Os Dois Anjinhos

23 Capítulo 20 – Apaixonada por ele novamente


Notas iniciais
Yoooooooo minna!
Voltei com mais um capítulo e espero que a espera tenha valido a pena, porque esse capítulo tá super cool. >.<'
Quero agradecer aos comentários recebidos!
Então, pessoal, espero que gostem. *-*'

“Aquela mulher resiste ao amor que sente, mas não resiste ao amor que inspira.”Sophie Gay

— Acorda, Naruto! — gritou Kushina e ele colocou um travesseiro na cabeça. — Ai, garoto, eu vou te bater se não acordar.

— Kaa-san — reclamou com a voz rouca enquanto pegava o celular e via a hora —, é nove e meia da manhã!

— E daí? — ouviu-a bufar e sentiu seu travesseiro sumir. — Acorda logo!

De olhos ainda fechados, ele suspirou. Sabia que sua mãe estava ansiosa pela visita que teriam e sabia que ela queria passar o máximo de tempo com os netos naquele dia. Sim, essa era a condição: passar o sábado com Sora e Kouji. Claro que ele não sabia como iria fazer – afinal, não poderia chegar à casa de Hinata falando que essa era a condição de sua mãe perante a grande descoberta do dia anterior. Talvez se ligasse para ela...

— NARUTO!

— HAI! EU JÁ ACORDEI! — berrou de volta e abriu os olhos.

— ENTÃO LEVANTA DESSA CAMA!

A ruiva andou pisando com raiva e bateu a porta dele com força. Apoiou os braços na cama e ficou sentado, sorrindo. Querendo ou não, estava feliz com a reação de sua mãe: ansiosa para conhecer melhor os netos e a nora... “Nora?”, espantou-se com o pensamento. “Eu não estou namorando a Hinata.” Balançou a cabeça para livrar-se dos pensamentos, porém não tinha como esquecer as palavras que seu pai falara:

— E quando descobriu que estava apaixonado por ela?

Ele não estava apaixonado pela Hyuuga! Não estava... Certo? Não tinha como negar que sentia algo por ela visto que se lembrava do gosto amargo que se fazia presente toda vez que ela estava perto de outro homem. Como na noite passada, que teve que respirar muito para não bater no Ero-Sennin. E a pior parte era que não tinha direito de fazer nada – não podia xingar, não podia bater – até porque a mulher era independente e sem dono...

“Por que estou pensando isso?”, passou a mão nos fios dourados e suspirou. “Eu vou tomar um banho; a melhor coisa que eu faço, agora”.

Levantou-se e foi tomar um banho morno com esperança que o rosto da morena caísse no esquecimento. Em vão. Ainda mais quando entrou embaixo do chuveiro e lembrou-se da única noite que ficaram juntos. Do bilhete que ele sempre se lembra, como se as palavras estivessem sido gravadas em sua mente. “Espero não ter te decepcionado, pois eu não me decepcionei.” E como ele poderia se decepcionar? Fora a melhor noite da sua vida por ter sido com ela! Cada sensação que sentira, cada vibração do seu corpo que ansiava pelo dela, cada gemido...

Rosnou e sentiu o calor se concentrar em um local entre suas pernas. Ele não podia acreditava que estava excitado só em lembrar aquela noite. Suspirou e mudou a água morna para gelada, deixando-o arrepiado quando sentiu aqueles pingos congelados descerem por suas costas. Encostou a cabeça na parede e deixou a água bater em seu pescoço.

(...)

A cama era tão macia e o travesseiro era tão fofo. Os móveis eram iguais aos de alguns anos atrás e a pouca luminosidade davam a Hinata uma visão melhor daquele belo quarto na cobertura onde fizera amor com o Uzumaki. E estava fazendo novamente...

Os olhos azuis a encaravam de forma fixa e intensa e ela não conseguia desviar o olhar, não enquanto via aquele brilho carinhoso e cheio de desejo. Tocou-lhe a face com os dedos trêmulos e sorriu ao vê-lo beijar sua mão e retribuir o sorriso. Aquele sorriso que a deixava tonta e completamente deslumbrada.

— Aishiteru, Naruto-kun — sussurrou e viu o sorriso dele ficar mais largo.

— Aishiterumo, Hinata-chan.

E, quando ele estava prestes a beijá-la, Hinata ouviu alguém a chamando, fazendo-a abrir os olhos lentamente e voltar a encarar duas safiras igualmente brilhantes, entretanto, não era as mesmas. O dono daqueles olhos não era o mesmo dos seus sonhos – sim, naquele instante que percebera: tudo não passou de um sonho que, assim que ela acordou, sentiu-se abalada, confusa e... Excitada. Bem diante de seus filhos. Sentiu as bochechas queimarem – mais de vergonha do que desejo.

— Ei, kaa-san — Kouji franziu o cenho e colocou uma das mãos na testa da mãe. — Está tudo bem?

— H-h-hai — gaguejou e respirou fundo. — Não é nada demais.

— Ainda bem, kaa-san — sorriu Sora e começou a puxá-la pela mão. — Vem, você tem visita.

— Nani? Visita? — indagou, surpresa, e então lembrou-se que estavam apenas os três em casa. — Espera um pouco... Vocês abriram a porta enquanto eu dormia? Podia ser um sequestrador, sabiam?

— Gomen, okaa-san — murmuraram em uníssono enquanto o garoto abria a porta do quarto para ser levada pela menina.

A preocupação e a repreensão sumiram assim que encontrou o olhar da visita. De novo, aqueles olhos azuis vivos fitando-a fixamente. Lembrou-se do sonho – os abraços, as carícias, os beijos, o “eu te amo” – e quis muito que tivesse ultrapassado as barreiras de sua imaginação. Percebendo seus próprios pensamentos, quase gemeu em derrota. “A quem estou querendo enganar?”, perguntou-se. “Estou novamente apaixonada por Naruto.”

Talvez esse fosse seu destino; amar alguém que não a correspondia. Um grande exemplo, além do próprio loiro a poucos degraus, era o seu pai que não a amava como um pai deva amar seu filho – aquele amor de modo incondicional, a ponto de morre por sua cria. Ela, Hyuuga Hinata, morreria por seus filhos sem pensar duas vezes. Deveria ser porque eles eram a única razão dela respirar.

Balançou a cabeça e prestou atenção na roupa que ele vestia: uma blusa polo laranja, um casaco grosso preto, uma calça skinny escura e tênis preto da Nike. Foi quando notou que ele também a olhava e corou assim que lembrou que vestia uma blusa de alcinha justa que fazia conjunto com a calça larga. Umedeceu os lábios e limpou a garganta, fazendo-o voltar a encarar seus olhos.

— O-ohayou, Naruto — mudou o peso do corpo para o pé esquerdo. — Tem c-como esperar na cozinha? Eu j-já vou lá, ok?

— Hai, Hyuuga — sorriu o Uzumaki, percebendo o nervosismo da morena e entrou no outro cômodo.

— E vocês dois — virou-se para os filhos que a olhavam com um ar inocente. —, façam companhia ao Naruto — e, quando começaram a descer as escadas, ela avisou. — Depois, nós conversaremos, ouviram?

— Hai, okaa-san — responderam e adentraram na cozinha.

Voltou para o quarto e apoiou-se na porta, fechando seus olhos perolados. Qual seria a razão para essa visita inesperada? Será que ele havia contado para os pais dele e os Namikaze decidiram ficar com as crianças? Não... Não poderia ser! Naruto havia falado que enfrentariam o que viesse independente da opinião dos pais. Será que mudara de ideia? Respirando fundo, procurou e achou seu hobby branco com alguns detalhes preto na aba.

Descendo as escadas e amarrando o laço do hobby na altura do umbigo, ouviu os três conversarem e arqueou uma sobrancelha. Encostou-se à porta e começou a prestar atenção, já que ninguém havia notado sua presença.

— Mas você já provou? — perguntou a garotinha, colocando cereal em duas tigelas.

— Não — confessou o loiro, dando de ombro. — Eu não como mais cereal no café da manhã.

— Sério? — duvidou o Hyuuga, servindo leite para as tigelas e colocando a caixa sobre a mesa. — Não sabe o que está perdendo! É tão bom quando...

— Rámen — completou Sora, começando a comer.

— Rámen? Ah, agora eu quero comer também! — exclamou o loiro e levantou-se rapidamente, fazendo os anjinhos rirem. — Onde ficam as tigelas?

— No armário de cima — murmurou Hinata, fazendo que todos a olhassem. — Segunda porta.

— Arigatou! — O Uzumaki pegou a tigela e sentou-se novamente, colocando cereal e leite e começando a comer. — Nossa, isso aqui é uma delicia mesmo!

— Nós falamos — sorriram os dois. — Naruto-kun, você gosta de rámen?

— Amo desde minha infância. E vocês?

— Hai — concordaram. — Mas a kaa-san não nos deixa comer com muita frequência.

— Nani? — ele olhou para ela. — Por que, Hinata?

— Na última vez que dei muito rámen para eles, ambos ficaram passando mal — respondeu e olhou para os filhos. — Isso vocês não contam, né?

— É só um detalhe, kaa-san — Kouji falou.

— Agora, nós podemos comer mais — sorriu Sora e o irmão concordou.

— Pensarei no caso de vocês... — sorriu e completou: — Se vocês me deixarem conversar com o Naruto. E sem ouvir a conversa, ouviram?

Pegando-a completamente de surpresa, eles levantaram e correram até ela, dando-a um abraço triplo. Sorriu e agachou-se para retribuir o abraço. Beijou a bochecha deles e ambos retribuíram, fazendo-a rir. Logo, se afastaram e pegaram as tigelas. Quando passaram pela Hyuuga, agradeceram e seguiram para sala. Ouviu a televisão ser ligada e soube que eles não prestariam atenção.

Em passos lentos, foi até a mesa e sentou-se de frente ao loiro, encarando-o fixamente numa tentativa inútil de descobrir o que se passava na mente dele e ele fazia o mesmo. Recordou que, há um pouco mais de dois meses, eles estavam assim, se encarando após longos anos sem vê-lo. Com o pensamento de deixar seus filhos fora do alcance do Uzumaki, pois tinha medo que ele os desprezasse. Agora, ele já sabia de tudo e temia que ele tentasse tirá-los de si.

Respirou fundo e começou:

— O que houve, Naruto? Eu não esperava te ver hoje.

— Eu também não — o homem confessou e mexeu o cereal com a colher. — Mas tive um pequeno imprevisto...

— Contou para os seus pais? — indagou e ele assentiu, fazendo-a arregalar os olhos. — Q-qual foi a reação deles?

Os segundos seguintes foram os mais longos da sua vida. Talvez porque o Uzumaki voltou a encará-la assim que perguntou e seus pensamentos não estavam ajudando. Eles querem a guarda dos seus filhos? Será que Naruto se voltara contra os pais ou também apoiou a decisão? Mordeu o lábio e remexeu-se na cadeira. O sorriso largo que apareceu no rosto do outro deixou-a confusa e ansiosa até ele abrir a boca.

— A melhor possível — respondeu o loiro e ela voltou a respirar – nem tinha percebido que prendera o ar. — E eles são a razão de eu estar aqui... Na verdade, é por causa da minha kaa-san.

— E qual é a razão, Naruto? Eu já tô ficando nervosa.

— Passar o dia com os dois — disse ele simplesmente.

— Ah — foi o único som que saiu de sua garganta e franziu o cenho. — Só isso?

— Hai — ele respondeu com cereais na boca. — Eu também estranhei, mas é só isso.

— Hã... Hoje?

— Claro — uma sobrancelha loira foi arqueada. — Não tem nada para fazer hoje, né?

— Não, mas... — a voz dela morreu e seu rosto ficou vermelho.

— Mas?

— Eu não vou conseguir encarar nenhum deles. Vai ser... Constrangedor.

Ele riu da reação dela e aquilo a deixou mais calma. Talvez esteja receosa demais. Segundos depois, o Uzumaki sorriu e prometeu que tudo daria certo, que seus pais não eram tão ruins assim. Riu e ele a acompanhou. Tudo daria certo. Essa a promessa que seu amado fizera e ela tinha certeza que ele cumpriria.

(...)

A bandeja de café da manhã estava cheia e bem leve para a quantidade de alimentos que tinha ali. Carregava-a lentamente e abriu a porta de correr com o pé. Um meio sorriso se formou em seus lábios assim que viu a cena: a pouca luz do Sol que escapava pelas nuvens batiam no rosto de Ino que franziu o cenho, claramente incomodada pela luz. Ela se remexeu e colocou uma das sobre a face, impedindo a luz e, finalmente, abrindo os olhos. Seus olhos azuis encontraram com o dele e um sorriso doce nasceu dos lábios dela.

— Ohayou, meu amor — sussurrou a moça com a voz rouca, espreguiçando-se.

— Ohayou, minha hime— respondeu sorrindo, colocando a bandeja de café da manhã sobre a cama e esticando-se para beijar a testa dela, todavia, a Yamanaka se esticou e acabou beijando os lábios da loira. Afastou-se com um sorriso e levantou-se para fechar as cortinas. — Dormiu bem?

— Nunca dormi tão bem! — sorriu a mulher e sentou-se na cama. — Eu não acredito! Gaara, eu não sabia que você trás café na cama — brincou ela e ele sentou-se ao seu lado.

— Tudo bem; eu não trago mais nada na cama para você.

— Pelo contrário — Ino riu e abraço-o pelo pescoço. — Você pode trazer sempre que dormimos juntos, mas eu acho que irei ficar muito mimada com isso, concorda?

— Plenamente — beijou-a e puxou-a para seu colo, aproveitando a nudez da loira que gemeu baixo quando desceu os beijos até seus seios.

— Gaara, n-nós não íamos tomar café? — perguntou ela, quase cedendo.

— Não — levantou o olhar e deu um sorriso malicioso. — Vamos tomar banho.

Pegou as coxas dela e levantou-a junto consigo, carregando-a para o seu banheiro. Assim que terminaram seu longo banho, secaram-se e comeram o que tinha na bandeja – algumas torradas e pães, várias frutas e uma jarra de suco. Desceram para o primeiro andar e ouviram duas pessoas conversando na cozinha. Temari e Shikamaru, certamente. Apontou para porta e colocou o indicador na frente da boca, mostrando que era para ficarem em silêncio. Teria dado certo se a Sabaku não gritasse:

— Ja ne, Gaara e Ino. Senti sua falta, loirinha!

Congelaram e ele falou para ela esperá-lo lá fora que já voltava. Andou até a cozinha e apoiou-se na porta, observando a irmã devorar um pão. O marido dela estava apático como sempre, contudo, algo nos olhos pequenos do homem denunciava algo. Ele não sabia o que era, então, voltou-se para a loira.

— Como sabia que Ino estava ai?

— Ora! — ela revirou os olhos de boca cheia. — Eu ajudei bastante convidando Mei-chan para festa, sabia?

Mei? O que aquela traidora estaria fazendo por lá? E por que Temari a convidara para festa do Uzumaki? Foi quase possível ouvir um estalo vindo de sua cabeça quando compreendeu. Ino, como ela mesma falara, era orgulhosa demais; só iria correr atrás dele se a própria Mei falasse para ela o que aconteceu realmente. Isso significava que também tinha dedo de certa Hyuuga, visto que a Sabaku não deveria saber sobre a parte que Ino deveria procurá-lo.

Sorriu para a irmã. Tinha uma dívida eterna com ela e com Hinata.

— Já contou para ele? — perguntou o Nara de repente. O ruivo estreitou os olhos.

— Contou o que?

— Ah, preguiçoso, eu queria fazer surpresa — ela tocou a face do marido que deu de ombro e beijou a mão da esposa.

— Que surpresa? — ele não estava gostando nem um pouco disso.

— Não, não, não; essa surpresa era minha.

— Ei, dá para vocês me contarem?

— Tá, seu chato. Você vai ser oji-san!

Inconsciente de qualquer ato, sorriu como nunca havia sorrido e foi abraçar a irmã. Ele não sabia que sentimentos corriam por suas veias, porém sabia que eram bons. Sua família, aquela que um dia não teve esperanças – não com a morte dos seus pais e com o egoísmo de Kankuro –, agora estava aumentando. A Sabaku estava feliz depois de muitos anos de tristeza, junto com seu marido de filho ou filha que logo viria. E, com aqueles sentimentos, despediu-se dos Nara e foi encontrar a amada.

— O que houve? — indagou ela assim que viu o sorriso em seu rosto.

— Temari está grávida.

— Ai, Kami-sama! Sério? — a loira sorriu para o amado e ia passar por ele. — Eu vou lá falar com ela...

— Não — balançou a cabeça e pegou-a pela mão. — Vamos deixar ela com Shikamaru. Acho que ele ainda não engoliu a história completamente.

A Yamanaka assentiu e foram para um pequeno estacionamento, onde ele explicou que era onde os moradores da vila colocavam seus carros. Eles entraram no Volvo dele e logo estavam nas ruas movimentadas de Tóquio. Quando estacionou o carro na frente da casa dela, ela fez menção de abrir a porta, só que ele a puxou e lhe deu um beijo.

— Fica aqui um pouco, vai? — pediu Ino, manhosa.

— Não sei não... Temari pode precisar de mim, não acha?

— Pode, mas para isso que ela tem o Shikamaru — ela riu e saiu do carro, aparecendo na janela. — Vamos! Também quero que conheça meu afilhado.

— Afilhado? — estranhou, saindo do carro. Essa era nova.

— Hai, o filho da Hinata.

Já diante a porta de casa, um bilhete havia sido deixado e ela pegou. Viu um sorriso malicioso escapar dos lábios da loira que começou a ler em voz alta:

— “Ino, estou feliz por você. Acho que agora estamos quites, já que estou indo para a casa de Naruto com Sora e Kouji. Não sei que horas voltarei. Beijos, Hinata!”.

(...)

Kushina olhou pela janela mais uma vez e sorriu ao ver o carro do filho sendo estacionado na garagem. Seria naquele dia que conheceria seus netos e a mulher que seu filho era apaixonado, por mais que ele mesmo não admitisse. A ruiva realmente esperava que ela fosse boa para seu filho, pois, pelo o que ele falara, ela era uma boa mãe. “Ele não vale!”, pensou, saindo da janela. “Ele a ama, então, eu que tenho que avaliar”. Estava prestes a sair quando Minato a impediu.

— Vamos deixar que eles venham aqui, está bem?

— Mas... — ele cortou a reclamação dela.

— Sem mas, onegai, Kushina-chan — ele sorriu sedutor e abraçou-a. Começou a sussurrar no ouvido dela, deixando-a sem muros. — Eu estou tão ansioso quanto você para conhecer meus netos melhor.

— Tá, agora para de falar no meu ouvido com essa voz rouca, Minato-kun — sussurrou e ouviu-o rir. Ele beijou sua testa e se afastou no momento que os quatro entraram na cozinha. — Yo!

Sora vestia uma blusa rosa escuro por baixo do casaco preto, um short com uma meia calça também preta e uma sapatilha; já Kouji estava mais simples com o casaco fechado, uma calça jeans e um tênis. Hinata também estava simples com uma t-shirt manga longa lilás, uma calça jeans e uma bota de cano médio e sem salto preto.

— Yo, Kushina-chan — responderam as crianças e acenaram para o loiro. — Minato-kun.

— Yo, Kushina-san, Minato-san — murmurou a mãe, sorrindo timidamente.

— Que isso, Hinata! — reprendeu a ruiva. — Pode me chamar de Kushina-chan, como os pequenos aqui.

— Está bem, Kushina-chan — a morena disse simplesmente.

— Que tal mostrarmos a casa a vocês? — indagou o Namikaze.

Então, os moradores levaram os visitantes para conhecer a mansão. As crianças tinham reações muito parecidas com de Naruto quando menor, então, para a ruiva, foi fácil ver que eles gostaram da mansão. Assim que terminaram o tour pela casa, ela serviu a mesa com ajuda de Hinata – naquele dia, ela havia dispensado os empregados. Comeram e riram bastante dos gêmeos.

Mais ou menos uma e meia da tarde, terminando o descanso do almoço, todos estavam no quintal. Ela com a morena sentada, observando os loiros brincando com os anjinhos. Conversavam animadamente sobre diversas coisas e riam de vez em quando graças aos Hyuuga. Certa hora, ela não pode se conteve e puxou um assunto que rodava sua cabeça desde que descobrira que era avó.

— Hinata, por que não contou a Naruto que estava grávida?

— Bem... — a outra parecia um pouco incomodada, só que não hesitou ao responder. — Eu tinha medo que Naruto não aceitasse os dois. Na época, eu... Sentia algo por ele e, se ele negasse esses filhos, seria o meu fim. Eu achei melhor fugir, para não ter que passar por isso.

— Ai, Hina, não seja boba! Acha mesmo que eu iria deixar meu filho negar isso? Eu iria obrigá-lo a aceitar, mesmo que eu tivesse que bater nele — riram as duas, entretanto, ela entendia o que Hinata quis dizer. Passou pela mesma coisa há muito tempo, quando engravidou ainda nova. — Imagino que eles deram muito problema, já que eles puxaram tanto ao Naruto...

— Eu queria tanto poder responder essa pergunta, Kushina-chan — confessou a morena, suspirando. — Mas eu, infelizmente, não tenho a guarda de meus filhos. Meu otou-san os pegou de mim assim que eles nasceram e, quando completaram seis meses, fui expulsa de casa. Acho que ficar sem eles foi a parte mais difícil depois do parto.

— Meu Kami! Conte-me essa história direito, desde quando você fugiu até ser expulsa — pediu e olhou para os olhos perolados. — Onegai, Hinata-chan.

A Hyuuga olhou para baixo e assentiu, iniciando a contar sua história.

— Eu não lembro muito daquele dia. Só lembro-me de estar em um avião e não parar de chorar. Uma aeromoça muito simpática estava sempre indo lá, ver se estava tudo bem comigo. Eu, quando cheguei à porta de casa, desmaiei e só contei de minha gravidez no dia seguinte. Meu otou-san nos primeiros dias não reagiu bem, mas quando a barriga começou a crescer, ele começou a ficar ansioso. Talvez, a realidade estivesse atingindo a todos — sorriu a outra e abraçou suas pernas, olhando para os filhos. — Poxa, estou arrependida de não ter trago fotos da minha gravidez. Hanabi, minha imouto, fala que eu fiquei muito kawaii grávida.

— Eu tenho várias fotos da minha gravidez, mas depois eu mostro, tá,Hinatinha?

— Hai, Kushina-chan — Hinata continuou: — Faltava uma semana para eu completar oito meses quando a bolsa estourou. Neji-nissan, meu primo, me levou para o hospital e quem ficou ao meu lado foi ele. No entanto, deu uma complicação. Os dois ficaram enrolados no cordão umbilical e falaram que apenas um poderia sair vivo.

“Lembro do desespero, da angustia, do medo. Eu não queria perder nenhum dos dois; eles passaram a ser meus dois anjinhos, minha vida. Se eu perdesse um... E-eu não conseguiria suportar. Foi quando o menino nasceu. Eu ouvi o choro e fiquei aliviada, mas não pude parar. Poucos segundos depois, veio a menina e, diferente do irmão, não tinha choro. Eu me lembro de ouvir os médicos falarem: “Ela está morta!” e desmaiei.

Olhou para a garotinha saudável que ria enquanto era carregada pelo pai no ombro. Ela nascera morta.Voltou-se para a expressão da morena e viu o sofrimento nos olhos dela. Era como se estivesse vivendo aquilo tudo de novo e sentiu-se péssima por fazê-la lembrar daquilo. Poucas lágrimas rolaram pelas bochechas branquinhas e Kushina sentiu-se obrigada a limpá-las. A Hyuuga também ajudou e sorriu agradecida, fazendo a ruiva retribuir.

— Quando acordei, estava fraca. Minhas lembranças voltaram aos poucos e eu comecei a me desesperar ao lembrar essa frase. Eu pensava que minha filha havia morrido... Minha menininha. Até ver uma mulher entrar com um carrinho duplo. Os dois. O de roupinha azul bocejando e a de roupinha rosa começando a chorar. Neji, Tenten, Hanabi e otou-san entraram no quarto no mesmo instante que minhas lágrimas começaram a descer.

“A minha médica, doutora Ogawa, entrou junto e sorriu extremamente contente. “A menina havia nascido morta, mas conseguimos trazê-la antes mesmo que fosse”, foi a frase mais feliz da minha vida. Neji pegou-a no colo, mas ela não parou de chorar e acabei estendendo os braços involuntariamente. Nos meus braços, ela parou de chorar quando eu falei que era sua okaa-san. Então vi os olhos idênticos ao de Naruto e mais lágrimas rolaram por meu rosto.

— Você já tinha pensado nos nomes?

— Hai... Sora era certo eu escolher. Não por causa do significado que é céu, mas porque era o nome de minha okaa-san. O nome do menino foi mais polêmico, ainda mais porque ele foi o primeiro a nascer. Mas eu escolhi Kouji que significa luz, por ele também ser a luz de minha vida.

— Kaa-san! — gritaram os gêmeos, aparecendo na frente da Hyuuga, pegando-as de surpresa. — Por que está chorando?

— Que susto vocês dois! — resmungou a mãe deles, levando-a mão ao peito esquerdo. — Eu odeio quando vocês fazem isso, sabia?

— Gomen, mas não faz sentido você chorar — comentou Sora, sentando-se na perna da mãe e o seu irmão fazendo o mesmo na outra perna.

— É, hoje não é um dia feliz? — concordou o garoto, estreitando os olhos.

— Claro que é, mas eu estava me lembrando de uma coisa... Triste.

— Nani? — indagaram os dois e fixaram seus olhinhos azuis na morena.

— Ah, sobre a morte minha okaa-san — mentiu a outra, mas não completamente. Afinal, Sora não era o mesmo nome da mãe dela?

— Ah, kaa-san! Não fica triste não, poxa! — sorriu o menino, abraçando-a.

— Hai, a gente está aqui com você, está bem? — abraçou-a também.

Um sorriso encantador surgiu nos lábios da moça que abraçou-os de volta. A Uzumaki levantou-se e limpou-se, indo ao encontro do marido que via a cena sorrindo. Seu filho loiro também via a cena, só que, diferente do pai, estava admirado e um pouco preocupado. Foi naquele momento que percebeu que o seu bebê estava muito feliz por ser pai e... Muito apaixonado pelos três Hyuuga. Principalmente pela Hinata.

Aquilo a fez pensar em uma coisa que tentava correr a muito tempo. Agora, era mais do que inevitável não perceber. “Kami-sama! Eu estou ficando velha!” Uma pontada de tristeza lhe atingiu e postou-se ao lado do amado que abraçou-lhe os ombros e lhe beijou a bochecha. Sorriu e olhou para seu amor. Se ele estivesse ao seu lado até o fim, nem a idade a deixaria depressiva.

(...)

No aeroporto de Tóquio, a moça andava de um lado para outro, já estava uma pilha de nervos. Estava ali há quase uma hora e nada do avião com sua “encomenda” chegar. Quem sabe ele havia desistido... Não, era claro que ele não poderia fazer isso. Não com ela, Shion.

Respirou fundo e foi ao banheiro se ajeitar. Quando se olhou no espelho, quase saiu gritando “Olha o monstro!” para quem quisesse ouvir. Seus cabelos lisos loiros claros estavam um desastre graças á bendita mania de mexer neste de tanta ânsia que sentia. Seus olhos claros brilhavam elétricos. Ela, simplesmente, parecia uma lunática. Molhou suas mãos e passou um pouco de água no cabelo, tentando melhorar a situação.

A pior parte era que seus pensamentos não estavam em seus movimentos e sim na cena que presenciara na noite passada – as cenas que fizeram sua noite não acabar e deixá-la sem vontade de sair da cama. Parecia até um exagero, todavia, o loiro sempre foi seu! E, para sua total infelicidade, todas as mulheres pareciam querê-lo. Não percebeu que pegou sua maquiagem e começou a retocá-la.

Lembrou-se de como era sua vida antes de conhecer seu amado no colégio. Os garotos sempre babavam por ela enquanto caminhava pelos corredores daquele colégio de classe médio-alta e sorria fingida para as meninas invejosas que a encaravam de modo mortal. Sorriu ao relembrar que o seu sorriso inocente poderia realizar com os bakas. O quanto recebeu cartas apaixonadas. Os milhares de suspiros que ouvira. “Eu era uma destruidora de corações”, riu sozinha e, repentinamente, parou.

“Até Naruto aparecer com aquele sorriso amigável e... Sei lá o que mais”. Ela pensara que aquele loirinho de... Quantos anos mesmo? Quinze? Ela não se lembrava de muito. Ela pensara que o Uzumaki seria outro de seus admiradores e, para sua total surpresa, ele nem ao menos dava bola para ela. O garoto passara a ser um dos populares e ela começara a tornar amiga dele... E apenas isso! Aquilo a deixara completamente indignada e intrigada, pois nunca ocorrera algo parecido... E ela não lembrava quando havia se apaixonado.

Quando saia do banheiro, seus olhos encontraram uma pessoa que a vez sorrir maliciosamente. Sua entrega havia chegado e bem a tempo.

(...)

O frio daquela noite estava de congelar os ossos. Olhou para o banco de trás e seus anjinhos estavam dormindo ebem agasalhados, encorados um ao outro. “Ainda bem que me lembrei dos casacos”, pensou e voltou-se para frente. Franziu os lábios numa tentativa inútil de fazer com que seus dentes parassem de bater e abraçou-se, mexendo as mãos para se aquecer.

— Ainda vai tentar esconder que está com frio? — perguntou o Uzumaki e ela o encarou, vendo-o arquear uma sobrancelha.

— N-não é nada d-d-demais — sua voz saia tremula, graças a bater frenético de seus dentes. “Droga de frio!”

Ele começou a tirar o casaco com dificuldade, visto que estava dirigindo, deixando-a com uma visão privilegiada de sua blusa que apertava nos ombros e ressaltava os músculos presentes. Era assim desde que o conhecera – seu corpo não era todo musculoso, contudo, os ombros largos e braços fortes não davam essa impressão. Sem querer, o sonho daquele dia viera em sua mente e corou violentamente. Não era hora para voltar a ser uma adolescente! O rapaz estendeu o casaco e, percebendo a hesitação da moça, murmurou:

— Pega logo, Hinata.

Estendeu os dedos finos e acabou tocando a mão do outro – tão macia quanto quente –, fazendo-a ficar arrepiada. Eram aquelas sensações novamente; o nervosismo por estar perto dele, os arrepios, a imensa vontade de suspirar quando ele sorria. A Hyuuga, infelizmente, não tinha duvida: estava apaixonada por ele novamente. “Tomara que ele não perceba”... Seus pensamentos eram bem parecidos com esse.

Colocou o casaco e o cheiro másculo invadiu suas narinas assim como o calor aconchegante, quase dando a ela vontade de fechar os olhos e apreciar a situação. Quando fora a última vez que sentira aquele cheiro de tão de perto? Nas circunstâncias que se encontrava, não tinha condições de pensar qualquer coisa coerente. E nem queria pensar.

— Arigatou — ouviu-se agradecer, dando um suspiro de jubilo.

— Nada d-d-demais — o loiro riu após a imitação da voz dela que fechou a cara.

— Não tem graça!

— Claro que tem — sorriu o moço ainda com a mão no volante e sussurrou: — Você não sabe como fica kawaii corada.

A morena ouviu e sentiu o coração bater mais forte, além dos olhos se arregalarem e as bochechas ficarem mais vermelhas que o normal. Era óbvio que ele tinha intensão de deixá-la balançada, completamente confusa e esperançosa. O carro parou e seus olhos finalmente se encontraram. Os cinzentos claríssimos contra os azuis elétricos. Pérolas contra safiras. Ambos brilhando com a mesma intensidade.

Foi automático quando seus rostos começaram a se aproximar. Ela nunca conseguira fugir daqueles imensos oceanos, por quê naquele momento conseguiria? Eram raras as coisas que pudessem ser comparados àqueles olhos. Uma delas era um labirinto bem complexo. Em um segundo, você entrava e, no segundo seguinte, já estava totalmente desorientada e sem a menor noção do local onde se encontrava, com quem poderia estar; de sua idade, seu nome. “Ele consegue hipnotizar as pessoas com um olhar”, constatou e a respiração dele já se unia a sua.

Não chegou nem a fechar os olhos quando a realidade lhe atingiu. Estavam num carro. Diante de sua casa. Com seus filhos no banco de trás dormindo. E também não por causa disso: ela não poderia alimentar aquele amor impossível, afinal quem sofreria não seria ela? Estava velha demais para sofrer por amor e sabia que aquele sofrimento chegaria a Sora e Kouji, afetando o relacionamento deles com o pai já que ela não iria mais querer vê-lo. Colocou a mão sobre o peito dele e empurrou-o.

— Não posso, Naruto — balançava a cabeça e não encarava-o. — Gomen.

— E qual é o problema? — indignou-se o loiro.

— Eu... Eu, simplesmente, não posso.

Saiu do carro e foi para a porta de trás de onde pegou Kouji pelo colo. Mais uma vez, Naruto fez questão de carregar Sora – esses dois tinham se tornados bem amigos naquele dia. Não passou pela sala ou pela cozinha, apenas seguiu para o quarto com o loiro no seu enlaço e deitou o menino na cama, vendo o rapaz fazer o mesmo. Cobriu os dois e beijou a testa de cada um.

— Vou te levar até a porta — murmurou sem tirar o olhar dos seus bebês.

Ele não respondeu e saiu do quarto. Ela fez o mesmo e fechou a porta do quarto. Desceram os degraus e ficaram em silêncio até chegarem à parte da frente da casa, onde ela tirou o casaco e estendeu a ele.

— Fica — sorriu o Uzumaki, fazendo um gesto com a mão. — Depois eu pego de volta.

— Tem certeza? Está bem frio, Naruto — insistiu e apontou para sua casa. — Eu estou na minha casa, sabe.

— Aham, mas quero que fique com o casaco.

— Hai — deu de ombro e sorriu gentil, colocando o casaco novamente. — Arigatou pelo dia maravilhoso.

— Eu que agradeço. Ja ne.

Foi quando tudo aconteceu. Foi tão rápido que até agora ela não tinha certeza se acontecera realmente. Assim que Naruto abriu o portão de casa, alguém chegou por suas costas e abraçou-a carinhosamente. Franziu o cenho e virou-se, dando de cara com dois olhos castanhos e recebeu um beijo dessa pessoa. Um beijo saudoso e amoroso que nunca pensou receber dele. Tentou se afastar, mas ele era mais forte. Se afastou dela quando achou que estava bom e colou suas testas, sorrindo largamente.

— Yo, minha hime — murmurou Kiba com a voz rouca. — Sentiu minha falta?

Notas finais
Namoral, eu não senti falta do Kiba não. --'
Agora, a Shion entrou na história e conseguiu trazer Kiba como aliado. O que será que vai acontecer?
Não perca o próximo capítulo de Os Dois Anjinhos. *momento novela on* KKKKKKKKKKKKKKK'
Deixem comentários e acho que conseguirei postar semana que vem. *-*
Bjs, KarolPi