Os Embaixadores de Orbis
3 O presidente
Notas iniciais
Priam, 01:32, 03/02/2260
– Vamos! – disse Joshua já se levantando – É aqui que vocês vão ficar.
Eu desci apressadamente do veículo, com grandes expectativas e sede de conhecimento sobre como todo aquele sistema humano funcionava.
– Tome, você pode precisar. – Ele me ofereceu uma máscara que me ajudaria a respirar melhor. Eu não a usei, não achei que realmente seria necessário.
Durante todo o caminho eu não havia prestado atenção na dimensão disso tudo, quando descemos meus olhos percorriam o lugar em busca de algo que tivesse cor que talvez me desse esperança, não encontrei nada. Estávamos em frente ao grande prédio, onde havia enormes avenidas, veículos menores do que o que viemos em formatos estranhos e pessoas que andavam apressadamente pelas calçadas, as mulheres usavam roupas estranhas que mal cobriam sua pele, talvez estivessem com calor, usavam uma tinta no rosto que eu via raramente nos rostos das mulheres em Orbis, algumas com mascaras. Talvez os homens admirassem aquilo, pois nenhum deles estava espantado como eu, muito pelo contrário, olhavam como se as contemplassem. Como aquele lugar era iluminado, mesmo sendo noite haviam pessoas animadas, centros de entretenimento iluminados. Olhei para o céu e vi frestas de luz escapando das nuvens que preenchiam maior parte do céu. Era como se o satélite natural quisesse brilhar, implorasse isso, mas ninguém o ouvia. Não havia uma estrela sequer.
– Vamos apresentá-los ao presidente que está os aguardando e abrigá-los aqui nesse estabelecimento. Já está tarde. – Ele parecia apressado.
– Presidente é um tipo de chefe, ou algo assim? – Disse Klaus, um dos orbianos que vieram comigo.
– Exato. – Respondeu com um sorriso amigável no rosto, pela simpatia de Joshua, eu tirei conclusões de que ele era representante do presidente, ou algo assim.
Ao todo, éramos vinte, somos um tipo de “experiência” feito pelos organizadores da seleção para a missão. Do tipo: Se tudo der certo, mais deles irão. Afinal, não é todo mundo que se voluntaria para vir a um planeta perigoso, devastado e desconhecido.
Por fim, entramos no prédio espelhado, a recepção era grande, com detalhes nas paredes e um chão tão limpo que quando olho vejo a mim mesmo. Depois de o meu deslumbramento passar, me acostumei com o luxo daquele lugar e cumprimentei o presidente, que era apenas um pouco mais baixo que eu, seu cabelo era grisalho, mas seu rosto jovial, ele tinha uma cicatriz na testa que estava em parte coberta pelo cabelo, seus olhos arregalados (normalmente essa era a expressão que víamos nos rostos das pessoas que olhavam para nós) eram castanhos, com algumas variações de castanho claro no olho esquerdo.
– Sejam todos bem vindos, sou o presidente Gilbert Dan Roth – Ele parecia orgulhoso ao dizer que era o presidente daquele lugar, mas não entendi porque, já que a missão dele de governar todos havia falhado completamente. — Devem estar cansados da longa viagem – ele continuou — vou deixar que descansem bem em seus quartos e amanhã discutiremos que milagre faremos. Seus quartos tem purificador de ar, portanto não morrerão sem fôlego.
Enquanto nos encaminhávamos ao corredor dos quartos, nos deparávamos com as expressões faciais dos funcionários daquele lugar enquanto eles olhavam para nós espantados, eu simplesmente devolvia a expressão. Uma senhora que passava fixou os olhos em mim e me acompanhou com o olhar até me perder de vista, seu olhar estava quase gritando: Eu nunca pensei que viveria para ver esses alienígenas estranhos, onde estou? Observei todos entrarem em seus quartos, era minha responsabilidade primária mantê-los a salvo. O amigo mais chegado que eu tenho dos selecionados é Moa, resolvi ir ao quarto dele para saber o que ele estava achando disso tudo. Bati na porta e entrei.
– Pensei que não iria falar comigo hoje Dr. Priam – Disse quase em um tom irônico. Eu e Moa fomos amigos de infância e depois nos afastamos.
– É que isso tudo é meu maior sonho e meu maior pesadelo ao mesmo tempo.
– Eu entendo. – Ele pausou – É muita responsabilidade alguém de vinte e quatro anos liderar uma missão à um planeta que clama por socorro.
– Será que conseguiremos? – Perguntei.
– É uma tarefa difícil, mas não desista, é claro que o processo vai ser lento. Viu como é difícil respirar lá fora? E todas aquelas pessoas apressadas correndo para satisfazerem seus desejos egoístas... Tem algum plano concreto de como reverter essa situação?
– Acho que sim. – Suspirei – Tenho a leve impressão de que não conseguirei dormir, apesar de estar com tanto sono que a gravidade parece estar mais pesada sobre minhas pálpebras.
– Tente. Tenha uma boa noite, amigo. – Moa tinha uma expressão amigável, cabelos da cor da pele e olhos acinzentados com uns riscos azuis que não mudaram desde a infância.
– Boa noite. – Disse, e me retirei.
Chegando ao meu quarto vi um bilhete que dizia: Estejam prontos às 10:00. J.R.
Comecei a dizer a mim mesmo: Você tem que dormir e descansar, amanhã a batalha se inicia. E foi assim, revirando meus pensamentos que caí no sono na cama mais confortável que já deitei.
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