Os Homens Merecem Morrer
4 Reféns, plano RW e surpresa no banheiro
Notas iniciais
CAPÍTULO QUATRO
Reféns, plano RW e surpresa no banheiro
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Alice ficou com a boca escancarada por um longo período, enquanto Rose abria e fechava a boca repetidas vezes, sem pronunciar nenhum som.
— Você... Você... — A morena apontava para a Parkinson, incrédula. — Pela santa Katy Perry com aquele look divo em Roar... VOCÊ É A DOIDA, BURRA E ANTA!
Pansy franziu o cenho, parecendo levemente ofendida.
— Ahn?
Rose rapidamente intercedeu.
— O que ela quis dizer, é que... Por que você veio parar justo na nossa loja, amore? Não podia ir se esconder em outro lugar? Lata de lixo? Carro roubado? Bueiro? Sei lá! Outro estado!
— Eu sei, eu sei! Lugar ruim! — Pansy se sentou no chão, a .40 segura em suas mãos. Rose mantinha os olhos fixos na arma. — Mas tudo ficou ruim depois que eu mandei a carta de agradecimento para a RW.
— Ah, nem imagino porque, querida — Alice ironizou, recebendo uma cotovelada dolorosa de Rose. Felizmente a doida armada não percebera nada.
— Eu tentei fugir de São Paulo, mas não deu muito certo, sabe?
As duas garotas assentiram silenciosamente.
— Então eu tive que retornar. E a polícia começou a me caçar loucamente.
— Olha, eu fico realmente triste por isso — Alice conteve um tom de ironia, alerta para o caso de Rose lhe dar uma cotovelada. — Mas você não pode ficar aqui — Rose a encarou em sinal de alerta. Alice abriu e fechou a boca, reformulando melhor sua frase, hesitante. — Quero dizer... Aqui... Não tem espaço! É! E não tem como você fugir! Que tal você sair pela porta da frente, provando ser uma mulher digna de respeito, e se entregar para a polícia, hein?
Repentinamente, Pansy se levantou do chão e apontou sua arma para as garotas. Alice soltou um gritinho e se escondeu atrás de Rose, que ergueu as mãos para o alto.
— VOCÊ ACHA QUE SOU BURRA? VOU SER PRESA!
— Querida, eu não ia dizer que você era burra — Rose (quase) utilizou de sarcasmo. — E você não é claro. Mas a polícia geralmente prende mulheres que matam o marido...
— EU TIVE MEUS MOTIVOS! TÁ FALANDO QUE NÃO TIVE MEUS MOTIVOS?
— Eu? E-Eu não to falando nada, baby. Quer saber, pode ficar aqui o quanto quiser! É. — Rose encarou Alice, sorrindo amarelo para Pansy, andando para o lado lentamente, escapando da mira da arma.
— É. Todas as nossas peças com 70% de desconto — Alice bateu palmas, animada, mas notando o olhar assassino de Rose, se aquietou com uma careta.
Pansy baixou a arma, e foi verificar as peças de lingerie distribuídas pela loja. Parecia bem mais assustadora sem o capuz, com sua cara de buldogue e os cabelos pretos oleosos.
— A gente tem que se livrar dela! — Sussurrou Rose com urgência, apontando para a Parkinson, que analisava um manequim. — Se não vai fuder pra todo mundo!
— Eu sei! Eu sei! — Alice cerrou os dentes em uma careta. — Ahhhh, eu to com medinho.
Rose pôs a cabeça para funcionar. Os carros de polícia estavam estacionados na calçada, e logo apareceram à porta os seres menos aguardados naquele momento.
Alvo e o tal Malfoy.
— Ixe, olha lá — O Potter fez uma careta assim que viu Rose e Alice encolhidas num canto da loja, enquanto a doida, burra e anta da Parkinson verificava as mercadorias. — Elas estão sendo feitas de reféns...
— POTTER E MALFOY! SAIAM DA FRENTE DA CENA DO CRIME! — Um policial carrancudo berrou, agachado atrás da porta do seu veículo.
Scorpius fez uma careta.
— Vocês estão fazendo tempestade em copo d’água. Essa Parkinson nem deve saber atirar — E forçou a porta de vidro, entrando na loja de supetão.
— AHHHHHHHHH! SAI DAQUI! — Pansy começou a atirar para todos os lados, forçando Rose e Alice a se jogarem no chão, e Scorpius adentrou a loja com uma cambalhota, arrastando-se para trás do balcão.
Alvo apenas saiu correndo para trás de uma viatura, como um cara inteligente faz.
— Minhas paredes violetas... — choramingou Alice, colocando a cabeça entre os braços.
Rose lançou um olhar mortal para o Malfoy.
— Você tinha que entrar aqui? Está armado pelo menos?
— Eu achei que a doida nem soubesse atirar — defendeu-se o loiro, colocando a mão no peito, controlando a respiração. — Eu que quase morri!
— Deveria ter ficado lá fora. Agora temos uma doida, burra e anta irritada aqui, por culpa sua.
— Com licença — Pansy estava apoiada no balcão, observando a pequena discussão, com a arma diretamente apontada para eles. — Mas a doida, burra e anta está ouvindo.
— Ah desculpa ai. — Alice abanou a mão, dando um tapinha no braço de Pansy, como se fossem velhas amigas. — Era brincadeira da minha amiga ruiva. A propósito querida, qual o seu tamanho? Temos peças ótimas para você agradar um próximo marido, sabe... Ou até para você visitar o que tá no cemitério, no dia de Finados... Aposto que ele vai A-DO-RAR!
— Cala a porra dessa boca, e fica no chão — Pansy apontou com a arma para o piso, e Alice sorriu amarelo obedecendo rapidamente. — Agora, vocês três ficam ai.
— Tá... Ahn... E depois?
— EU VOU PENSAR NO DEPOIS! SE NECESSÁRIO, VOCÊ BONITÃO, VAI SER SACRIFICADO!
— Eu? — Scorpius olhou incrédulo para Pansy. — Mas o que eu fiz?
— VOCÊ NASCEU HOMEM!
— Ah okay... Tá bom... Calma... Respira...
— NÃO ME MANDE FICAR CALMA, OU ESTOURO SEUS MIOLOS.
— Então o que você quer basicamente? Fugir daqui? — Rose disse, forçando uma doçura entre suas palavras. — Levar comida ou algo do tipo? Eu posso facilitar as coisas para você.
Alice e Scorpius encararam a ruiva incrédulos.
— Pode? — Questionaram ao mesmo tempo, em seguida recebendo um olhar incentivador da Weasley. — É, ela pode!
Pansy respirou fundo.
— Se isso for algum truque...
— Sou uma mulher, assim como a Alice aqui — Rose ousou ficar de pé, utilizando de um tom amigável. — Caso enganemos você, deixamos que mate o loiro.
Scorpius fez uma careta, mas Pansy aceitou de bom-grado, baixando a arma.
— Pensei que não encontraria fãs da RW por aqui. Vocês ouvem o programa dela, certo?
— Oh sim! — Rose abriu a porta do estoque, indicando para que Pansy entrasse. — Todos os dias. Pode apostar.
— É... — Alice sorria, animada. — Principalmente quando ela te xingou de doida, burra e anta em rede nacional...
Rose sorriu para Pansy, que mal ouvira a Longbottom, e assim que a Parkinson não estava olhando, bateu a cabeça da Alice na porta.
— AI!
— Cuidado com o que diz, jumenta. — E adentrou o estoque, batendo a porta.
Alice ficou do lado de fora, com Scorpius.
— Acho que você pode levantar do chão agora.
— IAAAAAAAAAAH! — Alvo Potter adentrara a loja de supetão, com os punhos cerrados, pronto para esmurrar o primeiro que aparecesse em sua frente. — Cadê a psicopata?
— Tá no estoque com a Rose — Alice disse naturalmente, sorrindo bobamente. — Deseja alguma coisa da loja?
— Sim. Mas não o que os manequins estão usando... — Alvo se aproximou, com uma cara de besta quadrada.
Scorpius se colocou entre ambos, despertando-os para a realidade.
— É tudo muito lindo e muito romântico, mas tenho uma prisão para fazer. Como o chefe está hoje, Potter?
— Bem, Malfoy. Está no banheiro cerca de duas horas tentando eliminar algo, mas acho que as maçãs não ajudaram muito — Deu de ombros.
— Vamos entrar no estoque de uma vez, prender a Pansy e interrogá-la. Talvez ela saiba algo sobre a RW, ou tenha pistas interessantes.
Quando os dois investigadores estavam prestes a adentrar o estoque, Alice se colocou na frente deles com uma rapidez impressionante.
— Esperem! Não podem entrar aqui!
— Por que não? — Alvo perguntou, franzindo o cenho.
— Por que... Por que... — Alice pensou por um instante, e uma ideia lhe veio à mente. — Por que vocês são homens! E aqui dentro está cheio de lingeries sexys. Vocês não podem entrar! Área feminina!
— Alice, ai não é nenhum banheiro feminino. E tem uma louca psicopata com a sua melhor amiga.
— Elas são mulheres. São autorizadas. — A morena cruzou os braços, decidida. — Rose tem excelentes planos. Tenho certeza de que vai fazer o que for necessário com a Pansy.
Assim que terminou de falar, a porta se abriu de supetão. Uma Rose cambaleante surgia, com arranhões no rosto e a arma de Pansy em sua mão.
Meneou a cabeça negativamente, um olhar sombrio em sua face.
— Ah, amiguinha! — Alice abriu os braços para a ruiva, envolvendo-a em um abraço.
— Você a matou? — Alvo arregalou os olhos para a ruiva, que negou fracamente.
— Eu bati com um extintor na cabeça dela... Foi horrível... Horrível — Rose começou a chorar descontroladamente.
Scorpius adentrou o estoque, enquanto Alvo chamava os policiais medrosos para dentro da loja.
Rose e Alice foram escoltadas para fora, e a .40 nas mãos da Weasley fora pega por um dos policiais.
Pansy Parkinson fora retirada do estoque com um ferimento na parte de trás da cabeça, inconsciente. Uma ambulância foi chamada, e em cerca de quarenta minutos (o trânsito em São Paulo era horrível!), o corpo da louca fora levado para um hospital mais próximo.
— Eu sabia que você faria o que tinha de ser feito — Alice segurou os ombros da amiga, que assentiu com uma seriedade anormal.
Claro que ninguém veria o sorriso sarcástico da ruiva enquanto abraçava a Longbottom.
(...)
— Alice, eu tenho de registrar os fatos de acordo com a ordem que aconteceram desde que vocês entraram na loja para trabalhar. Procedimento padrão, sabe como é — Alvo falou para a morena, que estava sentada diante da mesa dele, hesitante.
— Ah okay — Ela olhava ao redor, um tanto ansiosa com tantos policiais e armas, e... Investigadores bonitinhos de olhos verdes e fofinhos, como o Alvo que a fitava distraidamente. Assim que ela o encarou, ele adquiriu a posição profissional.
— Certo, Alice. Pode começar. — Ele ligou o gravador.
A Longbottom limpou a garganta antes de começar.
— Eu cheguei na loja junto com a Rose, sempre mais cedo do que o necessário, porque somos funcionárias responsáveis e gostamos de ajeitar tudo antes de abrirmos. Sabe... Trabalhamos com o público feminino. Temos de oferecer sempre o melhor.
Scorpius, sentado em uma mesa próxima da de Alvo, questionava Rose ao mesmo tempo.
— E quando foi que Pansy Parkinson entrou na loja de vocês?
— Logo que abrimos, às nove horas e um minuto. — Rose manteve os braços cruzados.
— E ela as rendeu tão rapidamente?
— Ela tinha uma arma. Você queria o quê? — Rose trincou os dentes, furiosa.
Scorpius fez uma careta.
— Cuidado com o desacato à autoridade. Posso mandar te prender.
— Mas aposto que não faria isso, com uma suspeita tão perigosa no hospital — uma voz conhecida aos ouvidos de Rose e Alice surgiu logo atrás da ruiva. — Principalmente sendo que Rose é minha funcionária mais exemplar, que passou por uma grande provação hoje e certamente está em um stress incalculável.
Era Lilá Brown, a chefe da rádio Marine, que se passava por grande executiva, sempre ocupada com suas franquias de lojas de lingeries, quando na verdade negociava com o exterior para conseguir oportunidades para sua rádio ilegal. Uma chefe quase sempre ausente, que surpreendeu Rose e Alice ao surgir ali, no Departamento de Polícia.
— Fui avisada do que aconteceu. Creio que já pode liberá-las, Malfoy e Potter — Brown passou uma das mãos pelos cabelos loiros impecáveis. — Elas precisam voltar ao trabalho.
— A loja foi fechada para a perícia verificar tudo. — Scorpius disse convicto.
— Ah, não foi não, bobinho — Lilá jogou um envelope na mesa. — Aqui está uma autorização assinada pelo superior desse Departamento de Polícia, alegando que como a loja não foi utilizada por mais de meia-hora para o esconderijo da Parkinson, e a arma e objetos utilizados no crime não poderiam ser alterados em tão pouco tempo, a minha loja está isenta de qualquer perícia. Se Pansy tivesse morrido, ou matado alguém lá, seria outra história — E desviando a atenção para Rose e Alice, ajeitou seu casaco sobre os ombros. — Vamos meninas. Suponho que tenham um dia cheio pela frente.
Rose levantou-se, enquanto Alice anotava rapidamente algo para Alvo, mandando um beijo no ar para ele antes de seguir sua chefe e amiga.
— Puta que pariu! — Scorpius conteve o xingamento, aguardando a saída das três. — A justiça desse país é uma merda. Aposto que se fosse dois pés de meia como nós, nunca conseguiríamos uma porra de autorização dessas. — Largou o envelope no canto, com repulsa.
Mas Alvo mal ouvia seu amigo. Em suas mãos, estava um pedaço de papel valiosíssimo.
— O número dela... — Ele deixou a cabeça cair sobre a mesa, entre os braços, suspirando.
Scorpius apenas revirou os olhos.
(...)
— Fico feliz que tenham ocultado ao máximo o estoque e o alçapão das vistas daqueles investigadores — Lilá comentou, enquanto Rose e Alice contavam a história completa. As três estavam na sala da Brown, no subsolo da loja de lingeries.
— Eu tomei a liberdade de fazer uma coisa a mais antes de encenar todo aquele draminha adolescente — Rose sorriu, e Alice a encarou confusa.
— Draminha? Você não estava em choque de verdade?
— Oh, claro que não Alice. Eu não fico em choque por coisas tão pequenas — Ela desprezou a questão da amiga com um abanar de mão. Voltou a encarar a chefe. — Aposto que vai gostar. Está guardada na minha sala uma cópia, para ser colocado no ar à noite.
— Mais um show da RW? — A Brown sorriu de modo aprovador, e Rose assentiu. — Se continuar assim, Rose, um dia vai assumir o comando dessa rádio.
E Rose não pôde deixar de sorrir agradecida, mais uma vez comemorando internamente sua série de pontos positivos.
— Puxa, você foi muito esperta — Alice demonstrou certa decepção, assim que saíram da sala da chefe. — Pensei que me contaria algo assim...
— Eu tinha planejado na hora, Alice. E você foi essencial cuidando do enxerido do meu primo e do arrogante Malfoy. Sem você, a rádio Marine já estaria sendo colocada em poder do governo à uma hora dessas.
Alice sorriu animada novamente, dando pulinhos de alegria.
— E o que acha que eles vão fazer quando descobrirem que a RW está novamente um passo à frente?
— Há! Eu adoraria ver isso — disse Rose, com um sorriso maroto.
(...)
E no nosso bloco especial de “OS HOMENS MERECEM MORRER” de hoje, temos uma convidada especial! É isso aí, minha gente. A assassina de maridos está aqui!
— MAS QUE DIABOS É ISSO? — Válter Dursley deu um berro, que ecoou por todo o prédio do Departamento de Polícia.
Alvo e Scorpius estavam prestes a sair do trabalho, quando foram arrastados de volta logo que as vozes de RW e Pansy Parkinson soaram por todo o prédio nas pequenas caixas de som.
“É uma honra estar aqui... Uma honra...”, a voz arrastada de Pansy soou.
“Mas me diga, Pansy. Como se sente agora? Como se sente sabendo que mesmo sendo presa, se livrou de um fardo enorme?”.
“Olha RW... Eu não sei explicar. É... É ótimo”, Pansy parecia chorar naquele momento. “Oh, obrigada. Obrigada. Como eu dizia, é... É ótimo. Eu o matei. Eu segui suas receitas, e ouço seus programas todos os dias. Recomendo a outras mulheres traídas, reprimidas ou que sejam apenas empregadas de seus maridos, que façam o mesmo... Eu... Espero... Ouvir o seu programa todos os dias...”.
Um baque foi ouvido, e a risada da RW ecoou pelos corredores.
Tivemos problemas técnicos. Aposto que o café da rádio tem um gosto ótimo. Recomendo café Pilão para vocês, donas de casa e mulheres traídas. E a vocês também, policiais tão sérios e comprometidos com o trabalho.
Mais uma risada irônica da mulher.
Este foi mais um “OS HOMENS MERECEM MORRER”, edição especial. Amanhã retorno em horário normal...
— QUERO SABER QUEM FOI! — Válter já estava no saguão, olhando para o teto, pela primeira vez não trazia uma maçã consigo. — QUERO SABER QUEM FOI FOI QUE COLOCOU ESSA PORCARIA PARA SER TRANSMITIDA NO MEU DEPARTAMENTO DE POLÍCIA! Potter e Malfoy, vocês vão percorrer todos os computadores daqui, e tentarem encontrar algum rastro da maldita RW. Ela esteve aqui, ou algumas capangas dela! Alguma mulher sádica colocou isso aqui.
— Mas chefe... Hoje é sexta-feira — Choramingou Alvo, fazendo uma careta entristecida.
— NÃO QUERO SABER, POTTER! FAÇA O SEU TRABALHO!
E durante quatro incansáveis horas a mais, Alvo e Scorpius “fizeram o trabalho deles”. Buscaram em cada computador de cada andar do Departamento de Polícia, qualquer sinal de hackeamento, ou download. Mas não havia nada. Quem quer que tenha entrado lá e colocado aquele programa de rádio no ar, justamente ali, tinha sido rápido, esperto, e bom o suficiente.
Alvo bocejou, olhando no visor do celular e vendo que eram onze da noite.
— Ahhhh que sono! Vamos embora. Todos já foram. Se não formos logo, corremos o risco de ficarmos presos por aqui — O moreno fez uma careta, desligando o computador à sua frente.
Scorpius fez o mesmo, espreguiçando-se na cadeira.
— Medo de mulheres assassinas aparecerem por aqui?
— O que você acha?
Ambos saíram do Departamento de Polícia deserto, com apenas três almas vivas de funcionários da limpeza vagando pelo prédio. Seguiram para a rua onde o Civic preto do Potter estava estacionado, e adentraram o veículo sem pestanejar.
(...)
Rose não tinha a mania de ler os bilhetes na geladeira deixados por sua mãe.
Chegou em casa às dez e meia, saindo mais tarde da rádio Marine com Alice por conta de uma festinha rápida de comemoração sobre o sucesso do programa “OS HOMENS MERECEM MORRER”. A Weasley tomara tantos goles de champagnhe, que não sabia como conseguira estacionar sua picape em frente à sua casa, sem amassar os jardins preciosos de sua mãe.
Depois de tomar um copo d’água e subir para o quarto, arrastando-se, notou que seus pais e seu irmão não estavam em casa. Lembrou-se do tal jantar que o sr.Weasley proporcionaria a família naquela noite, e assim que pegou no celular pela segunda vez naquele dia (a primeira fora logo às cinco da manhã, sendo despertada pelo seu maldito irmão), viu que haviam diversas chamadas perdidas de sua mãe.
Com tanta agitação e ocupações, esquecera-se de tirar o celular do silencioso.
Adentrou o banheiro com sua toalha e um pijama do Mickey, exausta. Ligou o chuveiro, e não ouviu o barulho da porta batendo no andar debaixo, tão bêbada e entretida em seu banho quanto estava.
Scorpius, por coincidência, também não tinha a mania de ler bilhetes em geladeira. Primeiro que considerava desnecessário, segundo que tinha preguiça, e terceiro que nunca lembrava. Talvez se tivesse lido, teria notado de antemão que não era apenas Hugo, Hermione e Rony que moravam naquela casa.
Pegou um copo d’água da geladeira, e subiu para o seu quarto, arrastando-se. Largou a maleta em cima da cama, e olhou com desânimo para as mochilas no chão do quarto, ainda esperando para serem desfeitas e as roupas guardadas no guarda-roupa.
Suspirou, preocupando-se apenas em pegar uma bermuda, assim saindo de seu quarto e rumando para o banheiro.
Naquele momento, Rose adentrava seu quarto no final do corredor, deixando o banheiro aos pulos, pois o choque térmico de água quente com o frio da casa quase a matara de hipotermia.
Scorpius adentrou o banheiro, fechando a porta, mas esquecendo-se de passar o trinco. Talvez fosse o costume de morar com sua noiva que o deixara assim, ou o fato de não haver ninguém em casa.
Estranhou o fato do banheiro estar molhado, com o espelho do armário embaçado. Alguém tomara banho ali recentemente?
Não se deteve muito ao fato, desejando cair na sua cama o mais rápido possível e hibernar.
Rose, em seu quarto, lembrou com frustração que esquecera de passar um creme no cabelo, e saiu do quarto, pronta para entrar no banheiro.
Scorpius desligou o chuveiro, e bufou ao lembrar que deixara a toalha no quarto.
Não se deteve ao fato de que estava exatamente como viera ao mundo. Afinal, não havia ninguém em casa.
E ao mesmo tempo em que puxava a maçaneta, Rose acabara de virá-la.
A porta foi aberta. Ambos se encararam. O choque estampado nos rostos, até a Weasley notar que o Malfoy não vestia nada.
E puff, a merda estava feita.
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