Os Escolhidos De Utopia

3 John Ravesword - The Fighter


Notas iniciais
Desculpem pela demora!! Preguiça e falta de ideias, em compensação esse é o capítulo mais longo que escrevi ^^ Boa leitura!

Voltei pra casa pensando sobre aquela nova amizade, uma Blue Tiger... Nunca pensei em ter uma Blue Tiger como amiga, os Tigers em si são muito convencidos, os da classe Blue são piores ainda, mas aquela pequena de olhos azuis era boazinha até demais. E ela era amiga de Max, ele parecia agressivo a meu ver, mas pensando bem eu só o vi lutar, e todos são “agressivos” quando lutam.

Logo que cheguei fui dormir, o meu humor com meu pai ainda não havia melhorado, desde o dia anterior em que ele disse que eu deveria ter vencido aquele Beast, não importava como, pelo nosso orgulho como Fighters, pelo orgulho da nossa família, eu não aguentava olhá-lo nos olhos, era uma mistura de culpa, raiva, chateação, pela falta de apoio.

Mas não duraria muito.

No dia seguinte levante-me mais cedo, para não encontra-lo sentado a mesa do café da manhã, mas foi inevitável. Ele também estava meio que me ignorando, então fizemos um acordo silencioso de nos ignorarmos.

Mas parando para reparar, ele estava com um sorriso pretencioso no rosto, como se não acreditasse que a vida era tão bela... dei de ombros, acabei o café, e saí para ir a escola.

Estava tudo como sempre. Entediante. Queria ser lutador profissional, e para isso não era necessário muitas das coisas que se aprende na escola, então o máximo que eu fazia lá era deixar minhas notas acima da média. Mais do que isso era pedir de mais.

Saí da escola e fui direto para a academia, não queria ver meu pai a não ser como dono da academia, e precisava desestressar, e que maneira melhor do que lutar?

Coloquei o meu uniforme da academia, e peguei minha espada, comecei com alguns golpes básicos nos espantalhos, depois treinei um pouco as posições, assim que me senti alongado o suficiente, resolvi começar.

Quando fui chamar um oponente meu pai pegou o microfone e falou:

– Escutem todos! Hoje, assim como antes de ontem chamamos nossos amigos de uma academia dos Beasts, a Eye Of The Tiger, e pedimos que vocês se juntem a nós em duelos amistosos, que imagino ser do benefício de todos, para aprenderem novas técnicas, e gostaria de anunciar que eu, Jayck Darksword, e o Mestre Zorgon, dono da Eye Of The Tiger, iremos realizar uma junção das academias toda quinta-feira! Aproveitem! E boa luta!

Logo que ele disse isso olhei para a porta e lá estavam eles, vários Beasts mais ou menos da minha idade, todos prontos para lutar. E Max estava entre eles.

Resolvi chama-lo para lutar, afinal, o que eu tinha a perder? Queria muito testar minhas habilidades nele... novamente.

Devo admitir que fiquei um pouco chateado por ele ter me vencido da última vez, talvez até um pouco surpreso. Não que eu não aceite perder, é só que eu me achava capaz de vencer aquela luta, Max não parecia ter nenhuma técnica, a não ser suas garras e sua agilidade, foi aí que me enganei. Essa era a sua técnica.


Ele aceitou de imediato, e veio ao meu lado ainda se alongando. Resolvi puxar assunto.



– Você é amigo daquela Blue Tiger, não é? Ivy Striped? – Assim que falei o nome dela ele repentinamente se virou para mim e me encarou nos olhos. O olhar durou apenas alguns instantes, mas obviamente ele estava analisando qual a minha relação com ela.



– Sim... sou sim... porque? – Não era exatamente uma pergunta, soava mais como um aviso de morte ou algo do tipo.


– É que eu a conheci ontem... E ela mencionou seu nome... – Estava tentando me explicar de modo que ele não quisesse me matar. Graças aos Deuses ele entendeu e parou de me fuzilar com os olhos.

– Ela é uma ótima garota, mas como se conheceram?

– Jantamos no mesmo restaurante e eu acompanhei-a até em casa, é perigoso para uma jovem Blue Tiger andar sozinha pela cidade de noite. – Senti que já havia falado o suficiente e calei-me. Max suavizou.

– Sim... é mesmo. Sua arma é uma espada não é? Vi-a no outro dia quando estive aqui, muito legal ela! – Ele realmente parecia estar dizendo a verdade.

– É sim! Jura? – Puxei a espada empolgado.

– É realmente uma bela espada, pronto para o combate?

– Melhor impossível! – estava claro que ambos não éramos muito bons em conversas, mas nos expressávamos pela luta.

Nos posicionamos nos lugares de costume, fizemos as reverências, e começou. Ele se atirou contra mim tão rápido que quase não reagi, mas no último instante desviei para o lado e tentei golpeá-lo com a espada nas costas enquanto ele estava despreparado, mas ele girou tão rapidamente que segurou meu golpe com as mãos, desviou-o e tentou me arranhar com as garras, mas eu dei um mortal para trás, ele correu até mim e tentou arranhar minhas pernas, eu pulei, tentei acertar a espada em seu ombro, ele girou no chão e escapou do golpe.

Mantivemos uma distância de uns dois metros entre os dois e continuamos nos encarando, um tentando descobrir os próximos ataques e como derrubar as defesas do outro.

Até que eu com um giro transpassei a distância entre nós e me lancei em um golpe certeiro contra sua perna esquerda, pegou de raspão, mas ele logo pulou por cima de mim, agarrou minhas costas e me jogou no chão, senti todas as minhas costelas estralando, depois ele tentou socar a minha cabeça, com esforço rolei para o lado e me levantei depressa pulando para trás, ele seguiu meu movimento pulando para a frente, tentei golpeá-lo no cotovelo, ele se abaixou e mordeu minha perna.

–Ahh! – Começou a sangrar, e doeu como se estivesse em chamas, com a outra perna eu o chutei, cambaleei um pouco e depois com toda minha raiva comecei a tentar acertar a espada nele, onde quer que fosse, pernas, braços, joelhos, barriga, ombros, ele desviava de todas.

Até que começamos a cansar, já devia fazer 20 minutos que estávamos lutando em ritmo acelerado, eu o tinha acertado algumas vezes, e ele também havia acertado alguns golpes, ambos suávamos e sangrávamos, membros doendo e quase se recusando a cooperar, mas nenhum desistia de lutar, golpeei-o na costela, nada grave, pois ele aparou o golpe segurando a espada com as mãos, mas sangrou, ele agarrou a espada e puxou-a, eu fui para frente e ele arranhou meu peito, rasgando minha blusa, como eu havia feito com a dele, meu peito ardia, ele arrancou a espada das minhas mãos e tacou-a longe, eu o empurrei para frente, juntei as forças que me restavam e o soquei no rosto com toda a minha força, ao mesmo tempo que senti um punho furioso vindo em direção ao meu rosto. O lado esquerdo do meu rosto explodiu de dor.

Nos acertamos ao mesmo tempo, eu cambaleei e cai.


– Eu... venci... – foi a última coisa que ouvi Max dizer antes de ouvi-lo cair também e a minha visão escurecer por completo.



Acordei no ambulatório da academia, tinham várias faixas cobrindo meu corpo, meus membros doíam se recusando a se mexer, não sentia metade do meu rosto, mas sem contar isso, estava bem.



Max estava na outra sala, vi pela porta entre aberta que ele também estava ferido, mas não tanto. Os Beasts se recuperam rápido.



Estava pensando na nossa luta e tentando me lembrar de quem havia vencido quando uma garota se postou na frente da porta. Era uma Angel, via-se pelas asas, era muito raro ver Angels fora do seu território ou fora do centro, onde costumavam ficar.



Esta Angel possuía um cabelo cor-de-rosa, e os olhos da mesma cor, era raro em qualquer raça possuir os olhos e os cabelos de mesma cor, eu era uma exceção, e esta Angel também.

Ela me observava, como se estivesse me avaliando, depois de um tempo assim ela entrou no quarto decidida.

– Como se chama? – Ela perguntou.

– John... John Ravesword. Por quê?

– John... Preciso de alguém para fazer um trabalho para mim, estaria interessado?

– Que tipo de trabalho? – Era comum pedirem trabalhos aos Fighters.

– Me roubaram uma coisa e preciso que a recupere para mim.

– É algo de valor?

– Apenas para mim. É um receptáculo.

– Um o que?

– Um colar que abre, é de ouro, mas tão fino e pequeno que não valeria muita coisa para você.

– E o que eu recebo em troca?

– 50 moedas de ouro e 20 de prata.

– Tudo isso por um simples colar? – Era muito dinheiro, conseguiria comprar um bom porta espada compatível a minha queria Ravesword, e ainda sobrava alguns trocados.


– Estou interessado, diga-me mais sobre o que tenho de fazer.



Eram 21:15 em ponto quando cheguei na frente da casa de Hayley, a Angel de cabelos rosa que havia me contratado.



Ela olhou para mim como quem decide se fez a escolha certa e disse:



– Está atrasado.



– Cheguei no horário, nem um minuto a mais, nem um a menos. – Os Fighters eram famosos por sua pontualidade.

– Muito bem, está a par do plano?

– Sim.

– Então vamos nessa.

Eu virei de costas e ela me abraçou, logo depois ela abriu as asas e começou a voar. Não gostei muito de voar, tinha medo de que ela me derrubasse, costume famoso entre os Angels.

Mas ela não fez isso, me levou até em cima de um telhado a três casas de distância do homem que a havia roubado e saiu depressa.

Ela havia me dito que o motivo dela mesma não fazer o furto é que o homem sabia lutar, e que ele possuía armadilhas na casa, de modo que uma Angel, que não sabe lutar ou fugir de outro modo a não ser voando, não poderia fazer muita coisa. Disse também que já havia tentado, mas quase fora pega.

Corri despercebidamente por cima dos telhados até chegar ao do homem, revistei a casa com os olhos, não parecia ter ninguém.

Entrei.

Não era uma casa muito grande, e estava completamente bagunçada, entrei pelo quarto, parei para ver se escutava alguma coisa. Um silêncio mortífero pairava pelo ar.

Comecei a procurar pelo receptáculo, Hayley descreveu ele como sendo um colar com um pingente oval que abria e continha duas fotos dentro, sendo uma dela própria. Dei uma volta pela casa, com muito cuidado, identifiquei algumas armadilhas e quase caí em outras, mas a casa estava realmente vazia. Olhei tudo e decidi que com certeza o objeto deveria estar no quarto.

O quarto estava revirado demais, era quase impossível achar algo pequeno naquela bagunça, mas não desisti sempre atento para ver se ouvia algum movimento.

Depois de mais ou menos uma hora de procura, já cansado, perdendo as esperanças, vi algo brilhante debaixo de algumas roupas que estavam jogadas no chão. E lá estava ele, o receptáculo, era de ouro, um objeto fino, bonito, delicado. Abri. Hayley sorria de lado esquerdo, devia ter aproximadamente uns 10 anos na foto, sendo que hoje tinha 15 (ela era do mesmo ano que eu), mas do lado direito tinha um garoto loiro de olhos rosados, idênticos aos de Hayley, sorria também, devia ter uns 14 anos no máximo.

Estava me perguntando quem ele seria quando vi um vulto na porta. Imediatamente joguei o colar no bolso da calça e puxei Ravesword.

– Quem você pensa que é para invadir a minha casa? Apresente-se, estranho. – ele estava escondido no corredor, ao lado da porta. Era uma voz grossa, mas não era jovem, puxei o capuz de minha jaqueta até a altura dos olhos.

– Não vai responder? Muito bem então, vai sair por bem ou por mau, mas não impune.

Tinha que sair pela janela, era minha única rota de fuga, mas para chegar à janela teria de passar em frente à porta.

Decidi que não tinha opção, corri.

Um homem de uns cinquenta anos pulou na minha frente com uma espada em punho, desferi um golpe, ele bloqueou e tentou acertar minhas pernas, eu pulei e tentei acerta-lo na cabeça, quando ele se abaixou pulei por cima dele e tentei me jogar contra a janela, mas ele agarrou meu pé e eu caí, era a segunda vez no dia que acabava com as minhas costelas, me virei depressa e a espada dele pegou de raspão o meu rosto, sangrou, mas não doeu muito, tentei acerta-lo mas não ia conseguir, ele era forte e rápido, e estava por cima de mim, até que ele pegou minha espada e jogou pela janela, me puxou pelos pés com esforço (me debatia insanamente) e me pôs para fora da janela, segurando apenas um pé meu.

– Isso é por tentar me roubar... Adeus garotinho. – E me jogou.

Senti como se estivesse voando, de olhos fechados eu ia para a morte. Talvez não fosse tão ruim morrer.

Até que algo como um anjo veio e me pegou, abri os olhos e os cabelos rosa de Hayley me vinham ao rosto. Ela havia salvado a minha vida. E ainda estava com a minha espada segura em suas mãos, naquele momento, minha vida a pertencia, talvez sem mesmo ela saber, eu a devia uma vida.

– Conseguiu?

– Sim, está no meu bolso. — Ao ouvir isso ela sorriu, com real felicidade.

– Obrigada.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado.
Opiniões, coisas a melhorar, idéias, tudo bem vindo, comentem por favor!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.