Os Dois Anjinhos

21 Capítulo 18 – Pressentimentos


Notas iniciais
Yoooo!
Voltei com mais um capítulo! ^^'
Arigatou por todos os comentários do capítulo anterior!E um arigatou especial para a Mandinha_Chris que recomendo minha histórinha feliz. ^^'
E , gente, eu não vou abandonar a FIC, não se preocupem.
Boa leitura!

"Confie nos seus pressentimentos. Eles normalmente são baseados em fatos arquivados abaixo do nível da consciência."Dra. Joyce Brothers

Sabe aquelas semanas que parecem passar em um piscar de olhos? A semana de Sakura foi assim.

Era segunda e, quando piscou os olhos, já era sexta. Engraçado que, nas semanas normais, o tempo não passava assim. E, por sexta ter a festa do Naruto, seu antigo melhor amigo, os dias voaram. Terça, quarta e quinta não tiveram muitas emoções. Além, é claro, de toda hora Ino e Hinata ficarem se alfinetando. A rosada, naqueles três dias, soube o que é estar em uma suposta guerra e ficar em um meio termo.

Enfim, chegara sexta. Assim que acordou, Sakura soube que o dia seria de fortes emoções. A loira e a morena já deveriam ter saído, pois era quase dez horas da manhã. Bocejou e foi tomar seu banho. Depois do seu ritual matinal, estava descendo as escadas quando ouviu duas pessoas conversarem da cozinha. Estranhou e foi até lá, dando de cara com duas pessoas as quais não esperava ver: Sasuke e Hinata. Ele estava com uma roupa casual composta por uma calça jeans, blusa de manga longa azul-marinho e tênis de marca. E sua amiga estava com um vestido simples e um chinelo.

— Mas o que vocês estão fazendo aqui? — perguntou, franzindo o cenho. Ambos a olharam e a moça sorriu enquanto o seu namorado levantou-se da mesa e foi até ela, abraçando-a e dando um beijo singelo.

— Ohayou, Sakura-chan — falou a amiga e limpou a mão em uma toalha. — Hoje eu não tive que ir trabalhar, porque Nobuhiko-san me ligou para avisar que Naruto tinha dado folga para todos os funcionários.

— Sério?

— Seríssimo! Acha mesmo que eu estaria aqui há essa hora se não fosse verdade? — deu de ombro e virou-se, voltando a fazer o que estava fazendo, algo que Sakura não conseguia ver. — Eu acho que é por causa da festa.

— Ou por causa da Kushina-san — falou a rosada e abraçou a cintura do namorado enquanto ele abraçava seus ombros. — Ela sempre é muito boa com todos os funcionários. Mas e você, Sasuke-kun? O que faz aqui?

— Eu vim te dar ohayou e avisar que passo para pegar você e a Ino às sete.

— E a Hina? — indagou e olhou para ela.

— Eu vou com Hanabi, Sakura-chan. Konohamaru é um grande amigo de Naruto e também foi convidado.

— Nossa, como o mundo é pequeno, né? — brincou e elas riram, então, sussurrou no ouvido do Uchiha. — E precisava vir aqui para avisar algo tão simples?

— Eu estava com saudade — ele deu de ombro e sorriu de canto logo em seguida. — Mas agora eu vou indo. Eu tenho que ir lá à casa de Naruto antes de ir trabalhar.

— Vai fazer o que na casa do Naruto? — perguntou curiosa e ele beijou sua testa.

— Tenho que ver quando será a reunião para unirmos as empresas. Ele falou que estaria em casa para ajudar a Kushina com a festa.

— Está tudo bem, então. — sorriu e olhou para a outra enquanto guiava o seu amado para fora. — Hina, já volto.

— Ok, Sakura-chan.

Caminharam abraçados até o portão e ela ficou na ponta do pé para beijá-lo. Ele retribuiu e se abraçaram mais uma vez.

— Hoje, acordei com uma sensação boa. — confessou e riu. — Acho que algo vai acontecer...

— E imagino que isso tenha haver com a festa do Naruto — supôs o rapaz e ela assentiu. — Foi que eu pensei. Mas só tenho certeza que você estará belíssima.

Nesse segundo, Sakura percebeu duas coisas. A primeira era que não tinha o que vestir para ir à festa e a segunda era que ninguém de sua casa tinha o que vestir. “Ai meu Kami!” Seu sorriso foi substituído por olhos arregalados e o moreno percebeu, logo arqueando a sobrancelha.

— Sasuke-kun, eu me esqueci de comprar o vestido! — disse e o tom de sua voz mostrava seu desespero crescente. — Ai, Kami-sama, e agora? Tem que comprar a roupa para todos: Sora, Kouji, Ino, Hinata! Ninguém tem uma roupa que combine com a ocasião... Ino pode até ter, mas tenho certeza que ela vai falar que já usou milhares de vezes e precisa de uma nova... Temos que comprar antes que...

— Sakura — ele apenas colocou o dedo indicador em seus lábios e ela levantou o olhar para encarar seu rosto indiferente. —, que tal você e a Hinata-san irem trocar de roupa e eu levo vocês até o centro? De lá, vocês vão ao shopping comprar alguma roupa ou sei lá...

— Sério Sasuke-kun? — os olhos verdes brilharam e a expressão dela se tornou mais suave. — Você faria isso por mim?

— Isso e muito mais. — sorriu ele e ela não resistiu, abraçou-o pelo pescoço e o beijou apaixonadamente. Ficaram naquele amor por algum tempo, até ele interromper o beijo. — Bem, vai logo trocar de roupa.

— Arigatou! — correu para dentro de casa e viu que a Hyuuga continuava na cozinha. — Hina, por que você gosta tanto da cozinha?

— Eu sei lá; acho que é porque eu amo cozinhar, então... — A morena deu de ombros e olhou sobre este. — Vai fazer o que hoje?

— Vou, não; nós vamos! — riu e foi até a Hyuuga que a encarou cheia de dúvidas. — Temos que trocar de roupa ou Sasuke não vai nos levar para comprar as roupas para a festa.

— Comprar roupas? Do que você está...? — então, os olhos prateados se arregalaram e Sakura assentiu, como se ambas tivessem chegado ao mesmo pensamento. — Kami! Eu não comprei roupa para mim e muito menos para os meus anjinhos!

— Exatamente. Agora, vamos trocar de roupa e ir ao shopping.

— Mas e a comida? Eu estava fazendo Sushi e não quero que estrague.

A rosada olhou para pia e viu que era verdade. O Sushi estava quase pronto e estava com uma cara maravilhosa. “Hina deveria ter sido cozinheira”, concluiu e murmurou para ela guardar na geladeira. Depois que o fez, subiram e trocaram de roupa. Ela vestiu vestido rosa-escuro que era um palmo acima do joelho, uma meia calça preta e uma bota de cano curto e de salto. E a morena vestiu-se com uma calça jeans, um casaco de cor bege e um cachecol vermelho, além dos tênis também vermelhos.

Em menos de uma hora, o carro do Uchiha foi estacionado na frente do shopping. Despediram-se e seguiram para dentro do local, onde viram cada roupa mais maravilhosa que a outra. Contudo, antes de começarem a sessão de compras, ligaram para a Ino que atendeu no primeiro toque.

Ohayou, minha dama! — brincava a loira e a Haruno revirou os olhos. — Em que posso ser útil?

— Estamos no shopping e vamos comprar nossas roupas de gala. Quer uma também?

Hai! Eu necessito de um vestido novo. — confessou a amiga.

— De que cor? — indagou enquanto olhava as vitrines.

Você me conhece; sabe que eu me amarro num roxo. De preferencia, curto! Eu odeio vestido longo.

— Ok, até às cinco. — e desligou. Mãos à obra. Ou melhor, mãos aos vestidos!

(...)

Olhou-se no espelho do seu hall e ajeitou seu cabelo novamente. O vestido longo e vermelho-escuro era de seda; as costas eram nuas e o laço na nuca era a única coisa que mostrava com o vestido estava preso no corpo da mulher; tinha também o fato que a peça era justa e, do quadril para baixo, ficava soltinho. Estava magnifica, vestida para matar como dissera seu marido.

— Coitado do homem que te olhar com segundas intenções — murmurara ele, fazendo-a rir, e então sussurrara no ouvido dela. — Espero que essa beleza toda seja só para mim...

— Sempre é para você, meu bem. — sorrira maliciosa.

Então, lá estava Kushina, Minato e Naruto. Minato estava com o terno cinza e uma gravata vermelha escura, combinando com ela. Naruto também, só que o terno era preto e a gravata dele era da cor coral. Estavam lindos! Era claro, foi ela que escolhera tudo. Viu o filho tentar afrouxar a gravata e riu debochada.

— Viu? — apontou a mulher e sorriu vitoriosa. — Quem mandou não deixar a okaa-san dar o nó na gravata? Agora, está ai todo embolado.

— Arigatou, kaa-san — ironizou o loiro e revirou os olhos.

— Mais convidados. — apontou o Namikaze e olhou para os dois. — Se comportem.

Mãe e filho reviraram os olhos. Olhando para frente da casa, a Uzumaki percebeu que vinha um grupo que começava com um belo casal. A moça estava com um vestido tomara que caia longo da cor azul escuro, uma sandália de salto fino e passara uma maquiagem leve, destacando mais os lábios enquanto o rapaz estava de calça social, blusa azul escura e blazer preto. Reconheceu o casal e sorriu. Sakura e Sasuke formavam um belo casal; dava para ver nos olhos deles o quanto estavam felizes.

— Yo, meus sobrinhos favoritos! — sorriu Kushina, abraçando os dois ao mesmo tempo. — Eu sempre soube que vocês formariam um belo casal.

— Yo, Kushina e Minato! Como eu senti a falta de vocês! — riu a rosada, sentindo o rosto ficar quente por causa do comentário. — Arigatou por sempre acreditar.

— Nós também sentimos sua falta, Sakura. — sorriu o loiro e apertou a mão do homem. — É com que esteja de volta, Sasuke.

— Hai, Minato. Concordo plenamente — murmurou o moreno e abraçou a namorada.

— Agora, só falta marca o casamento! — brincou a ruiva, fazendo a Haruno rir e o Uchiha corar um pouco. — É brincadeira, gente. Vão falar com Naruto.

— Ja ne. — eles foram falar com o seu filho que estava um pouco atrás do pai. Ele falou que, por mais que saiba que são seus pais, ele não queria ficar segurando vela. Vê se pode?

O segundo casal do grupo andava abraçado e rindo de alguma coisa. Ela estava com um vestido tomara que caia médio verde-água que era justo nos seios e ficava soltinho até o fim, usava Peep Toe, o cabelo estava preso em um coque com vários fios de cabelo soltos, além da maquiagem mais chamativa. O rapaz vestia um terno simples com riscas de giz e não usava gravata, dando um ar mais descolado.

— Ora, ora! — exclamou a Uzumaki. — Konohamaru, finalmente, pude conhecer sua noiva.

— Hai, Kushina-san. — ele pegou a mão da moça e a girou. — Esta é Hyuuga Hanabi.

— Prazer em conhecê-la, querida. — falou Minato, gentilmente.

— Igualmente.

Assim que eles foram falar com Naruto, ela sussurrou no ouvido do esposo:

— Hyuuga não é o sobrenome da moça que está trabalhando na empresa?

— Hai. Mas o nome é Hyuuga Hinata.

A mulher assentiu e olhou para frente, bufando ao ver quem vinha. Era claro que ela viria! Ino estava maravilhosa por mais que não fosse admitir. O vestido roxo era de apenas uma manga e completamente colado no corpo; não era muito curto, pois batia nos joelhos. A maquiagem estava ressaltando os lábios e olhos, o cabelo estava em seu habitual rabo-de-cavalo e estava com um Scarpin de camurça preto, além da bolsa de mão também preta.

— Yo, Minato, Kushina. — sorriu a loira. — É um prazer revê-los!

— Yo Ino — o loiro respondeu. — Que bom que pode vir.

— É, foi bem complicado, larga cedo lá no hospital. Mas eu já não falei com Naruto segunda, então, eu resolvi pelo menos ir à festa.

“Ela não falou com ele segunda? Então, por que ele chegou tão tarde e falou que tinha saído com alguém? Tem alguma coisa errada.” A Uzumaki estreitou os olhos e continuou a ouvir a conversa.

— Segunda-feira foi um dia bem corrido, mesmo. Eu quase que não lembrei que era aniversário de Naruto — confessou o Namikaze, rindo sem graça.

— Realmente. E ele também ficou sumido o dia todo. Se eu ainda fosse a namorada dele, ficaria desesperada — falou num tom de brincadeira e riram.

Só que a ruiva não riu. Ela não sabia dessa piadinha; ainda não haviam contado para ela. “Eles não estão mais namorando?”, pensava indignada. “Como? Quando? Por quê?” Foi quando percebeu que ninguém havia contado para ela e não pretendiam nem contar. Que diabos! Um sentimento invadiu seu peito e percebeu que estava se sentindo insignificante; estava com raiva de se sentir assim. Olhou para seu filho e este olhou para ela, sorrindo. Então os olhos azuis do rapaz foram para algum lugar atrás dela e ele fez um barulho estranho, como se estivesse engasgado.

Ela ainda estava irritada quando se voltou para frente e viu a razão de seu filho congelar. No hall, entrava uma mulher com duas crianças a sua frente, uma menina e um menino. A garotinha parecia uma princesa com um vestido floral com tons diferentes de azul, um casaco de linha pequeno, uma meia-calça branca e uma sapatilha bege, ainda com uma presilha da cor do casaco, azul turquesa, nos cabelos que batiam no meio das costas, totalmente lisos. O garotinho, por sua vez, estava de com uma roupa adoravelmente fofa: o paletó fechado preto dava um contraste com a blusa branca que usava por baixo, a calça social preta e um All Star preto com detalhes branco, deixando-o com um ar mais rebelde – sim, mais rebelde do que os cabelos bagunçados.

Então, finalmente, olhou para a mulher que deveria ser mãe daquelas crianças. O vestido da cor coral também era tomara que caia, porém tinha um pequeno decote, deixando os seios mais voluminosos; não era muito justo, entretanto, ainda era possível ver cada curva da moça detalhadamente. A peça era longa, mas não a ponto de encostar-se ao chão; também tinha outro detalhe: no canto esquerdo do vestido, tinha um rasgo que pegava da metade das coxas até o fim, fazendo as coisas ficarem mais... Sensuais;o sapato era básico – salto fino da cor branca com amarras até a batata da perna. Tinha também um pouco de maquiagem que ressaltava seus olhos prateados e o blush estava forte... Não, não! A moça estava corada mesmo.

— Gomen, Ino-chan — ela murmurou e sua voz era suave. — Sora e Kouji ficaram hipnotizados pela fonte.

— Está tudo bem, Hina-chan — sorriu a loira e se virou para o casal. — Bem, quero-lhes apresentar minha querida amiga, Hyuuga Hinata. Ela é a nova funcionária que vem fazendo sucesso na empresa Uzumaki.

— Que isso, Ino — sorriu a outra, corada. — Não é para tanto...

— Hyuuga Hinata? — falou Kushina com um sorriso. — Ora, você é a famosa Hyuuga que vem ganhando destaque na empresa de meu filho.

— H-hai, é um prazer conhece-los, Uzumaki-san, Namikaze-san.

— Que isso! Não precisa dessa formalidade toda, meu bem.

— Claro, pode nos chamar de Minato e Kushina — concordou o loiro.

— Sem problemas. — riu a morena e pegou as mãozinhas das crianças. — Esses são meus filhos.

— Hyuuga Sora — apresentou-se a garotinha, pegando a ponta do vestido e curvando-se, com uma princesa.

— Hyuuga Kouji — sorriu largamente o rapazinho e colocou os braços atrás da cabeça. — Prazer em conhecê-los.

— Ai, que kawaii — murmurou e seu esposo agachou-se para falar com eles.

— Quantos anos vocês tem? — ele indagou.

— Seis! — respondeu Kouji e sorriu.

— Mentira, temos cinco. Iremos fazer seis — corrigiu a irmã e o outro a olhou com uma cara.

— Estraga prazeres. Iremos fazer daqui a quatro meses. — confessou o Hyuuga e deu de ombros. — Mas é sempre bom parecer mais velho. Principalmente para as garotas.

— É verdade — riu o loiro. — Você tem namorada?

— Que? Kouji? — Sora roubou as palavras do irmão e riu. — Só se for imaginária.

— Sora... — murmurou o menino e suspirou. — Você é uma péssima irmã.

A Uzumaki ria internamente. Que crianças adoráveis! Eram tão inteligentes e agiam como se fossem adultos. Todavia, havia alguma coisa naquelas crianças que lhe era extremamente familiar. Ela não sabia o que era, só sentia, no fundo do seu coração, que não fazia parte de uma mera imaginação – eles, realmente, tinham algo tão familiar que chegava a ser assustador. Olhou para o amado e notou que os olhos das crianças eram iguais ao do seu marido. Franziu o cenho. Será que ela estava imaginando coisas?

— Boa festa! — desejou Minato e eles passaram por ela, fazendo que ambos os acompanhassem com o olhar. — Que crianças adoráveis.

— Realmente, mas você notou algo familiar...?

— Hai, muito familiar... — admitiu o homem e fez uma expressão pensativa.

— Naruto-kun! — gritaram os gêmeos e abraçaram o outro. — Feliz aniversário!

— Arigatou, Sora e Kouji. — agradeceu o Uzumaki, sorrindo largamente. Era impressão dela ou os olhos dele pareciam brilhar com a presença dos pequenos?

— Ei! Por que é sempre “Sora e Kouji”? — perguntou o anjinho, cruzando os braços com um bico.

— Porque as damas vêm primeiro — sorriu a menina e deu língua, vitoriosa. — Haha!

— Não sei que dama!

— Ora, seu...

— Vocês dois! Chega. — repreendeu a mãe e ambos a olharam arrependidos.

— Gomen, kaa-san!

Todo o ar ficou preso nos pulmões na ruiva quando eles falaram aquela frase. Ambos falaram aquelas duas palavras, desviando o olhar. O jeito como o garotinho cruzou os braços e o bico... Aquele bico... Era impossível não reconhecer. E aquela expressão vitoriosa que a menina fizera?

Desviou o olhar para o amado e ele retribuía. Minato também percebeu: aquelas manias eram iguaizinhas a de Naruto quando menor!

(...)

A festa era no jardim dos fundos – não exatamente, era um local antes do jardim –, onde era coberto e ainda sim era possível sentir o vento fresco. A música clássica era ouvida por todos e a maioria das mesas do local estava sendo ocupada. No centro, havia uma suposta pista de dança que, no momento, era usada para apenas conversa de algumas pessoas que não querem se sentar.

Ela viu os casais ficarem em uma mesa e sentiu suas mãos serem puxadas para o mesmo ponto. Hinata, contudo, pensava em outra coisa – pensava no olhar que a Uzumaki mandou para seus filhos em algum momento. A ruiva parecia ter concluído a mesma coisa que todos que o viam pela primeira vez: eles tinham alguma semelhança muito forte com o loiro. Além dos olhos, que era a única coisa na aparência que lembrava o pai. Suspirou e procurou por Ino, que estava pouco atrás dela.

— Está pensando o mesmo que eu? — indagou, assim percebeu que a amiga prestava atenção nela.

— Se é sobre... — a loira olhou para as crianças que continuavam a andar até a mesa – que era bem longe da entrada, para variar. — Eu também percebi.

— Ino... — o seu tom de voz era quase desesperado. Uma coisa era o pai deles saber; outra era os pais do Uzumaki.

— Calma, Hina. Não vamos nos precipitar — sorriu a moça de olhos azuis, então, murmurou o mais baixo possível. — Por mais que o casal Namikaze seja extremamente inteligente.

— Caramba! — bufou. — Agora, que eu vou ficar tensa.

A outra riu, só que era uma risada forçada, tentando fazer que ela se acalmasse. Não funcionou. Finalmente, chegaram à mesa e sentaram-se. Na mesa, ficou: Sakura, Sasuke, Konohamaru, Hanabi, Sora, Hinata, Kouji e Ino, respectivamente.

Começou uma conversa na qual a Hyuuga mais velha não prestava muito atenção. Claro, ela não conseguiria simplesmente esquecer que a avó de seus anjos estava desconfiada de alguma coisa. Por algum motivo, aquilo a deixava nervosa. Não que conhecesse a ruiva – pelo contrário, eram desconhecidas até minutos atrás; entretanto, pensava sempre na pior parte: e se ela quiser tirar os gêmeos dela? Hinata não conseguiria ganhar da Uzumaki na justiça – para ser sincera consigo mesma, ela não tem dinheiro para bancar um advogado de baixa categoria.

Não, ela não era pessimista; era realista. Kushina se fosse uma avó tão coruja quanto é de mãe, sem sombra de dúvidas que ela iria querer os netos em sua asa.

— Kaa-san — chamou Kouji, despertando-a de seus pensamentos.

— Está tudo bem? — terminou Sora.

— Hai, meus amores. — sorriu e assentiu, beijando a bochecha de ambos. — Estou só pensando. Vamos comer alguma coisa? — era óbvio que ela fugiria do assunto.

— Hai! — levantaram os anjinhos e ela riu; como eles podiam ser tão esfomeados assim?

— Eu vou levá-los para comer algo — avisou e os outros assentiram. — Então, o que vamos comer? — perguntou para eles.

— Depende do que estão servindo — concordaram os dois.

— Eu acho que essa festa só tem frios — murmurou e pegou a mão das crianças que a olhavam com dúvida enquanto ela os guiava para a mesa.

— Frios? O que é isso? — perguntaram juntos e se entreolharam.

— É presunto, queijo, patê, pão.

— Tudo junto? — espantou-se a Hyuuga menor.

— Não, meu amor... Espera só um pouco para vocês verem.

Chegaram a uma mesa longa e, como havia suposto, com apenas frios. Mostrou para os dois e eles entenderam, comendo alguns pães com patê e azeitonas. Ela riu e, então, quando estava voltando para a mesa, uma garotinha apareceu de mão dada com sua mãe, chamando atenção dos gêmeos. Ela estava com o cabelo solto e com um arco, além de um vestido rosa clarinho de manga longa e cheio de babadinhos; tinha a sapatinha branca. Assim que viu os dois a encarando, corou.

— Tsuki! — sorriu Kouji e Sora riu ao ver a menina corar mais. — Yo!

— Tsuki, eu não sabia que vinha para a festa. — confessou sua filha e aproximou-se da outra. — Vem, vamos brincar!

— E-eu não sei se posso — ela olhou para sua mãe que sorriu e assentiu. — Arigatou, okaa-san.

— Yo, sou Sora. — apresentou-se para a mulher. — E esse é Kouji, meu irmão. E essa Hinata, minha kaa-san.

— Prazer — falaram ela e o garoto.

— Igualmente — então, os três saíram correndo pelo salão. — Acho que eles se conhecem da escola.

— Concordo — riu. — É uma coincidência; eles se encontrarem aqui.

— Realmente.

Sorriram e seguiram seu rumo. A Hyuuga perguntava-se como eles conheceram a garotinha que era muito parecida com ela quando sentiu seu braço ser puxado e, assim que deu por si, ela estava no banheiro grande, junto com uma loira que logo reconheceu: Temari. Ela estava linda com um vestido vermelho frente única com um decote médio e ainda carregava uma bolsa de mão preta que combinava com seu sapato não muito alto. Sorriu para a moça e ela retribuiu, porém correu para o vaso sanitário e vomitou. Ficou sem reação, todavia, foi ajudá-la, segurando o cabelo solto dela.

Prestou pouca atenção no banheiro. Este era grande com duas pias de mármore grosso e um espelho que ficava sobre estas, indo até o teto; de frente para a porta, tinha uma banheira preta e um chuveiro, além do vaso sanitário preto. As toalhas penduradas perto das pias eram de algodão puro e tinham bordados um UN com uma caligrafia linda. É claro, estava completamente decorado com vasos de flores e pinturas.

Guiou-a para uma das pias e abriu a torneira, vendo-a levar água à boca. A Sabaku sorriu agradecida e sentou-se na pia, tampando o rosto e suspirando. A morena ficou ao lado da moça e perguntou:

— Já contou para ele?

A outra encarou-a de olhos arregalados e ela percebeu que as lágrimas começaram a rolar pelo rosto da moça. Hinata sorriu carinhosa e secou as lágrimas que desviou o olhar, mexendo no tecido leve do vestido.

— C-contei o que? — indagou a outra, ainda sem olhá-la.

— Do bebê que está esperando — riu com o olhar surpresa da loira. — Eu passei por isso e, hoje, tenho gêmeos.

— Você tem dois filhos? — perguntou Temari, não escondendo o tom de voz. — Poxa, nem parece.

— Bem, eles já têm cinco anos. Mas você sabe que está grávida, certo?

— H-hai — confessou ela e suspirou chorosa. — Nessa quarta, eu fui à farmácia e comprei o teste. Até agora, eu não estou acreditando que deu positivo.

— E por que está chorando, Temari-san? Ter um filho é algo maravilhoso.

— É o que eu pensei no começo, Hinata. — viu um sorriso brilhante surgir no rosto triste e este logo sumiu. — Mas eu não sei se o Shikamaru quer esse filho.

— Olha, Tema — mordeu o lábio inferior. — Há alguns anos atrás, eu tinha uma vida ótima. Estava na faculdade que sempre sonhei fazer; tinha os melhores amigos do mundo. Eu não ficava com ninguém, não namorava e muito menos pretendia casar quando comecei a me apaixonar pelo otou-san dos meus filhos e, um dia, cedi pelos meus desejos e meu amor. Quando descobrir que estava grávida, eu não fiquei feliz; eu apenas me tranquei no quarto e chorei por um dia inteiro. Sabe por quê? — perguntou, olhando dentro dos olhos verdes escuros que estava fixos nela, prestando atenção em cada palavra que falava. — Porque eu sabia que Naruto não me amava. Só queria ficar comigo e, depois, jogar fora. Eu não aguentaria se ele negasse esses filhos que eu carregava, então fugi...

— E-e qual é a moral da história?

— Que, se o Shikamaru-san casou-se com você, prometeu está contigo na saúde e na doença e te ama de verdade, ele vai aceitar essa criança de braços abertos.

A Sabaku sorriu e abraçou-a fortemente. Um sorriso satisfeito cresceu em seu rosto e retribuiu o abraço. Sabia o que a outra estava sentindo – afinal, havia se sentido assim há alguns anos. Esperava, sinceramente, que os dois fossem felizes com essa criança que viria. A outra se afastou e secou as lágrimas, só que a maquiagem já estava toda borrada.

— Arigatou, Hina-chan — ela saiu de cima da pia e virou-se, assustando-s com sua aparência. — Kami-sama! Eu estou um monstro!

— Que exagero, Temari — riu enquanto via a loira mexer na bolsa de mão e tirar um lápis de olho. — Por que eu já imaginava que você estaria com algo de maquiar ai dentro?

— Eu tenho aparência de pessoa responsável, mas eu não sou nem um pouco — confessou a mulher e tirava os borrados com a mão, fazendo-a rir novamente. — O Gaara é muito mais responsável que eu; acho que era para eu ser a imouto.

— Entendo. Mas o que faz na festa? O Gaara-san veio?

— Bem, Naruto convidou o Shika quando foi lá em casa na segunda. E o Gaara não veio porque sabia quem estava presente...

— Ino — suspirou e apoiou-se na pia. — Nós temos que fazer algo.

— Não se preocupe; já tomei conta de tudo — falou a Sabaku enquanto passava batom. — Eu falei que iria trazê-la e trouxe.

Os olhos da Hyuuga quase saíram do rosto. Temari conseguira? Trouxera quem havia falado que iria trazer? Então, a coisa mudava completamente de figura e... Seus pensamentos foram interrompidos quando a loira puxou-a até a porta e apontou para um lugar, onde via Ino andar distraída até o jardim.

— E, por acaso, meu plano está quase dando certo. Eu recomendo você ir se sentar, pois o show vai começar.

(...)

Hinata havia sumido há poucos minutos e parecia uma eternidade. Ainda mais para ela, Ino, que queria tanto lhe contar sobre o pressentimento que vinha sentindo desde que entrara no carro de Sasuke – sua sorte de não está de vela era por causa de Sora.Algo estava que fazia seu coração bater mais forte e deixava-a ansiosa.

Conversava com Hanabi, a irmã da fugitiva, e notou que ambas tem a mesma determinação por mais que fossem diferentes. E, por incrível que pareça, aquela sensação maldita continuava ali, deixando-a agitada. Sentia que o ar lhe faltava nos pulmões e a cabeça começava a girar. Foi quando concluiu: precisava de ar; talvez, assim, essa premonição sumisse.

— Já volto — disse para a Hyuuga, levantando-se. — Vou tomar um pouco de ar.

— Está se sentindo bem, Ino? — indagou Hana, examinando-a detalhadamente.

— Hai, só quero resfriar a cabeça; tive muita coisa pra fazer no trabalho e tenho muita coisa pra organizar nessa minha cabecinha — mentiu e saiu, quase que correndo.

Ela sentia o coração acelerar e a respiração ficar falha, como se fosse acontecer uma coisa muito esperada por ela. “É algo estranho”, pensava sem prestar atenção para onde ia. “Eu não sei o que vou fazer.” Deu mais alguns passos e estava na parte de fora, sentindo mais o ar fresco.

A parte de trás da casa era um jardim lindo. O vento era um pouco mais forte, entretanto, não a ponto de deixá-la com frio. Respirou fundo, sentindo todo o ar entrar e se alojar por alguns segundos, para então ela soltar tudo. A agitação tinha ido embora e a paz veio junto ao silêncio. Ela olhava para a grama verde quando ouviu passos de um sapato com salto fino.

— Ino — chamou a voz e só confirmou que era uma mulher por causa dela. Virou-se e seus olhos se arregalaram; na sua frente, estava uma mulher de um vestido curto cor jade e cabelos castanhos voando com o vento. “Mei”, pensou enquanto sentia todo o seu sangue virar gelo. — Acho que precisamos conversar.

Notas finais
Tenso!
Eu sei, o objetivo era esse, KKKKKKKKKK'
O próximo vai ser cheio de emoções. MUAHAHAHAHA! Ignorem-me --'
Bjs, KarolPi.