Os Dois Anjinhos

24 Capitulo 21 – No parque Ueno


Notas iniciais
Yooo minna!
Bem, demorei mais duas semanas e trouxe mais um capítulo a todos! Esse capítulo é quase que uma enrolação porque a coisa boa vem no próximo.
Arigatou pelos comentários. =D
Uma notícia triste: este é o penúltimo capítulo. >< BUUUAAAAAA! Chorando muito. Vou sentir saudade dos anjinhos. :/'
Enfim, vamos ao capítulo.

“Palavras são perdidas, promessas são esquecidas, papéis e cartas apodrecem, mas o verdadeiro amor é o que permanece...” Jonathas Hardy

Três semanas depois

As semanas que se seguiram foram as piores e as melhores de sua vida. Mais piores do que melhores, para ser sincero.

Começando com os bons momentos: ele começou a se aproximar de seus filhos. Todos os dias, assim que saia da empresa, tentava ir vê-los. Parecia que eles já haviam se acostumado com a presença dele e Ino e Sakura comentaram que eles só iam dormir depois de vê-lo ou então se ele ligasse para avisar que não conseguiria sair da empresa tão cedo. Sora falava que sentiria sua falta e Kouji perguntava quando ele iria aparecer por lá novamente.

Um sorriso surgiu em seus lábios quando se lembrou disso, porém este logo morreu assim que continuou a linha dos pensamentos. Ainda tinha a parte ruim, não tinha?

Tudo começou quando, há poucos meses, Hyuuga Hinata voltara a Tóquio. De inicio, queria que ela fosse embora porque sua vida estava boa, ele achava; afinal, tinha sua namorada, sua família, sua empresa. O que mais precisava? Mais ou menos naquele instante vieram àqueles novos sentimentos, novas sensações e a descoberta dos filhos. Voltou a se aproximar da morena numa tentativa de ficar amigo dos anjinhos e acabou percebendo que não queria apenas isso; também queria estar com ela.

Lembrou-se da Hyuuga de anos atrás, quando a vira pela primeira vez. Doce, gentil e tímida. A diferença para a de hoje era única: a determinação – a independência veio como conseqüência e tudo graças a ele, certo? Lembrou também qual foi o primeiro pensamento dele quando a viu pela primeira vez: ela era linda e teve um desejo avassalador por ela...

Por que, anos depois, esse desejo só aumentou? Por que ele queria que ela estivesseao seu lado? Por que queria que ela sorrisse para ele? Por que gostava de ver as bochechas dela ficarem vermelhas? Por que queria bater naquele baka que a beijara na sua frente? Por que uma pontada de tristeza lhe atingia sempre que recordava da cena? Por que as perguntas não acabavam?

— Naruto-kun — chamou alguém e ele desviou o olhar para sua porta, vendo Shion.— Estou indo, está bem?

— Hai, tudo bem — murmurou e franziu o cenho. — Que horas tem, Shion?

— 22h10min, Naruto.

— Meu Kami! Já? — “droga, perdi a hora por causa da Hinata... De novo!”. — Shion, tem como me esperar um pouco? Ai, vamos juntos, que tal?

— Okay, Naruto-kun — sorriu a moça enquanto ele pegava o telefone. “É hoje! É hoje que eu falo com ele!”, pensou a loira contente.

Shion queria poder comemorar com o sucesso de seu plano. Há três semanas, desde a chegada de seu aliado, Kiba, seu loiro parou de dar atenção para a outra, pois esta estava muito ocupada com o moreno que sempre estava ao seu lado, impedindo qualquer aproximação do seu homem. Claro que pode notar uma diferença no Uzumaki – pensativo ao extremo e, algumas vezes, suspirava sozinho –, contudo, nada que a assustasse.

— Vamos, Shion? — perguntou seu amado, fazendo-a olhá-lo e assentir. — Pensando em que?

— Nada não, Naruto-kun. Vamos logo antes que você desista de me dar uma carona — pegou-o pelo braço e ele riu. Ele não perdia por esperar.

(...)

Abriu a porta e entrou, deparando-se com o silêncio e a escuridão. Suspirou e tirou o casaco, andando para a cozinha e servindo-se com um copo de leite. Voltou para a sala e, quando pensou em se sentar, a luz desta foi acessa repentinamente, obrigando-a a fechar os olhos. Acostumando-se com a iluminação, Hinata abriu os olhos e deparou-se com Sakurae Ino que a encaravam inexpressivas. Mordeu o lábio inferior e desviou o olhar.

— Hina, não adianta fugir — apontou a rosada e sentou-se ao lado da morena. — Agora, você vai me contar o que está acontecendo com você!

— Não tem nada que contar, Sakura-chan — murmurou, tomando seu leite e sem olhar a amiga.

— Acho que tem sim, Hinata — ralhou a loira e sentou-se no outro lado da Hyuuga. — E você tem que nos contar. Ou você quer que isso, o que quer que seja, chegue aos seus filhos?

Não. Era tudo que não queria. Essas últimas semanas a mostraram o quanto imatura era quando o assunto era amor e não queria que isso afetasse quem ela mais protegia. Entretanto, ambos eram muito inteligentes e já deveriam ter percebido que ela estava diferente. “Culpa do Uzumaki!”, exclamava por pensamento, tentando colocar a culpa em alguém. “Tudo culpa dele!”

Sentiu os olhos encherem de água, os lábios tremerem e o coração ficar apertado. Era isso que dava estar apaixonada por Naruto, alguém que nunca a amaria. Kiba, por mais que não entendia sua vinda à Tóquio e não a desejava também, era sua maior distração. Ele havia falado que havia tirado um mês de férias e decidiu ir vê-la. Quando perguntou o porque, ele simplesmente deu de ombros e mudou de assunto. Por terem sido amigos, ela não conseguia dar um gelo nele e mandá-lo embora.

O loiro? Bem, sumiu de sua vida, literalmente. Parecia que ele não queria vê-la e a evitava ao máximo. Engraçado que sempre que chegava a casa, algumas vezes, acompanhada com o moreno, ele ia embora rapidamente. E era aquilo que estava a matando – preferia tudo, qualquer coisa, menos a indiferença e frieza. Talvez, ele deveria ter percebido que ela estava apaixonada por ele e aquilo era um claro aviso que ele não retribuiria.

Quando menos esperou, as lágrimas estavam rolando sem parar por seu rosto branco e os soluços, mesmo ela tampando a boca, ainda eram altos. As amigas se desesperaram e a Haruno puxou-a para seu colo, tirando o copo de sua mão. A Yamanaka aproximou-se mais e começou a acariciar seu cabelo negro-azulado enquanto ela apenas se encarregava de chorar compulsivamente.

Após alguns minutos de crise, sentia-se melhor e começou a sussurrar o que estava acontecendo:

— E-e-eu... Apaixonei-me novamente por N-Naruto. N-não sei quando... Mas eu s-s-sei que isso tá acabando comigo! K-Kami sabe o quanto e-estou sofrendo com essa frieza dele. A-acho que ele já s-sabe de tudo e está tentando se afastar de mim... Para eu não sofrer, e-entendem? Não está adiantando muito e, e-eu juro, estou tentando d-deixar de amá-lo... Mas é t-tão difícil...

Não deixando que as amigas falassem, voltou a chorar como uma criança e acabou adormecendo. Ino olhou para o estado da amiga e levantou-se. Sentia-se péssima, pois não estava cumprindo sua promessa – aquela da qual ela iria ser o cupido da Hyuuga com o loiro. Boa parte de seu tempo nas últimas três semanas foram gastas com seu amado, Gaara, que estava indo sempre visitá-la e sendo romântico com ela.

— Apenas garantindo o que é meu — sorrira ele quando ela perguntara a razão daquele amor todo. — Não quero te perder de novo.

— E não vai, Gaara-kun — respondera e o beijara.

Agora que estava feliz, correria atrás da felicidade da morena que descobriu ser a ajudante de Temari para juntar ela e o ruivo. E começaria com sua ideia mirabolante na manhã seguinte, assim que acordasse. O sorriso que nasceu em sua face chamou atenção da rosada que ainda estava sentada com a Hyuuga adormecida em seu colo.

— Qual é o seu plano, Ino?

— Testuda, se você quiser participar, vai ter que faltar o trabalho amanhã — confessou e viu a outra fitar a amiga no seu colo, completamente cansada e abatida.

— Está bem, eu topo. — ela murmurou determinada.

(...)

O prédio era singelo e confortável, pintado de amarelo bem clarinho e uma pequena escadaria na entrada. Shion morava no terceiro andar, na porta do final do corredor. Vendo a moça abrir a porta, perguntou-se porque havia aceitado o pedido dela de entrar na casa. Talvez, ele esteja com vontade de falar com alguém e a outra, por ser a única pessoa presente no momento, era sua salvação.

A sala era média com um sofá grande e confortável, uma televisão LEG e uma mesa de centro cheia de revistas de fofoca. O chão era de carpete e as paredes lisas eram rosa claro, com várias fotos dela e da família pendurada por estas. A dona da casa sempre fora uma típica patricinha e sempre seria, constatou e sorriu.

— Sente-se, Naruto-kun — a loira apontou para o sofá. — Eu vou à cozinha pegar alguma coisa para nós bebermos.

— Não precisa se incomodar, Shion-chan — foi sincero e deu de ombros, indo para o sofá e vendo a outra correr para um pequeno corredor no lado direito da sala.

Ajeitando-se melhor no sofá, umedeceu os lábios e encarou o chão. Queria que, enterrados nele, estivessemas respostas das perguntas que lhe rondavam a mente. E tinha outras duas novas: por que Hinata não havia chegado a sua casa? Será que ela estava com aquele homem com cara de cachorro? Sim, ele havia ligado para os filhos antes de sair de sua sala na empresa Uzumaki e, sem mostrar interesse, perguntou a Sora onde estava a mãe dela.

— Kaa-san ainda não chegou, Naruto-kun — suspirara a menina e pode ouvir a mesma bocejar. — Esses dias, eu e Kouji só estamos vendo-a de manhã.

Só de lembrar a voz da garotinha, sentia-se preocupado com a Hyuuga mais velha. Fechou os olhos e tentou afastar qualquer lembrança da morena, todavia, tudo o que conseguiu foi ver o sorriso tímido e as bochechas extremamente coradas da moça, visto que ambos eram a marca dela. Ouviu passos e abriu os olhos que logo se arregalaram com a visão na sua frente.

A loira estava com o cabelo solto com sempre que, porém, estavam bagunçados; a roupa de secretária fora substituída por uma camisola lingerie transparente e rosa bordada nas pontas e mostrando a calcinha minúscula branca, deixando as coxas à mostra. Ah... E ela carregava duas taças cheias de champanhe. Mexeu-se para trás e olhava-a incrédulo. O que estava acontecendo?

— S-S-Shion — gaguejou. — O que houve?

— Não está óbvio? — indagou a mulher e lhe entregou a taça, sentando-se ao seu lado.

— Não! O que significa isso?

— Ora, Naruto, eu estou tentando te seduzir — ela sorriu maliciosamente e os dedos dela começaram a subir pelo braço dele. — Afinal, não foi só para beber alguma coisa que você subiu, concorda?

Certo, ele tinha que concordar porque, quando era mais jovem, sempre que aceitava um pedido de uma garota para ir a casa dela, ele tinha segundas – terceiras, quartas, quintas – intenções. Naquele momento, contudo, ele não estava na casa de uma garota qualquer e sim na casa de uma amiga sua; Shion. Quando essas palavras passaram por sua cabeça, ele levantou-se abruptamente e olhava-a como se ela não estivesse bem. “E não está mesmo!”.

— Shion, não vai rolar — balançou a cabeça freneticamente. — Somos amigos e eu não quero perder sua amizade por...

— É isso que eu sempre fui, não é!? — ela exclamou, parecendo indignada e deixando-o perdido, e se levantou também. — Sempre fui e sempre serei apenas uma amiga!

— Claro que sim! — sorriu como aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo e era mesmo. — Qual é o problema de ser minha amiga?

— Nenhum! O problema é essa amizade ir além disso, pelo menos, de uma das partes!

— Do que você está falando? — indagou confuso e pensou estar preparado para tudo por apenas um segundo... Antes das palavras de Shion fossem jorradas para fora.

— AISHITERU, NARUTO-KUN! — ela gritou e os olhos dela começaram a se encher d’água. — Aishiteru! E você nunca percebeu!

Os olhos dele se arregalaram e ele teve a impressão que eles poderiam sair de sua face. Ele não acreditava no que estava ouvindo... Não poderia ser verdade, poderia? Encarou-a por algum tempo e percebeu que ela parecia convicta sobre aquele fato, como se todos já tivessem notado... Menos o baka aqui.

— E-e-eu não acredito em você — conseguiu responder, tentando mostrar-se convincente e realmente perturbado com as palavras ditas – e ele conseguiu muito bem, visto que estava realmente perturbado. — Não pode ser real...

— Ah, mas, para mim, é bem real — ela tentou ser irônica, todavia, sua voz a traíra, porque ela mostrava o quanto magoada a loira estava. Ela, realmente, esperava um “eu amo você também”?— Até porque sou eu que estou sentido meu coração acelerado, não é verdade?

— Então... Desde quando?

— Desde a adolescência, quando você chegou à nossa antiga escola — murmurava a mulher, olhando para qualquer canto. — Eu pensava que você seria apenas mais um de meus seguidores já que todos os meninos da escola ou gostavam de mim ou já ficaram comigo. Mas não foi isso que aconteceu... Você ainda sofria pela Sakura — ela disse o nome da rosada com desprezo. — E, mesmo ela não estando nem ai para você, você estava lá com o rabinho abanando para seguir qualquer ordem dela. Eu fiquei revoltada; tipo existia um garoto que não estava nem ligando para mim! Comecei a me aproximar, tentando fazer que você se apaixonasse... — um sorriso venenoso cresceu no rosto dela quando pronunciou as palavras seguintes: — Mas o feitiço se virou contra o feiticeiro, não é verdade?

Assim, naquele momento, descobriu que a Yamanaka sempre esteve certa. Shion era apaixonada por ele. Ela era sua amiga e ela havia se apaixonado por ele. Ele poderia sentir ao por ela além de amizade? Duvidou muito; algo dentro de seu ser lhe impedia de amá-la. Pensando melhor, esse algo eram duas coisas. Hinata era a primeira delas...

O que? Como assim, Hinata era a primeira razão para não se apaixonar por ninguém? Não estava entendendo nada, mas era um pouco óbvio: ele estava apaixonado pela Hyuuga e não conseguia compreender que sentimento era aquele que fazia seu coração bater aceleradamente no peito. Sim, o Naruto continuava a ser o baka de sempre.

E a segunda razão para não apaixonar pela loira? Ele já havia esquecido – era a consequência de pensar na morena.

— Shion — murmurou após longas horas na mente da mulher que o olhava esperançosa de uma resposta que não vinha. E, provavelmente, não viria. — E-eu... Eu agradeço por sempre ter estado comigo durante todos esses anos. Por ser uma boa amiga... Mas eu não posso retribuir esse sentimento. Eu só te vejo como uma amiga e...

— E daí? — exclamou a moça, começando-a se aproximar. — Você não precisa retribuir esse sentimento... Eu posso te amar por nós dois.

— Você não está entendendo...

— Claro que estou — ela o cortou e pegou sua mão. — Acho que é você que não está me entendendo, Naruto-kun — puxou-o ao encontro dela, colando seus corpos e ficando a poucos centímetros da boca dele. — Eu quero ser sua. Mesmo que você não me ame. Onegai, Naruto! Onegai.

Foi quando a carência o atingiu. Há meses não se sentia amado e há semanas – mais exatamente três, ele não parava de ter sonhos com certa pessoa de cabelos negro-azulados e olhos cor de perolas que sempre o deixavam ardendo de desejo e raiva. Ele poderia aproveitar um pouco, não é? Afinal, ele era um homem. No momento seguinte, a loira abraçava-o pelo pescoço enquanto ele aprofundava o beijo. Talvez fosse errado o que estava fazendo, dando esperanças à garota.

No entanto, ele estava sendo mais egoísta do que nunca.

Os lábios dela eram macios e a língua dela era habilidosa. Ambos lutavam para ver quem explorava mais a boca do outro. As mãos dele exploravam com urgência o corpo da mulher apaixonada que gemia quando o sentia em um local prazeroso. Deitou-a no sofá e ficou sobre ela, afastando-se para descer os beijos pelo pescoço dela. Tirou a camisola transparente e observou as curvas da moça – não eram perfeitas como a de... (ele impediu-se de terminar o argumento).

Suas mãos foram para os seios médios da loira que gemeu alto. Não era o gemido que queria ouvir. Sentiu seu membro roçar na intimidade molhada da outra e ela gemeu novamente. Ainda não era o gemido que queria ouvir. Mesmo assim continuou a beijar o pescoço e foi descendo para o colo. Brincando com os mamilos rígidos, ele abocanhou os seios de Shion que agora gemia com mais frequência. E, mais uma vez, tudo aconteceu rápido demais.

— Ah... Ai-aishiteru, N-Naruto-kun — ela sussurrou entre os gemidos.

—Aishiterumo, Hina-chan.

Pronto. Essas duas palavras acabaram com a noite dela. Em um minuto, Shion estava sendo beijada por seu amor e, um segundo depois, ele falou que amava outra. Falou que amava a Hyuuga. Logo a Hyuuga... Ambos pararam de se mexer e viu um brilho de confusão passar pelos olhos cor de safira; ela, por outro lado, estava completamente convicta do que havia ouvido: ele amava outra mulher, não ela. Sentiu o corpo másculo sair de cima do seu, fazendo-a sentir o ar frio apagar seu fogo, e ouviu-o murmurar alguma coisa, ouviu também a porta ser fechada.

Ela pensava que o amava; pensava que o amava tanto a ponto de fazê-lo corresponder. Não sabia o que esperava, apenas estava arriscando pelo amor que pensou ser incomparável e fora ai seu maior erro. Ela percebera, finalmente, que não o amava como esperava; era apenas uma obsessão para que ele gostasse dela, que ele percebesse que ela não era apenas mais uma amiga.

Foi quando notou as consequências de todos os seus atos. Sentia-se humilhada, sem vontade de ver ninguém. Perdeu um grande amigo, uma pessoa que merece ser feliz mais que tudo. Mais uma vez, ela estava agindo para atrapalhar isso, visto que ele queria a Hyuuga; e ela, com Kiba de aliado, faziam que eles não ficassem juntos.

Suspirou. Para pelo menos tirar o peso de sua consciência, tinha que fazer alguma coisa. E iria, sem duvida.

(...)

Era nove e quinze da manhã quando entraram no Aston Martin DBS de Sasuke. Sakura deu um beijo nele e Ino fez uma careta, mostrando o seu desconforto e sua saudade pelo namorado. Tudo bem que ela tinha visto-o no dia anterior, entretanto, eles ainda estavam naquele efeito de começo de namoro, o qual nenhum dos dois queria se desgrudar do outro. Vendo o casal distraído, pegou o celular e ligou para o número que já havia gravado. Ela pensou que, certamente, ele estaria dormindo. Para sua total surpresa, Gaara atendeu no segundo toque e sua voz não estava sonolenta.

Ohayou, minha hime — ela quase pode ver o sorriso de canto dele e sorriu encantada. — Dormiu bem?

— Ohayou, Gaara-kun. Hai, dormi. Mas você falando com essa voz animada em plena manhã... Acho quem não dormiu bem foi você, viu?

Ino, desde quando voltamos, as únicas noites que eu não consigo dormir bem acontecem quando você está aqui — ele sorriu malicioso do outro lado da linha enquanto a moça sentia as bochechas queimarem de leve.

— Gaara — repreendeu e riu baixo.

Mas é verdade, não é? — brincou o ruivo novamente e ela riu novamente. — Eu só estou acordado porque o Shikamaru me acordou desesperado! Temari estava com desejo de comer uma fruta, eu acho, e falou para eu ficar de olho na grávida enquanto ele iria comprar a comida “problemática”.

— Onw, que gracinha! Shikamaru vai ser um ótimo pai, não acha?

Sei lá; só espero que meu sobrinho...

— Ou sobrinha — murmurou, revirando os olhos.

Não venha tão preguiçoso quanto o otou-san.

Ela riu e começaram a conversar. Contou sobre sua missão “secreta” e contou de outras poucas novidades. O Sabaku, no começo, não gostou do plano, só que percebeu que ela não voltaria atrás e acabou cedendo – tanto pela namorada quanto por Hinata, pois ela era uma das pessoas que investiram no namoro deles. Sakura que, de vez em quando, dava uma olhada para a amiga no banco de trás sorria ao ver a loira feliz com o namoro. O Uchiha, percebendo sua namorada sorridente, arqueou uma sobrancelha e lhe chamou a atenção, perguntando se estava tudo bem.

— Está sim, Sasuke-kun — confessou e pegou a mão dele, dando um beijo nesta e acariciando-a com o nariz. — Eu só fico feliz em saber que minha amiga está aproveitando o namoro.

— Agora, só falta o Naruto e a Hinata — desta vez, ele quem beijou a mão dela e acariciou-a com o nariz.

— Hai, mas eles vão se resolver ainda hoje. Eu tenho certeza disso.

Chegando a mansão, a rosada teve que arrastar a outra para seu namorado poder ir embora – um pedido dela, porque as moças queriam falar a sós com o Uzumaki. Assim que tocou a campainha, demorou poucos segundos e a porta foi aberta por uma das empregadas que sorriu para a Yamanaka, pois já a conhecia desde o namoro com o seu patrão mais novo. Permitiu a entrada delas e perguntou se queriam que ela as acompanhasse; a loira sorriu e falou que não era incomodo, já que conhecia a casa como a palma de sua mão. Subiram e a amiga abriu uma das portas do corredor, puxando-a para dentro do cômodo.

Lá estava o causador da choradeira da morena no dia anterior. Ele parecia dormir tranquilo e sereno. “Se o mundo acabasse agora, ele nem perceberia”, concluiu a Haruno. No entanto, por mais que não tivesse falado com o amigo por algum tempo, ela conhecia o homem e sabia que ele não dormia, apenas fingia. Como nos velhos tempos, Sakura pegou um travesseiro não utilizado pelo rapaz e jogou um para Ino que pegou e ficou sem entender. Fingiu que iria bater no dorminhoco e mexeu os lábios em um “Acorda Naruto!”. A outra assentiu e levantou três dedos, mostrando que iria contar até o três.

Um... Dois... TRÊS!

— ACORDA NARUTO! — berraram em uníssono e bateram com os travesseiros com força nas costas desnudas do mesmo.

O loiro pulou da cama, alarmado e com os olhos arregalados, fazendo as duas gargalharem – era bom voltar a infância por alguns minutos. Então, ele encarou-as com um olhar mortal e uma cara de poucos amigos, fazendo-as rirem ainda mais. A rosada já sentia uma dor na barriga e tinha lágrimas nos olhos enquanto a loira rolava de rir.

— Haha, não achei nada engraçado — murmurou o outro e sua voz nada cansada confirmara o que ela tinha pensado: ele não estava dormindo.

— Isso é por que... — respondia, parando de rir aos poucos. — Você não... Viu a sua... Cara!

— Muito hilária — concordou a outra, secando as lágrimas. — Deveríamos fazer isso com mais frequência.

— Tá, tá — ele revirou os olhos e sentou-se na cama. — O que querem?

— Primeiramente, ohayou! — desejou e sorriu amigável.

— Segundamente, bela samba canção — a Yamanaka zombou e foi quando percebeu que ele estava com uma samba canção com vários rámen minúsculos com uma aparência apetitosa e saindo fumacinha. Riu e sentiu-se corar um pouco, nada comparado com o Uzumaki que até parecia um tomate enquanto a outra se mostrava indiferente. — Onw, que kawaii, Naruto-kun. Ficou vermelhinho que nem a Hina-chan.

— Ah, cala a boca, Ino!— respondeu o loiro cobrindo-se até a cintura. — O que mais?

— Bem, falando sério, agora — murmurou e aproximou-se do amigo, sentando-se ao seu lado e ignorando o fato dele estar seminu. — Nós viemos aqui falar sobre a Hinata.

(...)

O telefone da sala não parava de tocar!

Ela começou a se estressar e obrigou-se levantar do sofá para atender aquela droga. Cansada e com dor em alguns lugares do corpo, a Hyuuga começou a ter flashes de lembranças da noite passada. Sakura e Ino a pressionando para saber a razão de ela estar tão distante, ela chorando por causa de um amor não correspondido. No seu íntimo, sentia-se muito melhor – mais leve, mais segura de que não vai desmoronar na frente de seus anjinhos. Alongando o pescoço, pegou o telefone e tentou parecer simpática.

— Alô?

Yo Hina-chan! — a voz animada lhe era familiar. Piscou e identificou rapidamente a dona da voz.

— Tenten-chan! — o mau humor de alguns minutos sumira e um sorriso caloroso cresceu em seu rosto. — Kami, quanto tempo!

É! Você me trocou novamente pelas suas amiguinhas de Tóquio — a chocolate (era o apelido que a Hinatinha deu a ela) fingiu ficar com ciúmes e ambas riram. — Eu estava com saudade, Hyuuga! E dos meus anjinhos também! Manda um beijo para eles!

— Eu também, Tenten. Vou mandar sim. Como está? Como vai a vida?

Bem, bem. Ah, nenhuma novidade! Só que o Hikaru que está me dando muita fome — a Mitsashi deu de ombros enquanto a morena congelou.

— Ai meu Kami! Eu não acredito! — exclamou e levou a mão à boca, escondendo um largo sorriso de felicidade de ninguém em especial.

Hai, Hinata! É um menino! Eu falei pro Neji que seria um menino, mas ele não acreditou! Haha, se deu mal!

Tenten estava grávida de quatro meses quando vieram para Tóquio e ainda não sabia o sexo da criança. Ela teimava que seria um menino e seu primo achava que era uma menina linda para se parecer com a mãe. Naquele instante, a amiga deveria ter seis meses, quase completando sete e, como a mesma pedia, veio um menino. Imaginou a cara de desilusão do Hyuuga e riu.

— Como vai Neji-nii-san?

Tá uma pilha, menina. Ainda mais agora, que estou quase com sete meses. Acho que ele está muito ansioso para ver o bebê, sabe?

— Ah, que ótimo, Tenten-chan — sorriu e este logo morreu. — E meu otou-san?

Bem. Neji foi vê-lo há pouco e daqui a pouco estará de volta — suspirou a chocolate. — Tá, já contei as poucas novidades; sua vez.

Suspirou e, um pouco hesitante, começou a falar resumidamente como fora os meses em Tóquio. O emprego novo, a rotina cansativa, o pai dos seus filhos. Claro que, nessa parte, a outra ficou sem reação e começou a fazer perguntas do tipo “Já contou para ele?”, “Ele é um péssimo pai?”, “Ele engoliu bem essa história toda?”, etc. A chocolate, porém, só ficou alvoroçada mesmo quando contou que estava apaixonada por ele novamente; “Quando descobriu?”, “Como isso pode acontecer?”, “Ele já sabe?”. Hinata só não pode responder todas as perguntas graças aos passos que ouviu do andar de cima e falou que teria que desligar. Tenten relutou e conseguiu desligar no momento em que os filhos entraram no cômodo.

— Quem era? — indagou Sora, bocejando.

— Não me diga que era o Kibaka de novo — irritou-se Kouji, cruzando os braços na frente do peito.

— Era Tenten — riu e chamou os filhos para abraçá-los. — Mandou um beijo para vocês e avisou que é um menino.

— Viva! — comemorou o garotinho. — Mais um Hyuuga para a família!

Riram as meninas com o entusiasmo do pequeno. Ele não tinha jeito.

O resto do dia foi ótimo. Ela ficou o dia inteiro com os filhos, tentando se redimir pelo tempo perdido. Brincaram de esconder, ficaram no jardim – mesmo que com o vento frio. Quando era umas três e pouca, Ino chegou com um enorme sorriso e desejou uma bela boa tarde a todos. “Passou o dia com o Gaara”, deu de ombros e voltou a ver o filme com os gêmeos. Nada fora do comum...

Até receber uma mensagem de Sakura.

— Kaa-san! — chamou o menino e apareceu na porta da cozinha, onde estava ela e a loira conversando.

— Seu celular! — a Hyuuga mais nova apareceu atrás da porta e o irmão estendeu o celular dela.

Estranhou e pegou. Era uma mensagem da amiga rosada que, por acaso, já deveria ter chegado em casa. Hesitou por uns segundos e olhou para a amiga que a encarava ansiosa. Deveria querer saber o que aconteceu. Fitou o aparelho novamente e leu silenciosamente:

“Hinata, eu briguei com o Sasuke-kun e estou sem condições de sair daqui sozinha. Vem me buscar aqui no Ueno*, onegai.

Sakura.”

— O que houve, kaa-san? — perguntou Sora, fazendo-a voltar a vida.

— Aconteceu alguma coisa? — estranhou a Yamanaka.

— Eu... Vou ter que dar uma saída bem rápida. Chama um taxi para mim, Ino-chan — sorriu e levantou-se, indo em direção ao segundo andar.

— Por que? — indagou o Hyuuga, olhando a mãe do primeiro degrau.

— Nada demais, meu amor.

Entrou no quarto e suspirou. Era só o que faltava. Colocou uma roupa de frio: uma blusa, um sobretudo preto, uma calça jeans clara, uma bota também preta e uma touca lilás. Desceu e deu um beijo nos anjinhos, falando que voltaria logo. E partiu para a noite fria e calada daquele sábado assim que ouviu a buzina do carro.

Dentro do carro, não parava de pensar na razão da Haruno ter discutido com o namorado a ponto de não querer vê-lo. Será que eles haviam terminado? Claro que não, afinal, eles se amam de verdade e, por esse motivo, o amor deles suporta tudo. Só deve ser uma crise de namoro. Chegando ao destino, pagou ao motorista e lhe desejou uma boa noite.

O parque Ueno era belo e imenso. Na primavera, o parque sempre ficava cheio, graças as cerejeiras que ficavam impecáveis na época. Naquele momento, no outono quase inverno, o local continuava lindo mesmo com poucas folhas rosadas nos galhos das árvores. Andou lentamente e mandou uma mensagem para a amiga, perguntando onde ela estava. Procurou-a com o olhar e nada. Após alguns minutos, respirou fundo e sentou-se em um banco de madeira diante à pequena lagoa do parque.

Onde estava Sakura?

Esfregou as mãos e tentou esquentá-las com seu bafo, o que não deu muito certo. Quando iria tentar novamente, ouviu uma voz que fez que ela estremece. Talvez porque não a ouvia a muito tempo ou, então, porque esta parecia mais grossa que o normal por causa do frio. Seja qual for a razão, ela sentiu todo o seu corpo ficar arrepiado.

— Esqueceu as luvas dessa vez, Hyuuga? — Naruto sorriu de canto, como se já a conhecesse há muito tempo. E conhecia mesmo. — Será que podemos conversa agora

Notas finais
*Ueno, como já devo ter explicado na história, é um parque lindo e muito famoso por sua quantidade de Sakuras >.<'
Eu sei que devo uma pequenas explicação; tipo, o Kiba mal entrou na história e já não é tão importante. Eu só coloquei o Kiba pra fazer o Naruto enxergar que ama a Hinata, sacaram?
Legal a Shion! Eu me sentiria extremamente humilhada se estivesse no lugar dela. >.
O próximo é o último! BUAAAAAAAAAAAA'
Aguardem, pois estará cheio de emoções.
bjs, KarolPi.