Os Homens Merecem Morrer

5 A maluca, o tarado e o guarda-roupa


Notas iniciais
Boa noite galera :D Como vão nesta noite de domingo após um calor infernal? Ao menos aqui em São Paulo tá ferrando. Mds. Agradeço a Chelly weasley potter, Kira, Carol e a Letícia RWM, que mandaram comentários maravilhosos no capítulo anterior :3 Quero agradecer também aos novos leitores que vem aparecendo, marcando a história como favorita ou acompanhando. Fico feliz que a OHMM esteja atraindo tanta gente! Este capítulo é um oferecimento de "As Crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa", pois como virão no título utilizei essa breve menção básica, mas blz. Espero que gostem do capítulo! Boa Leitura õ/

CAPÍTULO CINCO

A maluca, o tarado e o guarda-roupa

♠ ♠ ♠

— Não grita, Rose... Não grita...

— AHHHHHHHH! TARADO!

E a ruiva saiu correndo pelo corredor, rumando escada abaixo.

Scorpius permaneceu parado na porta do banheiro por um segundo, até que resolveu entrar em seu quarto de uma vez e pegar a toalha esquecida.

Maldita toalha!

Saiu do quarto. Só teve tempo de olhar para o corredor em direção às escadas, quando recebeu uma pancada na nuca, e caiu de cara no piso de madeira.

Atrás dele estava Rose, segurando uma frigideira teflon do Edu Guedes (muito útil para ela naquele momento), mantendo uma posição de ataque por alguns minutos, até conseguir suspirar aliviada.

— Era só um tarado — A Weasley pulou cuidadosamente o corpo estendido do loiro, quando se lembrou de um detalhe. — AHHHHHH! É O MALFOY! PUTA QUE O PARIU!

Afastou-se em um pulo, com a frigideira a frente do rosto, mas Scorpius permanecia desacordado. Suspirou novamente.

— Está tudo bem, Rose. Ele não sabe de nada. Você pode matá-lo se quiser. É. Quer dizer que nas horas vagas ele invade a casa de donzelas indefesas como eu? E ainda por cima toma banho e fica pelado na frente delas? Se bem que não tem como tomar banho de roupa. Mas no caso dele ele deveria usar roupas de inverno no banho, pra cobrir aquele... Aquele lá!

— Alguém anotou a placa? — Scorpius ergueu a cabeça, um olhar de besta quadrada na face.

Rose não hesitou em dar mais três pancadas na cara do Malfoy, com sua milagrosa frigideira. Em pensar que quase matara a mamãe por gastar dinheiro com as “frigideiras do Edu Guedes”. Se não fosse por aquela frigideira amigável e gentil, teria sido abusada à uma hora dessas. Ainda por cima pelo tarado Malfoy.

Respirou fundo, refletindo seriamente sobre o que fazer com aquele cara. Não daria tempo de enterrar no quintal, e ainda poderia colocar seus pais em risco.

Não, não poderiam jogar no forno, não tinha espaço para ele e o “amiguinho” dele. Poderia jogar da janela, mas os arbustos ficariam amassados e mamãe a mataria.

Então uma lâmpada iluminou a cabeça de Rose, e ela começou a arrastar o Malfoy até seu quarto, a cabeça dele batendo contra o chão, e uma vez batendo no pé da cama.

Abriu as portas do guarda-roupa.

— Você deveria fazer um regiminho sabia? — a ruiva começou a levantar o corpo do Malfoy do chão, e quase caiu com ele em cima dela. — Vamos... Vamos... Entra ai... — Começou a empurrá-lo violentamente para dentro do guarda-roupa, e em certo ponto conseguiu deixá-lo parado sem cair. Colocou os pés dele para dentro e fechou as portas. Pegou uma corda debaixo da sua cama (sim, ela tinha uma corda embaixo da cama) e amarrou as maçanetas das portas do guarda-roupa, em seguida colocando uma cadeira na frente para bloquear. Não satisfeita, prendeu um grampo de cabelo entre os nós das cordas. — Voilà. Perfeito! Ah, eu me orgulho do meu trabalho às vezes. Agora... Dormir! — E pulou na cama toda feliz, caindo no sono alguns minutos depois (a frigideira bem segura embaixo de sua cama).

(...)

Scorpius abriu os olhos. Ouvia os pássaros cantando, e sentia um forte cheiro de perfume da Natura. Logo notou que estava entre um monte de roupas... Femininas.

Algum tempo depois, percebeu que estava num lugar escuro, quente, e com apenas uma fresta de luz abaixo dele.

Estava num guarda-roupa. Forçou a porta, mas estava trancada. O desespero começou a consumi-lo. O pior de tudo é que estava apenas de toalha.

Então ouviu um barulho de porta se abrindo e o ruído de passos lentos. Então uma voz infantil feminina começava a cantarolar:

— Você quer brincar na neve? Um boneco quer fazer? Você podia me ouvir! A porta abrir! Eu quero só te veeer! Nós seremos amigas! De coração! Mas isso acabou também! Você quer brincar na neve? Se divertir com um boneco?

— Ei, Ei! Socorro! Me ajuda! — Scorpius forçava a porta e berrava.

Silêncio.

— Olaf? É você?

Scorpius fez uma careta.

— Não. Eu sou Scorpius.

— Ahhhhh. Você conhece o Olaf? Sabe brincar na neve? Você é um boneco de neve também?

O loiro fugiu das questões rapidamente.

— Você pode me tirar daqui?

— Daqui onde?

— Do guarda-roupa!

— Por que você está num guarda-roupa? Veio de Nárnia?

Scorpius começava a perder a paciência.

— Não, não vim de Nárnia. Fui preso aqui.

— Por quem?

— Pela doida da Rose.

— Rose? — a voz da menininha mudou para um tom animado. — Rose conhece bonecos de neve de Nárnia? ROSEEE!

E os barulhos de passos apressados, distanciando-se. A menininha com voz fofa e pura inocência saíra correndo.

Scorpius teve vontade de bater a cabeça na porta do guarda-roupa, mas se conteve a duras penas (até porque, estava com tantos hematomas na nuca e na cabeça que poderia acabar adquirindo um aneurisma cerebral).

Horas, séculos e dias haviam se passado. Estava entediado, com fome, cansado de tanto gritar e ninguém lhe ouvir. Mas na verdade haviam se passado apenas dez minutos desde que a menininha (sua única chance de esperança) fugira pela porta, saltitando pelo bosque.

Ele adoraria enforcar a Weasley naquele momento. Mas foi então que ouviu vozes próximas.

— Ah, você está brincando comigo, Lily! — uma voz feminina mais velha do que a garotinha e desconhecida para Scorpius soou aos seus ouvidos. — Se a Rose nos ver no quarto dela...

— Ela nem está em casa! Vem! Tem um boneco de neve da Nárnia no guarda-roupa! — a garotinha com quem Scorpius falara, parecia arrastar a mais velha consigo. — Boneco de neve?

E Scorpius, como um bom investigador, calmo e paciente, fez o que lhe veio à cabeça.

— ME TIREM DAQUI!

As vozes cessaram na mesma hora. Em seguida Scorpius ouviu o arrastar de uma cadeira e as portas balançaram por um segundo antes de serem abertas de chofre.

A figura de uma garotinha ruiva e uma jovem loira o fitaram. Logo, a menininha ruiva murmurou para a loira algo como “Ele não parece um boneco de neve, Dominique”.

A loira respirou fundo encarando Scorpius de modo avaliador.

— Se eu soubesse que Rose guardava bofes de toalha no guarda-roupa teria aberto mais cedo. Quem é você afinal?

O Malfoy saiu de sua “prisão”, bufando de raiva.

— Scorpius Malfoy. Eu moro aqui... Temporariamente — Acrescentou quando a tal Dominique arqueou uma das sobrancelhas. — A sra.Weasley me deixou ficar. Mas acho que a doida da Rose não sabia e pensou que eu fosse um tarado.

Dominique não conteve o riso, analisando-o de cima a baixo.

— Não imagino porque. Mas se fosse no meu caso — Ela se aproximou um pouco, reduzindo o tom de voz enquanto mexia nos cabelos loiros ondulados. — Você não ficaria dentro do guarda-roupa e sim dentro de outra coisa...

— Dentro de um globo de neve? — A pequena ruiva questionou franzindo o cenho.

Dominique voltou-se para a garotinha que segurava uma boneca loira.

— É, Lily. Globo de neve — Voltou-se para Scorpius. — Acho melhor você colocar uma roupa e descer para o café. Até mais Malfoy — E dando uma piscadela para ele, saiu do quarto com uma Lilian saltitante em seu encalço.

Scorpius se voltou para o guarda-roupa impecável de Rose. Prometendo que haveria volta, saiu do quarto batendo a porta.

(...)

— Ele está morando lá! — Rose exasperou-se, andando de um lado a outro pelo quarto de Alice. — Mamãe e papai me avisar hoje de manhã...

Alice esfregou os olhos, ainda deitada na cama.

— Rose, calma. Você deveria estar em casa aproveitando um dos cafés em família super-raros. Deixa eu dormir um pouquinho.

— Ele é um investigador, Alice! E como todo o Departamento de Polícia está atrás da RW — a ruiva mordeu os lábios. — Do jeito que é chato vai ficar cuidando da minha vida. Ou vai desconfiar de algo...

— Ou vai aproveitar a dor de corno — Alice murmurou, quase caindo no sono. — Francamente, Rose. Ele vai ficar curtindo a vida de solteiro. Não vai imaginar que a RW é você, e que mora na mesma casa que ele.

— O bom vai ser controlar os passos dele — refletiu Rose, parando de caminhar.

— Isso ai — disse Alice, cobrindo-se mais com o cobertor. — Agora você vai lá, força na peruca e arrasa no café. Enquanto isso eu divo nos meus sonhos com o Tom Cruise...

— Okay. Mas cuidado que o Tom Cruise come merda — Rose cantarolou, e Alice tapou os ouvidos. A ruiva riu. — Até depois, Alice.

Desceu até o hall de entrada.

— Ela ainda está dormindo? — Neville Longbottom surgiu com vários livros em mãos. Era terapeuta, tendo uma clínica na Zona Norte e outra no Anhembi. Era quase um milagre vê-lo em casa.

— Voltou a dormir agora — Rose conteve o olhar de indignação ou a frieza em suas palavras.

— Rose... — Ele tentou a reaproximação, mas a ruiva se esquivou.

— É Rosalie para você — A ruiva não conteve a frieza e o olhar de nojo. — Até logo,sr.Longbottom.

E saiu da casa, alcançando sua picape. Por um segundo permaneceu parada, pensando no que Alice havia sofrido no passado. No que ela, Rose, havia sofrido no passado, e em como as duas se uniram para ficarem mais fortes.

Os homens eram um caso perdido, em todos os efeitos. E em certo momento, enquanto dirigia de volta para sua casa, pensou se Hugo não estaria certo de fato.

Se Ronald Weasley não seria mais um caso perdido na face da Terra.

Notas finais
Muitas coisas ainda vão rolar por debaixo dessa ponte... E muitas risadas, claro! Este capítulo também foi um oferecimento do filme Enrolados: onde você aprende a golpear inimigos com frigideiras. Em breve, capítulo seis! ;) Agradeço a quem leu! Bejokas e fiquem com Deus!