Os Escolhidos De Utopia

2 Ivy Striped - The Blue Tiger


Notas iniciais
Não tem muita ação, é mais explicativo, mas é bom pra entender várias coisas relativas a história, e queria agradecer ao Zach e a Srta. Di Angelo por me darem idéias, inspiração, e me mandarem escrever ^^.

Depois de Max finalmente conseguir o que queria, aborrecer Ivy, ele voltou ao normal.

- Desculpe, não queria te fazer se sentir mal... Eu só...

- Tudo bem, o que aconteceu com você hoje? – Ele estava estranho, nunca tocava no assunto ocorrido a quase 5 anos pois sabia que ela o detestava.

- O que quer dizer?

- Você não parece muito bem... – Ela sabia isso pelo seu modo de querer irritá-la, sempre que estava bravo com alguma coisa, costumava irritá-la.

- Estou perfeitamente bem, obrigado. – Ele não costumava mentir para ela.

- Não minta para mim, Max!

Ele parou, olhou fundo nos olhos dela, os olhos que ela sempre achara muito lindos e atraentes, em perfeita sincronia com o cabelo, mas mesmo assim manteve o olhar sério dele, então disse pausando as palavras para dar-lhes ênfase:

- Estou-per-fei-ta-men-te-radiante. – Foi estranho, ele estava muito perto, perto demais! Foi então que meus pais entraram na casa.

- Olá, Ivy, como passou à tarde? – Perguntou a mãe deixando o lenço no gancho.

- Bem, mãe, e como foi no trabalho? – Disse enquanto se afastava de Max e corava.

- Como sempre, sem graça – Ela trabalhava no governo, era uma ótima contadora.

- Olá Sr. e Sra. Striped – Disse Max, todos pararam e levantaram a sobrancelha, até mesmo Ivy.

Certo, agora tinha realmente algo de errado com ele naquele dia, sendo cortês! Max!

- Olá Max, como vai você? – Disse o pai de Ivy.

- Vou bem, obrigado, e o Senhor?

- Ótimo.

Depois de um silêncio um tanto quanto constrangedor, Max anunciou que iria embora, disse tchau a todos e saiu.

Não tive oportunidade de perguntar o que o estava afetando, logo mais também saí para ir dar a minha volta noturna, um costume comum entre os Tigers. Pulava de prédio em prédio até chegar ao meu lugar preferido de toda a cidade, o topo de um morro um pouco afastado de tudo e de todos, onde eu podia observar a cidade toda sem ser observada.

Enquanto pensava e olhava a cidade, reparava que não era só Max que estava agindo estranho naquele dia, seus pais estavam mais abatidos do que normalmente quando voltaram do trabalho e, olhando de cima, a cidade parecia vibrar, com algum tipo de nova energia que ela desconhecia... Parecia que algo estava prestes a mudar, mas ela não sabia o que.

De um lado da cidade, ao Sul, viam-se os Fighters e pareciam existir mais escolas de artes de guerra do que casas, parecia que aquela gente só sabia lutar! Mas eu os admirava, passavam suas vidas treinando, e possuíam algo que era só seu, e suas vidas eram dedicadas a proteger esses objetos mágicos, não importa o que aconteça, nunca pegue a arma de um Fighter.

Já ao Norte ficavam os Angels, por mais que me recuse a ter maus sentimentos por alguém, não consigo gostar plenamente dos Angels, eles se acham tão superiores e tão importantes, apenas por terem asas! Os pássaros têm asas, e nem por isso eles se acham superiores a nós.

Ao Leste os Beasts dominavam, e entre eles, uma divisória imaginária fluía, ela separava os Beasts selvagens dos “civilizados” se é que os podemos chamar assim, Max havia me explicado isso alguns anos antes. Eu não consigo evitar, toda vez que vejo um Beast eu faço de tudo para não passar em seu caminho. Max é uma exceção é claro.

Eu moro ao Oeste, onde os Tigers prevalecem, somos famosos por nossas casas sempre limpas, e por ter sempre algum de nós pulando de telhado em telhado, gostamos de pular e correr, sobre as quatro patas normalmente, não como os Beasts que gostam de correr fazendo barulho, pelo meio das ruas, derrubando tudo o que encontram, não, gostamos de correr silenciosamente, pelos telhados, escondidos, não gostamos de ser vigiados, e muito menos seguidos.

Desisti de pensar, era cansativo demais, e o pôr do sol já havia acabado, então o lugar não era mais tão incrível, senti fome, e decidi procurar por comida.

Pulei do morro para o telhado uns 6 metros abaixo, e comecei a correr pelos telhados silenciosamente, adorava correr, eu sabia que Max compartilhava dessa paixão, mas nunca tinha lhe contado tal fato, para ninguém, na verdade.

Nesta noite não queria comer algo cheio de molhos, coberturas, e floreios como os Tigers sempre faziam em seus restaurantes, queria algo puro, algo recém caçado, mas era medrosa demais para caçar, e mais medrosa ainda para ir ao lado dos Beasts, principalmente sem Max, então, não fui para o Leste, e muito menos fiquei no Oeste, corri até chegar ao Sul, pois no Norte eles me estranhariam, e abominariam minha presença, não, não, no Sul eles não ligavam para a sua raça, e não tinham tantas frescuras como os Tigers na culinária, nem eram nojentos como os Beasts, e muito menos orgulhosos como os Angels.

Entrei em um restaurante pequeno de esquina, sentei-me no banco do balcão e olhei ao redor, adorava observar as pessoas, espelhados pelas mesas havia guerreiros e guerreiras conversando, cada um com sua arma ou arma-objeto (armas que se transformas em objetos portáteis, apenas os que nascem com um nível de poder um pouco avançado os possuem), todos acompanhados, todos menos um.

A uma mesa a minha direita estava sentado um garoto de cabelos negros, com os olhos da mesma cor, estava distraído e seus dedos brincavam com uma antena nas mãos, mas fazia o gesto tão naturalmente que parecia ter nascido com aquele costume, eu o observei atentamente enquanto comia porque, primeiramente era difícil em qualquer espécie, alguém nascer com os olhos e os cabelos na mesma cor, eu e Max éramos exceções, e parece que este garoto também, já o havia visto na escola, era de uma das 30 salas do meu ano, ou será que era um ano mais velho? Não me lembro, mas o que mais me intrigava era sua expressão, parecia perdido em pensamentos, como se estivesse muito longe dali, mas ao mesmo tempo tinha algo de ameaçador em sua postura, parecia... Preparado para lutar.

A comida estava do jeito que eu queria, um filé mal passado, um pouco de arroz, uma salada e um molho, me deliciei em silencio enquanto tentava decifrar sua expressão, foi então que ele se virou para mim e disse:

- Percebi que está me encarando desde a hora em que entrou aqui, existe algo em meu rosto, ou você simplesmente me achou lindo demais que não consegue desviar o olhar?

- Des... Desculpe, não queria te perturbar... Não há nada em seu rosto, e sim, eu consigo desviar o olhar... Não que você seja feio, não foi isso que eu quis dizer... Eu só estava... Tentando decifra-lo... Perdão – Disse isso enquanto abaixava a cabeça até que meus cabelos até os ombros cobrissem meu rosto, e ele não me percebesse corar insanamente.

Ele parou de me encarar, e olhou para o chão pensativo, colocando a mão no queixo, até que suavizou as feições, como se desistisse de uma guerra mental, se levantou e andou até onde eu estava.

- Desculpe por ser tão rude, não costumo ser assim, não precisa se importar por ficar me observando, eu também estava a observa-la na verdade, e perdoe a indiscrição, mas devo perguntar, o que uma Blue Tiger como você faz por aqui?

- Vim comer algo mal passado, coisa que não existe no Oeste, mas porque acha estranho ver um Tiger por aqui? – Para mim os Tigers sempre foram muito sociáveis, pelo menos os que eu conhecia eram.

- É raro de se ver um Tiger passando por aqui, ainda mais uma jovem, você é da classe 7 não é?

- Sim. – Fiquei surpresa que ele lembrasse.

- Sou da 12, e aliás, me chamo John.

- Sou Ivy.

- É você a amiga do Beast Max, não é?

- Sim, sou eu, você é um Fighter com arma-objeto, não é? – Ele pereceu novamente voltar de devaneios.

- Oh! Sim. – Ele segurou a antena com uma mão, e levou a altura dos olhos para que eu pudesse ver.

- Sempre quis ver uma arma-objeto. – Disse com admiração.

- Chama-se Ravesword, deixe-me mostra-la para você.

Então ele pegou a ponta da antena e puxou até o que parecia ser um terço de sua extensão total e ela simplesmente se transformou em um punhal, e era muito bem afiado por sinal.

- Incrível! – Disse sem desviar os olhos do punhal, esperando que ele se transformasse de novo na antena. Foi então que ele colocou o dedo indicador na ponta da lança, juntou com o dedão do outro lado e continuou a puxar até atingir a extensão total, que devia ser de uns 105 cm, e ela se transformou em uma espada negra, de dois gumes com 15 cm de punho, e com detalhes no guarda-mão, e, tanto a espada quanto o punhal, possuíam coisas escritas na lâmina, mas estava mais preocupada admirando as armas no todo para ler o que estava escrito.

- É... é... é fantástica!

- Obrigado, tenho muito orgulho dessa beleza aqui – Disse ele, também encantado com a própria lâmina, parecia ser a primeira vez que a via a espada, e tinha a sensação de que era essa a reação dele sempre que a via, e claro, que não estava lutando.

- Deve ter mesmo – Já tinha terminado de comer, paguei e saímos conversando.

- Então... Mas Max sempre teve aquela agilidade? – Disse ele repentinamente.

- Acho... Acho que sim... Ele sempre foi muito rápido e ágil – Me assustei com a pergunta, não esperava por ela – Porque?

- Por nada de mais, esses dias a minha academia convidou alguns Beasts para lutar conosco e me assustei com sua incrível habilidade e agilidade, apenas.

- Entendo. – Ele não havia me contado nada sobre isso, será que era esse o motivo por ele ter estado estranho mais cedo?

Ele me acompanhou até em casa, e depois se despediu, e se foi.

Naquela noite não dormi depressa, fiquei pensando no comportamento de Max, na expressão de John, John Ravesword (os sobrenomes dos Fighters eram também os nomes de suas espadas), uma nova pessoa, não costumava conhecer pessoas novas. Gostei muito do jeito como falou de Max, mas sempre parecia haver algum receio quando citava seu nome... A guerra de seus pensamentos começava novamente, gostava de observar as pessoas, e ele era difícil de decifrar, o que o tornava ainda mais interessante.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^ comentem se possível, e me corrijam se tiver errado algo.
Prometo mais ação no próximo cap, até lá!