Os Herdeiros do destino - EM CORREÇÃO
41 Capítulo 40
Notas iniciais
Capítulo 40
Narrador
“Quando percebo meus erros,
Depois que todos tentaram me avisar sobre eles,
O meu orgulho é ferido e a humilhação se torna tão grande que é difícil perdoar a mim mesmo.”
Kizashi estava sentado em frente ao delegado, seus baços estavam apoiados na mesa que os separava e seu coração estava tão apertado que ele não sabia por que ainda não havia parado de bater.
Eles quase mataram sua esposa.
Eles sequestraram sua filha.
Por que isso estava acontecendo só com ele?
Por que só com a sua menina?
Por que só com a sua mulher?
— Vai ficar tudo bem, Kizashi. — Ele sentiu a mão pequena e quente de Mikoto apoiar em seu ombro esquerdo e apertar levemente.
— Nós estamos aqui por você — Kushina apoiou a mão no outro ombro e também apertou levemente.
Ele não sabia como agradecer aos amigos por estarem sempre ao lado dele. Olhou por sobre o ombro e viu Hiashi, Minato, Fugaku e Itachi de pé atrás de si. Voltou os olhos para o delegado e questionou.
— Nenhum sinal dela, senhor?
O homem de cabelos brancos e semblante sério respondeu.
— Estou esperando que terminem de avaliar as CCTVs (câmeras). Só assim saberemos para onde o sequestrador a levou.
Kizashi segurou o choro novamente. Não podia mais se permitir derramar uma única lágrima! Ele tinha que encontrar a sua filha!
No momento em que ele pensou isso, a porta se abriu e três policiais entraram, um estava na frente e parecia o líder da operação, os outros dois estavam atrás. Um segurava um homem e outro uma mulher.
— Quem são? — Questionou o delegado.
— São os sequestradores da menina Haruno, ela foi encontrada e está sendo tratada no Hospital Geral de Konoha.
Kizashi ficou congelado no lugar, os olhos presos nas duas pessoas a sua frente e o fato de que sua filha foi encontrada e estava no hospital.
Por causa deles.
Como se estivesse prevendo o que aconteceria, Minato e Hiashi postaram-se em frente aos criminosos ao mesmo tempo em que Kizashi se erguia de sua cadeira e Fugaku o agarrasse por trás, impedindo que ele pulasse em cima daquele que lhe causaram tanta dor.
— Me soltem! — gritou a plenos pulmões, ignorando o delegado, que pedia que ele se acalmasse. — Eles fizeram mal a minha menina! Eu vou mata-los!
O delegado pôs-se a sua frente o olhou nos olhos.
— Entendo sua raiva, senhor Haruno, mas peço que se acalme ou terei que pedir que saia da sala.
Kizashi respirava pesadamente e encarava os dois com ódio. O homem olhava pro chão e a mulher o olhava nos olhos. Ela não tinha nenhuma expressão.
— Tudo bem. — Respondeu e voltou a se sentar. — Só não os deixe perto de mim, ou juro por Deus que não conseguirei me segurar.
O delegado assentiu e deu a volta na mesa, voltando a se sentar.
Fugaku ficou atrás de Kizashi, assim como Minato ficou a sua direita e Hiashi à esquerda.
— Como vocês a encontraram? — Perguntou Hiashi, olhando para o líder da operação.
— Bem... — O homem olhou envolta, claramente constrangido. — Não fomos nós que a encontramos.
— Como assim? — Minato se intrometeu, por alguma razão estava tendo um mau pressentimento.
— Foi um grupo de jovens entre 19 e 20 anos.
Fugaku respirou fundo.
— Você sabe seus nomes?
O homem olhou para o Uchiha e respondeu.
— Só sei do nome de quem me ligou e dos que estavam na casa. — Ele voltou os olhos para Minato, era claro que ele sabia que eram seus filhos. — Sabaku No Gaara ligou, Hyuuga Neji e Uchiha Sasuke retiraram a menina do local, Nara Shikamaru e Uzumaki Naruto confrontaram os criminosos e os seguraram até que chegássemos.
Mikoto e Kushina cambalearam para trás, estavam no canto da sala e agradeceram por estarem próximas a parede. Apoiaram-se nela e trocaram um olhar assustado.
Hiashi apertou o punho e negou com a cabeça, seu sobrinho, quase um filho, havia se metido em algo desse nível...
Fugaku arregalou os olhos e olhou para Itachi, seu sangue correndo gelado pelas veias. Seu filho mais novo sempre teve uma personalidade extremamente forte (como a do pai) e isso o fez sempre ser muito rígido com ele, mas agora... Agora se arrependia de não ter proibido o garoto de participar daquelas corridas idiotas. O moleque estava começando a adorar o perigo!
Minato suspirou e apoiou a cabeça na mão.
— Eu vou matar o Naruto. — Resmungou e agradeceu a Deus pelo filho estar bem.
— Preciso que saiam da sala para que eles deem o depoimento. — O delegado informou, sabendo que o clima na sala estava terrivelmente tenso.
— Não...
Todas as cabeças chicotearam em direção a mulher, que havia falado.
— Quero que eles escutem.
O delegado a olhou.
— Tem certeza?
— Meus pais gostariam disso.
Ele olhou para Kizashi.
— Preciso que o senhor se levante para que ela sente. — Enquanto o homem fazia isso, ele olhou para os policiais. — Tragam-na primeiro.
Rin caminhou pela sala e se sentou, sua beleza não passou despercebida por ninguém e Kushina se perguntava quem era aquela garota e por que uma mulher tão jovem e linda como ela estava fazendo isso.
— Seu nome e idade?
— Sou Nohara Rin e tenho 30 anos.
O ar na sala mudou, todos olharam assustados para a mulher e então tudo fez sentido. Os Nohara...
— Comece a dizer o que realmente aconteceu.
Ele olhou para as próprias mãos e disse, em voz baixa.
— Meus pais trabalhavam para eles, eram advogados da gravadora que haviam ajudado a construir, houve um roubo em uma das filias que existe no Japão e os nomes dos meus pais foram usados pra roubar o dinheiro da empresa.Eles foram presos e morreram em um acidente antes do julgamento. — Ela ergueu os olhos e olhou diretamente para Kushina e Mikoto. — Elas eram amigas da minha mãe e não fizeram nada pra protege-la. — Ela desviou os olhos para o lado das duas mulhers e encarou Minato, Fugaku, Hiashi e Kizashi. — Eles eram amigos do meu pai e não tentaram protege-lo.
Ela voltou a olhar para o delegado, sua expressão já não era de ódio, como a menos de uma hora atrás, agora ela só estava... Cansada.
— Eu fiqui sozinha, tinha apenas 15 anos, minha avó cuidou de mim até que eu completei 18 e ela me abandonou. Eu andava nas ruas e as pessoas me olhavam com raiva e nojo, eu ia ao mercado e ninguém queria me vender nada... Eu os culpava, tinha ódio deles por terem abandonado meus pais e por que meus pais morreram por causa da gravadora idiota deles. Foi então que tomei minha primeira atitude.
Ela mudou os olhos para Hiashi.
— E usei um pouco do dinheiro que pude pegar da minha avó, quando tinha 17 anos, e usei para contartar um cara. Ele foi até a escola da sua filha mais velha e cortou os freios do carro da sua esposa.
O mundo de Hiashi parou, sua respiração falhou e ele sentiu um peso grande e insuportável no peito, depois de alguns momentos ele entendeu que era dor. Uma dor tão forte e aguda que o impedia de respirar direito. Seus olhos se encheram de lágrimas e sua mente de remorso. Então era isso... Era isso que Hinata sempre escondeu. Ela queria me proteger. Ela sabia que era minha culpa e quis me proteger. E como resposta eu a culpi e abandonei.
— Eu mandei que a matassem. — Os olhos de Rin encheram de lágrimas quando viu a dor expresssa no rosto do homem que jurou odiar por toda a vida, o homem que havia dito na frente de seu pai que ele não era amigo de um ladrão. Mas por alguma razão... Enquanto via aqueles olhos perolas cheios de tristeza, ela não sentiu o prazer que achou que sentiria. — Parece que Naruto estava certo, afinal. — Ela continuou, fazendo todos a olharem, menos Hiashi. — Meus pais teriam vergonha de mim.
O Hyuuga caiu de joelhos no chão, agarrando a camisa bem acima do peito. Mikoto e Kushina se abaixaram ao seu lado, lágrimas escorriam por seus belos rostos, elas o abraçaram e confortaram.
Rin olhou para Fugaku.
— Eu paguei a sua secretária para que ela o seduzisse e fizesse com que Mikoto visse, queria que vocês se separassem e se autodestruíssem. Mas parece que esse não deu certo, não é? — Ela deu um sorrisinho e voltou seus olhos para Kizashi. — Eu estava dirigindo aquele carro que atropelou Mebuki e eu mandei Obito sequestrar a sua filha. Eu a torturei.
Kizashi rangeu os dentes, tinha vontade de atacar todos eles.
— Estou assumindo aqui todos os meus crimes e peço para ser presa imediatamente, porém quero afirmar que todos eles foram comandados por mim, o único que Obito participou foi o sequestro da menina.
O delegado assentiu e olhou para os policiais.
— Levem-nos para a cela.
E eles o fizeram. A sala ficou em silêncio, a não ser pelo som baixo do choro de Hiashi e das fungadas de Mikoto e Kushina.
Foi nesse momento que um toque de celular soou alto. Hiashi pegou o aparelho do bolso e enxugou os olhos com as costas da mão, vendo o nome na tela.
Hanabi filha
Ele respirou fundo e aceitou a ligação, mas não precisou nem mesmo falar. Assim que ele botou o telefone no ouvido, sua filha já gritava.
— Pai! Vai agora pro Hospital Geral de Konoha! A Hinata está sendo levada para lá!
Foi nesse momento que ele percebeu que a vida estava lhe dando o castigo que ele merecia por todos esses anos de negligência, egoísmo e falta de empatia.
E sua primogênita estava sofrendo com isso.
Mais uma vez.
***
Hiashi Hyuuga era conhecido por ser um homem forte, decidido e muito bonito. Quando Hanabi ergueu os olhos do peito de Konohamaru e viu seu pai entrando naquela sala, ela percebeu que ele não se parecia com nada daquilo.
Ele parecia muitos anos mais velhos do que sua idade, seus olhos estavam vermelhos e sua aparência, sempre alinhada, estava uma bagunça: roupas amassadas e cabelos embaraçados.
— Onde ela está? — Perguntou, e a menina percebeu que suas mãos tremiam. Por um momento, bem lá no fundo, ela se sentiu feliz por ver que ele amava sua irmã. Mas então a descoberta que havia acabado de saber deu um tapa nesse sentimento e a fez se erguer com mágoa no olhar e no coração.
Ela se sentia traída.
— Por que você nunca contou que não a acharam?
Hiaahi a olhou confuso.
— Do que você está falando Hanabi? Onde está a sua irmã? O que aconteceu com ela?
Hanabi soltou uma risada debochada.
— Agora... Agora você se preocupa com ela? Minha irmã sofreu durante anos na mão da vagabundo que você enfiou na nossa casa e por causa do seu egoísmo! Porque você não contou que nunca acharam o corpo da mamãe!
Hiashi arregalou os olhos com o grito da filha e o desabafo.
— Como...? Por que você... Por que quer saber disso?
— Porque... Papai... — Ele se virou quando ouviu a voz rouca atrás de si e quando viu Hinata, a sua única vontade era de correr até ela e abraça-la. Seu rosto branco estava coberto de fuligem, sua roupa estava enegrecida e chamuscada, com alguns buraquinhos no tecido da saia do vestido que ela havia usado na festa das empresas. Mas ele parou no meio do ato quando ela continuou. — Porque, por sua causa, nós perdemos 12 anos ao lado da nossa mãe.
Ele deu um passo para trás.
— O que... O que você quer dizer com isso, Hinata?
Ela deu um passo à frente, e então outro e outro, até que ela ficou de frente pra ele e disse, olhando nos seus olhos, pérolas contra pérolas.
— Eu quero dizer, papai, que por você não ter procurado a mamãe durante todos esses anos, sabendo que o corpo dela não foi encontrado e que havia uma chance dela estar viva, você nos roubou 12 anos ao lado dela. E nos negligenciou 12 anos ao seu lado.
Os olhos dela se encheram de lágrimas. Hiashi agarrou os ombros da filha.
— Eu não entendo Hinata! Sua... Su-sua mãe... Ela...
Mas antes que ele terminasse, ela retirou suas mãos dos ombros e secou suas lágrimas.
— Nuna mais... Nunca mais diga isso! — Ela espetou um dedo no peito do pai. — Você botou na nossa casa a mulher que destruiu nossa família! Ela não morreu, papai. — E então ela gritou. — Ela não morreu!
Hiashi só a encarava, sem reação. Por isso, a morena continuou.
— Yumi a sequestrou naquela noite, eles a encontraram e a levaram. Ela matou o parceiro e prendeu a mamãe em cativeiro... Ela a drogou durante todo esse tempo, depois ela a deixou enlouquecer de abstinência.
Hinata observou os olhos do pai, ela não queria continuar a falar. Ela viu uma dor tão profunda que parecia física, ela o viu chorando pela primeira vez na sua vida. Mas ela não conseguia parar. Ela precisava falar pra ele tudo o que aconteceu por causa do egoísmo dele. Mesmo que no fundo ela soubesse que ele não tinha culpa, que ele amava sua mãe mais que tudo e que aquilo era doloroso para ele. Ela tinha que fazer ele sofrer como ela sofreu, como sua mãe sofreu e como Hanabi sofreu. Nem que fosse por alguns segundos.
— Eu a encontrei quando Yumi estava se preparando para mata-la papai... Para queimá-la, papai. E quando eu achei que poderia salvá-la... Ela tentou me matar também. — Hinata apontou para o próprio corpo. — Você está feliz agora? Com a nova mamãe que você escolheu para a gente em um bar!?
Essa foi a tacada final.
Hiashi desmoronou.
Despedaçou-se.
Estilhaçou-se.
Ele caiu sentado no chão, seu corpo tremia de soluços.
Hinata e Hanabi o olharam de cima, vendo algo que jamais viram em suas vidas. Depois de alguns momentos, elas escutaram.
— Me-me desculpem... Me perdoem... — E ele repetiu a mesma coisa entre soluços. Soluços cada vez mais altos.
E quando suas filhas, suas meninas pequenas, escutaram algo que jamais pensaram que escutariam, toda a magoa, ódio, tristeza e traição caiu por terra.
Hyuuga Hiashi jamais pediu desculpas, não desde o dia fatídico de 12 anos atrás. E essa foi a prova que elas precisavam para saber: elas tinham seu pai de volta. Sua mãe de volta.
E, mais uma vez, depois de longos 12 anos de dor e vergonha, de raiva e culpa, de egoísmo e negligência... A família Hyuuga sentou no chão do Hospital mais movimentado do bairro chique de Konoha, abraçaram-se e choraram.
Eles perdoaram.
Eles pediram perdão.
E eles finalmente puderam sorrir de alívio.
Por que a razão para aquela família existir estava de volta. E isso era motivo o suficiente para que todos voltassem a sorrir mais uma vez.
***
Uchiha Sasuke
Depois que deixei Yumi aos cuidados da polícia e de Gaara, Neji e Temari, comecei a dirigir em direção ao hospital.
Quero ver como Sakura esta.
Mas quando estava próximo ao hospital, escutei meu celular tocar. Parei o carro no acostamento e atendi.
— Alô?
—Sasuke?
— Sim mãe, pode falar.
— Venha até nossa casa agora, precisamos conversar.
Suspirei, já sabia o que estava por vir. Eles provavelmente haviam descoberto meus feitos heroicos de uma noite.
— ‘Tá bom.
Desliguei o celular e fiz o retorno, depois voltaria para Sakura.
Demorei apenas 10 minutos para chegar e quando parei o carro em frente à casa gigantesca dos meus pais, reparei que o SUV Bentaya Mulliner do Itachi estava lá também. Maravilhoso. Parece que teremos mais uma reunião familiar feliz. Onde meu querido papai joga aperfeição do meu irmão na minha cara.
Desci do carro e caminhei a passos preguiçosos até a porta, antes mesmo de erguer as mãos pra abrir a porta, a mesma foi aberta e a minha mãe pulou em cima de mim. Aos prantos.
— Seu moleque insolente! Nunca mais faça isso comigo, entendeu? — A abracei apertado, uma parcela de culpa finalmente começou a se instalar na minha consciência.
— Desculpa, mãe.
E ela chorou mais, alisou meus cabelos e depois se afastou.
— Você é tão ridículo que nem um pedido de desculpas melhor você sabe dar! — E então ela me deu um cascudo forte na cabeça, me fazendo gemer.
Ela estava andando demais com a tia Kushina.
— Agora entra! Seu pai quer conversar com você!
Suspirei e a segui, fechando a porta atrás de mim. Caminhamos até a sala, onde meu pai e Itachi esperavam lado a lado, sentados no sofá.
Assim que cheguei meu pai ergueu seus olhos para mim, sua expressão era fria, mais até que a minha.
— O que você acha que está fazendo? — Esbravejou, se erguendo do sofá. — Quer se matar?! Por que você está querendo bancar o herói agora? Quando antes não queria saber de nada nem de ninguém!?
Só o olhei enquanto ele chegava cada vez mais perto, até parar na minha frente.
— Me responde, Sasuke!
Ergui uma sobrancelha.
— Como se você se importasse com a minha vida.
Ele franziu a testa.
— O que você está querendo dizer?
Bufo sarcasticamente.
— Isso mesmo que o senhor escutou, jamais quis saber da minha vida. Agora resolveu fazer isso? — Olhei debochado para Itachi, que estava sentado no sofá assistindo a tudo. — Que tla a gente pular pra parte que você me manda ser mais parecido com o meu maninho ali e eu posso falar logo pra você parar de me encher e vou embora?
Meu pai apertou os punhos.
— Pare de brincar, Sasuke! Isso não é uma brincadeira! É a sua vida!
— Ah... Mas eu não estou brincando, estou apenas expondo os fatos como nunca fiz antes. Fica com o seu preferido e me deixa em paz.
Virei as costas e comecei a caminhar até a porta, mas antes que eu desse mais de três passos, senti meu ombro ser puchado para trás, no momento que me virei, meu pai agarrou o colarinho da minha blusa e me puchou para perto, tão perto que nossas respirações se misturavam.
— Então é por causa disso que você age assim? — Questionou enquanto me encarava nos olhos. — Pensei que estava criando um homem! E não um garotinho que fica correndo por aí com raiva do mundo por que o papaizinho não ficou lambendo suas bolas!
— Fugaku! — Minha mãe o repreendeu, mas eu não olhei para ela, continuei o encarando com raiva.
— É tão difícil pra você assumir que você prefere ele a mim? — Rosnei. — Não precisa ficar fazendo showzinho pra se sentir melhor não, paizinho.
— Pelo visto parece que eu te mimei demais moleque.
— Me mimou!? — Gritei, a raiva crescendo dentro de mim, hoje o dia foi puxado demais, muito extresse, e por isso eu sinto todas as minhas emoções a flor da pele. Estava pronto para liberar tudo. — Diferente dos outros pais, o senhor nunca me parabenizou por uma boa nota, nunca foi a nenhuma das minhas apresentações na escola, nunca me ensinou os negócios da família, nunca conversou comigo e nunca agiu como um pai pra mim! Enquanto com ele... — Apontei para Itachi. — Com ele você fez tudo isso! Então não me venha dizer que me mimou, por que isso nunca aconteceu! Nem mesmo ele agiu como meu irmão e foi me ver! Vocês dois nunca estiveram presentes na minha vida!
Meu pai ficou em silencio por alguns momentos até que ele me jogou no sofá e saiu da sala a passos largos. Respirei fundo tentando me recuperar da raiva e me ergui do sofá. Itachi, que estava do meu lado, segurou meu pulso.
— Espera Sasuke-
Mas eu puxei minha mão da dele e comecei a andar em direção a porta.
— Sasuke!
Minha mãe entrou na minha frente e espalmou suas mãos no meu peito, me parando.
— Espera!
— Esperar o que mãe!?
— Isso. — Meu pai respondeu, as minhas costas.
Virei pra ele, já esperando mais uma discussão. Mas tudo o que recebi foi uma chuva de papeis que voaram pela sala. Ele estava no corrimão da escada no segundo andar e jogava mais e mais no chão.
Peguei um no ar e quando olhei pro que era, senti meu coração acelerar.
Era uma fota da minha apresentação na escola, eu segurava um microfone e estava ao lado de Naruto e de todos os nossos coleguinhas de turma. Eu tinha 5 anos.
Peguei outro. Era uma foto do Itachi na ultima fileira da minha apresentação no show de talentos da escola. O show que eu achei q ele não tinha ido. Meu ultimo show durante o ensino médio.
E todas elas eram assim. Fotos minhas em vários eventos, dia dos pais, teatro, coral, orquestra, minhas lutas...
— Eu nunca tinha tempo para ir, mas Itachi foi em todas, escondido de você, e tirou fotos pra mim.
Peguei outras, mais recentes, corridas de carro, festas, até mesmo uma foto minha e da Sakura discutindo na festa da Karin.
— Então não diga que não mimamos você e que não nos importams com você. — Olhei para ele com lágrimas nos olhos, enquanto meu pai descia as escadas e vinha na minha direção.
Uchiha Fugaku me abraçou forte.
— Me desculpa por ter feito você pensar isso, filho. Pensei que se eu ficasse muito perto de você, nós nunca nos entenderíamos... Até por que, somos idênticos.
É... Parece que somos sim, pai.
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