lá dentro. No mesmo instante, como por mágica, a imagem de Helleonora começou a se formar dentro daquela “sala” escura. Eu fiquei assustado, mas ela disse para não ter medo.
–Isso é chamado de projeção astral.-disse a imagem de Helleonora. –Eu posso fazer isso de tempo em tempo e não posso demorar muito.
–Ok! Está certo.-falei enquanto admirava a imagem da Helleonora em minha frente, sem estar. –O que quer que eu faça?
–Eu estou presa em algum lugar dentro do chão, ou quase isso. Está todo mundo da escola aqui dentro.-disse Helleonora com a imagem meio distorcida, mas clara. –O que eu quero que você faça é reunir o seu grupo e tentar achar a entrada disso tudo. Eu sei como chegar, mas para isso precisamos da habilidade de “entrar nas árvores", do Edward.
–Se quiser eu vou salvar vocês. Me diga onde est...
–Não! O lugar é todo coberto por raízes e certamente você não conseguirá chegar aqui sozinho. Por mais que seja forte. Precisa encontrar o máximo de pessoas com poderes e habilidades especiais aí, na Floresta, e tentar salvar a gente.
–Está bem, mas como eu encontrarei a entrada?
–Eu não sei direito... Mas a entrada é numa árvore. Só que não sei onde ela se encontra. -disse Helleonora quase desaparecendo. –Você precisa trazer Oliver e Ellira para cá, para este mesmo ponto, para que eu explique o que deve ser feito. Se tudo der certo, libertaremos centenas de alunos e encontraremos o Edward... Mas precisam chegar aqui num prazo de quatorze dias ou então poderão ser padrinhos do meu casament...
–Helleonora?... Helleonora!
Ela não está aqui. Onde será que ela está? Eu desfiz a minha proteção e tomei coragem para subir a ribanceira. Eu estava meio longe da floresta, mas dava para chegar lá rapidinho. Aquele monstrinho era bem forte. Mas depois eu acerto com ele. Subi rapidamente a ribanceira fazendo pequenos degraus com meus poderes. A chuva persistia e caía mais forte a cada pingo. Só a felicidade de encontrar um amigo já era suficiente para ganhar mais força e mais vigor. Cada passo que eu dava em rumo à floresta era uma prova de que eu podia ser útil em alguma coisa que não fosse defender os outros.
Embora eu estivesse bastante calmo e ancioso para rever o pessoal, eu estava meio confuso.
–Helleonora é uma telepata ou o que? Como assim, chegar a quatorze dias ou então seremos padrinhos do casamento dela? Com quem? Isso está me cheirando mal...
Eu comecei a correr e correr. Haviam se passado meia hora desde que eu comecei a procurar o iglu onde estavam Ellira e Oliver. Finalmente eu pude ver o grande iglu de mais ou menos dois metr0s e meio de altura e não sei quantos metros de largura.
–Caramba! Como o iglu ficou grande!-admirei a bela “casa” de gelo meio transparente respingado de lama. –Tomara que não estejam fazendo nada de mais lá dentro...
Eu caminhei um pouco e então cheguei mais perto de iglu. O ar em volta estava gelado e eu estava quase congelando. Quando bati no iglu, minha mão ficou grudada no gelo, o que fez com que “queimasse” ainda mais minha mão.
–Pessoal!-gritei, vendo Oliver quebrar um pouco do gelo e me atender. Felizmente estava vestido.
–O que aconteceu?!-perguntou ele tomando um susto ao me ver “meio” sujo.
–É uma longa história...
Passaram-se uma hora desde que eu entrei no iglu e me aqueci. Embora fosse de gelo no interior do iglu era quente! Quente o bastante para eu ficar sem camisa e a Ellira também. Calma! Sem a camisa de frio do Oliver.
–... Então quer dizer que a Helleonora ainda está viva?-perguntou Oliver pensando em alguma coisa.
–Ela deve está presa em alguma caverna subterrânea. -disse Ellira. –Mas aonde?!
–Ela disse que o portal era uma árore, mas que só poderíamos chegar lá com a ajuda do Edward. -disse para todos.
–Não importa. -disse Oliver pegando o casaco e dando nas mãos de Ellira. –Vista o casaco. Temos que ir para onde a Helleonora fez contato com o Caio.
–Agora?!!!-perguntou Ellira enquanto olhava para a chuva caindo do lado de fora do iglu. –Tá maior temporal lá fora!
–Não importa. -disse Oliver segurando nas mãos de Ellira. –Nossos amigos estão em perigo. -ele olhou para mim. –Caio, você será o líder do grupo e nos conduzirá até o local do contato.
Eu fiquei bastante confiante agora.
–Então está bem...
–Nós precisamos encontrar essa entrada o mais rápido possível. Eu tenho um leve palpite, mas é melhor guardá-lo para mim.-disse Oliver enquanto saía do iglu. –Se tudo der certo, poderemos salvar a todos e ainda encontrar essa torre.
–É mesmo.-disse Ellira nos protegendo da chuva. –Mas de onde você tirou tanto ânimo assim?
Oliver deu um leve sorriso e depois disse algumas palavras.
–É que, mas que tudo, eu tô com uma vontade louca de saber quem é esse tal de Edward que vocês tanto falam... –e se calou.
Continua
Notas finais
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Até logo, pessoal do Nyah! Fanfiction !!! ^^
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