Os Dois Anjinhos
12 Capítulo 9 – Primeiros momentos
Notas iniciais
"Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é difícil pra que tem coração.” Jonathas Hardy
Hinata só pode engolir seco e, quando o fez, a pergunta de Ino desceu junto. Como ela havia descoberto? Quando havia descoberto? Como iria explicar tudo para ela? Afinal, Ino sempre fora uma ótima amiga e estava apaixonada pelo pai de seus filhos; a idéia de esconder isso dela foi até que boa, porém... Não esperava que ela tivesse descoberto tão rapidamente.
— O que você disse Ino? — perguntou Sakura, atordoada.
— Qual é? Vocês ouviram bem: Sora e Kouji são filhos do Naruto, certo?
Respirou profundamente e soube que não poderia mentir para a amiga; nunca pode. “E nunca menti”, pensou e colocando os cabelos atrás da orelha. “Apenas omiti.” Era verdade, até certo ponto. No meio de sua briga mental, decidiu contar a verdade mesmo que ela pudesse machucar a amiga e mesmo que pudesse perder sua amizade, ao menos, não mentiria para ninguém.
— Anda, Hina! Para com esse suspense e me responda: são ou não filhos do Naruto? — perguntou a loira já começando a perder a paciência.
— São, Ino-chan — murmurou e deu um sorriso triste — Eles são filhos de Uzumaki Naruto. E creio que você vai querer ouvir a história toda.
(...)
Entrou em seu quarto e jogou-se na cama. O dia fora agitado e cansativo e conseguiu fechá-lo com chave de ouro: tendo um encontro com Ino. Bem, não foi exatamente um encontro; apenas levou-a para casa. Ali, notou o quanto a loira era uma pessoa maravilhosa. Divertida, sorridente e extremamente linda. Merecia alguém tão bom quanto ela... Só que esse alguém não era ele e tinha certeza disso.
Naruto colocou as mãos na nuca e olhou para o teto. Sabia que alguma coisa estava errada naquela pequena viagem. Não era a Yamanaka, não era o local que, por sinal, era dentro de seu carro. O problema era ele. Sentia que não se encaixava naquele lugar com aquela pessoa.“Mas quem será que deveria estar ali, então?” Era uma dúvida para ele e continuaria a ser.
— Por que chegou tarde, Naruto? — perguntou uma voz familiar e apoiou-se nos cotovelos para ver quem era.
Na porta de seu quarto, estava sua mãe. Com os longos cabelos vermelhos e algumas mechas batendo na clavícula, olhos azuis penetrantes; a pele morena e corpo todo bonito. Em seu olhar, havia um pouco de irritação e preocupação. Apenas revirou os olhos e sorriu para a mãe.
— Levei a Ino para casa, kaa-san. — confessou e voltou a se deitar.
— E foi sem me avisar? — a irritação era explícita na voz da ruiva.
— Kaa-san, eu tenho vinte e sete anos; sei me virar na cidade onde nasci e cresci. Além do mais, não acha que estou bem gradinho para ligar para a mamãe de dez em dez minutos?
— Não! Você ainda é meu bebê e isso nunca vai mudar — bufou e cruzou os braços no peito —; eu ainda sou uma mãe coruja. Agora, venha aqui para mim te dar um beijo de boa noite.
— Kaa-san preguiçosa e exigente — sussurrou para si mesmo, enquanto se levantava e ia até o encontro da Uzumaki.
— Nani? Está falando alguma coisa, Uzumaki Naruto?
— Nada não.
Abraçou a mãe e esta retribuiu, apertando-o mais a si e murmurando um “Aishiteru, meu filho”. Respondeu com outro eu te amo e sentiu-a beijar sua testa, como se ainda fosse uma criança. Viu-a sair do quarto com um sorriso e acenou para seu pai, que estava vendo a cena da porta do quarto. Fechou a porta do quarto e foi tomar um banho. Quando voltou secando o cabelo e apenas de toalha, foi até a escrivaninha e ligou seu notebook. Por algum motivo, quis ligá-lo. Foi trocar de roupa e, logo depois, sentou-se e foi mexer em seus e-mails. Um lhe chamou a atenção.
— Currículo? — clicou e viu o nome — Só pode ser brincadeira...
O nome que estava escrito? Hyuuga Hinata. E fora mandando por Nobuhiko, o diretor da produção e o cara mais difícil de contratar pessoas em toda a empresa. Ou seja, ele realmente gostara da Hyuuga. Suspirou e massageou as têmporas. “Como é que ela pode voltar para minha vida, assim: tão repentinamente e tão radicalmente?” Pensou. Entretanto, uma coisa ele sabia: ela não tinha saído de sua vida, apenas estava ausente. E as fortes lembranças da faculdade eram a prova disso.
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Parte Um (Primeira Vista)
O balançar do metrô não a incomodava. Era algo tão ritmado que acabava deixando-a um pouco relaxada. O vagão cheio mostrava que a vida em Tóquio não era fácil e, sim, muito corrida. No começo, ficou sentada, no entanto, quando viu uma senhora entrar e procurar um lugar, cedeu o seu. Sua mãe, antes de morrer, lhe ensinara que deveria ser sempre gentil com qualquer pessoa.
Saiu do vagão e voltou para as ruas movimentadas. Sempre foi um pouco estranho andar pelas calçadas lotadas de pessoas, afinal, Hinata cresceu em uma cidade pequena e, por mais que fosse bastante populosa e crescida economicamente, não pensava que existia tanta pessoa quanto agora, enquanto via aquela multidão.
Andou poucos quilometro e parou da Universidade de Tóquio. Os portões vermelhos convidativos e tipicamente japoneses estavam abertos e grupos de jovens adultos entravam. O nervosismo e a ansiedade voltaram novamente e mordeu o lábio inferior. Não poderia voltar atrás, não agora que já havia se mudado para a capital e já estava estabelecida. Deu um passo para trás e acabou esbarrando em alguém.
— Ai, meu Kami! — murmurou e se virou, ajudando a garota a levantar — Gomen.
— Tudo bem; eu também estava distraída. — sorriu a estranha e sorriu timidamente — Deve ser uma das novatas que entrou agora; sou Yamanaka Ino. Faço curso de medicina. E você?
— Sou Hyuuga Hinata e pretendo fazer arquitetura.
— Aqui tem arquitetura? — perguntou a loira, levantando uma sobrancelha.
— Tem, é porque está dentro da faculdade de artes e ciências. — deu de ombro e sorriu. — É um prazer conhecê-la, Ino-chan.
— Prazer, meu amor, só tem na cama — sussurrou no ouvido da Hyuuga de uma maneira maliciosa e fez que a morena corasse — Onw, que gracinha você corada.
— Arigatou... Eu acho.
— Vem, tenho que te mostrar para Sakura-chan; ela também deve adorar você. — pegou a mão da garota e puxou-a para dentro dos portões — E eu também tenho que dar umas pancadas nela por não ter me acordado.
Hinata mal conseguiu falar, pois a loira não parava contar sobre sua vida; falou que tinha um namorado, que a tal Sakura – também conhecida como testuda – era sua melhor amiga e sempre estavam juntas, inclusive, moravam juntas. “Não pense besteira, ouviu, dona Hinata?” Apontou Ino e a morena apenas corou mais uma vez.
Enquanto ouvia a mais nova e falante amiga, olhava o lugar que era belo. O campus tinha cinco prédios e cada um tinha um nome diferente. Diferente da cidade que tinha pouquíssimas árvores, tudo era bem verde e com muitas árvores, principalmente Ichô. Havia apenas um caminho que ia da saida até a entrada dos prédios, o resto era tudo grama.
— Ah, achamos! — sorriu a loira e a Hyuuga prestou atenção — OH, TESTA-CHAN, SUA FILHA DA MÃE!
— Ino-chan! — tentou repreender a amiga e acabou ainda mais corada — Onegai, não chame muita atenção.
— Que isso, Hinata-chan. Você já chama atenção por si só.
Ela sabia disso, pois era muito bonita. A Yamanaka voltou a puxá-la e, desta vez, elas tinham um destino que era ir a o encontro da garota de cabelos rosa e olhos verdes, sentada embaixo de uma Ichô. O que não havia percebido era que, ao lado desta, tinha um rapaz muito lindo. E, assim que notou, já era tarde demais. Os olhos azuis vivos do tal cara já tinham encontrado com os seus e ela ficou hipnotizada com aquela imensidão azulada. Passaram alguns minutos e viu um sorriso prepotente crescer no rosto dele, deixando-o ainda mais... Sexy.
— Hinata! — chamou Ino, acenando na frente de seu rosto e fazendo-a piscar — Não caia nessa armadilha; acredite muitas já caíram.
— Que armadilha, Ino-chan? — sorriu, um pouco envergonhada.
— Não se apaixone pelo loirinho ali...
Franziu o cenho e assentiu, sabia que ela deveria estar certa, afinal, ela parecia ser amiga do tal loiro que, ainda naquele dia, descobriu se chamar Naruto. Quando ela se aproximou da arvore, o Uzumaki se levantou e falou alguma coisa para Sakura que apenas assentiu. Sentiu-se ser puxada pela loira mais uma vez e, mesmo sendo proibido, olhava o tal loirinho se distanciar. O seu andar era confiante e todos olhavam enquanto ele passava – todos não, todas. Piscou e voltou-se para Ino.
— Testuda, sua filha da... — começou Ino.
— Tenha respeito por minha okaa-san, Porca-chan! — advertiu Sakura.
Depois de uma pequena discussão, a rosada e a morena foram apresentadas. Mostraram para a novata todo o campus e falavam que ela era uma pessoa muito fofa. Hinata sorriu com o elogio, só não sabia o porquê se pegou pensando no rapaz de olhos azuis cativantes.
Flash Back Off
— Você lembra-se desse conselho, Ino? — perguntou a Hyuuga, sorrindo sem olhando para a loira.
“Não”, pensou e sentou-se sobre o balcão. “Realmente, havia me esquecido de um conselho muito importante.” Lamentou internamente e prendeu um suspiro.
— Infelizmente, não. — confessou e, olhando para sua perna, soltou um sorriso triste. Sakura apenas observava em silêncio.
— Imaginava... Mas continuando... — murmurou e virou-se para a janela.
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Parte Dois (Primeiro Beijo)
Já tinha um ano e meio que ela estava naquela universidade e fora uma ótima escolha. Conseguira amigas de verdade em tão pouco tempo; conseguira um estágio em uma boa empresa. Tudo estava indo bem... Menos quando o assunto era Uzumaki Naruto. Ela tinha uma desculpa para as amigas, falando que era apenas atração. Todavia, esse papinho não estava colando nem com Sakura e Ino quanto com ela mesma.
Entraram na casa do amigo de Ino, Yukito, e a batida da música estava tão alta que seus tímpanos doíam. A Hyuuga reprimiu o impulso de tampar os ouvidos e dar meia volta. Não que tivesse intimidade com o garoto; só tinha ido para acompanhar a rosada já que a Yamanaka ficaria com o namorado, o Gaara, e a amiga ficaria de ‘vela’. E também tinha outro motivo...
Seguiu as amigas para dentro da casa e constatou que era bonita. Ou, pelo menos, imaginou, pois não conseguia ver muito com a quantidade de pessoas que a empurravam; estava tão cheio que estava difícil de andar, tinha que ficar se esfregando nos estranhos. Só prestou atenção quando sentiu uma mão passar por sua cintura e, também, quando o tal ‘desconhecido’ puxou-a mais ao seu encontro. Iria dar um passa fora no garoto, contudo, congelou assim que viu dois mares azuis.
— Ora, ora! Que surpresa agradável te achar aqui, Hina-chan — sussurrou sedutor em seu ouvido, deixando-a arrepiada.
— N-não te dei o direito de me chamar assim, Naruto — foi dura, mesmo estando toda derretida por dentro.
— O que foi, Hinatinha? Por que está tão má comigo?
— Não enche! — empurrou o garoto e voltou a seguir as amigas.
Ela não viu o sorriso determinado que brincou nos lábios do Uzumaki, pois estava concentrada em procurar as garotas. “Ou será ignorá-lo?” Pensou e balançou a cabeça. Teria que ignorar não só ele quanto seus pensamentos também.
— Ei, Hina-chan! — acenou Sakura e sorriu, aproximando-se — O que houve?
— E-eu me perdi no meio da multidão — mentiu e a rosada percebeu isso, estreitando os olhos.
— Diga a verdade, Hinata.
Suspirou e sussurrou no ouvido dela:
— Depois.
Foi cumprimentar Gaara e alguns amigos dele que ficaram encarando-a de um jeito malicioso. Certo, ela também ignorou isso. Voltou para perto da Haruno e achou fofo quando o ruivo abraçou Ino por trás e colocou seu queixo na cabeça dela. Sentiu uma pontada de inveja e fechou os olhos, tentando mais uma vez ignorar.
Passou um tempo até um rapaz – amigo de Gaara – tirá-la para dançar. Ficou hesitante porque o cara estava um pouco embriagado, porém, após Sakura ficar teimando, aceitou e foram para a pista de dança improvisada que era na sala. Como toda a casa, estava lotada e ainda conseguiram um espaço para dançar. Estava divertido e até deixou o garoto, que ela esqueceu o nome, envolver sua cintura, no entanto, perdeu a graça no momento em que ele resolveu dar-lhe um beijo.
— Não... Eu não quero... — empurrava-o gentilmente.
— Onegai, gata, só um beijinho. — insistia e apertou-a mais conta si, começando a machucá-la e fazendo sentir o cheiro de bebida forte.
— Está me machucando.
— E continuarei até que me beije... — e, para a surpresa dele, ela deu um tapa na sua bochecha e acabou soltando-a. — Ai, garota! Tá maluca?
— Baka! — rosnou e o empurrou. O cara estava tão mal que acabou caindo e foi a chance para fugir.
Deixou seus pés guiarem para qualquer lugar e, quando deu por si, estava no lado de fora; sentada na escadinha de três degraus que levava até a casa. Apoiou os cotovelos nas pernas e colocou em sua cabeça que seu objetivo, agora, era esperar que as garotas saíssem de lá logo. Olhou para o relógio de pulso e gemeu de frustração assim que viu que só haviam chegado há uma hora.
Começou a esfregar em suas mãos e olhou para o céu. O final do ano era horrível por ser muito frio; apenas gostava por causa das lindas decorações de natal que já enfeitavam todas lojas, apartamentos, ruas, casas... Um de seus sonhos era ter uma casa e poder decorá-la nesta época. Suspirou sonhadora e não notou os passos que soaram baixo nas suas costas.
— Suspirando por minha causa? — ouviu e não virou, revirando os olhos. — Eu sei que é...
— Haha, ótima piada. — fingiu rir e continuou olhando para frente — Agora, me deixa em paz.
Em vez disso, Naruto sentou-se na escada não muito distante e também não muito perto dela, fazendo-a bufar.
— Eu vi seu show lá dentro... — comentou o loiro e ganhou sua atenção — Belo tapa.
— E o que te importa eu fazer show ou não?
— Vai ficar assim comigo, Hinatinha? — fingiu ficar triste e fez um bico (muito fofo por sinal) que deixou a garota sem ar. Balançou a cabeça e desviou o olhar daquele rosto, sentindo arder suas bochechas. — Vai, Hina?
— M-me deixa, N-Naruto. E, onegai, pare de me chamar assim.
— Por que, Hina-chan? — murmurou se aproximando — O que tem de errado eu te chamar pelo seu nome?
— Tudo... Quer dizer, nada... Ai, eu sei lá! — exclamou e virou-se novamente para ele, ficando extremamente arrependida.
Há poucos centímetros, estava Naruto com um sorriso sedutor e um olhar fixo no seu. Estava tão perto que dava para sentir o ar quente de sua respiração bater em sua face e seu coração começou a bater muito rápido, em um ritmo frenético. Estava perto demais para ela. Sem pensar, começou a se afastar e sentia o rosto queimar intensamente.
— P-por que v-você gosta de fa-fazer isso... Comigo? — sua voz estava fraca e o loiro sorriu mais uma vez, aproximando-se ainda mais — Por quê? — agora, apenas foi um sussurro.
— Não sei. — confessou e ela mordeu o lábio inferior quando sentiu aquele ar quente bater novamente em seu rosto enquanto olhava para a boca dele.
Então, ele inclinou-se e a beijou. No principio, ela pensou em fugir, só que o Uzumaki não permitiu, passando seus braços pela cintura dela e prendendo-a nele. Em poucos segundos, ela já havia cedido e abraçando seu pescoço, puxando-o mais e deixando-o aprofundar o beijo. Quando as línguas se encontraram, um choque percorreu o corpo de ambos e apertaram-se mais.
Naquele instante, flocos de neves começaram a cair do céu de um jeito suave.
Flash Back Off
Sem perceber, um sorriso cresceu em seu rosto e não soube a razão. Talvez porque aquele fora um dos melhores beijos que já teve; talvez porque aquelas lembranças eram boas; talvez por ser com ela...
— Ela ficou uma gracinha corada quando terminou o beijo — lembrou-se Naruto e riu — Só não foi legal quando ela saiu correndo da festa.
Flash Back On (De novo)
Parte Três (Primeira vez)
Fim do quarto período. Finalmente!
Hinata mal podia esperar pelas férias de verão. Ela e as amigas haviam juntado uma graninha e conseguiram uma estadia de dois meses em um apartamento em Taketomi, o lugar com as melhores praias do mundo. Elas precisavam disso; principalmente Ino que, há pouco tempo, tinha terminado com Gaara e estava muito mal. De verdade. A morena sempre achou que eles fossem casar, surpreendeu-se quando a amiga chegou chorando em seu ‘apertamento’ e murmurando que odiava o ruivo com todas as suas forças.
Estava esticando a mão para tocar a campainha da casa de Sakura e Ino quando a loira abre a porta com violência e, com um sorriso de uma orelha a outra, puxou-a para dentro pelo braço.
— Pontual como sempre, Hina-chan! — falou a Yamanaka ainda a guiando para o quarto. — Por isso sei que posso confiar em você.
— Pelo jeito está ótima, Ino-chan! — sorriu ainda confusa com a reação da amiga.
Quando entrou no quarto da amiga, viu uma pilha de roupas jogadas sobre a cama e algumas já no chão, com uma Sakura quase que se afogando ali no meio. A loira falava euforicamente e a morena acabou se perdendo na conversa. Olhou para a rosada que deu-lhe um sorriso, mostrando que estava feliz por ver a Yamanaka daquela maneira, da sua maneira.
— Vamos, meninas, temos que nos arrumar! — exclamou Ino enquanto jogava mais roupas sobre a cama; não perguntou como tudo aquilo dá ali dentro — A formatura vai bombar!
(...)
Bebeu o último gole e sentia a cabeça girar. Era apenas o segundo copo e já sentia a língua enrolar, mesmo ainda tendo completa consciência de tudo o que acontecia – ou, pelo menos, achava. Como disse a loira, queria esquecer um pouco o seu lado ‘certinha’ e curtir a vida, pois ela não seria eterna. E queria experimentar todas as sensações que tinha direto.
Olhou ao redor e admirou mais uma vez o lugar. Depois da formatura de alguns alunos, todos foram chamados para uma balada, a mais famosa da cidade. O local era enorme e tudo estava escuro, iluminado apenas pelos lasers show e o chão da pista de dança que trocava de cor com freqüência. Ela estava no ‘humilde’ bar que estava extremamente cheio e ela ainda não sabia como havia conseguido um lugar para sentar.
— Hina, eu acho que a Ino está ficando bêbada — comentou Sakura, ao lado da amiga — E você também.
— Que isso, Sakura-chan, eu ainda estou bem — sorriu e olhou para a Yamanaka — Só não posso dizer a mesma coisa da Ino-chan...
— Creio que já temos que levá-la para casa, antes que as coisas piorem. — murmurou e foi até a outra, puxando a morena — Você vai me ajudar.
— Por que eu já sabia disso? — comentou, rindo.
Acharam Ino no meio da pista de dança mexendo-se de uma maneira sexual diante a um desconhecido que começava a apertá-la mais contra si e murmurava coisas na orelha dela, fazendo esta rir e se mexer ainda mais. Em uma das mãos, tinha uma garrafa de Vodka e ela deu um gole longo. Sakura aproximou-se e falou gentilmente para o cara:
— Poderia me emprestá-la por uns minutos?
O rapaz relutou, mas acabou cedendo quando a loira murmurou alguma coisa em seu ouvido.
— Estou a sua disposição, Saku! — brincou e foi tombando até a amiga — Estragou o meu barato... O gostosinho tava no papo!
— Para com isso, Ino-chan. — advertiu a rosada e abraçou o braço dela — Vem, vamos sair daqui.
— Para onde?
— Você vai ver...
A Hyuuga conhecia bem o macete da Haruno; falava que a levaria para dar uma volta e acabaria levando-a para casa. Acompanhou as duas e viu a loira encostar-se na outra; soube que a ela estava caindo no cansaço e na realidade também. Saíram e a noite quente era convidativa, ainda mais com o vento morno que soprou seus cabelos longos. Logo, conseguiram um táxi, entretanto, Hinata não entrou no carro.
— Vamos, Hina! — chamou as amigas.
— Vão vocês, eu arranjo outro táxi.
— Qual é, Hyuuga Hinata! — bufou Sakura. — Entre nesse carro agora!
— Eu não quero atrapalhar. Minha casa é completamente oposta ao caminho da de vocês. Pode ir, não tem problema nenhum.
Elas iriam protestar, só que a morena foi mais rápida e fechou a porta. Acenou e começou a andar pela rua. Procuraria um táxi e logo estaria em sua casa, mesmo que esse não fosse seu desejo. Queria curtir a festa, queria beber mais. Não iria fazê-lo, não poderia, pois no dia seguinte iria viajar com as garotas e tinha que estar disposta. Sentindo mais uma vez o vento morno, fechou os olhos e apreciou aquilo. Foi quando, de repente, ouviu um trovão e pingos de chuva começaram a cair.
— É brincadeira, não é? — começou a correr e acabou em uma avenida. — Agora, também não passa nenhum táxi. Maravilha!
Já estava toda molhando quando ouviu uma buzina...
— Ei, Hinata! Quer uma carona?
Virou-se e prendeu a respiração. Na rua, dentro de um Aston Martin Rapide preto, estava um rapaz loiro que fazia o seu coração bater aceleradamente. A vontade de entrar no carro foi enorme, tanto para ficar próxima a ele quanto por parecer confortável, todavia, seu orgulho não a deixava dar um passo em direção da rua. Por alguma razão, naquele instante que iria falar não, a chuva aumentou e sentiu que até dentro de seu sapato estava encharcada.
— Ultima chance... — sorriu largamente assim que a viu suspirar derrotada e andar tremula até a porta — Boa menina.
— C-c-cala a bo...Ca! — tentava falar em vão, pois sentiu que estava congelando.
Ficaram em silêncio e, como ele não sabia onde era a casa dela, levou-a para seu apartamento. Uma cobertura de um prédio todo luxuoso e caro. Diferente do seu ‘apertamento’, lá era bem grande e limpo, o que fez a garota levantar uma sobrancelha. Os móveis eram simples e o lugar era todo cheio de detalhes. Mais uma vez, arqueou uma sobrancelha e, desta vez, olhou para ele.
— Nani? — perguntou quando notou o olhar dela sobre si — Eu não posso ser organizado?
E ele não era. Duas vezes na semana, uma empregada contratada por sua mãe vinha limpar o apartamento. Só que ele não falaria assim; não se entregaria na cara-dura. Notando o quanto ela estava molhada, perguntou se queria uma toalha e, relutando, esta aceitou. Percebeu que a situação estava bem séria para a garota não ter se recusado e foi até o quarto, logo voltando e entregando-a o objeto. Enquanto Hinata se secava, viu-a admirar o lugar e viu, também, quando seus olhos param em uma foto sobre a lareira. Lentamente e ainda secando o cabelo, ela foi até o porta-retrato e sorriu.
— Que gracinha — sua voz não estava seca como sempre quando falava com ele ou tremula por estar congelando; estava... Normal— Quem são?
— Bem, a garotinha é a Sakura, o loirinho ali é o gatão aqui e o garotinho de cabelos e olhos pretos é Sasuke. — viu os olhos perolados se arregalarem e levantou uma sobrancelha — Não me diga que conhece o Sasuke?
— Não pessoalmente — confessou a Hyuuga e sorriu, pegando a foto —, mas Ino-chan fala que ele é a eterna paixão de Sakura. Quando perguntei para Sakura-chan quem era Sasuke, ela teve um ataque. Ficou vermelha como um tomate e não parava de gaguejar; parecia eu mais nova. —recordou e riu.
Ela ali na sua frente, rindo daquele jeito, não resistiu e virou-a para si. Viu um brilho curioso e misterioso naqueles lindos olhos e seguiu suas vontades. Inclinou-se e beijou-a de uma maneira delicada. Tão delicada que ela achou estranho e, ainda assim, correspondeu e abraçou o pescoço dele. Fazia seis meses que aqueles lábios não se tocavam e a saudade foi sentida pelos lábios da morena.
(Hentai)
Sem perceberem, o beijo foi ficando mais necessitado, mais rápido, mais sôfrego. O desejo começava a aparecer e sentindo isso, iniciaram a se apertar contra si mesmo. As mãos deles não queriam mais ficar na cintura e desceram até a coxa, apertando-a levemente. Entre o beijo, ela gemeu e seus dedos enroscaram nos cabelos loiros dele, puxando para mais perto. Com a ajuda dele, suas pernas foram para a cintura do rapaz e prendeu-as ali.
Quando o ar foi acabando, Naruto passou a beijar o pescoço branco e sensível, e Hinata gemeu, mordendo o lábio inferior. Não notou que o loiro estava se mexendo até sentir ser deitada em uma cama macia. Outro gemido escapou de seus lábios quando ele começou a lamber e a dar chupões em seu pescoço. As sensações que invadiam seu corpo eram boas e inebriantes. Faziam querê-lo mais e mais; e também, amá-lo mais e mais. Por alguma razão, pensou que aquela noite seria nada para ele, que ela seria mais uma na cama dele. Só de pensar, doía e mordeu o lábio novamente, impedindo que as lágrimas caíssem. Não iria acabar com aquilo, pois, naquele momento, se sentia amada por ele e, se doesse depois, tudo bem... Ela achava. Quando deu por si, viu dois olhos azuis examinando cada detalhe de seu corpo e notou que estava apenas com as peças íntima e que ele estava sem blusa. Mesmo sentido o corpo quente de desejo, as bochechas ficaram mais vermelhas do que o normal e, assim que ele percebeu, sorriu e deu um selinho nela, deixando-a ainda mais encabulada.
— Não sei por que está corando... — admirou o corpo dela mais uma vez — Seu corpo é muito lindo.
Sorriu e puxou-o para outro beijo. Algo em seu peito explodia de felicidade e isso incentivou-a. Começou a descer as mãos pelas costas másculas e parou no bumbum dele, apertando-o e fazendo-o gemer baixo entre o beijo. Enquanto a mão direita passava para a parte da frente da calça, a outra subia e descia pelo final das costas, arranhando-o. “Até que está se saindo bem para a sua primeira vez, hein, Hina?” Pensou maliciosa.
O loiro, quando a Hyuuga conseguiu tirar sua calça, colocou-se entre as pernas dela e forçou seu membro rígido contra a entrada desta. O resultado foi que ambos gemeram, já que os finos panos que cobriam os sexos impediam de ir à diante. Então, sem demoras, voltou a beijá-la com volúpia e começou a fazer movimentos nos quadris, insinuando que logo a penetraria e levando os dois à loucura.
Assim que o ar faltou, desceu os beijos para o pescoço e levou as mãos até o fecho do sutiã, demorando um pouco para abri-lo. Quando conseguiu, afastou-se e visualizou o belo par de seios que a garota tinha. Sem demora, caiu, literalmente, de boca e arrancava vários gemidos de Hinata que puxava a cabeça do Uzumaki para mais perto. Enquanto a mão trabalhava em um – apertando, estimulando –, a boca beijava, mordia e chupava o outro; todos os movimentos com veemência.
Os gemidos ficaram mais constantes e Naruto notou que ela estava quase chegando a seu primeiro ápice, então, intensificou os atos e ficou satisfeito quando a ouviu gritar e ficar mole. Levantou a cabeça e encontrou um lindo sorriso no rosto da morena. Mais uma vez, seguindo seus impulsos, ficou dando alguns selinhos naqueles lábios carnudos e ela abriu os olhos ainda sorrindo. Voltou sua atenção as seios; começou com beijos leves, só que, para a surpresa da garota, foi descendo. Passou pela barriga, pela as coxas, pela virilha...
— Na-Naruto-kun — chamou e ele continuou a beijar, apenas levantou o olhar um pouco surpreso; era a primeira vez que ela o chamava de Naruto-‘kun’ — O-o que e-está fa-fa-fazendo?
— Você vai gostar... — então, com um sorriso malicioso, tirou a calcinha da garota de uma só vez, ouvindo um gritinho; apenas não soube se era de nervosismo ou de excitação — E eu também. —sussurrou para si e lambeu os lábios.
Quando sentiu a língua dele começar a movimentar-se sobre seu clitóris, ficou tonta de prazer e seus gemidos quase se tornavam gritos. “É tão...” Ela não tinha palavras para descrever como se sentia e também não se importava. Meio que sem querer, deu um gemido longo e profundo e isso fez o rapaz estremecer e começar a penetrá-la com a língua. E continuaram assim até o segundo ápice.
Ela estava tonta e via milhares de estrelas em sua cabeça. Aquela ‘pequena’ aventura havia levado a ela para fora do planeta e não haviam nem chegado a melhor parte. Esqueceu o que estava pensando no momento em que Naruto a beijou intensamente, fazendo que sentisse o seu próprio gosto. Ficou entre as pernas dela e, separando-se, olhou no fundo de seus olhos. Por alguma razão, soube que era melhor ir devagar. Assim que começou a penetrá-la, sentia que era apertado e aconchegante; e, prendendo um gemido, continuou. Viu um brilho de dor passando por aqueles olhos tão cheios de desejo e viu-a morder o lábio inferior com força, para não gritar de dor. Então, a ficha caiu: ela era virgem e estava perdendo o seu bem mais preciso com ele. Chegou a limite e limpou as pequenas lágrimas que desciam pela sua pele sensível.
Para Hinata, não doeu tanto quanto esperava. Pensava que seria pior, a ponto de fazê-la gritar, pois via nos olhos dele um forte desejo. Contudo, mesmo sem ter contado para ele que era virgem, o Uzumaki estava sendo carinhoso e parecia que queria fazê-la bem. Sentido o coração bater mais rápido e a dor diminuir, mexeu os quadris para trás e depois voltou com tudo, fazendo apenas ele gemer, por que ela ainda mordia o lábio inferior. Perdendo o autocontrole, começou a mexer-se devagar e sentiu que ela também estava acompanhando o ritmo. Gemeu por mais e ele também queria aquilo, pegando em sua cintura e começando a estocá-la com mais força e de uma maneira mais longa. A Hyuuga gemia alto enquanto Naruto arfava, tentando se controlar. Os movimentos estavam sincronizados e frenéticos. Ela soltou outro grito e sentiu todo o corpo amolecer. Ele continuou o ritmo até chegar seu primeiro e único ápice da noite e desabou. Quando levantou o olhar, já totalmente normalizado, viu a morena dormindo feito um anjo e sorriu. Saiu de dentro dela e aninhou-a em seu peito, cobrindo-os com a cocha e logo adormecendo também.
Flash Back Off
— Eu voltei para casa quando acordei. — continuou a contar, ainda sem virar o rosto para encarar a sua pequena platéia — Sentia que meus pés não tocavam no chão. Vocês mesma falaram que eu estava radiante na hora que viajamos. Lembram-se como foi uma ótima viajem? Aquelas praias maravilhosa, com as areias brancas e as águas cristalinas. No mês seguinte, eu comecei a agir de um jeito estranho: comia demais, dormia demais, passava mal.
— Me lembro disso —murmurou Sakura, mordendo o lábio inferior — Lembro que eu e Ino ficamos teimando para te levar no hospital e você falava que estava tudo bem.
— Hai. Vocês falavam que não queriam me perder tão cedo e eu acabei as decepcionando quando fugi. Mas eu não conseguiria continuar aqui se estivesse grávida. Na semana que voltamos, eu fiz o teste e, quando deu positivo, peguei o pouco dinheiro que tinha e voltei para casa. — Hinata deu um sorriso triste.
— Agora, eu entendo.— assentiu a loira e olhou para o chão — Mas por que não me contou que eles eram filhos dele?
— Porque tive medo que contasse para o Naruto e que isso prejudicasse a relação entre vocês, Ino-chan. — suspirou e olhou pela primeira vez depois da história toda para a Yamanaka — Olha, Ino, sei que minha vida não está nas melhores situações, mas eu não posso chegar na cara do Naruto para falar: ei, eu tenho dois filhos com você; cadê a pensão? Sabe que eu sou orgulhosa demais para fazer isso. O problema será se ele descobrir e, simplesmente, deixá-los de lado. Kouji e Sora ficariam muito triste, principalmente Sora, pois ela sempre quis conhecer o otou-san.
— Hoje, Sora falou comigo sobre isso — concordou a rosada e recebeu o olhar das amigas — Ela falou que é o único e maior sonho dela e que vai procurá-lo quando estiver mais velha.
— Viu? Ino-chan, por isso é que eu peço: não conte nada ao Naruto. — implorou a morena e sentia os olhos se encherem de água — Eu sei o que é ser odiada por seu otou-san e eu sofri muito com isso; ainda sofro. Mas eu não tive okaa-san para estar ao meu lado e eu, como uma okaa-san, não quero ver meus filhos sofrerem. É o pior castigo que eu poderia receber em toda a minha vida. Sei que não contei para você e sou uma baka por isso, mas pense neles; como iriam ficar... Não consigo nem imaginar.
Ino, em um movimento involuntário, foi ao lado de Hinata e a abraçou forte. Ela não estava vendo por esse lado. O Uzumaki era uma ótima pessoa, porém não saberia dizer se seria um bom pai. Queria poder falar com a amiga que tudo daria certo e que todos os seus pensamentos eram mentiras... Não podia dizer, não sabia se era verdade.
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