Os Homens Merecem Morrer
23 Festa, perseguidas e de volta ao banheiro
Notas iniciais
CAPÍTULO VINTE E DOIS
Festa, perseguidas e de volta ao banheiro
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— Decidi que você vai à minha festa — James Potter anunciou a Scorpius na sala de estar dos Weasley.
Três semanas haviam se passado desde que Mason foi internado após atacar Rose, e Scorpius não falara com ela desde então. De alguma maneira, assim como os pais dela, sentia que aquela casa estava mais vazia sem a presença da ruiva.
— Festa de quê?
— É o aniversário dele — explicou Alvo, entediado, mudando os canais da televisão aleatoriamente. — No sábado.
Scorpius afrouxou sua gravata, largando-se no sofá.
— Não estou muito a fim de ir — Ele pegou o celular.
— Ah, claro que está! — exclamou James, alegremente. — Vai as melhores gatas da minha faculdade e do meu serviço! Se você não for, vai perder um verdadeiro espetáculo! Até deixo você participar querido irmão virgem que está na seca...
— Eu não sou virgem e não estou na seca — resmungou Alvo, embora não desse mais detalhes.
James se fez de descrente, logo se voltando para Scorpius novamente.
— Falta você então, meu amigo. Hora de sair da fase cornesca e partir para um recomeço de verdade!
O loiro estava com o celular na mão, pronto para ligar para Rose — verificar se ela estava bem —, mas deixou de lado.
— Certo. Eu vou.
— AE MOLEQUE! — James largou-se no sofá ao lado do loiro, jogando Alvo para o lado. — Não vai se arrepender cara.
E começou a tagarelar continuamente sobre os atrativos, enquanto Scorpius pensava na possibilidade remota de Rose aparecer por lá.
(...)
Rose olhou o celular antes de trocar os curativos dos ferimentos em seus braços. Fez uma careta. A justiça brasileira era tão desnecessária que para manter Mason preso era necessário inventar uma história de violência física repentina e cruel para que desse algum resultado.
Fitou-se no espelho do banheiro, observando as cicatrizes das feridas. O que se tornara? Uma mentirosa vingativa? Uma pessoa cruel?
Estava com raiva dos pais por suas atitudes insensatas e estava com raiva de sua chefe por ser tão hipócrita. E acima de tudo, estava com raiva de Alice por se entregar a Alvo tão facilmente correndo o risco de ser pega e demitida, sem contar na raiva que estava sentindo pelo “aviso” de Scorpius três semanas antes.
— Você ainda está com raiva de mim?
Alice se encontrava parada à porta do banheiro com uma expressão de profundo arrependimento.
Rose não havia falado com ela desde o dia em que a pegou com Alvo. Ela ia para a rádio sozinha e voltava mais solitária, permanecendo dentro de sua picape à noite e entrando na casa dos Longbottom apenas por necessidades básicas.
— Você se lembra do que seu pai fez com a sua mãe? — questionou Rose, com azedume, ajeitando os cabelos diante do espelho. Alice baixou os olhos, entristecida. — Como o pegamos entre as pernas de uma vadia de esquina há cinco anos porque sua mãe estava com problemas no trabalho e não dava mais sexo ao seu pai? E como você chorou quando sua mãe foi embora sabe-se lá para onde e te deixou aqui? Você odeia seu pai por isso. Eu odeio Mason e agora odeio meu pai. Nós duas decidimos permanecer focadas em nossos objetivos e não entregarmos nossa vida aos homens. Você fez sua escolha e eu fiz a minha. Simples.
— Alvo não é ruim! Ele é bom para mim, Rose!
— Claro. Todos os homens são bons para nós enquanto oferecemos algo a eles. Comida, sexo, dinheiro, risos e diversão. Mas quando você chegar nas suas piores fases emocionais, os homens estão longe. Muito longe.
Alice se calou. Rose suspirou, exaurida, apoiando-se na pia do banheiro.
— Temos uma missão hoje para a Agente Heart. Por isso não vou estender esta discussão com você — a ruiva parou ao lado de Alice. — Mas se eu não for para Nova York por sua causa, vou arruinar você.
(...)
James havia caprichado consideravelmente em sua festa no quesito “bebidas”. Aparentemente seu apartamento foi preparado para um efeito dominó: beber, vomitar, transar e beber novamente.
Quando Scorpius chegou com Alvo às nove da noite, aparentemente a agitação já rumava para um ápice catastrófico.
— Uhu! Meus queridos amiguinhos! — gritou James, trazendo uma garota em cada braço e uma garrafa de cerveja em uma das mãos. — Tem uma mesa com umas coisas legais e uma do lado cons brinquedinhos — Ele deu uma piscadela, rindo em seguida. — Todas as garotas daqui são solteiras então... Mãos à obra meus queridos! — As meninas riram bobamente em seus braços. — Vamos meninas! Eu vou ser o médico hoje de um importante hospital! Quem quer ser minha enfermeira chefe?
— Eu, James! — ambas gritaram, enquanto ele as levava para longe entre as diversas pessoas ali.
— Lá vai ele — Alvo suspirou, colocando as mãos nos bolsos. Olhou ao redor. — Não sei qual a graça de beber, beber e beber. Esse povo nem vai lembrar como se transar daqui duas horas.
A música alta preenche o ar, e as conversas e risos se misturam à atmosfera alegre da festa. Scorpius observava os arredores, encostado em um canto. Alvo serviu-se de uma vodca.
— Você deveria ter visto a festa do James ano passado. Ele contratou umas stripers e comprou barris com cerveja. Meus pais quase o mataram. — meneou a cabeça negativamente, tomando sua vodca, finalmente percebendo que Scorpius não prestava atenção ao que dizia. — Ei cara! — Ele balançou a mão diante dos olhos do loiro, que piscou. — Tudo bem?
Scorpius bufou, servindo-se de uma bebida avermelhada na mesa e tomando alguns goles.
— Não é nada.
Alvo continuou encarando o amigo.
— Posso perguntar uma coisa básica? — como resposta, Scorpius deu de ombros, e Alvo prosseguiu. — Você e a Rose são amigos ou algo assim?
— Não sei.
— Por que... Bom... Você dirigiu a picape dela uma vez...
— Foi mais que uma vez — corrigiu Scorpius, e Alvo piscou surpreso. — Ela estava bêbada!
— Mesmo assim! Não há relatos ou indícios que comprovem que qualquer ser vivo além dela tivesse dirigido aquela picape! É como um bebê para ela, só que tendo uma mãe mais maluca e estressada...
O moreno continuou tagarelando sobre os defeitos de Rose, e naquele momento Scorpius a reconheceu entre as pessoas, infiltrando-se sutilmente, trajando um vestido preto e coturnos de couro marrom com salto, acompanhados de uma meia calça preta. Seus cabelos ruivos estavam soltos e enrolados, e uma maquiagem suave preenchia seu rosto.
Talvez fosse a bebida, mas Scorpius não tirou os olhos dela nem mesmo quando ela sumiu de vista.
— ... E Rose roubou todos os meus carrinhos quando eu tinha cinco anos! — completou Alvo, encerrando seu discurso, terminando o copo com vodca e o enchendo novamente. Ele observou Scorpius, que permaneceu rígido naquele canto, com a mesma expressão em direção a onde Rose passara. — Ei! Cara! Festa do James chamando Scorpius!
Ele tornou a piscar, atordoado.
— Que foi?
— Você estava com uma cara de bobo alegre.
— Rose está aqui...
— Ah, isso é novidade! Ela quase nunca vem às festas do James. Da última vez foi tipo... Há uns seis anos. — Alvo deu de ombros, desinteressado.
Do outro lado da sala, Rose já tirava o celular do bolso. Alice surgiu atrás de si, cutucando-a repentinamente.
— Scorpius está parecendo um gavião desde que te viu. — comentou casualmente, mas a ruiva não lhe deu atenção. — Você poderia ao menos falar comigo.
— A música está alta! Não estou te ouvindo! — gritou Rose, revirando os olhos em seguida.
Alice puxou a amiga com brutalidade pelo braço, fazendo-a parar.
— O que você quis dizer com me arruinar?
A música não parecia tão alta naquele momento, e Rose bufou, desviando o olhar.
— Eu falei por falar, okay?
— Você nunca fala por falar! Vai fazer o quê? Contar para a Lilá o que eu fiz? Me desculpa por me apaixonar por um cara legal comigo! Aparentemente você não entende o que é isso, já que jogou o Mason na prisão injustamente!
Rose semicerrou os olhos, observando a reação de Alice. Ela corou bravamente, antes de desviar o olhar e colocar uma mecha escura atrás da orelha. Sinais de claro nervosismo e talvez arrependimento momentâneo.
Mas as palavras já haviam sido ditas.
— Injustamente? Sério?
— Eu não falei por...
— Vamos atrás do amigo do James — cortou Rose, olhando no celular apenas para disfarçar. — Tirar as fotos e vamos embora. Já estou cansada de você.
E saiu à frente, deixando uma Alice entristecida e surpresa para trás. Perguntava-se o que estava deixando Rose tão diferente do que era. Talvez fosse o acúmulo de fatos sem sentido para tumultuá-la, ou talvez a ruiva estivesse apenas fingindo que não se importava.
Elas seguiram por um corredor que levava aos quartos. Foram abrindo as portas lentamente, alguns quartos vazios por sorte, outros com casais embrenhados e bêbados demais para sequer acharem uma camisinha.
Abriram uma das portas, e encontraram James com duas garotas risonhas — em uma situação extremamente desagradável.
— Vamos aplicar a injeção querida enfermeira doente!
— Ohhhh Jamie! Acho que é febre amarela! — a garota levou o dedo aos lábios, sem provavelmente ter qualquer noção do que era febre amarela e que ela não se localizava na vagina.
Mas Rose não estava disposta a estragar uma fantasia sexual naquele momento, e apenas fingiu vomitar ao lado de Alice, que conteve o riso. Ambas fecharam a porta silenciosamente, afastando-se dali.
Recorreram ao banheiro, onde ouviram ruídos estranhos. Se entreolharam.
— Eu abro e você fotografa. Não podemos mostrar o rosto — Rose sussurrou, entregando o celular para Alice, que meneou a cabeça positivamente.
A ruiva entreabriu a porta, e fez sinal para que a outra batesse as fotos agilmente. Três cliques sequenciais, e a garota fechou a porta e a trancou, os ruídos continuando cada vez mais altos.
— Ah meu Deus! — Alice levou uma das mãos à boca, mostrando as fotos para Rose, que arregalou os olhos, perplexa.
— Esse tal de Logan estava traindo a namorada com o Sebastian? AH CÉUS! — Rose exaltou-se, dando risada em seguida.
— Vamos agora mandar para a querida Agente Heart com as melhores condolências — Alice passou a digitar no celular da ruiva, que não se incomodou de fato naquele momento.
A porta do banheiro foi aberta de chofre, e Alice e Rose se entreolharam, arregalando os olhos.
— Aposto que a Christine contratou aquela tal de Agente Heart para me pegar! Aquela vaca! — Sebastian surgiu com um taco de beisebol, sendo contido por Logan.
— Calma! Talvez nem seja isso!
— Eu vou atrás dessas vagabundas! Ainda devem estar por aqui! Vou pegar o celular de todo mundo dessa maldita festa!
Silenciosamente antes que Sebastian voltasse seu olhar para o corredor, Rose abriu a porta de um dos quartos e puxou Alice para dentro, fechando a porta. Ouviu os passos apressados no corredor, e encarou a amiga com os olhos arregalados.
— Uma delas estava de preto! Eu vi caramba! — Logan berrou sua voz parecendo bem afeminada por sinal.
— Porra! Porra! Porra! — Rose xingou baixinho, se desesperando logo que a maçaneta da porta foi virada. Segurou-a.
— ELAS ESTÃO AQUI! SEBASTIAN!
Alice se escondeu atrás da porta, tapando a boca com as mãos. Rose soltou a maçaneta da porta.
Logan entrou de chofre, a boca escancarando-se de horror ao fitar Rose.
— Oi!
— O que...
Antes que ele completasse a frase, Alice bateu com um abajur na cabeça dele, utilizando toda a força que aparentemente possuía. Logan caiu no chão desacordado.
— Oh my god! E agora? — A morena questionou, com o abajur ainda na mão, horrorizada com o que fizera.
— Parabéns! Se continuar assim pode entrar em um time de beisebol para vacas iludidas.
— Ei! Pare de ser tão cruel.
— Impossível — Rose deu uma piscadela, rindo em seguida. Alice não conseguiu saber se aquilo era sério ou se a ruiva estava apenas brincando com ela. Preferiu ficar com a segunda hipótese.
— Não vai me perdoar mesmo?
Mas ambas pararam de falar assim que Sebastian surgiu, e as encarou ofegante e com o taco de beisebol ainda em mãos.
— Você! Me dá seu celular! — Ele ordenou a Rose, que fitou Alice.
— Porquê?
— Não faz perguntas, idiota! Me dá o celular!
— Pelo amor de Deus, você está tão bêbado que não se lembra de mim, Sebastian? Sou eu, a Rose, prima do James!
— Não interessa, porra! Apenas me dá seu...
Ele não teve tempo de terminar e o spray de pimenta atingiu seus olhos em cheio. Sebastian cambaleou para trás, mas Rose foi rápida em pegar o taco de beisebol que ele deixara cair no chão e golpeá-lo no rosto com apenas uma tacada. E bingo!
Alice ajudou a amiga a arrastar o moreno para dentro do quarto, ambas indo devagar por conta dos (malditos!) saltos altos. Conseguiram deixar Sebastian e Logan lado a lado no quarto, no chão, e trancaram a porta.
Certamente após tantas bebidas eles mal se lembrariam do próprio nome no dia seguinte. Ao menos era o que elas esperavam.
Ambas se entreolharam uma última vez, após saírem do corredor para a sala de estar.
— Dispersar! — concluíram, separando-se.
Rose seguiu até o canto da festa, onde havia as garrafas com bebidas. Ficou atenta à movimentação, esperando que Sebastian houvesse acionado alguém para revistar as garotas, mas em uma festa como aquela ninguém estava muito interessado em RW ou Agente Heart.
— Ei.
A ruiva se virou rapidamente, dando de cara com Scorpius. Suspirou mais aliviada, controlando a tremedeira repentina.
— Tudo bem? — ele a questionou, sorrindo um pouco.
— Ah... Sim! Eu estava desviando de uns caras que estavam no corredor. Acho que estavam revistando garotas com vestido preto ou algo assim — Ela fez pouco caso da situação, dando uma risada. Scorpius continuou fitando-a.
— E você é sempre a sortuda da vez...
— Não me olhe com essa cara. Meu charme atrai as encrencas. Não tenho culpa de nada. — brincou, bebendo um drinque qualquer da mesa.
— Não só encrencas eu acho — Scorpius ironizou, mas se aproximou consideravelmente.
Rose sentiu o cheiro de bebida, e o afastou com a mão.
— Tenho que ir.
— Por que?
— Porque sim! Muito barulho. Você está bêbado.
— Não estou bêbado — Scorpius resmungou. — Estou apenas aproveitando.
— Você está carente.
— Não estou carente.
— Sim, está — rebateu Rose, terminando seu drinque calmamente. — Não somos amigos, Scorpius. E não quero ficar com você.
O loiro se afastou um tanto ofendido e triste. É claro que estava ao menos “alto” por conta dos drinques.
— Não somos amigos? Eu já te vi chorando, dirigi sua picape, sei sobre a traição do seu pai e estive lá com você! Já brigamos, e tudo! Sério, se não somos amigos...
Rose viu de soslaio dois seguranças entrarem no apartamento, e começarem a revistar uma garota bêbada de preto.
Oh céus!
— Decisão de última hora! Somos amigos! E como bons amiguinhos, vamos dar o fora!
— O quê? Por quê?
— Não faz perguntas. Toma mais uma garrafa de uísque e vamos para o banheiro — Rose puxou Scorpius com ela.
Então os seguranças carrancudos a notaram de longe e começaram a caminhar em sua direção rapidamente.
Oh merda!
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