Os Dois Anjinhos

20 Capítulo 17 – Meu Anjo da Guarda


Notas iniciais
*desviando das pedras* Hehe, desculpa meus leitores queridos!! Eu sinto pessíma por demorar tanto e espero que o capítulo valha a pena. Demorei, mas consegui. Boa leitura! ;D

“Meu anjo da guarda é forte, comédia não ganha espaço. Se eu caio três vezes, ele me levanta quatro.” Carolina Bensino

Sem dúvida, aquele silêncio não era nada bom. Pelo canto de olho, ele via que Hinata estava pensativa e resolveu não atrapalhar. Contudo, não iria mentir: foi estranho demais. Em um minuto, estava conversando com Sakura animadamente e, naquele instante, parecia pensar sabe lá no quê! “Ainda sim, é melhor eu ficar na minha.” Concluiu e voltou a se concentrar no que fazia, mesmo que tentasse ignorar o clima tenso que ficou.

Saíram da rua principal e olhou para o GPS. É, ele tinha um, porém, por conhecer todos os lugares de Tóquio, pensou nunca poder usá-lo e, finalmente, estava fazendo. Dirigiu mais uns dez minutos e parou diante a uma vila cumprida e pouco larga, com fim bem próximo e decorada com luzes japonesas. As casas eram altas e, por serem uma colada na outra, dava uma impressão que eram bem pequenas.

Respirou fundo e tocou o ombro da morena, que se assustou e levantou os olhos arregalados para ele. Deu um sorriso e apontou para fora, vendo a moça olhar para lá. Enquanto ela admirava o lugar, Naruto não deixou de perceber os detalhes daquele rosto tão belo. A expressão parecia mais suave e mais sonhadora, deixando-a mais linda e inocente. Seus olhos corriam por todos os mínimos detalhes do local e, a cada decoração que notava, as pérolas ficavam mais brilhantes. E, por um momento, soube que nunca conseguiria esquecê-la completamente e que, para ele, ela seria sempre perfeita...

Balançou a cabeça e sentiu as bochechas esquentarem um pouco. “Droga, Naruto!”

— Quer que eu fique aqui no carro? — perguntou e recebeu a atenção da Hyuuga. — Eu não quero atrapalhar em nada.

— Hum... Vem comigo, onegai — pediu ela após alguns minutos em silêncio e viu quando ela começou a corar. — Eu posso ter crescido, mas ainda tenho um pouco de vergonha.

— Se você deixasse de ter vergonha, você deixaria de ser Hyuuga Hinata.

Ele falou e ela riu baixo, deixando-o um pouco melhor. Saíram do carro e ele estava ativando o alarme quando sentiu um cheiro maravilhoso invadir suas narinas. Não teve dúvida alguma: era rámen e parecia delicioso. Sua barriga roncou e foi quando percebeu que era a hora do almoço e que não havia comido nada. Andou apressado até a morena e ela olhava para um pequeno restaurante que era no primeiro andar da última casa da vila.

— Que tal irmos comer ali? — indagou e soube que ela ouvira, porque respondeu:

— Eu não sei não...

— Eu pago! — sorriu e pegou a mão dela, puxando-a para o restaurante.

Chegaram lá e esperaram um minuto até uma mesa ficar vazia. As paredes do local eram avermelhadas e com detalhes alaranjados, fazendo-o gostar mais de lá. O piso era escuro e as mesas eram de madeira escura. Quando foram atendidos, guiaram-nos para uma mesa distante e notou, finalmente, algo: sua mão estava presa a de Hinata e, “sem querer querendo”, tinha entrelaçado os seus dedos nos dela. Olhou para ela e percebeu que ela estava muito corada, olhando em seguida para sua mão e sentindo uma vontade imensa de se bater. Soltou as mãos e desviou o olhar, não a deixando ver que ele estava tão corado como ela.

— O que desejam comer? — perguntou o garçom quando se ajeitaram.

— Eu quero rámen de porco — falou animado e encarou-a. — E você, Hinata-chan?

— Hã... E-eu não quero nada, arigatou — respondeu a moça e o homem foi embora, então, ele levantou a sobrancelha. — O que foi?

— Por que não quer comer nada?

— Estou sem fome — ela sorriu, entretanto, não era o seu sorriso costumeiro e sim um sorriso desanimado.

— É por causa da conversa com a Sakura-chan, certo? — murmurou e viu que ela, mesmo um pouco relutante, assentiu. — E, provavelmente, não vai me contar o houve. — concluiu e ela assentiu de novo.

— Não me entenda mal, Naruto, mas eu prefiro não falar sobre isso — falou a moça e ela olhava para as próprias mãos como se fossem a coisa mais interessante do mundo. — Eu me sinto péssima.

— Tudo bem — rendeu-se e deu de ombro. —, eu não forçarei a barra. Só aviso que não precisa ter medo de mim e que quero ser seu amigo, pois você ainda é okaa-san de meus filhos.

Ele sabia que estava tocando em um assunto proibido entre eles, todavia, algo na sua cabeça falava que aquela seria a hora certa para a falarem sobre isso tudo. A Hyuuga mexeu-se desconfortável e assentiu, respirando fundo.

— Era sobre isso que eu queria conversar com você — confessou ela e começou a bater as unhas na mesa. — Mas antes você tem que saber na “mentirinha” que a Sakura nos meteu.

— E por que não estou gostando nem um pouquinho disso?

— Acredite: eu também não gostei nem um pouco.

(...)

A comida estava deliciosa como sempre. O pequeno detalhe era que não estava prestando atenção no que comia e sim na menina á sua frente. Com olhos cinzentos e cabelos curtos e de cor carmim, Yue parecia a mais bela das princesas. Pelo menos, no seu ponto de vista, é claro. Sua irmã, Sora, ria com a amiga enquanto Kouji a admirava. Respirou fundo e lembrou-se do conselho de Konohamaru, noivo de sua tia:

— Ah, quanto a Yue, Kouji, seja amigo dela. Talvez, essa amizade, no futuro, pode se tornar um romance.

Ele tinha que ser amigo dela! “Mas como?” Perguntava-se e olhou para a sua comida. Não estava nem sentado próxima dela... E se fizesse isso? Ai, conseqüentemente, eles teriam que conversar. “Por que eu não pensei nisso antes?” Levantou-se e estava saindo de sua mesa quando, pelo canto de olho, viu um garoto de uma série maior implicando com uma garotinha da sua série. Com aqueles cabelos longos cor amêndoa que sempre estavam transados e com uma franja cobrindo a testa e olhos grandes da cor oliva escuros, ela era bastante reservada e não falava com muitas pessoas.

O sangue começou a subir quando o garoto pegou a menina pelo braço e olhou em volta, procurando por algum professor e não encontrando ninguém. Não se lembrou onde deixou o seu almoço e muito menos do conselho que sua mãe o dera bem no primeiro dia de aula. “Comportem-se e não fique dando uma de herói, entendeu, Kouji?” Isso é que dar ser idêntico ao pai: ser ansioso demais e sempre fazer antes de pensar.

— Ei! — chamou e o garoto idiota olhou para ele enquanto os amigos ainda riam da garota. — Por que não deixa a garota em paz?

— Moleque, num se mete em algo que não é da sua conta — recomendou o idiota e virou-se para a garota. — Olha, veio um molequinho te proteger.

Os olhos lindos e expressivos começavam a se encher de lágrimas e, mais uma vez, o Hyuuga seguiu seus instintos. Cutucou o garoto e, quando este se virou, deu um soco tão forte que o infeliz caiu de maduro. E não parou por ai não: ele ainda sentou na barriga do garoto e começou a dar muitos outros socos na cara do garoto.

— Eu falei para deixá-la em paz, não falei, baka? — gritou enquanto os amigos do outro tentavam pegar-lhe o braço.

Levantou-se e viu-se cercado pelos os amigos do garoto. Então esses, simplesmente, tentaram bater nele. Só tentaram, porque nenhum conseguir e ainda levavam um soco na cara de volta. Chegava a ser divertido. Quando todos estavam no chão, foi até a garota que encarava tudo com a boca aberta e olhos arregalados.

— Tudo bem com você, garota? — ela assentiu, ainda o olhando com os olhos arregalados. — Qual é o seu nome?

— Tsuki. Shikoo Tsuki. — murmurou ela e a sua voz era delicada e fina.

— Belo nome — sorriu e ela corou.

Estendeu a mão para ela se levantar e, assim que virou-se, ouviu Sora gritar, contudo, não deu tempo e levou um soco no olho direito tão forte que teria caído se Tsuki estivesse segurando sua mão. Nesse instante, apareceu o coordenador e mandou tanto ele quanto o garoto para a sala da diretora. Antes de seguir o homem, sentiu sua mão se puxada e olhou para a Shikoo.

— Gomenasai! — falava com os olhos verdes brilhando de arrependimento. — Eu não queria causar problemas!

— Ei, não se preocupe comigo — falou sincero. — Eu acho que estou fazendo o que já deveriam ter feito a muito tempo e não me arrependo...

— Hyuuga! — chamou o homem. — Sala da diretora, agora!

— Ja ne, Tsuki-chan.

Ele correu para acompanhar o grupo e mal ele sabia que o coração daquela menina batia forte por ele desde o momento que tinha estendido a mão para ela.

(...)

— Minha vontade, agora, é bater na Sakura-chan — confessou ele quando parou de comer por um segundo.

— Não é só você que tem essa vontade — sussurrou para si mesma e suspirou. — Violência não é a melhor solução, então, creio que seria mais fácil conversarmos sobre meus filhos.

— Nossos — corrigiu o rapaz com a boca cheia.

— Gomen, é o costume. — sorriu e deu de ombros. — Sakura e Ino não sabem que não tenho a guarda de meus filhos... Quer dizer, nossos filhos, e eu não tenho coragem de falar, pois só comentar sobre esse assunto me faz sentir uma pessoa inútil e impotente.

— Você não é inútil ou impotente; só que, na época, você era jovem e não tinha como mantê-los. E seu otou-san aproveitou-se a situação.

— Pode até ser verdade, mas ainda me sinto impotente — abaixou a cabeça e ficou olhando para suas unhas grandes e sem esmalte. — Porque eu sei como meu otou-san me tratava, o quanto eu chorei todas as noites pedindo para ter minha okaa-san de volta e o quanto eu tentei ser o exemplo perfeito. Mas eu nunca consegui e o corretivo do otou-san... — sua voz falhou e engoliu seco, tentando ignorar a vontade de chorar. — Não era o dos mais amigáveis.

Lembrava-se de como era horrível sentir aquela dor física e sentimental. Hoje em dia, só era o coração que doía por conta da infância nada boa que teve. Ela era sempre ruim em tudo. “Você nunca honrará o nome da família Hyuuga.” Essa era a frase de sua vida e, quando voltou para casa grávida, seu pai fazia questão de esfregar na sua cara essa tal afirmação. As lágrimas se acumulavam em seus olhos só em pensar em como seus filhos sofreram com seu pai e mordeu os lábios ao pensar o quanto impotente era.

— Hinata, eu vou lutar pela guarda dos meus filhos — contou Naruto de repente e levantou o olhar, espantada, quase sentindo as lágrimas descerem e vendo-o encarar seus olhos fixamente. — Mas não quero tirá-los de você e sim de seu otou-san. Eu estou com raiva só de imaginá-lo encostando um dedo nos meus filhos ou em você e não quero que isso ocorra nunca mais. Eu vou lutar na justiça para você ter a guarda dos nossos filhos ou meu nome não é Uzumaki Naruto.

A determinação nos olhos azuis fez uma esperança crescer em seu coração. Ela já pretendia lutar pela guarda dos anjinhos, porém ela precisaria de tempo e dinheiro para pagar um bom advogado. E aquilo não seria problema para o Uzumaki. Sentiu algo molhar seu rosto e soube que eram suas lágrimas; quando ia secá-las, o homem foi mais rápido, secou-as com um polegar e, olhando-a cheio de preocupação, indagou se estava fazendo algo errado.

— Não está não, Naruto-kun — sorriu doce e colocou sua mão sobre a dele em seu rosto. — Você está sendo um anjo para mim e um anjo da guarda para os meus bebês.

(...)

A porta foi aberta e, como um copo de água geladíssima sendo jogada no rosto de uma pessoa, a realidade lhe atingiu. Estava na sala da diretora graças à consequência de seus atos e um arrepio correu por sua coluna. “E, mais incrível ainda, não estou arrependido”, pensou enquanto lembrou-se do pedido de desculpas da garota e viu nos olhos dela o agradecimento: um brilho tão forte que lembrava a lua. Deveria ser por isso que tinha o nome Tsuki: significava Lua.

Shizune estava sentada e olhou para o coordenador antes de tirar conclusões precipitadas. Ele contou o que viu e ela suspirou, mandando os dois sentarem-se nas cadeiras a sua frente. Entrelaçou os dedos e suspirou, olhando para ambos com expressão cansada. Ela havia assumido a direção desde que a Tsunade saiu definitivamente do cargo e estava fazendo um belo trabalho, em sua opinião.

— Estou surpresa em encontrá-los aqui em plena segunda. O que houve?

— Ele me agrediu, Shizune-san! — exclamou o outro e Kouji apenas o olhou, cruzando os braços e levantando a sobrancelha. — Eu estava quieto com meus amigos quando ele chegou e me deu um soco. Eu só revidei.

— É verdade, Hyuuga-san?

— Até o ponto da agressão, sim. O resto é tudo mentira...

— Aonde que o que eu falei é mentira, baka? — rosnou o outro.

— Silêncio, Kubo-san. É a vez de o Kouji falar — repreendeu a diretora e virou-se para ele. — Prossiga.

— Bem, ele e os amigos deles estavam implicando com uma garota da minha sala e eu pedi para ele parar. Só que ele me ignorou e, então, parti para a ignorância também.

— Então, você começou com tudo, Hyuuga-san?

— Hai e não tenho vergonha de assumir, porque minha okaa-san fala que, quando erramos, é sempre bom falar a verdade. E, Shizune-san, se ele continuar a implicar com a Shikoo-chan, eu irei voltar para a sua sala até o fim do colegial — murmurava com certeza nos olhos e virou-se para o outro. — Guarde minhas palavras e, se tiver juízo, você as cumprira. Ou, se não, ficará não só com os olhos roxos.

— Hyuuga-san!

— Estava vendo, Shizune-san. Está vendo, não é?

A mulher respirou fundo e o tal Kubo fechou o bico. O Hyuuga percebeu que tipo de pessoa teria que aturar dali para frente e sabia que arranjaria muito confusão pela frente. Só esperava que sua mãe entendesse...

— Ambos agiram de forma errada. Kubo Toyo, imagino que acha que sairá sem muitos problemas, mas sei que não é um aluno exemplar, até porque ontem você estava aqui. Desta vez, apenas peço que vá para a enfermaria e volte para a aula enquanto eu ligo para seus entes; pode ir.

Toyo saiu da sala e, na hora de fechar a porta, passou o polegar no pescoço, mostrando um suporto “sinal de morte” para o outro. Kouji riu e voltou a encarar a diretora que o olhava fixamente.

— O que eu faço com você, Hyuuga-san? — perguntou a moça.

— É a minha primeira vez aqui — lembrou e deu de ombro. — Por mais que eu fui bastante conhecido na minha escola por sempre está na diretoria, não quer dizer que eu saiba muita coisa.

— E por que você sempre ia para a direção, Hyuuga-san?

— Hã... — olhou para o teto. — Eu e Sora erámos tímidos e inseguros nos primeiros dias de aula. Com o tempo, passei a me soltar e conhecer novos amigos, mas minha irmã não fez o mesmo e, por ser muito na dela, passou a ser alvo de brincadeiras nada divertidas. Chamavam-na de nomes feios e brincavam com ela, como se ela fosse uma boneca odiada. Um dia, eu me revoltei e comecei a bater em todos fazia aquilo com ela. Então, foi quando começou as minhas visitas ao diretor.

— E o que sua okaa-san fazia? — Shizune parecia concentrada demais na história e deve ter se esquecido da bronca... Melhor para ele!

— Eu não morava com ela. Esse ano é o meu primeiro ano junto com ela e aqui em Tóquio.

— Hum... Ela não deve conhecer muito sobre você.

— Na verdade, conhece. Eu e Sora sempre conversamos com ela sobre nossas vidas e acaba que ela conta da vida da minha vida e vice-versa — riu e fez menção de se levantar. — Posso ir?

— Não. Eu ainda nem liguei para sua okaa-san.

— Nani? — indagou de olhos arregalados. — Para que ligar para ela?

— Eu ainda tenho que falar sobre o incidente que ocorreu. Agora, onegai, tem como me falar o telefone de contato da sua okaa-san?

Por alguns minutos, hesitou e pensou um pouco, entretanto, acabou falando o telefone do trabalho, de casa e do celular. Umedeceu os lábios e, vendo a mulher colocar o aparelho no ouvido, respirou fundo. Era a primeira vez que sua mãe seria chamada na escola... Bem, sua mãe não seria chamada, todavia, estava sentindo como se isso fosse acontecer. E só de uma coisa tinha certeza: aquele sentimento de ser o pior filho do mundo e aquele outro sentimento que o fazia pensar na reação de sua mãe – esses só se resumiam em uma palavra: medo. Muito medo.

— Ela não está no trabalho, nem em casa e não atende o celular — murmurou Shizune e ele prestou atenção no que ela dizia. — Tem outro número?

— Não... — franziu o cenho e perguntava-se onde estaria sua mãe. Levantou o olhar e percebeu que não estava livre; foi quando uma grande ideia lhe veio em mente e logo a pôs em prática. — Pode ser da minha oba-san?

— Se ela for uma de suas responsáveis, hai.

— Então, lá vai...

(...)

Depois de pagar, ele guiou a Hyuuga para fora do lugar e enquanto andavam algumas casas a frente, ele se lembrou do número de uma casa em especial. Quando parou, a moça congelou ao seu lado e observou a fachada da casa junto dele. Era detalhada de madeira escura e a cor era vermelho escuro, a cor mais “diferente” daquela simples vila. Olhou para Hinata e, assim que ela encarou-o duvidosa, sorriu largamente para apoiá-la.

— E se eu fizer algo errado? — ela perguntou, mordendo o lábio inferior para conter o nervosismo.

— Bem, eu não o que você pretende fazer — confessou e pegou a mão dela, guiando-a para ficar em frente à porta. — Mas saiba que estarei atrás de você.

Ainda olhando para ele e com o rosto vermelho por ele ter pegado em sua mão novamente, ela assentiu e olhou para frente, estendo a mão e tocando a campainha. Não se passou um minuto e ouviram um barulho atrás da porta; algo parecido com pessoas conversando ou rindo. Assim que a porta foi aberta, uma loira apareceu e logo atrás dessa um moreno de cabelos preso em um rabo de cavalo alto apareceram. Naruto estreitou os olhos e fixou o olhar no homem que parecia cansado e não sorria logo vendo o rapaz arquear uma sobrancelha.

— Naruto? — indagou o outro e aquela voz preguiçosa... Já sabia quem era.

— Shikamaru! — animou-se. — Caramba, quanto tempo!

— Pois é; o tempo passou e você continua o mesmo Naruto do colégio — murmurou o outro e revirou os olhos, para finalmente abrir um simples sorriso. — Problemático.

— Você o conhece? — perguntaram as mulheres, trocaram olhares e voltaram a encará-los com um ponto de interrogação como expressão.

— Hai — disse o Nara, simplesmente.

— Estudávamos juntos na escola e, então, eu fui para a faculdade de Tóquio e ele... Eu sei lá para onde ele foi. — deu de ombro.

— Harvard — comentou o outro e deu de ombro como se fosse a coisa mais básica do mundo enquanto tanto ele quando Hinata ficavam de queixo caído. — Foi uma boa experiência e, não vou negar, influenciou bastante na hora de conseguir um emprego.

— Vamos, Shika, pare de se gabar — repreendeu a esposa e sorriu para os visitantes. — Bom, que tal entrarem?

Eles confirmaram e entraram. O Uzumaki ouviu a sua companheira pedir licença e segui-lo em passos rápidos e nervosos. Era uma legal ver Shikamaru novamente, afinal, ele havia sido um grande amigo desde a partida de Sasuke. E, durante a formatura, ele avisara que iria para uma faculdade fora do país e não saberia se manteria contato. Acabou que não manteve...


O interior da casa era de tamanho médio e aconchegante. O hall era um corredor de paredes pitadas de vermelho e chão de madeira. Após alguns passos, chegaram à primeira porta de correr de madeira e, quando a loira abriu, reparou que estavam numa sala com um futon grosso em formato de L e separado do chão graças a um degrau da grossura do objeto. Uma mesa baixa e de madeira escura ficava no meio e, por último, uma tevê de, mais ou menos, 29 polegadas. Gesticularam para eles se sentarem e o fizeram, ficando em silêncio logo em seguida.

— Então... Como vai a vida, Shikamaru? — puxou assunto, pois uma coisa que não gostava era silêncio.

— Bem; as contas estão pagas, o emprego está indo bem e a família também — murmurou o moreno. — E você?

— Bem, bem... Nada de novo acontecendo.

— Como me achou, Naruto? Pensei que nunca mais iria te ver novamente.

— Na verdade, foi culpa da Hinata — respondeu e olhou para a mulher que corou. — Ela estava atrás de... De quem mesmo?

— De Sabaku no Gaara — ela falou e a loira se agitou, fazendo que Hinata a olhasse. — Você, provavelmente, deve ser a onee-san dele, certo?

— Hai; sou — a mulher estava tensa quando continuou. — O que quer com meu otouto?

— Eu queria falar com você, primeiro — ela olhou para Naruto e Shikamaru. — E, de preferencia, a sós.

— Hai, hai. Venha comigo; vamos ao lugar mais reservado — enquanto a mulher falava algo para o marido, ele puxou a morena pela mão e falou que estaria lhe esperando. Ela assentiu e seguiu a outra, sumindo de sua vista.

— O que sua esposa que falar com a minha? — perguntou o outro desconfiado e o loiro sentiu as bochechas esquentarem um pouco.

— Hinata não é minha esposa — desviou o olhar e fixou os olhos na porta. — E eu também não faço a menor ideia.

(...)

Konohamaru estava a esperando, como sempre, encostado em seu carro. Assim que seus olhos se encontraram, ele sorriu largamente e ela corou um pouco. Como amava aquele sorriso. Abraçou-o e beijou seus lábios, matando a saudade – que, por acaso, não era muita para outra pessoa, pois poucas horas na sala de aula não era algo extremo; contudo, para Hanabi, era com uma eternidade. Ele retribuiu o beijo saudoso e, separando-se, começou a acariciar os cabelos dela.

— Como foi a aula da minha futura advogada? — perguntou o noivo e ela riu.

— Tive mais aula de direito civil, comercial e medicina legal – aquela coisa de sempre — revirou os olhos e sorriu para ele. — E as suas?

— Matemática, matemática e mais matemática — reclamou o rapaz e abraçou-a mais forte. — Não sei como não desisti.

— Oras, e nem pense nisso. Ano que vem você já vai se formar e, no seu estágio, está quase confirmada a sua vaga. Eu ainda tenho um ano inteiro de estudos.

— Ai, não precisava lembrar o estágio... Agora, eu tenho que correr para lá.

— Hehe, ainda bem que eu não sou estagiária de lugar algum. Mas antes de você ir, eu quero um beijo. — ela fez bico e ele riu, aproximaram-se e beijaram-se. Estava tão bom que não teria notado o celular vibrar se não fosse o fato de o mesmo está no bolso da frente, isto é, incomodando os dois. — Que droga de hora para ligarem!

— Atende logo, Hana.

Ela atendeu e seu sorriso se desmanchou poucos segundos depois.

(...)

Temari estava guiando a visitante quando sentiu uma náusea muito forte. Respirou fundo e falou que iria ao banheiro rapidamente, ando apressadamente até esse. Assim que chegou, não deu outra: vomitou o almoço e, se vacilar, o café da manhã também. Era a quinta vez em dois dias e aquilo era preocupante para ela, porque nunca fora de ficar passando mal. E ainda estava escondendo do marido – não gostava de vê-lo preocupado. Suspirou e foi escovar o dente, voltando para o quarto onde a morena olhava pela janela que tinha a vista para a sua pequena vila.

— É uma vista bonita, não? — perguntou, vendo a outra se assustar e olha-la corada. — Gomen, mas você parecia tão admirada.

— Não, tudo bem — sorriu ela ainda envergonhada. — Eu que deveria está pedindo por estar aqui, te incomodando, Sabaku-san.

— Ah, onegai, sem formalidades — riu e estendeu a mão. — Sou Temari.

— Hai, prazer. Sou Hinata — ela pegou sua mão e sorriram uma para outra.

— Lindo nome. Mas o que você quer falar comigo?

— Hã... Não sei exatamente por onde começar — confessou Hinata, olhando para sua mão. — Eu fiquei morei aqui em Tóquio há alguns anos atrás e, na faculdade, eu tinha três amigos: Sakura, Ino e Gaara; e Gaara e Ino formava um casal – um casal muito kawaii, por sinal.

— Você é amiga de faculdade dele? — indagou e franziu o cenho. — Bom, eu também achava os dois muito kawaii juntos.

— Hai, hai. Um dia, uma garota beijou o Gaara e a Ino terminou tudo. Entretanto, há um pouco mais que dois meses, eles se beijaram de novo, sendo que ela estava namorando o Naruto...

— NANI? Paro, paro, paro! — exclamou e seus olhos estavam arregalados. — Ele beijou a Ino e ela estava namorando?

— Hai. Eu não exatamente o que fez eles se beijarem, só que ela estava brigada com o namorado e meio que acabou acontecendo, entende?

— Onegai, continua.

Enquanto a moça contava, a Sabaku pensava nas situações. Dois meses... Foi quando seu irmão começou a agir estranho e não contou nada para ela. E por causa de Ino. “Acabou que o Shika estava certo... Mais uma vez, para variar”. Concluiu e voltou a ouvir a morena.

— Eu queria a sua ajuda para juntá-los. Eles formam um belo casal e eu quero tanto que sejam felizes. Porque, por mais que eles não admitam, eles só podem ser felizes... Juntos.

Hinata estava certa. Eles só seriam felizes juntos e uma de suas metas era ver seu irmão feliz e, de preferencia, casado com que ama. Ino, sem dúvida, era a pessoa certa para isso. “E essa história de traição?”, pensou quando uma lembrança surgiu em sua mente. Lembra-se da algo que envolvia esse assunto, porém não era do sofrimento do seu irmão que estava falando... Talvez, se lembrasse do nome da menina.

— Hina, eu topo ajudar! — respondeu e viu um brilho de ansiedade nos olhos perolados da outra. — Mas preciso saber se você lembra-se do nome da garota, aquela que beijou o Gaara na faculdade.

— Hum... Poxa, a Sakura falou hoje cedo. Mai ou alguma coisa parecida...

— Mei? — perguntou e sentiu-se agitada.

— Hai, esse nome mesmo. Por quê?

— Hina, vou te contar uma coisa e peço que, onegai, no conte para ninguém. É horrível ter que contar isso, mas aconteceu e farei de tudo para fazer meu otouto feliz novamente.

— Tudo bem... Eu não conto para ninguém — falou a Hyuuga enquanto olhava no fundo de seus olhos e soube que podia confiar. Era o único jeito de fazer o correto.

(...)

Já estava escurecendo quando entraram no carro novamente. A moça de olhos claros mostrava-se muito animada e estava com um sorriso no rosto. Claro que perguntou e sua resposta foi: “não posso falar; é segredo, Naruto-kun.” É, ela estava tão feliz que havia falado “-kun” mais uma vez. Sentou-se na cadeira e a outra sentou-se também, ainda rindo.

— Isso dá medo — confessou, olhando-a de canto de olho. “Na verdade, é tão bom vê-la sorrir”. — Quando vai parar?

— Não sei, sinceramente — riu a moça novamente. — Nunca me senti feliz por saber que irei fazer alguém feliz.

— Agora eu consegui entender alguma coisa nisso tudo — falou e olhou para o sorriso doce nos lábios perfeitos. — Você vai fazer esse tal de Gaara feliz com outra pessoa.

— Hai! Isso não é bom?

Ele sorriu ao ver a felicidade da mulher e lembrou-se no dia que estava chovendo, quando a levou para a sua casa e ela riu daquele jeito – tão inocente e tão verdadeiro. Foi no dia que fizeram amor e, por consequência de tal ato, ela ficou grávida e fugiu dele. Umedeceu os lábios e pigarreou, recebendo o olhar dela sobre si.

— Sabia que hoje é meu aniversário, Hinata? — perguntou e viu os olhos da Hyuuga se arregalarem.

— Sério, Naruto-kun? — ele engoliu seco e assentiu. — E por que não avisou antes? Eu, ao menos, poderia ter pagado o seu almoço!

— Não precisa; eu não quero nenhum presente em especial...

— Onegai, Naruto-kun — pediu ela de uma maneira irrecusável. — Deixe-me fazer algo para agradá-lo.

— Bem, se é assim...

Ele não sabia se deveria, todavia, quando deu por si, já estava fazendo. Seu corpo se inclinou para frente e sua mão pegou o queixo de Hinata, aproximando-o dele. Ela tinha os olhos arregalados e, para sua surpresa, em momento algum ela relutou. Assim que sentiu a respiração acelerada e quente dela batendo em seu rosto, aproximou-se ainda mais e quase a beijou. Exatamente, quase. Pois, naquele momento, o celular dela tocou e ambos congelaram, trocando olhares, até que ela se afastou, extremamente corada, e pegou o objeto que havia ficado no carro.

— Alô? — murmurou ela com a voz rouca e viu-a se encolher ao ouvir o grito vindo do outro lado. — Ai, Hanabi, meu ouvido! Eu sai do trabalho para resolver uma coisa e deixei o celular no carro — Hinata corou ainda mais – se é que fosse possível. — D-de ninguém. Ninguém! Mas, fala, o que houve? — silêncio e, vendo os olhos dela se arregalarem, soube que algo estava errado. — O Kouji o que?

(...)

A praça estava cheia de pessoas andando e crianças correndo de um lado para o outro. Era um dia animado para uma segunda... Menos para um Hyuuga que estava nervoso e apreensivo para reencontrar sua mãe. Sua irmã e sua tia tomavam um picolé, despreocupadas, enquanto ele só conseguia olhar para o seu gelado. Sentia que este estava derretendo e, sinceramente, não ligava.

— Oba-san, o que minha kaa-san vai fazer? — perguntou e já tinha perdido a conta de quantas vezes já fizera essa mesma pergunta.

— Nada demais, Kouji! Meu Kami! — Hanabi revirou os olhos e voltou a se concentrar no seu sorvete. — Ela não vai fazer como meu otou-san faz, não se preocupe com isso.

Naquele instante, abaixou o olhar e, levantando-o de novo, seus olhos encontraram uma figura muito conhecida que, assim que seus olhos bateram nele, veio correndo em sua direção. Ele também se levantou e andou em passos hesitantes em encontro a sua mãe. Quando se encontraram, ela ficou de joelhos e o abraçou forte.

— Ai, meu bebê, o que houve? Você se machucou muito? — ela levantou a cabeça dele e observou os olhos dela ficarem maiores ao notarem o olho roxo. — Ai, meu anjo, perdoa a okaa-san por não ter atendido o celular. Ela estava tão desligada... Está doendo? Já colocou gelo? Quer algum remédio?

— Kaa-san, você não vai brigar comigo? — indagou, estreitando os olhos.

— Claro que não, meu anjo! Por que, em sã consciência, eu faria isso?

Sua mãe voltou a fazer perguntas do seu estado e não soube quando seus olhos se encheram de água. Hinata era tão doce, tão maravilhosa... Tão perfeita. “A kaa-san mais perfeita do mundo.” Concluiu quando as lágrimas começaram a cair e se jogou nos braços da mãe, perdendo-se em um choro de felicidade.

Um loiro, que assistia a cena não muito longe dali, sorriu e teve o mesmo pensamento que o filho. A Hyuuga era, sem sombra de dúvidas, uma mãe perfeita. Enquanto dava meia volta, reconheceu que aquele era melhor do que qualquer presente que poderia receber: ver o amor daquela mulher, que era a sua amada, por aquela criança, que era o seu filho.

Notas finais
Então, ficou bom? Eu gostei do final e do quase beijo... Bem, o próximo capítulo vai ser show. Ele já tá completo na minha cachola, UHSIUAHSIUAHI' Bjs, KarolPi.