Os Dois Anjinhos
9 Capítulo 8 – Elo entre pai e filho (Parte I)
Notas iniciais
Gente, esse capítulo ficou enorme, então dividi-lo em dois capítulos.
Queria agradecer a Mandinha_Chris que me fez ver que a Ino também merece um final feliz. Então, esse capítulo e o próximo são dedicados a ela. =D'
Espero que gostem.
“Você me diz que seus pais não lhe entendem. Mas você não entende seus pais.” Legião Urbana (música Pais e Filhos)
Olhou o relógio mais uma vez e suspirou pesadamente. A entrevista seria dali a uma hora e a garota que seria babá das crianças, uma tal de Michiyo, que Sakura recomendara, pois era uma vizinha. Não sabia o motivo para a garota demorar tanto, até porque ela morava a duas quadras de distância. Prendeu o segundo suspiro que formou em sua garganta e prestou atenção mais uma vez na televisão.
Kouji, contente como nunca, não parava de se mexer no sofá. Estava vendo seu desenho predileto, Dragon Ball Z. Sora... Onde estava ela? Olhou para todos os lados e levantou-se, surpreendendo-se ao ver a garota encolhida atrás do sofá, de olhos e ouvidos tampados. Agachou-se e acariciou seus cabelos lisos.
— O que houve, minha pequena? — perguntou Hinata.
Sora levantou o olhar e a morena viu algumas lágrimas naqueles lindos olhos azuis. Como todas as mães, a Hyuuga ficou extremamente preocupada e pegou a garotinha no colo, beijando a pequena testa. Quando sentou, ajeitou a sua filha no colo e a aninhou, fazendo Kouji olhar e virar-se para ver o que acontecia.
— Por que está chorando? — perguntou a sua irmã, tentando ocultar a preocupação.
— Conte para nós, minha anjinha. — insistiu a mãe, colocando o cabelo de Sora atrás da sua orelha.
— E-e-eu... Eu... — a voz embargada da menina, dificultava muito. Foi, então, que ambos notaram a coloração vermelha nas bochechas dela, deixando-a parecida com mãe — Eu... Odeio quando o... — fungou e desviou o olhar, muito envergonhada — Goku mo-morre.
— Onw, meu amorzinho. — Suspirou a Hyuuga, aliviada por não ser uma coisa mais séria. — Quando eu era criança, eu também chorava quando o Goku morria. Mas ele volta a viver, meu amor.
— Ma-mas imagina... Como o Gohan... Deve se sentir? — sussurrou e abraçou a mãe com mais força.
Sora sabia que sua mãe estava sofrendo, a diferença é que Hinata sofria por causa dela enquanto a mesma sofria por... Sua mãe? Não, sabia que não era isso. Por mais que, quando sua mãe morresse – que Kami a livre –, ela iria sofrer muito, sabia que não era exatamente esse o motivo. A garotinha pensava na pessoa que sempre soube que a havia abandonado. Seu pai. Nunca o conheceu, nunca o viu, nunca ouviu o seu nome. Pegava-se, uma vez ou outra, se perguntando sobre ele. Onde ele estaria? Como ele estaria? Qual seria seu nome? Quis perguntar para sua mãe, todavia, já sabia que a mulher desviaria do assunto e não lhe falaria nada. Queria tanto descobrir qualquer coisa...
Fungou e impediu-se de balançar a cabeça. Ela não sofreria por um desconhecido... Mas, afinal, por que diabo estava chorando? Sora não sabia a razão. Só lembrava de que, quando viu Goku morrer, pensou em como se sentiria se ela fosse o Gohan. Assim, lá estava ela, chorando. Contudo ai também tinha uma coisa incomum: os personagens tinham uma relação familiar, um elo entre pai e filho; enquanto seu pai não sabia que, provavelmente, ela existia! Então, por quê?Perguntou-se, perdida em lágrimas. Por que eu me sentiria tão mal se ele morresse? Tão mal quanto eu me sentiria se minha mãe morresse?
— Não sei o Gohan, minha anjinha — murmurou Hinata, tirando a menina de seus profundos e secretos pensamentos —, mas eu acho que você deveria relaxar. Você sabe: o Goku sempre vai voltar e ficar com a família dele.
A pequena Hyuuga congelou no colo da mãe e pensou no que ela disse. O Goku sempre volta. Ele sempre volta. Sempre volta. Não pode impedir que a comparação ocorresse: será que, no seu caso, seu pai também voltaria algum dia? E, se voltasse, será que gostaria dela e de seu irmão? E se não gostar, o que ela deveria fazer?
— Sora, Goku é o personagem principal. Ele tem que viver até, pelo menos, o final. — forçou Kouji, sorrindo quando notou que a irmã prestava atenção nele — Além do mais, você sabe que ele volta uns... Sete anos depois, certo?
— Ce-certo. — concordou e aninhou-se em sua mãe.
A morena sentiu-se aliviada quando sua filha foi ficando menos tensa e parando, finalmente, de soluçar. Olhou para a janela e viu que o sol já estava entrando na sala. Isso queria dizer que deveria ser umas cinco horas e... Peraí um segundinho: CINCO HORAS? Kami-sama, ela estava atrasada para a entrevista, porém não havia sinal da babá e não tinha onde deixar as crianças. Logo naquele dia...
Seus pensamentos foram interrompidos pelo seu celular que começou a vibrar na sua bolsa. Desde o pequeno incidente do dia anterior, ela não tinha coragem de deixar o toque ativo. Com um olhar, pediu para Kouji pegar seu celular e o menino foi ainda olhando para a irmã. Hinata sabia que ele estava preocupado também, entretanto, tentava não mostrar, pois sempre seguia os conselhos do avô, Hiashi.
— Mostrar sentimentos não é coisa de homem —lembrava-se de ouvir seu pai conversando com o neto, que ouvia tudo atentamente. Aquela lembrança sempre a fazia revirar os olhos e, daquela vez, não foi diferente.
Terminando de revirar os olhos, percebeu que seu filho estendia o seu celular e pegou-o com um pouco de dificuldade. Quando atendeu, notou que tanto Kouji quanto Sora estavam prestando atenção na futura conversa.
— Alô?
— Hyuuga Hinata? — ouviu uma voz fraca e jovem ao outro lado. — É Michiyo, a babá.
— Yo Michiyo-sama. O que houve? Sua voz mostra que não esta muito bem. — murmurou e rezava para que não tivesse ocorrido nada com a garota, todavia, foi inevitável.
— Hai, Hyuuga-sama. Não estou nada bem. A chuva de ontem de noite me pegou desprevenida e, agora, estou muito resfriada. — houve uma pausa e ouviu-a tossir violentamente — Eu tentei ligar mais cedo, mas só dava na caixa postal. Sinto muito, Hyuuga-sama.
A morena fechou os olhos e conteve outro suspiro. Estava na cara que a Michiyo não fizera de proposito; não era culpa de ela ter ficado doente. E, se suspirasse ao telefone, deixaria a garota sentindo mais culpa do que poderia. Naquele momento, Hinata teria que arranjar sua maneira, porque a única coisa que Michiyo poderia fazer era descansar e melhorar logo desse resfriado.
— Está tudo bem, Michiyo-sama. Arigatou por ter ligado e melhoras. — desligou o telefone e olhou para seus filhos — Temos problemas.
— Qual? — perguntaram juntos, encarando a mãe.
— Não tem ninguém para cuidar de vocês e a entrevista deve ser, mais ou menos, daqui a meia hora. — suspirou e olhou para os pés — Como está muito encima da hora, não tem nenhuma babá para cuidar de vocês. Então, terei que faltar a entrevista e...
— Calma, okaa-san. — sorriu Kouji. — Eu e Sora já entendemos.
— Mas você... Não vai precisar faltar a entrevista. — fungou Sora com um sorriso no rosto até a pouco triste.
— Hai, nós não deixaremos você perder sua primeira entrevista aqui por nossa causa. — concluiu Kouji, estendendo a mão para a mãe e pedindo, silenciosamente, para que lhe desse o telefone.
Hinata sabia que eles pretendiam fazer alguma coisa, pois odiavam quando sua mãe deixava de fazer alguma coisa por causa deles. Ela sabia que eles ficavam sentindo-se irrevogavelmente culpados e tentavam amenizar a situação. Então, depois de alguns minutos alterando o olhar entre seus filhos, rendeu-se e entregou o celular, suspirando. Viu seu filho sorrir e discar algum número enquanto sua filha fungava. Levantou-se e colocou Sora no sofá, falando que pegaria um papel para ela assoar o nariz.
O banheiro do primeiro andar era muito escondido. No corredor, tinha uma pequena porta embaixo da escada e lá era o banheiro. O incrível? O teto não era baixo e o lugar era bem espaçoso, dando um vaso sanitário, uma banheira com um chuveiro e uma pia com um espelho enorme. Segundo Ino, era porque pegava uma parte da cozinha e outra parte do jardim dos fundos. Ainda sim, era realmente um mistério para Hina e, quem sabe um dia, ela descobre alguma coisa.
Pegou um pedaço de papel higiênico e olhou-se no espelho. Seu cabelo azulado estava preso em um rabo-de-cavalo alto com a franja e algumas mechas soltas, além de ter passado um pouco de lápis de olho e um brilho labial. Ela vestia uma blusa de botões lilás e uma saia cintura alta balone preta, além de calçar uma sandália também preta de salto fina e fechada. Não era de espantar que estivesse linda, só que, para ela, estava bom apenas para a entrevista.
Quando voltou, estranhou o largo sorriso no rosto de Kouji e Sora e estreitou os olhos. Entregou a sua filha o papel e ela assoou quase que imediatamente enquanto Hinata se sentou no sofá. Esperou e, assim que percebeu que eles não falariam nada, perguntou:
— Então, o que você fizeram?
— Conseguimos uma pessoa para cuidar de nós...— começou Sora.
— Mas tem que prometer que não vai brigar conosco. — terminou Kouji, com um lindo sorriso inocente.
— Mas por que eu brigaria? — perguntou mais para si mesma do que para seus filhos.
— Porque nós a conhecermos! — exclamaram e reviraram os olhos. — Então, promete?
A Hyuuga olhou mais uma vez seus filhos. Não deveria aceitar, pois o quanto eles a conheciam era o tanto que ela os conhecia. Sabia que, para eles pedirem para prometer alguma coisa, tinha algo que ela ficaria em uma situação que não gostava de ficar. Contudo, precisava de um emprego. Seu pai poderia estar pagando a escola, porém ela queria pagar. Além do mais, teria que ajudar Sakura e Ino a pagar as contas e a fazer as compras, já que, provavelmente, a maior parte das despesas seria dela visto que tinha dois filhos. Suspirou e, mesmo sabendo que se arrependeria, murmurou:
— Hai, eu prometo.
(...)
— Ja ne, Kouji. Ja ne.
Quando desligou o telefone, não conseguiu evitar o sorriso que cresceu involuntariamente. Como adorava aquela criança! Era tão amável, tão divertida, que não parecia nem uma... Criança. Porque, em sua mente, crianças eram definidas como pessoas pequenas que viviam aprontando. Um bom exemplo era ela, que quando menor era o terror para seus pais. Otou-san e okaa-san devem agradecer todos os dias por eu ter saído de casa, pensou e riu, balançando a cabeça.
Ino sabia que Hinata merecia as melhores crianças do mundo; pelo que lembrava, a garota, ainda na faculdade, sofria pela morte da mãe, sofria pelo ódio de seu pai, sofria pelo desprezo desde pequena. Segundo ela mesma, sempre sofrera por amores não correspondidos e lembrava-se de como a morena era atraída por Naruto. Como todas são até hoje, bufou e tentou desviar os pensamentos do rapaz, entretanto, foi inevitável. Desde o dia anterior, com a briga deles, ela não falava com ele. E nem pretendia, não depois do que fez com o Gaara.
Gaara...
Como poderia pensar que ele voltaria tão repentinamente para sua vida. Bem, como se ele tivesse saído, pois parecia que o seu coração ainda batia com força por causa daquele miserável. Que merda! Quis tanto esquecê-lo por tanto tempo, contudo, naquele momento, percebeu que aquele amor ainda estava ali, apenas sendo preservado para um futuro próximo. Um amor que deveria estar preso no passado. Então, o que será que ela sente pelo Uzumaki? Amor também? É certo estar apaixonada por dois caras? Espera, ela está apaixonada pelo Gaara? Porque, até segundos atrás, ela pensava...
Mordeu a mão para não deixar um grito escapar. Que confusão! Estava perdida e em uma emboscada. Seu coração estava se dividindo; Ino sentia-se como se estivesse em um ringue de luta: de um lado, estava Uzumaki Naruto, o homem que sempre foi um amor com ela, sempre esteve com ela em todas as ocasiões; do outro lado, estava Sabaku no Gaara, o homem que estava no seu coração desde muito cedo e, agora, lutava para restabelecer seu lugar.
Quem será que ganharia essa luta?
(...)
Assim que se viu livre, jogou-se em sua cadeira, morta de cansaço. Pensou que poderia descansar um pouco depois de um longo dia de trabalho na ala pediátrica. Pois é, apenas pensou, porque, na realidade, não foi exatamente o que aconteceu. Mal terminou de sentar-se na sua mesa e sua porta foi aberta violentamente. Levantou o olhar para a pessoa e quase voou sobre ela.
— Me deixa, Porca-chan. — bufou e encostou-se a cadeira. — Eu tenho um pequeno período de tempo para dormir, então, não me perturbe.
— Ai, testuda, deixa de ser velha! — Ino revirou os olhos e entrou na sala da amiga — Sabe, você tem vinte e sete anos, não sessenta e sete!
— Hai, mas eu trabalhei pra cacete, Ino! Não tenho a sua vida maravilhosa não, está bem?
— Maravilhosa? Porra! Quem dera eu tivesse!
Sakura notou a tristeza na voz da amiga e olhou para o rosto da loira. A mulher a sua frente olhava para algum ponto no chão e deu um suspiro sofrido. A rosada, naquele instante, confirmou sua dúvida do dia anterior, quando Ino chegou do almoço com uma hora de atraso. Viu, nos olhos azuis, felicidade, tristeza, culpa e, mais evidente de todos, confusão. Ficou tão focada na amiga que acabou não contando para ela sobre a volta de Sasuke.
— O que houve, Ino-chan? — murmurou, ganhando a atenção da Yamanaka — Por que está assim desde ontem?
— Bem, Sakura... — percebeu que ela iria falar, só que algo a impediu — Não importa agora! Eu quero saber se você pode me ajudar.
— Não até você me contar o que houve?
— Sakura-chan! Não insista, onegai! Além do mais, é uma longa história e estou sem tempo. Por isso, depois eu contarei, eu prometo, está bem?
A Haruno revirou os olhos com aquela escapada. Por pouco, ela não havia confessado e aquele “por pouco” a deixou mais convicta de uma coisa: Ino tinha um mundo nas costas e, em pouco tempo, esse mundo também estaria em suas costas. Suspirou e olhou para a amiga, apoiando-se na mesa. Esperava que o que viesse a seguir não fosse muito trabalhoso, todavia, se viesse de Ino, tudo tinha certa “dificuldade elevada” se é que possam entendê-la.
— O que manda dessa vez, Porca-chan? — foi, como sempre, direto ao ponto.
— Então, Sakura, tenho uma missão para nós. —sorriu Ino, sentando-se na cadeira enfrente a rosada.
— Isso tem, de algum modo, haver comigo?
— Acredite: tudo que envolve Hinata tem haver conosco.
(...)
Faltavam vinte minutos para a entrevista quando o táxi parou diante a fachada do hospital, onde Ino e Sakura trabalhavam. Lembrava-se de quando passara ali pela primeira vez, no dia que chegava a Tóquio, e Sakura, cheia de jactância, murmurou que trabalhava naquele local. Era extremamente belo, com lindos jardins, todo espelhado e limpo.
Assim, quando se virou para as crianças, quase que imediatamente soube o que eles fizeram. Fechou os olhos e respirou lentamente, tentando acalmar-se. Eles não fizeram o que ela estava pensando... Não poderiam ter feito! Trincando os dentes e de olhos fechando, conseguiu perguntar com calma:
— Vocês não fizeram o que eu estou pensando, fizeram?
— Se está pensando que pedimos para oba-san Ino e Sakura cuidar de nós... — começou Kouji, sorrindo inocentemente.
— Então, a resposta é sim. Fizemos — terminou Sora, sorrindo como o irmão. — E, como prometido, você não pode brigar conosco!
Hinata suspirou e respirava lentamente para se acalmar. Prometera e iria cumprir, porém não soube se era certo deixar as crianças no hospital, um local sério e cheio de trabalho, onde pessoas morriam enquanto outras nasciam. Além do mais, era o trabalho de suas duas melhores amigas. Se alguma coisa as levasse a perderem seus empregos, sentiria se tão culpada...
— Kaa-san, está com raiva? — perguntou o garotinho, olhando para o rosto da mãe.
— Okaa-san, nós só não queremos ser um peso na sua vida. — murmurou a garotinha, mostrando sua melancolia.
— Hai, sempre fez tudo por nós. — deu um triste sorriso — Apenas queríamos mostrar que te amamos muito.
— Muito mesmo. — abraçaram a mãe e ela continuou — Mas se quiser, podemos voltar para casa...
Vontade de chorar não faltou. Quando as lágrimas deram pista que apareceriam, olhou para cima e percebeu que ainda estavam no táxi. Pagou o homem e os três saíram. Vendo o carro se afastar, chegou à conclusão que não poderia voltar atrás. Nunca pode! Imagina: se Kami lhe desse uma chance para voltar no passado, qual seria a época que consertaria? Olhou para baixo e viu dois pares de olhos azuis céu a encarando, esperando a resposta.
Nada, pensou com um sorriso enquanto se abaixava para ficar na altura de ambos. Eu não mudaria nada!
— Bons, para começo de conversa — murmurou Hinata, puxando os dois para perto —, vocês nunca serão um peso para mim. Pelo contrário: vocês são a minha vida. Depois, claro que faço tudo por vocês! Eu sou a okaa-san de vocês, é meu direito fazer tudo e muito mais pelos dois. E, além do mais, vocês não precisam fazer nada para mostrar que me amam; só falar “aishiteru okaa-san” já está ótimo para mim.
Os dois sorriram e abraçaram-na com força, como se aquele abraço fosse o último, e murmurando “aishiteru, okaa-san”. Era inevitável: quando terminou de falar, ouvia sua voz sair embargada e as lágrimas rolando por sua bochecha. Lágrimas de jubilosas, pois tinha Kouji e Sora, aquelas crianças maravilhosas que tinha muito orgulho de chamar de filhos. Seus filhos. Suas crias. Seus anjinhos.
(...)
Sentadas na sala de espera, Ino e Sakura conversavam sobre como cuidariam das crianças. As duas concordaram e, como faltava meia hora para o fim do turno de Sakura, a salvação era esperar com as crianças na sala da rosada ou ficar com elas na sala de espera, pois era perto da pequena lanchonete do hospital. Filho de peixe, peixinho é. Pensou a Haruno, rindo baixo com a piada interna.
— Qual é a graça? — perguntou Ino, levantando uma sobrancelha.
— Nada demais não. Uma piada que Sasuke me contou ontem... — mentiu e quase ficou surda, porque a rosada deixara escapar o nome do moreno e a loira... Bem, nem um pouquinho escandalosa:
— QUEM? COMO ASSIM, SASUKE, TESTA-CHAN!?
Sakura tampou a boca da amiga quando o supervisor-geral olhou para elas com uma ameaça explicita no olhar. Deu um sorriso sem graça e assentiu, voltando a encarar a Yamanaka com um “cala boca” berrante no olhar. Ino apenas revirou os olhos e tirou a mão da amiga da boca.
— Por que não me contou? Espera, explica direito: você encontrou o Sasuke? Eu pensei que o Naruto faria vocês se encontrarem.
— Naruto? O que ele tem haver com isso tudo?
— É porque...
Foi impedida de terminar quando viu, de canto de olho, três figuras entrarem na porta principal. Olhou e sorriu, levantando-se. A rosada também levantou sorrindo, contudo, parou para sussurrar no ouvido da amiga:
— Você vai me contar essa história direitinho...
— Hai, hai!
— Yo oba-san Sakura, oba-san Ino! — sorriram as crianças e correram para abraçar as supostas “tias”.
— Yo meninas. — sorriu Hinata, aproximando-se. As mulheres, mesmo um pouco distante, notaram o nariz vermelho e a maquiagem um pouco borrada e concluíram que a amiga estava chorando. — O que foi? Por que estão me olhando?
— Por que estava chorando? — responderam fazendo outra pergunta.
— Longa história. Depois eu conto. — sorriu inocente e as amigas também concluíram: precisavam conversar urgentemente. —Mas eu tenho que perguntar: não vai ser problema para vocês? Sabe, é local de trabalho e...
— Não tem problema, Hina-chan. — falou Ino, piscando para a amiga.
— Daqui a pouco, será o fim do meu turno e não tenho mais nada para fazer. Só se chegar uma emergência, mas é muito raro. —sorriu Sakura.
Com um sorriso cansado, a morena abraçou as amigas sussurrando um “arigatou” no ouvido de ambas. Por fim, abaixou para beijar as testas de cada filho que retribuíram beijando cada bochecha. Tanto a rosada quanto a loira achavam aquela cena linda; o amor materno era sempre muito sincero e sempre muito kawaii. Não podiam negar que sentiam uma pontinha de inveja, todavia, não seria para sempre. Logo encontrariam seus amores... Ou, bem, já encontraram.
— Comportem-se e não deixem nenhuma das duas de cabelos brancos, ouviram? — falou séria a Hyuuga e os filhos assentiram. —Se Sakura-chan não sair cedo, eu venho buscar vocês, esta bem?
— Hai! — sorriram e abraçaram a mãe novamente —Aishiteru okaa-san.
— Aishiterumo, meus anjinhos.
E, assim, a morena saiu do lugar. Um pouco perdida, entretanto, com fé que acharia a tal empresa Uzuki. E com a esperança que conseguiria o emprego. Oh, se conseguiria...
Notas finais
"Sou uma gota d'água, sou um grão de areiaaa"...
Enfim, momento Renato Russo. UIHASUAHUISH'
Tá ai. Esse capítulo ficou lindo e sentimental, não?
A parte dois vai ser demais... Hehe, me aguardem. MUAHAHAHA, tá parei. KKKKKKKKKK'
Bjs, fui. =D
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