Os Dois Anjinhos
22 Capítulo 19 – Fingindo (GaaIno)
Notas iniciais
Bem, voltei com outro capítulo. *-*'
Queria agradecer todos os comentários e também a recomendação de kika!
Arigatou por tudo e fazerem-me feliz, por mais que eu não esteja postando com tanta frequência, né? ¬¬'
Enfim, ao capítulo.
“Mas eu persisto, me mantenho forte; imaginando se ainda pertencemos...” Glee (música Preteding)
O vento que, antes, parecia até está morno, ficou mais frio que cubos de gelo; ela só não poderia responder se era ou por causa da estação – outono, bem próximo do inverno – ou pela situação que estava. Estremeceu pelo frio que lhe subiu a espinha. Mais uma vez, lá estava ela, Yamanaka Ino, diante algo que mexia com toda a sua estrutura: seu passado.
Olhou de cima a baixo a mulher a sua frente. A mulher de lindos olhos cor jade que sempre eram tampados pela franja; o cabelo não tinha uma amarra no alto da cabeça como de costume – em vez disso, estavam soltos, deixando as lindas madeixas impecáveis. “Agora, dá até para entender porque Gaara me traiu.” Não era um pensamento animador, contudo, era a verdade.
— O que quer? — falou assim que se recuperou do choque inicial.
— Bem, para começo de conversa, eu achava que você iria me atacar — confessou Mei, sorrindo cinicamente.
— Vontade não me falta — respondeu e sua expressão era, para o desespero de qualquer pessoa, indecifrável; quando estava com aquela “máscara”, nem mesmo ela sabia o que ela poderia fazer.
—Também espera perguntas...
— O que quer? — repetiu e continuou: — Como me achou? De onde conhece o Uzumaki?
— Quero conversar com você sobre um assunto mal resolvido e creio eu que você sabe do que estou falando. As outras duas não tenho motivo para responder. — a morena deu de ombros e olhou para a sua unha.
— Então, você já pode ir embora — falou, desviando o olhar. — Eu não tenho que saber de nada sobre você e o... Gaara.
— Ah, sim, tem. Eu posso até não ser uma ótima pessoa e o que eu fiz com você é uma prova disso, mas isso mudou de figura quando me falaram que os dois são tão cabeças-duras que... Ai, dá até raiva de falar!
— Eu não sou cabeça-dura — defendeu-se e franziu o cenho.
— É sim. Está na sua cara que ainda é apaixonada pelo Gaara! E sabe por que ainda não voltou para ele? Porque é orgulhosa demais! Ou seja, uma cabeça-dura.
— Você não é ninguém para falar como eu sou — rosnou e ignorou a razão, pois esta gritava “ela está certa! Ela está certa!”.
— Eu não sei, mas quem me convidou sabe e muito bem.
— Naruto?
— Não vou falar quem foi. Mas você vai ouvir essa história... Querendo ou não.
Nesse instante, Mei começou a fechar as portas que levavam ao salão e parecia não se importar muito com as pessoas dentro do salão. Ino não conseguia se mexer e, se tentasse, sabia que não haveria apoio para suportar seu corpo. Que história ela pretendia lhe contar? A loira não fazia ideia e tinha medo do que viria.
Ouviu a morena suspirar assim que fechou a última porta e começou a caminhar pelo local, admirando a paisagem. A Yamanaka sentia-se mais ansiosa que o normal só de ver os passos lentos e calmos da mulher. Ela sentou-se no muro que separava a varanda do jardim e passaram-se alguns segundos antes de começar.
— Eu tinha doze anos quando conheci a família Sabaku. Foi num festival que tinha em nossa vila, todo inicio de verão para que a estação viesse cheia de alegria para o pequeno local. Minha família havia acabado de se mudar para lá e nós não conhecíamos ninguém até que Temari apareceu e nos cumprimentou. Levou-me para conhecer seus irmãos e foi quando conheci Kankuro. E quando me apaixonei por ele. — ela deu um sorriso irônico e parecia perdida em seus próprios pensamentos. — Não que ele fosse bonito, mas era gentil e amigável. Essa minha “paixonite” me acompanhou até dia quinze de abril,há, mais ou menos, seis anos atrás.
Flash Back On
O dia estava quente, muito quente para dizer a verdade. Entretanto, a moça que andava de calça jeans e blusa de renda parecia não se importar muito com esse pequeno detalhe. Ela estava feliz; muito feliz! Quando acordara, havia recebido uma mensagem de seu amado, falando que precisava falar com ela antes que saísse para ir à procura de algum emprego. E lá estava Mei, sorrindo e quase correndo para a casa de Kankuro.
Quando chegou a porta e estava prestes a tocar a campanha, és o momento que saia o ruivo com um largo sorriso no rosto e com um brilho apaixonado no olhar.
— Yo Gaara-kun. Que alegria, viu? — comentou e ele a olhou, ainda sorrindo.
— Yo Mei-chan! É por causa da data; hoje, eu e Ino fazemos mais um mês de namoro.
— Poxa, vocês estão juntos há muito tempo, certo? — lembrou-se ela, retribuindo um sorriso.
— Hai e é por isso que hoje vou pedi-la em casamento.
— Ah, parabéns Gaara-chan! — abraçou o rapaz. — Felicidades ao casal.
— Arigatou! Agora, deixa-me correr que eu ainda tenho que ir buscar a loirinha e Sakura. Ja ne.
— Ja ne — ela respondeu e ele correu para longe. A morena sorriu e viu a porta aberta. — Vou ver o que Kankuro quer e seguir o meu rumo.
Entrou na casa e foi até o quarto do moreno. Bateu na porta e ouviu um “entra”. Abrindo esta, deparou-se com o homem que fazia seu coração ficar acelerado desde seus doze anos. O rapaz tinha cabelos escuros e curtos que apontavam para todos os lados; olhos pequenos e rosto liso. Estava arrumado para o trabalho e sorriu ao vê-la, fazendo que seu coração batesse mais rápido.
— Ohayou Mei-chan.
— Ohayou. — respondeu e foi se sentar na cama do homem; por mais que gostasse dele e ele soubesse disso, eles eram amigos. — Acordou mais cedo que o normal para me mandar uma mensagem às seis da manhã.
— Até que não; estava no meu horário — ele deu de ombros e sentou-se na cama, ao lado dela.
— Aham, acredito — falou enquanto examinava suas unhas feitas recentemente. — Mas o que quer falar comigo?
Sim, ela agia com indiferença na maioria das vezes que falava com ele. Pelo menos, desde o dia que se declarou para este, na tentativa de esquecê-lo completamente e, de quebra, mostrar que não tinha mais interesse algum. O pequeno problema desse plano era que ele não estava dando muito certo, porque ela ainda amava-o.
— Quero lhe pedir uma coisa — o tom de voz brincalhão sumira, sendo substituído por algo mais sério.
— Que seria...
— Quero que você me ajude a acabar com o relacionamento de Gaara.
Ela olhou assustada para ele e toda a sua barreira de “indiferença” virou pó. Como? Ela estava ouvindo direito?
— Nani? Eu acho que não ouvi direito — murmurou, olhando-o incrédula.
— Ouviu sim, quero que me ajude a fazer o Gaara e Ino terminarem.
— M-m-m-mas por quê? — ela não podia acreditar que estava gaguejando.
— Simples: eu não quero meu otouto casado com aquela... Baka! — ele bufou ao falar o nome da moça e continuou. — Ele está muito jovem para casar.
— E o que você tem haver com a relação deles? Caramba, Kankuro, eles se amam desde sempre e não faz sentido você fazer que eles se separem por causa do casamento. — explicou um pouco alterada com as palavras que ouviu. — Já conversou com Gaara? Falou que está cedo demais para ele fazer isso?
— Já, já! — ele levantou-se e começou a andar pelo quarto. — Ele falou que estava mais do que na hora, porque eles se amam e blábláblá.
— Então, pronto!
— Só que eu não vou deixar. E você vai me ajudar!
— Não vou não! — ela levantou-se e cruzou os braços. — Não vou te ajudar a fazer uma idiotice dessas!
— Vai sim... — ele sussurrou e ela olhou para o Sabaku... E o que ele fez, deixou o coração da morena aceleradíssimo. A mão doce e macia do rapaz estava sob o seu queixo, elevando-o para que ela encarece o fundo daqueles benditos, ou malditos, olhos. — Onegai, Mei-chan. Se você ama minha família... Se você me ama de verdade, você faria isso por mim.
Ela não estava realmente prestando atenção nas palavras que ele falava e sim no que ele estava fazendo: se aproximando cada vez mais dela, como se algo o atraísse e, então, os lábios dele tocaram seus lábios trêmulos de ansiedade. O beijo não era amoroso, como ela imaginava, porém era desejoso e carinhoso. O coração dela bateu aceleradamente e sua mente estava perdida – nada, para ela, fazia sentindo naquele momento. Nadinha. Quando o ar acabou, ele começou a descer os beijos pelo pescoço dela. Mei estava entregue aquelas caricias tão almejadas por todo seu ser.
Naquela manhã, a morena sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo; sentiu-se amada e querida; sentiu que seu amor estava, finalmente, sendo retribuído. Assim, naquela manhã, ela entregou a única coisa que ainda não havia entregado ao homem que amava desde seus doze anos: ela havia entregado seu corpo.
(...)
— Gaara! — chamou, assim que viu o rapaz sair pelo portão do prédio. Ele parou, todavia, ela podia perceber que ele não queria ter parado; estava nervoso e ansioso, igual a ela.
— Yo, Mei-chan — sorriu ele e arqueou uma sobrancelha enquanto ela se aproximava. — Não deveria está a procura de um emprego?
— Hai, mas eu tenho uma coisa importante para te falar — o tom de sua voz era desanimado. — De preferencia, a sós.
O ruivo deve ter percebido o tom de voz e assentiu, guiando-a para um local reservado. Sentia-se péssima por ter aceitado aquela proposta de Kankuro. “Como eu me rendi tão facilmente?”, perguntava-se e reprimiu um suspiro. Era impossível não resistir, pelo menos, para ela que sempre fora apaixonada por Kankuro. “Espero que a promessa dele se cumpra...”.
Quando pararam, ela viu que estava no palco de um teatro abandonado. Teias de aranha estavam presentes e a madeira do chão, quando era pisada, chiava ruidosamente. Olhou os olhos verdes-claros do homem a sua frente e mordeu o lábio inferior.
— O que aconteceu, Mei-cha? — ele indagou e franzi o cenho. — Algo deu errado?
— Gaara... Você sabe que sempre fui apaixonada por Kankuro. E que faria qualquer coisa por ele... — murmurava, aproximando-se lentamente.
— Não estou entendendo — confessou o ruivo e estreitou os olhos. No exato momento que uma porta foi aberta no teatro, ela pegou o rosto dele e aproximou-se dos lábios dele.
— Gomen, Gaara-kun. — e o beijou.
Flash Back Off
— Depois que sai daquele teatro, eu me senti a pior pessoa do mundo — continuou a morena. —; me sentia uma marionete; me sentia manipulada; me sentia traída pelo meu próprio coração. Eu pensava que conseguiria viver com esse peso e conseguiria viver em paz com Kankuro. Mas tudo o que aconteceu foi exatamente oposto. Então, fugi. Fui para outro país e fiquei por lá me recuperando. E lá, conheci meu verdadeiro amor — e, pela primeira vez, ela sorriu contando a história. — Hoje, estou casada há um ano e meio e sei que sou feliz, mas eu não conseguiria viver se não te procurasse e te contasse tudo isso. Temari e uma amiga sua me ajudaram a te achar e conseguiram um convite para eu vir a essa festa e contar tudo a você.
A loira não sabia o que falar. Não tinham palavras que pudesse compreender o que estava sentido ou, se possível, aquele sentimento não existia – era uma mistura de pena, raiva, dor, amor e arrependimento, principalmente arrependimento. Engoliu seco e tentava não chorar. Gaara estava certo; sempre esteve e sempre estaria. E ela sabia disso desde o início. Eles sempre se amaram e por causa de algo que ele não teve culpa, ela conseguiu terminar com tudo aquilo. “Por que?”, pegou-se perguntando. “Por que eu fiz isso?”
— Agora, Ino, quer um conselho? — falou Mei e Ino se surpreendeu em ouvia a voz da moça embargada. Ela parecia sofrer tanto quanto ela. — Vá atrás de Gaara. Vá atrás dele agora! Porque o amor de nossa vida só bate em nossa porta uma vez e, se não for recebido, ele vai embora.
(...)
— Já tem algum tempo que Ino sumiu — comenta Hanabi ao seu lado e ela retribuiu o olhar. — Será que aconteceu alguma coisa, nee-chan?
— Eu não sei,Hana— mentiu e olhou para outro canto, mordendo o lábio inferior.
Era claro que sabia. Sabia que a loira estava ouvindo a verdadeira história por trás do termino dela com Gaara. Sabia que ela esquecia a culpa de Mei e passaria a culpa Kankuro por tudo aquilo. E por que aquele egoísta havia feito aquilo com ela e com a Mei? Só ela e Temari sabiam: o Sabaku também era apaixonado por Ino e não queria que ela se casasse com seu irmão. “Baka”, pensou e quase bufou. “Ele nem sabe o que é estar apaixonado de verdade”. No entanto, quem era ela para falar sobre paixão? Ela nunca havia se apaixonado de verdade mesmo...
— Yo minna-san— alguém a chamou atenção de todos na mesa e olharam para o dono da voz; grande surpresa foi de Hinata, vendo que era Naruto. — Posso roubar a Hinata-san de vocês?
Bem... Talvez, ela havia se apaixonado uma vez só.
— Roubar minha nee-san? — estranhou Hanabi. — Para que?
— Bem, meu otou-san e minha kaa-san querem conhecê-la. E o Ero... Jiraya, meu padrinho, também — ele deu de ombros e sorriu. — Só por causa da empresa.
— Ah, então tá — Sakura murmurou e, como Ino havia sumido, ficou mais fácil sussurrar em seu ouvido. — Juízo, hein, mocinha?
Enquanto ela era guiada, sabia que ainda corava fortemente com o comentário da amiga. Passaram por meio das mesas até chegarem a três pessoas que estavam de pé com taça para espumante na mão de cada um com um líquido amarelado dentro. A mulher e o homem, ela havia reconhecido de cara – os pais de Naruto, Kushina e Minato. Não permitiu que mordesse o lábio inferior, não naquele momento. O idoso – bem, ela supôs que era, pois tinha cabelos branquíssimos –, ela não conhecia e soube que era o padrinho do loiro.
— Yo, novamente, Hinata-san — sorriu largamente a Uzumaki e ela retribuiu timidamente.
— Ora, ora. Então, você deve ser a Hyuuga que esses três não param de falar — apontou o homem de cabelos brancos e sorriu para ela de um jeito sedutor, pegando a mão da moça e beijando-a sem desviar o olhar. — Sou Jiraya e estou ao seu dispor, bela dama.
A Hyuuga sentiu se rosto corar e sentiu um aperto na sua mão que, por acaso, o loiro ainda segurava. Então, Kushina deu um soco na cabeça do homem e percebeu que uma veia saltava da testa da mulher. Não conseguiu deixar de rir. Depois de uma pequena discursão entre os três – os dois Uzumaki e Jiraya – Minato decidiu parar com aquilo e começaram uma conversa animada.
Passaram-se poucos minutos até perceber que ainda estava de mãos dadas com Naruto e corou, entretanto, para sua total surpresa, não tinha a menor vontade de soltá-la. O loiro também não. Tanto que, quando ele pediu licença, falando que iria levá-la de volta para a mesa, ele entrelaçou os dedos aos dela e os guiou para longe da visão dos pais dele. Só que não para a mesa dela.
— Para onde está me levando, Naruto? — perguntou, deixando um sorriso escapar.
— Quero falar com você antes de levá-la à sua mesa, então... — virou-se bruscamente, fazendo que ela batesse com toda força em seu peitoral musculoso e corasse. — Acho que vamos dançar um pouquinho.
Foi então que ela percebeu que estavam na pista de dança no meio de tantas pessoas desconhecidas para ela. Ele passou uma mão pela cintura dela enquanto a outra ia em direção à sua mão, deixando-a encabulada e arrancando uma risada dele. Ela apenas deixou uma mão sobre o peito dele. Logo, estava dançando – com ele guiando e ela tentando não corar.
— O que deseja falar comigo?
— Está gostando da festa? — o loiro sorriu.
— Hai — confessou. —; achei tudo tão lindo.
— E por que estava tensa lá na entrada? — perguntou o rapaz, olhando no fundo dos olhos dela.
A morena mordeu o lábio inferior e olhou para baixo. Era por causa da ruiva, da mãe dele que, durante toda conversa, a examinava cuidadosamente. A mulher era extrovertida e parecia se irritar facilmente, mas também ela parecia muito inteligente e muito ciumenta. Ino lhe falava sempre que Kushina não gostava dela, pois era namorada do filho único dela. Imagina se iria gostar da mulher que teve dois filhos com ele.
Ela pensava no que falar ao Uzumaki assim que algo lhe chamou a atenção. Era a gravata que era da cor do seu vestido – porém não havia sido aquilo só que lhe chamara atenção. Era o nó apertadíssimo dela. Riu e soltou sua mão da do rapaz, guiando-a junto com a outra ao encontro do nó. E foi afrouxando aos poucos, deixando-o em uma situação melhor.
Naquele exato momento, ela não sabia que era vigiada por quatro pares de olhos. Entre eles, Kouji olhava o sorriso no rosto de sua mãe e sabia que ela estava feliz de verdade; aquilo já era o suficiente para ele. “Mas coitado dele se machucar a minha kaa-san”, pensou, voltando a correr atrás de Sora e deixando aquele assunto de lado, por enquanto. Outros olhos eram de Shion, que de surpresa ficou fervendo de raiva. “Aquela loira falsa tinha saído do caminho, agora vem essa baka! Ai, eu mereço”.
Jiraya, por sua vez, estava contente. Desde que seu afilhado percebera que não amava Sakura, ele não havia se interessado por mais ninguém e, vendo-o sorrir para a moça corada que afrouxava sua gravata e passar as mãos possessivamente pela cintura dela, fez que ele tivesse certa: Hinata, sem dúvida, era a escolha certa. Enquanto olhava, a Uzumaki não deixou de sorrir. Após a festa, conversaria com seu filho. E, dessa vez, não deixaria que ele lhe escondesse nada.
— Sua okaa-san e seu otou-san — murmurou para ele que voltou a ouvi-la. —; eu acho que eles perceberam que Sora e Kouji são muito parecidos com você. Não apenas por causa dos olhos, mas as atitudes também.
— É, são mesmo — ela viu um sorriso orgulhoso crescer nos lábios dele e sumir assim que suspirou. — Mas eu já sabia que não poderia esconder deles. Eu vou contar depois da festa e...
— E? — ela sentia o receio correr por suas veias.
— E enfrentaremos o que vier — ele beijou a testa dela e pegou sua mão novamente, fazendo que ela girasse. — Agora, vamos nos concentrar na dança, certo?
(...)
O carro havia parado em poucos sinais, para a sorte dela. Faltavam poucas quadras quando voltou a pensar no que estava fazendo. Assim que ouviu o conselho de Mei, não ficou nem mais um minuto lá – saíra correndo e gritando um agradecimento do fundo de seu coração. Tão rápido, já estava no lado em uma das ruas de Tóquio, acenando freneticamente para um táxi que não demorou a parar.
Sentido falta da movimentação, olhou para a janela e viu que estava na vila onde Gaara morava. A qual ele morou durante toda a sua infância e adolescência. Pagou o homem e saiu do carro, olhando a vila como se fosse um tormento para sua vida.
“Quantas vezes não me imaginei voltando aqui e me jogando nos braços de Gaara...”.
Face to face and heart to heart (Cara a cara e coração a coração)
We're so close yet so far apart (Nós estamos tão perto mas tão longe)
I close my eyes, I look away (Eu fecho meus olhos, eu olho pra longe)
That's Just because I'm not okay (Isso é só porque eu não estou bem)
Engoliu seco e ando apressadamente, parando em frente à porta de Gaara. Tocou a campainha e esperou. Não demorou muito para ouvir alguém reclamando e assustou-se quando a porta foi quase arrancada de sua frente, tamanha raiva da pessoa. Os olhos verdes dele ficaram arregalados quando se pousaram nela, todavia, ele disfarçou um pouco. Sorriu fracamente.
— Posso entrar? — sua voz, diferente dela, estava firme e determinada.
— Acho que sim — respondeu ele, recuperado, e deu espaço para ela passar por debaixo de seu braço.
Will we ever say the words we're feeling (Nós iremos um dia dizer as palavras que estamos sentindo)
Reach down underneath and tear down all the walls (Alcançar o fundo e derrubar todas as paredes)
Will we ever have a happy ending (Iremos nós ter um final feliz)
Or will we forever only be pretending (Ou iremos pra sempre ficar só fingindo?)
Ela entra na casa e está no corredor. “Como antigamente”, lembrava-se ela com um sorriso saudoso no rosto. Tirou os sapatos e seguiu para a sala. Os móveis mudaram, isso era óbvio. Ela não ousou se mexer até que ele passasse pela porta e, quando ele o fez, tocou seus lábios com a ponta da língua, umedecendo-os. Por que tinha a sensação que sua garganta estava tão apertada que sua voz não sairia?
Depois de tanto vê-la abrir e fechar a boca, ele acabou falando:
— O que quer, Ino?
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be... pretending? (Iremos s-s-s-sempre, s-s-s-sempre, s-s-s-sempre ficar... fingindo?)
— Me perdoa — a voz determinada deu lugar a um quase fio de voz e ela olhou para o chão; não queria olhar para ele, naquele momento. — Eu fui... Eu fui uma baka por não acreditar em você...
— O que você falou? — perguntou o rapaz que não ouviu uma palavra.
— Me perdoa...
— Nani?
— ME PERDOA, CARAMBA! — gritou e levantou o olhar, mostrando a ele as lágrimas que desciam por suas bochechas. — Eu fui uma baka! Eu fui, não; eu ainda sou uma baka! Porque eu me importo demais com o que meus olhos vêm, não com as palavras que ouço! Eu me importei mais com algo que vi, não pelo que senti naquele momento! E eu ainda sou muito orgulhosa!
How long do I fantasize (Por quanto tempo eu vou fantasiar)
Make believe that it's still alive (Fazer acreditar que isso ainda está vivo)
Imagine that I am good enough (Imagine que sou bom o bastante)
And we can choose the ones we love (E podemos escolher o que nós amamos)
Os olhos verdes dele estavam brilhando quando ela parou para respirar. Não que tivesse falado muito; os fortes sentimentos estavam presentes. O coração acelerado, o pensamento a mil. Passou a mão pela bochecha, tentando, inutilmente, fazer que as lágrimas parassem. Ela era uma baka! Era! E seu objetivo naquele momento era fazer que Gaara ouvisse tudo o que tinha para falar...
— É difícil para eu falar sobre meu orgulho — continuou. — E mais difícil ainda tentar corrigir algo que eu fiz. Não sei como vim parar aqui; não sei o que me guiou. Acho que é por ser do jeito que eu sou: ajo sem pensar nas conseqüências e depois ficou cheia de remorso. Você, mais do que ninguém, sabe disso. E é por isso que eu peço o seu perdão. Por não ter acreditado em você, por ter feito você sofrer e se culpar, por não ter te dado uma segunda chance... E por ser assim — as lágrimas rolaram mais rápido quando ficou em silêncio e voltou a falar com uma voz trêmula. — E-eu vou entender se não me quiser de volta e-e... Se nunca mais quiser olhar na minha cara.
Ela fechou os olhos com força e pressionou os lábios, numa tentativa de fazê-los parar de tremer. Inútil também. A dor que sentia dentro de si era imensa só de pensar em perdê-lo, contudo, ela não poderia ignorar a possibilidade. Ele não tinha direito algum de voltar para ela, ainda mais quando o erro fora dela. Mordeu o lábio e soluçou. “Eu mereço essa dor”...
A mão quente de Gaara foi para baixo de seu queixo e forçou-a a levantar o olhar. Soluçou novamente, mesmo ainda mordendo os lábios. Ele colocou as duas mãos no rosto dela – enquanto uma limpava algumas lágrimas, a outra colocava uma madeixa loira atrás da orelha dela com toda a delicadeza do mundo, como se ela fosse quebrar. “Talvez irei mesmo”, concluiu e viu-o suspirar.
— Realmente, você deveria ter me ouvido — murmurou o ruivo, voltando a secar as lágrimas dela. — E eu deveria sentir-me honrado por vê-la chorando como uma criança e confessando que é uma cabeça-dura. Deveria ter me avisado, caramba, aí eu me preparava com a câmera. — um sorriso começou a crescer no rosto dele e ela começou a sentir raiva; a Yamanaka estava ali, quase se declarando para aquele baka metido e ele estava sorrindo da situação?
Keeping secrets safe (Mantendo os segredos seguros)
Every move we make (Qualquer movimento nosso)
Seems like no one's letting go (Parece que ninguém está deixando para lá)
And it's such a shame (E é uma pena)
Cause if you feel the same (Porque se você sente o mesmo)
How am I supposed to know (Como eu deveria saber)
— S-seu baka! Baka! E-eu tô pedindo para voltar e v-você vem com essa palhaçada? Meu Kami! Como eu p-pude me apaixonar por você? Eu não acredito que estou aqui chorando por sua causa e você...
Como ele planejou, calou a sua boca com um beijou amoroso. Ela começava a se derreter, ainda que lutasse para afastar-se dele. Parecia que tudo que a incomodava sumia aos poucos e que o mundo havia parado. Um arrepio desceu por suas costas quando sentiu as mãos do Sabaku percorrer seu corpo e parar na cintura, puxando-a para mais perto. Ela agarrou o pescoço dele e ambos tentavam fundir um com o outro, para ver se a saudade ia embora.
Infelizmente, não foi o que o corpo deles pediu. A falta de ar fez que eles se parassem de se beijar e a respiração de ambos estavam pesadas. Ficaram de testas coladas, ele de olhos fechados e ela observando-o. Até que ele sorriu e abriu os olhos.
— Baka, você sabe o quanto eu amo te irritar — ele riu e ela fez bico, estreitando os olhos. — Não precisa ficar zangada comigo... Aishiteru.
O queixo dela caiu e, repentinamente, deu o seu sorriso mais brilhante e feliz. Porque ela deveria está assim: brilhante e feliz. Não respondeu: apenas voltou a beijá-lo com urgência. O amor, a dor, a saudade, a angustia... Tudo junto em um simples ato. Entrelaçando suas línguas em uma luta de sentimentos, Ino sabia que estava sendo levantada e levada para o único lugar que sentia mais falta de dormir: na cama de Gaara... Com ele ao seu lado.
(...)
— Já vão? — perguntou e olhou para os amigos.
— Hai, Naruto — suspirou Sakura e sorriu triste. — A festa está linda, mas eu tenho que trabalhar amanhã.
— Eu também — bufou Konohamaru. — Odeio ser estagiário.
— E nós estamos de carona — concordou a Hyuuga mais velha que olhou para seus filhos que estavam emburrados e com os olhinhos freneticamente. — Não estou certa, Sora e Kouji?
— É — bocejou a menina e balançou a cabeça, voltando a sua posição “firme”.
— Mas eu ficaria mais — reclamou o garoto, descruzando os braços apenas para coçar o olho.
— Acho que tem alguém com sono — comentou o Uzumaki, prevendo alguma reação contrariada dos gêmeos. Não deu outra.
— Quem? — perguntaram os anjinhos e todos riram quando eles bocejaram. — Não vi graça.
— Vão falar com o Naruto — incentivou Hanabi, empurrando-os levemente. — Eu acho que ele merece um abraço bem apertado, não?
— Eu primeiro — Kouji passou a frente da irmã e o abraçou. — Parabéns, Naruto-kun.
— Arigatou, tampinha — brincou e o garoto nem reclamou de tão cansado que estava. A menina veio.
— Parabéns, Naru... — e, então, ela estava dormindo abraçada ao loiro que riu e pegou-a no colo.
— Oh, Sora — suspirou Hinata e pegou o filho no colo, que logo estava apagado também.
Ofereceu-se para levá-la ao carro e, após da morena relutar, acabou deixando. Logo, estava Naruto e Hinata carregando as crianças um pouco atrás dos amigos que decidiram deixá-los conversando. Ele a ouvi falar que eles deveriam estar cansados, tanto por causa da festa quanto a escola. Quando chegavam perto do carro de Sasuke, Hanabi estendeu a morena um celular e falou que tinha uma mensagem.
— De quem é? — indagou a moça que ainda segurava o filho no colo.
— Não sei; vai que é algo... Tenso?
A Hyuuga corou violentamente e repreendeu a irmã enquanto ele engoliu seco, ignorando o gosto acido que surgiu. “Ciúme dos infernos!” Viu quando ela abriu e leu, soltando um sorriso satisfeito.
— Acho que a Ino não vai passar a noite em casa.
Foi a única coisa que disse enquanto ela entrava no carro do seu amigo e deixava a rosada se roendo de curiosidade. Colocou a menina deitada com a cabeça na perna da mãe e, impulsivamente, beijou-lhe a testa, fazendo que ela sorrisse e se mexesse. Despediu-se novamente e seguiu para a mansão.
E, o final da festa, após os brindes e coisa e tal, encontrava-se sentado na ampla escada, com os cotovelos apoiados sobre as pernas e pensando em como contaria para Kushina que tinha dois filhos. Talvez falar na lata seria mais fácil... Ou, então, contar aos poucos e, no final, jogar a bomba. Seja como fosse, sabia que teria que falar ainda naquele dia e que iria apoiar Hinata, qualquer seja a situação.
— Naruto, filho — chamou sua mãe e levantou o olhar, observando que seu pai também estava presente. —, está tudo bem?
— Hai — sorriu, tentando tranquilizá-los. — Só estou pensando.
— Entendemos, querido — viu quando a Uzumaki olhou para trás, como se pedisse apoio.
— Naruto, nós queremos conversar com você — murmurou Minato e foi se sentar ao seu lado e a ruiva fez o mesmo, deixando-o entre os dois.
— Sobre?
Estava sentindo uma sensação péssima...
— Sobre aquelas crianças — disse o loiro, fazendo que seu coração ficasse acelerado. — Os filhos da Hyuuga.
— Nós queremos saber... A razão de eles serem tão parecidos com você.
Hinata, mais uma vez, estava certa. Seus pais estavam desconfiados. Naquele momento, percebeu mais do que desconfiados; quase certos que ele tinha um parentesco com os dois anjinhos. E também percebeu que não tinha mais volta: teria que falar e olhando nos olhos de ambos. Decidido, levantou-se e desceu poucos degraus, ficando na altura deles. Respirou fundo e olhou nos olhos de ambos que o encaravam fixamente.
— Acho que vocês querem saber se sou tou-san deles... — falou e viu sua mãe arregalar os olhos. — Bem, se é isso... Hai, sou.
O silêncio era tenso e pesado. Naruto olhava para os olhos de seus pais e viu uma mistura de sentimentos: surpresa, tristeza, alegria, entendimento, carinho e, para a felicidade do loiro, amor. Esperou até que algo acontecesse. Foi quando Kushina levantou-se e ficou na sua frente; pegando-o desprevenido, ela deu um tapa no rosto dele e apoiou-se na escada. “Eu merecia isso”, pensou, encarando os olhos azuis da mulher cheios de lágrimas.
— Por que nunca me contou? — ela, porém, só dissera isso.
— Porque eu descobri há dois meses — contou e olhou para baixo, não observando que aquela noticia fizeram os olhos da Uzumaki brilharem, pegando-a completamente de surpresa. — Quando nós ficamos... Eu não sabia que ela ficaria grávida, muito menos ela. Então, Hinata, assim que descobriu, não me contou e fugiu. Voltou há quase três meses e foi quando eu a entrevistava que descobri. Desde então uma confusão de sentimentos vem se apoderado de mim. Sei que quero protegê-los e quero que sejam felizes, mesmo que não esteja presente. E Hinata também... Ela passou esses anos sofrendo muito e desejo o melhor para ela, porque ela é uma kaa-san maravilhosa e eu não escolheria outra para meus filhos...
— E quando descobriu que estava apaixonado por ela? — sorriu o Namikaze, aproximando-se e abraçando a cintura da ruiva que ignorou sua maquiagem e deixou as lágrimas rolarem... Mas eram lágrimas de... Alegria?
— Nani? — indagou, corado. Como assim, apaixonado? — Eu não estou apaixonado.
— Está — teimou Kushina, sorrindo em meio as lágrimas.
— Não estou.
— Seja como for — finalizou o outro, colocando uma mão no ombro do filho. — Nós estaremos com você.
Foi abraçado pelos pais e retribuiu. Eles o apoiavam como sempre fizeram. Ficou com vontade de rir e correr para contar a moça. No entanto, tudo o que é bom dura pouco...
— Mas eu tenho uma condição, Naruto — falou a ruiva, afastando-se e olhando-o de um jeito estranho.
Ai Kami!
Notas finais
Eu não sei quantos capítulos faltam, mas eu já tenho tudo em minha cachola ^^'
Até o próximo *-*'
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