Os Homens Merecem Morrer
22 Desastre, farsa e aviso
Notas iniciais
CAPÍTULO VINTE E UM
Desastre, farsa e aviso
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— O que você está fazendo aqui? — questionou Rose bruscamente, repentinamente conseguindo pronunciar algo.
Mason continuava o mesmo. Os cabelos castanhos caindo pela face, os olhos escuros carregados de frieza e a jaqueta preta típica que costumava usar.
— Achei que tivesse sentido minha falta — Ele se aproximou um passo, e Rose manteve a postura de calma, mesmo que o medo corroesse seu íntimo.
Era inevitável esquecer as memórias daquela noite, o modo como Mason corrompeu o lado emocional de Rose, e como jogou fora tudo que haviam passado.
E agora ele estava ali. Diante dela. O motivo pelo qual desistiu da faculdade e embarcou em um emprego que a tirou da depressão.
— Não. Na verdade gostaria que você tivesse desaparecido para sempre. Por que não me concedeu esta graça?
Ele tirou um maço de cigarros do bolso e acendeu um com o maldito isqueiro que Rose lhe dera de presente.
— Já está com aquele boyzinho? Não sabia que você era tão vadia. — Mason chegou mais perto.
Rose trincou os dentes na intenção de conter o grito que desejava escapar de sua garganta.
— Isso não é da sua conta — Ela murmurou em resposta.
Mason expirou a fumaça do cigarro. Rose bloqueou as lembranças.
— Você ainda é minha, ruivinha. Vamos você sente minha falta. Quando vendíamos aqueles pacotes para o pessoal da escola e ganhávamos tanto dinheiro... E quando te ensinei a dirigir e a atirar — Ele afastou uma mecha ruiva que caía pelo rosto de Rose. — Vivíamos perigosamente. Você tinha talento. Eu fiz você viver de verdade.
— E depois me lançou no fundo do poço — Rose permitiu que as mãos de Mason chegassem à sua cintura. — Me perdoa, gata. Eu tive que cair fora. Fiz por nós, para nos proteger.
Rose fechou aos olhos por breves segundos, sentindo o perfume dele e a sensação de tê-lo perto. No entanto, quando Mason enfim lhe beijou a ruiva levou uma das mãos aos cabelos dele, enquanto a outra trazia de dentro da bolsa um canivete.
Com um movimento ágil, ela fincou a lâmina contra as costas dele. Uma... Duas... Três vezes.
Mason soltou um urro de dor, o sangue manchando sua camiseta branca pouco a pouco. Rose tapou a boca de Mason com sua mão, sorrindo perversamente.
— Eu não sou sua gata. E não pertenço mais a você. — Ela tapou as vias respiratórias dele utilizando uma folha de papel toalha molhada com álcool, que graças aos céus possuía em sua bolsa.
Ele mal teve tempo de se debater e já estava desacordado, em frangalhos. Rose sujou as mãos com o sangue de Mason e respirou fundo antes de fazer um corte horizonal em seu braço.
Gritou de dor, tapando a própria boca em seguida com um papel toalha, antes de fazer mais um corte, desta vez mais acima do antebraço. Arrancou uns fios de cabelo seu e largou pelo banheiro.
Deu mais uma olhada em Mason, contendo-se para não matá-lo. A morte seria muito pouco para ele.
(...)
Scorpius se encontrava impaciente esperando por Rose, preocupado e ao mesmo tempo irritado ao imaginar que ela fora embora de alguma maneira e o deixara plantado ali.
Então exclamações foram ouvidas e Rose surgiu, ensanguentada e com cortes nos braços, chorando e tremendo.
O loiro se levantou rapidamente e a alcançou, mantendo-a segura.
— Mason... Ele... — Ela sussurrou esganiçada, abraçando Scorpius com força. — Ele estava... No banheiro... Ele tentou me...
Ela não terminou a frase e perdeu a consciência nos braços de Scorpius.
— Rose! — Ele a segurou, tentando despertá-la, no entanto ela permaneceu inerte.
As pessoas foram ligando para uma ambulância e entrando no banheiro feminino, encontrando Mason esfaqueado.
Scorpius pegou Rose no colo e saiu do local, colocando-a no banco traseiro da picape e entrando no veículo rapidamente, dirigindo para longe.
(...)
Quatro da manhã, Scorpius caminhava de um lado a outro pelo corredor do hospital. Quinze minutos depois, uma médica o chamou para ver Rose.
Ele entrou na ala onde ela estava, e sentiu um alívio ao ver a ruiva acordada.
— Rose! — Scorpius a abraçou. Ela retribuiu o gesto um tanto surpresa.
— Estou bem. Não precisa se incomodar. — disse ela, desviando o olhar.
O loiro se afastou.
— O que houve?
— Mason entrou no banheiro. Tentou abusar de mim, me convencer a voltar com ele. Eu não quis. Ele tentou me atingir com aquele canivete. Eu o tirei dele e me defendi. Foi isso que aconteceu.
— O esfaqueou pelas costas — completou Scorpius lentamente. Ele a fitou nos olhos, e reconheceu uma frieza inexplicável. — Rose — Ele se sentou na cama, sua mente formulando algo indesejável. — Seus meios de defesa são questionáveis. Você sabe, não sabe?
A ruiva assentiu lentamente, demorando seus olhos azuis no loiro.
— E você sabe que a DP ainda se lembra da Pansy, não sabe?
Rose tornou a assentir. Scorpius suspirou.
— Rose, a Pansy continua em coma e o Mason pode morrer com aquelas facadas. Pansy quase morreu antes. Você rachou o crânio dela com um extintor. São casos de quase mortes com suspeitos, feitos por você. Então sabe que se fizer mais alguma defesa que leve a uma morte ou quase morte, a DP vai passar a desconfiar de você, não sabe?
Rose continuou encarando-o.
— Só por que eu me defendo bem vocês estão me ameaçando? Vão me acusar de histeria agora? Me tachar como louca porque faço o que tem que ser feito? O que a justiça não faz?
— Não Rose. É só porque você não hesitaria em matar qualquer um. Isso foi só um aviso. De amigo, para amigo. — E dizendo isso, ele saiu do quarto, permitindo que Rose deixasse a fúria queimar em seu íntimo.
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