Notas iniciais
Boa Leitura

–Hum... então deixa eu ver se entendi. Você tem sonhos com monstros, vozes espirituais e acha que nós devemos sair do nosso bom conforto em busca de Klaus?- perguntou Katherine. Assim como os outros, ela estava usando pijama e se encontrava na sala da casa secreta, com os olhos tentando ficar abertos, e os cabelos como tivessem sido atingidos por uma descarga elétrica. Ela esperava que fosse algo um pouco mais empolgante, para ser acordada no meio de seu sono sagrado;

– Não exatamente- falava Suzana -É tudo muito complicado. Eu não sonhe apenas hoje... tive uma visão na Alemanha, mas...-

–Mas você apenas disse que a primeira era mais poderosa do que imaginávamos, e que seu "levante", Samhain, já tinha começado....- indagou Kathe. Tudo não fazia o menor sentido para ela, havia algo que eles ainda não sabiam?

–Eu sei!- surtou Suzana- Apenas não contei tudo a vocês. A espírita da água me alertou acerca de algo e que não sei se é puramente verdade... Pode parecer mentira mas, pelo que deduzi, há um traidor entre nós- todos ficaram calados por algum tempo, uns fitando os olhos dos outros sem reação;

–Então quer dizer que há um Judas? Eu sabia- disse Bob com um risada irônica -Posso farejar traidores há milhas de distância...-

–Falou o gato que devorou o dono- murmurou Jack;

–Eu sou um bakeneko, garoto. Não fale comigo como se fosse uma aberração- falou Bob, com uma voz grave e tenebrosa. Quando pulou para próximo de Jack, Fang saltou do ombro de Katherine e o atacou ferozmente. Fang o envolvia o envolvia com fogo e garras afiadas, enquanto Bob parecia invocar zumbidos e mudar de forma enquanto se debatiam e derrubavam tudo ao redor, como em um desenho animado;

–Pensei que tinha domado eles- disse Jack;

–Não é tão fácil quanto se criar um papagaio, Jack- reprovou Kathe;

–Que seja- continuou ele -Não pode ter um traidor entre nós... Não é possível. Somos os filhos da luz, os prometidos da profecia do alquimista Paracelso! Não é possível...-

–Na verdade, é totalmente possível- disse Suzana -Só existe uma pessoa entre nós que não foi escolhida do fogo sagrado, para ir a missão de capturar as quatro relíquias- Ninguém precisava dizer mais nada, todos deduziam quem era;

–Você acha que sou eu?- questionou Rose;

–Não estamos querendo dizer isso... estamos?- perguntou Kathe confusa olhando para Jack e Suzana que alternavam os olhares;

–Você.... você foi a única que não fazia do grupo antes...- dizia Jack tentando ser o mais democrático possível. Kathe via no primo algo que não via há muitos dias atrás: ele parecia mais velho, mais cansado, mais enfadado, como nunca tinha reparado isso antes? ele se sentia o líder, mas a responsabilidade não era apenas dele;

–Então quer dizer que agora ela é a traidora?!- vociferou Kathe. Fazia dias, que ela e Rose dividiam algo que ela não dividia com mais ninguém desde muito tempo: afeto. Katherine tinha passado a vida toda em busca de seus tios perdidos e Jack, com seus pais, até que ela própria os pais, mas resolveu continuar a busca de seu primo. Quando o achou, não sentiu felicidade maior, mas Rose era diferente. Ela era esperta, realista, tocava pessoas de um ângulo que era inconceptível na maioria das garotas que conhecia... era algo forte... fraternal... NÃO. Não podia ser...

–E o que você acha, Katherine?- gritava Suzana- Que a espírita da água estava errada?! Por que você acha que achamos ela no meio da floresta?! Como ela conseguiu entrar tão "de repente" e já ser aceita por todos? Está na cara que...-

–Está na cara que você está com inveja!- gritou Katherine. Ela estava nervosa, e sentia vontade de arrancar e destruir tudo que tinha. O vento ao redor começava a circular com maior rapidez, e ela sentia uma esfera de ar se formar a medida que aumentava a voz. Todos estavam perplexos;

–Todos percebem o modo como você a olha! Você está com medo de admitir que está com inveja e que Klaus a preferiria mais do que VOCÊ!- Suzana estava com o rosto vermelho, a raiva lhe encolerizava e fazia as lágrimas saírem quase como sangue. Com raiva, se levantou e num gesto de piscar de olhos levantou o punho para atacar Katherine e ambas estavam prontas para se matarem;

–Não!- gritou Jack -Parem com isso. Não devemos nos separar, somos os filhos da luz, escolhidos da profecia!-

–Estou cansada de profecias, luz, trevas...!- vociferou Katherine quando puxou Rose pela mão e saiu da sala com Suzana nos braços de Jack, chorando.

....

Katherine e Rose haviam saído às pressas em silêncio da sala principal da casa secreta indo até o jardim, por onde tinham achado a passagem da árvore, e subiram numa encosta florestal até as copas mais longas que se estendiam em frente ao rochedo visto por elas. Rose se transformou em raposa e irrompeu em chamas no meio das folhas e então voltou a forma humana;

–Não, Kathe. Devemos parar, não é sensato fugir- Katherine franziu a testa. Realmente, não era nada sábio, duas elementais fugirem numa madrugada perto do amanhecer;

–Não interessa.... eu não aguento mais isto tudo... só quero achar meus pais... viver!- gritou Kathe com raiva ao lançar uma rajada de ar numa árvore e depois se jogar no chão frio e úmido. Rose ficou algum tempo a olhando e disse;

–Você tem responsabilidades, você é uma filha da luz. Admito que foi um erro grave de seus companheiros terem dito que eu era uma "traidora", mas... o perdão é a chave para a salvação- Kathe sorriu levemente e disse;

–Prudente como sempre- Rose era uma garota que ter só 13 anos, mas na verdade tinha 16, era ruiva com cabelos curtos e sedosos e uma delicadeza e beleza a qual Katherine admirava mais do que qualquer outra coisa além de sua capacidade de ser dócil, mas o mesmo tempo hostil, áspera e delicada. Kathe se levantou, convidou Rose a se deitar com ela, mas depois fez ela tropeçar com um chute de ar, e então as duas caíram perto de uma árvore com nozes ao redor.

As duas se debateram por um tempo como se fossem irmãs, amigas. Elas eram inseparáveis. Independente do que acontecesse. Rose havia contado à Kathe como tinha conhecido a família de Klaus, e como tinha se tornado quem era. Katherine contava a ela como sua família era estranha e estressada, sua busca por Jack, e seu desejo por liberdade. Rose adorava rosas. Katherine amava redemoinhos;

–Prometa-me uma coisa- disse Rose, quando as duas estavam já aninhadas -Peça perda à eles... Você não terá a mais chance que eu...-

–Eu juro, que irei pedir perdão. Só vamos esquecer eles e elas, só nós somos importantes, Rose- Katherine olhou para Rose por um momento, e então as duas se beijaram explodindo em amor e um romance que jamais iria existir em algum momento. Elas se agarraram, beijaram e quiseram mais do que nunca tentar serem livres. Não haviam mais regras, profecias ou espíritos. Naquele exato momento, tudo seria eterno enquanto durasse.

Notas finais
Obrigada