Notas iniciais
Quero dedicar esse capitulo a linda Liani Chani que me deixou dois amáveis comentários. Muito obrigada :3 Alabama, Arkansas, I do love my ma and pa, Not the way that I do love you. Holy, Moley, me, oh my, You're the apple of my eye, Girl I've never loved one like you. Man oh man you're my best friend, I scream it to the nothingness, There ain't nothing that I need. Well, hot and heavy, pumpkin pie, Chocolate candy, Jesus Christ, Ain't nothing please me more than you. I'll follow you into the park, Through the jungle through the dark, Girl I never loved one like you. Moats and boats and waterfalls, Alley-ways and pay phone calls, I've been everywhere with you. We laugh until we think we'll die, Barefoot on a summer night Nothin' new is sweeter than with you And in the streets you run afree, Like it's only you and me, Geeze, you're something to see. Ahh Home. Let me go home. Home is wherever I'm with you. Ahh Home. Let me go ho-oh-ome. Home is wherever I'm with you.

No caminho para "casa", um corvo posou em meu ombro. O significado era claro. Sem tempo para ir trocar de roupa hoje. Mal retirei o envelope vermelho do bico do corvo quando o mesmo voou para longe. Abri minha mochila, peguei o baú, o punhal e coloquei a capa que servia como fundo falso para mochila. Descobri que fundos falsos são extremamente úteis há alguns anos, quando uns garotos que estudavam comigo resolveram que seria engraçado revirar minha mochila. Acho que eles queriam um diário ou algo assim, mas encontrar um punhal em uma mochila escolar foi igualmente satisfatório para eles. Não esperei a expulsão e desapareci antes que a diretora conseguisse ligar para os meus "tios", que, obviamente não existiam.

Li as instruções. Ataque cardíaco. Já estava acostumada. Seria fácil como amarrar os sapatos. Fui para a rodoviária. Comprei as passagens do onibus indicado e sentei sem dizer uma palavra a ninguém. O ônibus partiu. E esperei pacientemente. Dez e quinze, estava na hora.

Levantei e fui para o banheiro. Um senhor de uns oitenta anos entrou. Olhou-se no espelho, sem me notar. A capa me dá a capacidade de camuflagem. Ele parecia nervoso e então, repentinamente o senhor teve um espasmo e caiu de joelhos, as mãos segurando o peito. Abri o baú agilmente e a alma foi sugada. Fora simples. Almas mais "velhas" geralmente não davam trabalho. Elas sabiam que uma hora ou outra aconteceria e aceitavam de bom grado o descanso.

Olhei-me no espelho. Meus olhos estavam azuis novamente, garantindo-me que tudo correu corretamente. Ótimo, uma preocupação a menos. Eu não queria esperar o ônibus parar, já que ele estava indo para outra cidade. A saída mais rápida era, portanto, a janela do banheiro. Ela era estreita, mas também não posso ser considerada uma garota grande.

Retornei para o prédio de taxi, o meio de transporte mais camuflado de NY. Cumprimentei o porteiro, subi de elevador e... Minha chave. Minha chave não estava no lugar de sempre. Mas quem....

– E aí, princesa? Achei que fosse você quando ouvi o elevador. Eu pedi pizza.

Encostado no beiral da porta, com um sorriso arrogante e uma toalha na cintura, estava o garoto mais insuportável do mundo.

– O que você pensa que está fazendo Alec? E onde estão suas roupas? Você invadiu meu apartamento?

– Teoricamente eu entrei pela porta da frente, e com as chaves...

Ele balançava meu chaveiro nos dedos, ainda com o sorriso arrogante.

– Quando você disse que ia se mudar para o meu prédio, não pensei que seria para o MEU apartamento, mas tudo bem.

Passei por ele pegando as chaves.

– Não me culpe. Você realmente deveria começar a guardar as chaves em outro lugar. — Ele não parecia arrependido.

Eu congelei assim que entrei. Meu apartamento antes organizado e milimetricamente arrumado agora estava um caos. As roupas estavam espalhadas por toda a sala cobrindo a maior parte das superfícies, meu adorável sofá bege tinha sido empurrado até a TV (não vou comentar o que estava passando), o chão estava encharcado e alguma coisa estava definitivamente queimando no forno.

– O que aconteceu aqui?

– Eu estava procurando aqueles jeans nas minhas malas mas acho que baguncei um pouquinho a sala.

– Um pouquinho? Aquilo na minha TV é uma cueca?

– Ok princesa, eu arrumo. Mas espero um bom almoço como recompensa.

Ele começou a pegar as roupas espalhadas e jogar de qualquer jeito em uma das SEIS malas. Quero dizer, quantas peças roupas um cara precisa?

– Sua recompensa é não ser expulso! E porque o chão está molhado?

– Eu estava tomando banho antes de procurar os jeans.

– E você não pensou em, sei lá, se secar? E o que você tentou cozinhar aqui? — Eu perguntei abrindo o forno. Tudo que havia lá era um pequeno paralelepípedo disforme, negro e soltando fumaça.

– Era uma lasanha...

– Eu vou cozinhar. Termine de guardar as roupas, seque o chão e devolva meu sofá no lugar.

– Sim Senhora! — Ele bateu continência.

– Aliás, porque você moveu meu sofá?

– Eu queria espaço para as minhas malas.

– E resolveu que a minha sala seria um bom lugar. Genial.

– Faça logo o almoço mulher!

Eu apenas o encarei.

– Ok, ok, ok, já estou arrumando ó.

Eu joguei o projeto de lasanha dele no lixo e coloquei uma decente para assar. Enquanto fazia isso, comecei a pensar no que aquilo que aconteceu mais cedo significava. A morte dele ainda não estava datada. Eu poderia pedir transferência, tentar mudar nosso destino. Ir para algum lugar longe, coletar outras almas. Talvez servir de apoio para outros caçadores na equipe de "emergências, atentados e desastres naturais". Claro, eu teria que passar por todos aqueles exames psicológicos, e o serviço era bem puxado, mas eu faria o que fosse preciso para mantê-lo vivo desta vez.

Quando terminei de arrumar a lasanha, minha sala já era habitável novamente graças ao garoto de toalha.

– Vá vestir uma roupa garoto.

– Já terminou? — Ele parecia surpreso.

– Massa pronta. A tecnologia não é maravilhosa?

Ele apenas sorriu e foi para o banheiro com as roupas na mão. Enquanto isso, escrevi o relatório da morte do senhor, passei a frágil alma para o frasco, coloquei-o no envelope e assoprei o apito prateado, um dos pingentes do colar que carrego sob a camiseta. Nenhum som foi emitido. Pelo menos nenhum audível ao ser humano. Em menos de três segundos, ela estava pousada no sofá. Uma águia enorme, de penas fortes como o aço, e leve como uma pomba.

– Olá Astrid. Sentiu saudades? -A águia continuou imóvel.- É, foi o que pensei. Aqui, pegue uma barra de ouro. Eu não entendo. Já faz décadas e você não fala. As outras aves imortais costumam falar com bem menos dessa idade, você sabe. Não estou te apressando nem nada. Mas qual o problema? Não te alimento direito, é isso? Eu disse que você pode ter todo o rubi que quiser, apenas tente dizer alguma coisa. Não? Ok, que seja. Tome. Mande para a gerência.

E, com o envelope na boca, a águia partiu tão rápido quanto chegara. Agora que minhas pendências estavam resolvidas, eu poderia almoçar e cuidar da minha transferência imediata. Mas, se essa era minha útima chance, queria olha-lo pelo menos uma última vez. Eu poderia vê-lo na saída da escola, embora tivesse perdido a aula hoje.

– Alec! A lasanha está pronta! — Eu gritei. Quanto tempo um cara precisa dedicar ao cabelo afinal?

Ele chegou correndo, devidamente vestido, arrumado e com um sorriso de satisfação impagável.

– Sabia que não me decepcionaria princesa!

– Que bom que gostou. Eu vou sair e não sei que horas volto, então não me espere.

Não havia nenhum motivo para mentir para ele, mas eu não consegui dizer a verdade. Não sei porque. Talvez, no fundo, eu pensasse que ele tentaria me impedir ou algo assim.

– Beleza. Mande lembranças para o amor da sua vida.

– Como você sabe o que vou fazer?

– Você esta com aquela cara.

– Que cara?

– Aquela que você faz mais ou menos a cada quinze anos. Olhos brilhando, bochechas coradas... Ah, e você esta saindo antes de comer. Você sempre colocar a comida em primeiro lugar.

– Ok, que seja. Até mais tarde. — Eu disse pegando a mochila.

– Até.

Eu realmente adoro o Alec mas admito que me incomode que ele saiba tanto sobre mim e eu saiba tão pouco sobre ele. Na verdade, para o meu único amigo, ele era bem distante.

Cheguei no colégio um pouco antes do sinal da ultima aula, e esperei no corredor, enquanto esvaziava meu armário, joguei todo o conteúdo de dentro dele na mochila. O sinal tocou e, do nada, eu mudei de idéia. Talvez eu não devesse vê-lo. O destino havia me dado uma chance. Para que correr o risco de perde-la? Me virei, correndo contra os alunos que saiam das salas, pronta para sumir do país. Isso com certeza seria a melhor...

Ai. Um bloco gigante de carne apareceu do nada, me jogando no chão.

– Ah meu Deus, você está bem? — Quando me recuperei da surpresa, a primeira coisa que vi foi uma garota loura com um brilho prateado me olhando como se eu tivesse acabado de pisar em um filhotinho. A segunda coisa foram aqueles olhos negros que eu conhecia tão bem. Ele esticou a mão, tentando me ajudar.

– Sou o Nicolas. Eu sei que parece loucura, mas acho que te conheço de algum lugar.

Você não faz nem idéia.

Notas finais
Vou tentar postar com mais freqüência. Obrigada por ler até aqui. Quem comentar ganha uma mordida :3 ou não. ~Lena