Notas iniciais
Please don't slam the door You don't have to keep your distance anymore 'Cause for the first time in forever I finally understand For the first time in forever We can fix this hand in hand We can head down this mountain together You don't have to live in fear 'Cause for the first time in forever I will be right here Please go back home Your life awaits Go enjoy the sun And open up the gates You mean well But leave me be Yes, I'm alone but I'm alone and free Just stay away and you'll be safe from me

Nicholas é um bom nome, mas Nico soa infinitamente melhor.

Isso foi basicamente tudo o que eu consegui pensar naquele momento.
Ah, claro. Eu também disse algo como:

– Ãh.. E-e-ch... Hamm... Oi.

Lindo. Anos sem vê-lo e isso é melhor que você consegue. Agora ele pensa que você tem algum problema mental, de fala, ou ambos. Fabuloso.
Ele pareceu ficar tão envergonhado quanto eu com a situação. E somente então eu ouvi um "clinc" mental de ficha caindo. Minha bunda estava doendo, eu ainda estava no chão e ele continuava com a mão estendida, esperando eu aceitar sua ajuda.
Recusei a ajuda me levantando sozinha e rapidamente, talvez rapidamente demais, assustando tanto ele quanto a menina loira.

– M-me d-de-desculpe. Eu preciso ir.

Eu joguei a mochila sobre o ombro e me afastei calmamente, de costas, mantendo o contato visual e sem fazer movimentos bruscos, como se os dois fossem algum tipo de animal selvagem e perigoso. Então, me virei e corri em direção a saída.

– Pelo menos me diga seu nome! — Ele gritou com aquela voz que eu conhecia tão bem.

– Echo! — gritei por cima do ombro, já passando pela saída.

Agora é definitivo. Eu pensava correndo para meu prédio. Já peguei minhas coisas, vou embora hoje mesmo.Cumprimentei o porteiro, subi de escadas e praticamente derrubei a porta com a velocidade que entrei.

– Oaa princesa calma ai. Sei que sentiu saudades mas não precisava de tudo isso...

– Muito engraçado Alec. E tire os pés do meu sofá. — Ele recirou os olhos — Eu não posso mais fazer isso. Não posso levar a alma dele de novo. Ele se chama Nicholas agora mas é o mesmo e não posso tirar a vida dele outra vez. O que acha de viajar? Eu deixo você escolher o destino. Só preciso de alguns minutos para empacotar algumas coisas e coloca... — Ele me encarava atônito — O que foi? Que cara é essa? Parece que viu um fantasma!

Ele se levantou e apontou para a porta e foi então que eu entendi: eu não estava olhando para mim. Estava olhando para Nico e para a menina loira parados na porta de entrada. Aquela que deixei aberta.

– Ãh... Você deixou cair isso. — disse ele estendendo a mão com a qual segurava meu colar de Caçadora.

– O-Obrigada. — Eu o peguei, tomando cuidado para não tocá-lo.

Eu ia manda-los embora mas do nada a garota loira atravessou a sala correndo, e pulou no pescoço de Alec, tentando esgana-lo. Por causa da surpresa, ele foi para o chão, arrastando-a com ele. Eu corri até eles, que rolavam no chão, e a arranquei de cima dele, jogando-a contra o sofá. Depois de me certificar que ele estava bem, eu olhei para ela. Quero dizer, eu realmente olhei para ela.

Existem pessoas que são feias, estranhas, aceitáveis, bonitinhas e bonitas. E existem pessoas que são realmente, realmente, bonitas. Ela claramente pertencia ao ultimo grupo. Os cabelos loiros compridos que terminavam em pequenos cachos batendo quase no quadril emolduravam um rosto fino e delicado e seus grandes olhos azuis me olhavam repletos de ódio. Ela era uma daquelas pessoas que esbanja tanta juventude que você pode tentar, mas que nunca conseguirá imaginar velha. A pele dela parecia feita de porcelana, o nariz era perfeitamente arrebitado e a boca parecia uma propaganda de creme dental. Na verdade, toda essa perfeição a deixava um pouco assustadora, como se não fosse humana. O que apenas eu e o Alec sabíamos é que ela não era mesmo.

Há um boato entre os Imortais que diz que sua Aura Imortal demonstra o quão forte e poderoso você é. Todas as Auras variam em cor, tamanho, formato, brilho e cheiro, e, com exceção da cor, essas características variam pouco em uma mesma pessoa.

Enquanto ela nos observava, eu podia ver sua Aura crescendo e se expandindo, cobrindo toda a sala com um forte brilho prateado. Eu vi pouquíssimas Auras como aquela antes e apenas uma que se destacava e era mais forte do que todas.Por isso posso dizer que era lindo e surpreendente. Espirais prateados corriam pelo cômodo, se expandindo, como fogos de artificio.

E então, aqueles espirais prateados começaram a ser encobertos por outros, de bronze. Aí estava. A Aura mais brilhante, forte e linda que eu já vi. Pequenas serpentes de bronze corriam pelo chão e espirais de bronze giravam no ar, apagando quaisquer vestígios do prata.
A garota estava obviamente surpresa com aquilo.

– Chega! Vocês dois! — Eu gritei, me esquecendo completamente que Nicholas estava na sala.

As Auras se acalmaram instantaneamente.

– Não se intrometa nisso, Caçadora. — A menina disse, me olhando com mais ódio do que parecia ser capaz. — Você. — Ela apontou para Alec. — Deve se apresentar para julgamento na Corte dos Imortais. Imediatamente.

Alec sorriu ironicamente, levantando uma sobrancelha.

– E o que te faz pensar que pode vir aqui e me forçar a ir?

– Você é um criminoso procurado, sabe? Se você se entregar talvez eles sejam mais piedosos.

– E se eu não quiser?

A garota arrancou um grampo de seu cabelo que se esticou lentamente, tornando-se uma lança. Ela sorriu como se tivesse nos surpreendido. E por um momento eu fiquei com dó dela. Eu ia explicar que ela não tinha chances contra ele,mas já era tarde.

Alec tirou, em um movimento rápido, um dos brincos da orelha, e este se tornou uma enorme espada de aço, com um cabo de couro de onde pendiam milhares de minúsculos cristaizinhos coloridos.
Tudo o que eu consegui fazer foi puxar Nico para trás do sofá, e mandá-lo esperar ali. Ele parecia mortalmente confuso, pobrezinho.

– Espere, ele é como a Chloe? Onde você vai? Fique aqui comigo, em segurança. Eles vão te machucar. — Ele disse, quase desesperado enquanto eu me levantava para ajudar Alec, que encarava a garota -Chloe- esperando qualquer movimento. Nico pensava que eu era humana como ele. Não tive coragem de negar.

Mas Alec é a pessoa mais corajosa que conheço. Ele negou em segundos.

– Somos diferentes da sua amiga, garoto. Cuidamos da morte, ela, da vida.

E a garota investiu, fazendo um movimento rápido com a lança, mas recuou quando percebeu que ele conseguiria defender. Ela parecia um gato arisco, esperando qualquer possibilidade de fazer espetinhos de Alec.

– Eu ficarei bem. Apenas espere aqui. — Eudisse, me arrastando a minha mochila, no canto da sala, e pegando meu punhal.

Quando me levantei, Alec havia feito um buraco em uma das minhas cortinas, tentando acertar Chloe.

Eles destruiriam minha casa. E era um apartamento alugado. Bastardos.

Esperei que a garota estivesse de costas para mim, muito ocupada tentando se defender de Alec. Ele estava apenas brincando com ela, eu podia ver em seus olhos. Ele poderia ter acabado com aquilo em seu primeiro movimento. Duplamente bastardo.
Eu pulei nas costas dela, derrubando-a e acidentalmente quase fazendo um espetinhos de duas imortais. Coloquei o punhal em sua garganta e ela quase parou de respirar. Ela sabia que eu não pensaria duas vezes antes de cortar sua garganta.

Claro, ela não morreria. Nenhum de nos morreríamos. Mas ela sentiria a dor do corte, engasgaria com o próprio sangue e, sentiria a dor brutal que era ter seu corpo se curando de algo que deveria ser fatal. Ah, e poderia levar alguns anos para cicatrizar. Uma menina tão bonita provavelmente não gostaria de parecer a "senhora coração de pedra".

– Quando eu te soltar, você vai sair daqui. Vai levar Nicholas e vão se esquecer que nos viram. Você não deveria ter contado para ele o que é. Há regras sobre isso, sabe. — Eu a soltei. — Agora vá, suma do nosso caminho.

– Eu reconheço a habilidade de vocês. Mas não posso ir. Como Guardiã, eu devo ficar e manter o criminoso sobe minha vigia. É meu dever. — Ela disse, massageando o pescoço.

– Certo. Pode ficar. Vou conseguir um colchão para você. — Eu sabia que não deveria ter nenhum contato com ela, muito menos deixa-la ficar ali, mas se Alec realmente cometera algum crime, o que não seria novidade, todos pagaríamos se eu a expulsasse. Eu pretendia conversar com ele mais tarde sobre isso.- Apenas livre-se dele. — Apontei para Nico.

Ele me olhou, claramente abalado com minha grosseria.

– Isso não será possível. Infelizmente ele precisa ficar. Justamente por causa do seu amigo. — Disse a garota, fazendo sua lança retornar a forma original.

– Mas que crime ele cometeu dessa vez afinal de contas? Isso é ridículo! — Nada valia permitir que Nico ficasse. Nada.

– Não é óbvio? Ele mexeu no Segundo Arquivo. E não apenas alterou o destino, como deu livre arbítrio para Nicholas.

Eu senti todo o ar sair de meus pulmões. Era um dos maiores crimes que se pode cometer. Penitencia máxima.

Notas finais
O título se refere à primeira vez que o Nico vê a Echo nessa vida. E a primeira vez que ela pode escapar do "destino". A idéia é que fosse uma conversa entre eles. Ele pedindo espaço na vida dela, e ela o mandando embora, onde acredita que ele estará seguro. Eu não sou de fazer suborno maaaaaas.... Tenho quase 200 visualizações, e pouquíssimos comentários. Entaaaao, se eu tiver 3, apenas TRÊS comentários, eu faço um capitulo especial, na visão do Alec (antes dele aparecer), bem divertido para vocês. :3 ~Lena