Notas iniciais
É a introdução. Se gostar, comente ou recomende por favor.

TUNC

O machado atinge o alvo. Bem no meio. Ótimo.

TUNC

O segundo machado voa e atinge o outro alvo. No círculo ao lado do meio, onde eu devia ter acertado. Ouço um zunido e um segundo depois tem uma flecha bem no ponto principal.

-Não fique chateado. Ainda vai ter muitos Ensir' para acertar.

Me viro na direção da voz. Iza Morfleynder, minha irmã, tem outra flecha preparada e sorri, divertida.

-Se eles nãomeacertarem primeiro- resmungo.

O sol se põe lá fora, derramando uma luz alaranjada na janela quadrada da sala de treinamento. Ela se aproxima e me dá um tapa na cabeça. Não consigo evitar. Eu rio, e ela ri comigo. Senta na beirada da mesa onde ficam algumas armas disponíveis para usarmos no treinamento e suspira:

-Pensei que estivesse feliz. Afinal, vamos sair daqui amanhã.

Ela está certa. Eu sempre quis sair daqui, desse complexo que eu chamo de casa, o único lugar que eu conheço. O fato de amanhã mesmo eu estar indo para outro lugar, desconhecido e sem data de volta, devia me deixar animado.

-Na verdade, eu tenho a impressão de que não vai acontecer coisas boas. Haverá vinte e cinco Elsir'es lá e nós passamos a vida toda treinando para sabermos lutar, e eles praticamente nasceram sabendo lutar.

-Humanos e Elsir'es nunca se deram bem, você sabe. Além disso, você está fazendo tudo girar em torno da luta. Talvez não seja assim. Talvez nós tenhamos apenas de estar preparados para ir a um lugar novo e conhecer pessoas novas...

Sua voz morre. Eu entendo, eu convivo com as mesmas pessoas á 16 anos, e ela, á 14. Conhecer pessoas e luugares novos também é aterrorizante. Lidar com o desconhecido... quanto mais perto o amanhã fica, mais á deriva nós ficamos. Afasto esse pensamento e sorrio para minha irmã.

-Estou com fome. E tenho a impressão de que você mencionou que hoje no jantar terá uma torta especial...

O rosto de Iza se ilumina, e ela enlaça o braço no meu e saímos da sala pensando em tortas especiais, deixando as perspectivas que o amanhã nos trás para trás.

Notas finais
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