Os Escolhidos De Utopia

1 Max Tuskrough - The Beast


Notas iniciais
Espero que gostem, é minha primeira Fic, então peguem leve nos comentários, okay? Se foram construtivos, por favor, mandem, se não, tentem ser educados ^^

O garoto de cabelos e olhos verdes dava cambalhotas rua abaixo, como sempre fazia nos fins de tarde.

Ele nunca gostou muito de andar normalmente, o que, na verdade, era algo bastante comum entre os Beasts, mas mesmo entre esses, ele era anormalmente viciado em dar cambalhotas e subir em árvores.

Por causa de seus constantes exercícios "cambalhotescos", tinha um corpo esculpido, mas estava sempre com as mãos sujas, e os sapatos surrados, algo que ele gostava.

Desceu quase a rua toda daquele modo, até que chegou à casa que queria, tinha atravessado metade da cidade, desde a parte em que os Beasts prevalecem até ali, ondo os orgulhosos Tigers montavam suas casinhas arrumadinhas e sempre limpas. Chegava a ser nojento.

Entrou sem bater, como sempre fazia, gritou que tinha chegado, e depois se jogou no sofá da sala sem se importar em tirar os sapatos, estava cansado, era um caminho longo.

Ela então entrou na sala, estava linda como sempre, cada dia com uma saia de uma diferente tonalidade de azul, para combinar com as orelhas, o rabo, o cabelo e os olhos e suas garras e presas eram tão pouco usadas que pareciam as unhas e dentes de um humano comum, na verdade, ela parecia uma humana que resolveu colocar uma tiara de orelhas de tigres e pendurar um rabo na saia, a não ser pelo fato um tanto quanto significativo de que as orelhas se mexiam e ouviam demais e o rabo ficava ziguezagueando para lá e para cá o tempo todo.

– Max! Tire os pés do sofá, por favor, meus pais vão chegar logo logo! – Mesmo dando broncas era educada, vê se dá pra acreditar?

– Tá bom, tá bom, eu tiro, melhor assim? Vocês se preocupam demais com a limpeza! – Eu disse enquanto ia deixar os tênis na porta.

– Mamãe diz que uma casa limpa é uma casa que as pessoas gostam de entrar, e... Eu gosto de ajudá-la. – ela disse isso abaixando a cabeça, como podia ser tão tímida, até mesmo comigo que a conheço à quase 5 anos? Inacreditável.

– Sim, sim, ela vem tentando me dizer isso desde os 10 anos de idade! Mas eu ainda acho idiotice!

– Você sabe que meus pais prezam muito as boas maneiras... – Não aguentei, tive de interrompê-la.

– Você sabe que seus pais não gostam nem um pouco de mim! Pelo fato de eu ser um Beast! Eles apenas me aturam!

– Isso é mentira! Eles não te odeiam como você pensa, eles... só... só... só não gostam quando você põe o pé cheio de lama em cima do sofá! – E eu ainda não tinha deixado ela irritada!

– Você sabe que não é por isso Ivy! Por mais que não goste de admitir seus pais são um tanto quanto preconceituosos.

– Eles não são maus como você pensa Max! Só acham que você poderia ser mais educado, mais cortês de vez em quando...

– E você acha isso Ivy?

– Eu não quero ver ninguém de mal com ninguém! Só isso.

– Eles me aturam porque eu salvei você naquele dia! Senão já teriam me proibido de entrar na sua casa e de falar com você há muito tempo atrás! E eu sei que você sabe disso! – Agora eu tinha conseguido, ela estava sem expressão, provavelmente se lembrando do dia...


Estava chovendo, era raro chover lá, na capital do reino, e já estava quase anoitecendo, Max brincava de trepar nos edifícios, como qualquer outro Beast de 10 anos fazia, mas, por ser mais rápido que os demais, ele tinha ultrapassado os amigos e andava sozinho pelo lado mais abandonado da cidade.

Se distraia pulando de um prédio para o outro quando ele ouviu um grito, por seus ouvidos serem mais aguçados que o normal ele o ouviu muito alto, e logo tentou localizar de onde viera, já estava correndo enquanto refletia sobre os fatos, era um grito feminino, e que, pelo tom devia ser de uma criança, mais ou menos da idade dele, e era estridente, significa que quem o executou estava em um momento de pânico, ou tinha apenas levado um susto, mas algo o dizia que não era apenas isso.

Ele continuou correndo até chegar a um beco sem saída, e nele, ele a avistou, era uma garota, da mesma idade que ele, que por acaso era da sua turma na única escola municipal de Utopia, e segurando seus braços que ela tentava em vão puxar de volta, estavam dois Beasts, mas eram Beasts selvagens, que tinham abandonado o seu lado humano e se estregado totalmente as feras dentro deles. Seus pais sempre o ensinaram que nunca deixasse seu lado humano, pois eles não eram apenas feras, mas também pessoas, e nunca se deve renegar à sua natureza.

Lambiam os beiços ao olhar para os braços brancos e frágeis da garota que seguravam, e suas garras se afincavam cada vez mais forte nos mesmos.

Ele tinha que fazer alguma coisa... Mas o que? Precisava ser rápido, eles estavam perto de mordê-la... Foi então que ele viu um cabo solto no poste ao lado do prédio onde estava, imediatamente ele saltou, agarrou o cabo e se balançou como se fosse um cipó, até as costas de um dos Beasts, que caiu com força no chão, então ele soltou o cipó e encarou o outro Beast, que arrastara a garota para trás de si.

Seria mais difícil do que ele pensara, encarou seriamente o Beast mais velho e deu um grande rugido para este que, por sua vez devolveu um pouco mais alto, e depois atacou-o, Max desviou de sua investida e passou por baixo de seus braços, e no mesmo impulso, agarrou a garota de cabelos e olhos azuis que ainda olhava assustada para a cena, a colocou no ombro e começou a escalar, o outro Beast logo se virou e foi atrás dele.

Os Beasts têm fama de serem fortes e rápidos, o peso no ombro não o incomodava, mas o deixava um pouco mais lento, ele pulava de telhado em telhado dando o máximo de si para correr rápido, mas o Beast o alcançaria em pouco tempo, sua única esperança era chegar ao centro da cidade, onde ele conhecia as ruas como a palma de sua mão, poderia despistá-lo lá.

A dois prédios de distância havia um abandonado, ele correu o mais rápido que seus pulmões o permitiram e então pulou a janela, tentando fazer o máximo para não machucar a pequena tigresa em seus ombros, e começou a correr por uma porta e depois a outra, até perder o Beast de vista, mas sabia que isso não ia durar, pois o Beast deveria ter um ótimo faro, logo que o perdeu de vista pulou outra janela e continuou correndo em direção ao centro.

Mas o Beast foi mais rápido, não tinha passado nem um quarteirão, quando ele cravou as garras em seus pé direito, ele tombou, mas antes jogou a tigresa azul para o lado, para que não se machucasse, o Beast se levantou, deveria ser uns 30 centímetros mais alto que ele, e tinha uma ar de selvageria extremo.

Max pôs-se de pé rapidamente e tentou arranhar o peitoral do outro, mas este desviou e tentou pular em cima de Max, que não desviou, propositalmente.

Os dois caíram e Max se pôs por cima e começou uma série de arranhões, e mordidas, sempre rolando pela cobertura do prédio abandonado, até que Max pulou para longe do Beast todo arranhado e ensanguentado, pegou impulso e se lançou contra o oponente, este não esperando o que ia acontecer, preparou-se para um golpe frontal, mas então, no ultimo instante de sua corrida, Max virou para o lado e contornou o adversário, fincou seus pés no chão atrás do segundo ainda desnorteado, segurou seu braço, e o girou com toda a sua força jogando-o para o outro lado, onde não tinha... Nada, o prédio acabava ali.

O Beast caiu gritando, mas Max não queria ouvir o barulho, virou-se e perguntou:

– Você está bem? – Boom! O corpo havia caído no chão. Max fechou os olhos.

A garota só balançou a cabeça, estava fraca, molhada, tremendo, e parecia não ter voz. Estava com medo... Dele.

– Está tudo bem, eu não vou te machucar, venha, vou te levar até a sua casa.

Relutante ela estendeu a mão e foi com ele, lamentando profundamente ter saído correndo por causa dos fogos daquele dia e por isso ter-se perdido.


Ela ainda ficava trêmula quando se lembrava daquele dia.

Depois daquilo ele e Ivy haviam virado amigos, eles falava de tudo um com o outro, na verdade, ela mais ouvia do que falava, era muito tímida, e esse episódio só intensificara isso, era uma garota absolutamente boa, que nunca queria o mal de ninguém, e que, por mais importante que pudesse ser para a sua raça, era sempre humilde e caridosa, só tinha uma pequena aversão por Beasts, mas a ele ela sempre tratou bem.

Ele costumava ir sempre a casa dela, e nunca deixá-la sair sozinha, morria de medo que se machucasse, ou que alguém a dissesse que o mundo não era lindo como ela sempre acreditara ser...


Notas finais
Eu ia ir além, mas são três da manhã e estou com sono, espero que continuem lendo :)