Os Dois Anjinhos
15 Capítulo 12 – Quebra-cabeça
Notas iniciais
Estou de volta com Os Dois Anjinhos e queria agradecer por todos os comentários novamente. Sei que não respondi todos, mas pretendo fazê-lo logo. ;)'
Enfim, galera, eu queria também falar um bem vindo para as novas leitoras. BEM VINDAS E MUITO OBRIGADA POR SEUS COMENTÁRIOS. ;D'
Então, vamos ao capítulo.
“Viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença.”Benjamin Franklin
Era ótimo estar daquele jeito: abraçado com Sakura e levando-a até a porta de sua casa. No canto do olho, viu duas cabeças na janela direita e balançou a cabeça, contendo uma risada e recebendo um olhar curioso da rosada. Sorriu de canto e subiram os degraus. “Agora, ninguém poderá olhar.” Garantiu-se e desceu as mãos dos ombros até a cintura dela, deixando arrepiada.
— Foi um bom encontro. — murmurou ela depois de se recuperar.
— Só bom?— arqueou uma sobrancelha.
— Está bem, foi um encontro perfeito. — admitiu Sakura e ele deu um sorriso confiante — Não fique se achando, ouviu, Uchiha?
Ele levantou as mãos em um sinal de rendição e ela riu baixo. Aproximou-se e a viu fechar os olhos, fazendo-o sorrir e desviar o beijo para testa. Quando afastou, viu uma cara emburrada e muito insatisfeita e aquilo fez algo em seu corpo ficar inquieto. Como ela podia ter esse efeito sobre ele? Sinceramente, não sabia e não queria saber, apenas sentir.
— Bem, eu vou indo. — murmurou e foi se virando. — Ja ne, Sakura-chan...
Sentiu duas delicadas mãos tocarem seu braço e o puxar para perto. Não impediu nada quando a Haruno o virou e enlaçou os braços no seu pescoço, puxando para um beijo singelo. Afastou-se e iria entrar em casa, porém ele também não deixou, puxando-a pela mão e beijando-a como ambos queriam; de um jeito profundo e apaixonado. Os minutos não pareciam passar enquanto mais uma vez naquela noite se beijavam.
O ar, para a infelicidade de ambos, foi acabando e as necessidades gritaram mais altas. Afastaram-se dando selinhos e ficaram com as testas coladas; ele de olhos abertos e ela, fechados. Olhando aquele fino rosto, deixou-se tocá-lo de leve e acariciá-lo com o polegar, vendo-a inclinar para o lado deste e apreciar melhor o carinho.
— Quando é sua próxima folga? — perguntou com a voz baixa e rouca.
— Este domingo — respondeu ela automaticamente.
— Quer sair mais uma vez comigo?
— Hai — disse, sorrindo.
— Irei te ligar amanhã marcando o horário, está bem?
Assentiu e sentiu seus lábios se tocarem mais uma vez, em um beijo de boa noite.
— Só um aviso: suas amigas estão ansiosas para conversar com você.
Foi assim que ele se afastou e ela abriu os olhos e corou. Havia se esquecido de que estava na porta de casa por alguns longos minutos e, provavelmente, seria bombardeada de perguntas, contudo, não ligaria em respondê-las. Estava feliz e queria compartilhar essa felicidade com suas meninas, as que sempre falavam para ela que o moreno um dia voltaria –mesmo não acreditando nisso de verdade.
— Haruno Sakura! — exclamou Ino quando passou pela porta.
— Pode nos contar o que foi aquilo! — exclamou Hinata e completou: — Onegai?
Riu e rodopiou até as amigas que riram junto. Tinham uma ótima amizade, mesmo com seus pequenos distúrbios.
(...)
O fim de semana passou voando e foi bem agitado para todos. Sábado, os Hyuugas foram comprar os matérias que faltavam enquanto as outras duas trabalhavam. No mesmo dia, Hinata recebeu um e-mail que avisava que havia passado para a segunda e última fase para começara a trabalhar na empresa Uzuki. O problema era que teria que ter uma reunião com o presidente da empresa, Uzumaki Naruto. “Que vida” pensara a morena.
No domingo, foi um descanso. Bem, para todos menos Sakura que ficou histérica novamente por causa do encontro que teria com Sasuke. Quando o dia terminou, mal puderam acreditar que já era segunda-feira novamente. As amigas foram acordadas pelos gêmeos super animados com as voltas às aulas em outra escola.
Naquele momento, Hinata estava se agachando para beijar a testa de seus filhos. Ambos estavam com lindos sorrisos e com seus uniformes. Estavam duas gracinhas mesmo Kouji teimando em despentear o cabelo. Ela estava vestida com uma blusa preta de manga e decote U com uma saia de cintura alta bege clara e uma bolsa também bege; roupas exclusivamente mixadas por Yamanaka Ino.
— Comportem-se e não fique dando uma de herói, entendeu, Kouji? — murmurou a testa dele que apenas revirou os olhos e assentiu. — Ótimo, venho pegá-los no horário da saída, está bem?
— Hai. — abraçaram a mãe e foram afastando-se até serem puxados novamente — Nani?
— Cadê o meu “aishiteru”? — perguntou sorrindo largamente ao receber outro abraço.
— Aishiteru, okaa-san. Não vamos decepcioná-la.
— Não é questão de me decepcionar. É questão de serem bons alunos e serem bons amigos com todos. Agora, vão logo antes que eu comece a chorar!
(...)
Engraçado como sua felicidade havia durado pouco. Não tinha nem uma hora que havia levado os filhos para a escola e, agora, subindo todos os quinze andares daquele prédio em uma caixa metálica silenciosa para encontrar o cara que fazia todos os seus pelos ficarem de pé só de lembrar-se de seu sorriso, não lhe dava uma boa sensação. Como muitos dizem: a felicidade de pobre dura pouco. “Bem pouquinho mesmo”, suspirou.
Quando as portas se abriram, hesitou e deu alguns passos. Ficou olhando até ouvir o elevador descer. “Traidor!” Ironizou e revirou os olhos. Andando em passos receosos, a Hyuuga seguiu para a única porta do corredor e estendeu a mão para a maçaneta. Nem havia tocado e a porta foi aberta violentamente, deixando a morena tão assustada quanto corada.
— Ah, Hyuuga-sama... Estávamos a sua espera. —uma mulher loira deu um sorriso que pensou seriamente que fosse falso e deu espaço para que a morena entrasse. — Me chamo Shion, sou secretária de Uzumaki Naruto. Espere um minuto que irei avisar que chegou...
Viu quando a mulher entrou pela a passagem que parecia ser a principal dali e sumir. Ela, então, olhou em volta e constatou que era menor que esperava. No lugar, havia apenas uma mesa com uma cadeira de rodinha e duas poltronas mais confortáveis diante desta. Não era surpresa que era da cor laranja e que, no tecido, havia sido costurado o logotipo da empresa. Também tinha um sofá de três lugares e uma namoradeira. Mal pensou que poderia se sentar ali e a loira apareceu, um pouco trêmula e com uma expressão sonhadora.
— Ele irá recebê-la agora.
Indo por onde a moça havia passado, a morena colocou a mão sobre a boca e reprimiu a risadinha. Estava na cara que a secretária era apaixonada pelo loiro. “Poxa, eu não acredito que eu era assim...”Pensou e franziu o cenho. Será que ela foi assim, toda sonhadora e sorridente quando estava perto do Uzumaki? Ela pedia que não quando bateu na porta e entrou logo em seguida. Seu sangue começou a congelar e seu nervosismo começou a florescer novamente.
— Olha só! — ouviu a voz grossa falar enquanto passava pela porta — Vejo que está atrás de emprego, não é, Hinata-san?
“Hinata-san? Desde quando ele me chama deste jeito?”
— H-hai, Naruto-sama! — concordou e acenou com a cabeça, mostrando-se profissional — Eu tenho que conseguir este emprego.
— Entendo... — o Uzumaki apontou para a cadeira a sua frente e ela se sentou — Então, Hinata-san, você sabe que não tem nenhuma vaga nesse setor, certo?
— Hai, eu até havia mandado meu currículo pra a vaga que havia na produção, mas vejo que ele se interessou.
Assim, para a surpresa de ambos, eles agiram como profissionais. Conversaram e ele esclareceu suas dúvidas, percebendo que a morena tinha, realmente, um ótimo currículo. Os dois não admitiriam, contudo, também sentiram seus corações baterem mais rápido. Quando chegou ao fim da entrevista, ela se levantou da cadeira e foi dirigindo-se lentamente para a porta quando ele perguntou:
— Para que quer esse emprego?
“Para manter a mim e meus filhos” Pensou automaticamente, entretanto, não poderia falar isso. A razão principal por causa deste emprego era seus filhos. Mantê-los e, quem sabe no futuro, começar a investir em um bom advogado para tomar a guarda deles; este era o seu maior desejo e um dia iria realizá-lo.
— Bem, eu tenho que sustentar-me e...
— Sustentar seus filhos? — ele perguntou e deu um leve sorriso.
A Hyuuga, por outro lado, paralisou completamente. Ele... Sabia... De seus... Filhos? Como? Desde quando? Onde? Ela estava tão perdida que não conseguia nem pensar direito. Sentiu sua cabeça pesar e viu alguns pontos escuros em sua vista. Os pulmões exigiam mais ar e o coração batia mais rapidamente. Não sabia o que deveria fazer quando sentiu a escuridão consumi-la; apenas ouviu alguém chamar seu nome.
(...)
Estavam no refeitório do hospital, comendo seus cafés-da-manhã, animadas. A rosada falava sobre seu segundo encontro com Sasuke enquanto a amiga ficava apontando o quanto ela parecia uma adolescente apaixonada. Não que já não fora assim; para sua tristeza, já passou por aquela situação duas vezes. Sem perceber, a loira acabou presa em seus pensamentos e a Haruno notou.
— O que houve, porquinha? — perguntou depois de alguns minutos de silêncio — Você estava tão alegre e, repentinamente, ficou calada.
— Não é nada demais, testuda. — mentiu a moça e a amiga percebeu — Só me lembrei de algumas coisas...
— E agora vai ficar mentindo para mim? —perguntou e recebeu o olhar surpreso da outra — Ino, somos amigas desde que nascemos; sei muito bem quando você está mentindo, pois você não consegue olhar nos meus olhos quando mente.
A Yamanaka suspirou e bufou, estreitando os olhos para a rosada e fingindo estar com raiva. Ela tinha razão; as duas eram amigas desde sempre. Quando crianças, elas se odiavam, pois ambas queriam a atenção de Sasuke, todavia, tudo mudou quando a loira conheceu um ruivo... Pararam de competir e tornaram-se amigas; se conhecem tão bem que não havia como negar: Sakura sempre saberia quando ela mentia e vice-versa. Ou seja, ela teria que contar, naquele instante, que havia traído Naruto.
— Sakura-chan... O que eu vou te contar é o maior segredo de todos... — sussurrou a mulher e a amiga inclinou a cabeça para ouvi-la melhor.
— Então, fala logo.
— Eu sei que você vai ficar pasma e que vai ficar com raiva de mim; sei que vai querer me matar, mas eu quero que entenda que não foi por querer. Eu não estava no meu normal e ele também ficava me olhando...
— Já estou ficando preocupada... Quem ficava te olhando?
— Ai, meu Kami! Acho que agora não tem mais volta. Não dá pra eu ficar encarando seus olhos, porque eu fico me lembrando dele.
— Dele quem?
— Não nego: arrependo-me até agora e não sei o que vou fazer... Espera, eu não sei de me arrependo de verdade. É claro que estou arrependida. Que merda de confusão com os sentimentos!
— INO! — gritou a rosada e a Yamanaka piscou, voltando sua atenção para esta — Dá para falar logo?
— É... É que trai o Naruto — sussurrou e completou mais baixo ainda — Com o Gaara.
A Haruno, que havia levantando com raiva da amiga, foi sentando-se vagarosamente enquanto processava a revelação em sua mente. Aquela loira, a qual estava na sua frente, sua amiga de infância... Que havia chorado na sua frente por causa do loiro, acabara de falar que tinha lhe traído. Como assim? A rosada perdera alguma coisa, porque, naquele segundo, sentia-se completamente no ar. Levantou o olhar para a amiga e viu o desespero dentro daqueles mares azuis.
— Ino... Me conta essa história direito.
Mordendo o lábio inferior, a Yamanaka começou a contar desde a briga que teve com o Uzumaki. Ela estava com medo da reação da amiga, até porque sabia que esta iria proteger o loiro. Iria falar coisas como‘por mais que eu e ele não somos mais muitos amigos, eu ainda tenho o direito de agir como uma amiga ciumenta’ ou ‘eu não acredito que você fez isso com ele, Ino’. Aliás, a rosada, sempre que estava séria, chamava Ino pelo seu nome – sem-chan ou porquinha.
— Aí eu recebi umas flores lindas lá no hospital nesta sexta. — contou e olhou para baixo com um sorriso — Eu fiquei toda feliz, sabe? Era um pouco clichê e eu odeio coisas clichês, mas eu achei lindo e fiquei toda boba quando li que foi Gaara que mandou... Estava escrito que ele queria me encontrar... — suspirou e descansou a cabeça sobre o braço.
— Ino, vou direto ao ponto — murmurou Sakura após minutos de silêncio, os quais ela se pôs a pensar — Você está apaixonada pelo Gaara novamente... Não, novamente não; você sempre foi apaixonada pelo Gaara.
— Mas... Mas você sabe o que aconteceu. Ele me traiu e achou que eu não faria nada...
— Você nunca soube se ele realmente te traiu —contra-atacou Sakura e elas se encararam fixamente —; eu lembro o que você falou. Estava tão desesperada em acreditar no que viu que não o deixou falar nada.
— Eu viquando ele me traiu, Sakura! — explodiu e estreitou os olhos, deixando que as lembranças voltassem a sua mente.
Flash Back On
Quinze de abril. Naquele dia, Gaara e Ino completavam mais um mês de namoro e, juntando tudo, dava nove anos e três meses. A loira estava ansiosa para encontrar o namorado desde a noite passada, quando ele havia a deixado em casa, prometendo que, no dia seguinte, faria uma surpresa. “Qual será esta tal surpresa?” Perguntou-se novamente e o sinal anunciou o fim das aulas de mais um dia; quase correu para fora da sala, porém foi impedida pela rosada.
— O que é isso, Porca-chan? — perguntou sorrindo para a amiga — Para que essa euforia toda?
— Ai, testuda, eu tô nervosa. — confessou e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha — O meu bebê falou que tem uma surpresa pra mim e ainda não o encontrei...
— Nossa, amiga, acalme-se. — sorriu Sakura e começou a puxá-la para fora — Nós temos que guardar os livros e pegar nossas bolsas no armário.
— Então, apressa esse passinho, Testa-chan, porque eu tenho que procurar o Gaara.
Nisso, a loira saiu correndo e a Haruno riu. Ela sabia qual era a ‘surpresa’ e estava feliz pela amiga... E pelo amigo também, afinal, eles haviam se tornados bem próximos. Chegou à porta de seu armário e a Yamanaka ainda estava ali, tentando abrir o seu. Riu e ajudou-a, voltando a sua atenção para si e suas coisas. Olhou pelo canto do olho quando viu a amiga se abaixar e pegar um envelope que tinha caído quando abriu a porta de metal.
— Ué! — exclamou a morena e deu um beijo na bochecha de cada uma — O que ainda estão fazendo no corredor? Eu já fui até no banheiro.
Foi a única coisa que falou até uma loira gritou de felicidade e abraçou-as forte, começando a pular ainda abraçadas. Em seguida, deu um beijo em cada uma e saiu correndo.
— Meu Kami, o que foi isso? — riu Hinata e sentiu a rosada abraçar seu braço.
— Acho que Ino-chan vai nos abandonar, Hina-chan. — murmurou e fingiu secar uma lágrima.
Enquanto isso, Ino corria até a parte de trás do campus; mais especificamente, para o lugar onde foi um teatro e onde sempre se encontravam quando não tinham nenhuma aula. O local era abandonado e logo o governo começaria a reformar o lugar, fazendo-o ficar ativo novamente. Entretanto, continuaria sendo o local dela e dele.
Sem demoras, chegou e entrou pela porta dos fundos. Passando por antigos cenários e roupas mofadas, a loira acabou chegando aos bastidores e viu a cena que não queria nunca ter visto. Bem no meio do palco, estava o Sabaku beijando outra garota. Só de ver aquilo seu coração começou a se despedaçar e virar pequenos pedaços até deixarem de existir. Não percebeu quando começou a chorar ou quando o beijo daqueles dois malditos havia acabado.
— Ino... — chamou um pouco receoso e seu coração se partiu ao ver aqueles olhos cheios de lágrimas — Ino, isso tudo tem uma explicação.
— Ah é? — ela fungou irônica e levantou um papel; a carta que ele havia mandado — Aqui está escrito: Encontre-me no teatro, pois eu te farei uma surpresa... Sabe o que eu concluí? Que a explicação mais lógica que você poderia me dar era que essa é a minha tão esperada surpresa...
— Ino, você está entendendo tudo errado... A Mei me beijou e...
— Ah, ela te beijou e você tentou evitar? Então, foi cedendo, foi cedendo até ficarem se beijando como um casal... — a voz dela começou a ficar sarcástica e aquilo atingiu-o em cheio — Olha, Gaara, vamos fazer o seguinte. Vamos esquecer o último acontecimento que eu vi, está certo? Eu vou esquecer...
A tal garota, Mei, já havia sumido a muito tempo e ambos estavam sozinhos. Então, ele sorriu um pouco aliviado e se aproximou dela, com a intenção de abraçá-la e, quando estava próximo o suficiente, levou um belo de um tapa. O som que este fez foi ecoado por todo o local vazio. Ela respirava com dificuldade e ainda estava com a mão levantada, preparando-se para dar outro tapa. Ele estava pensando em como conseguiria convencê-la que ele era a vítima e, rapidamente, pegou a mão da garota que já se aproximava novamente de seu rosto.
— Por que não me ouve? — murmurou enquanto levantava o olhar e encarava dois olhos azuis opacos e sem brilhos, fazendo seu coração quebrar.
— Eu falei que vou esquecer... Tudo o que passamos. Vou esquecer você; vou esquecer esses nossos nove anos juntos... Sabe por quê? Porque essa é a minha melhor saída para continuar a viver. E se você quer me ver feliz, não vai me seguir...
Assim, ela se soltou e começou a correr dele. Naquele dia, ele não iria atrás dela, pois queria que esta pensasse. Quando viu a figura dela sumir, sentiu algo pesar em seu bolso e colocou a mão no mesmo para ver o que era. Tocou em algo de veludo e puxou. Mordeu o lábio quando viu o que era e sentiu uma lágrima solitária descer por seu rosto. Abriu a pequena caixa e deparou-se com dois anéis, pensando se algum dia, Ino iria perdoá-lo.
Flash Back Off
A loira, então, levantou-se e passou pela rosada. Não queria mais falar sobre o assunto. O que aconteceu no passado, doeu demais e não queria que essas lembranças. Antes que saísse do local e corresse para o banheiro, a amiga pegou o seu braço e murmurou:
— Só quero que me prometa que irá terminar com o Naruto antes de beijar o Gaara novamente...
— Tá, eu prometo. — sussurrou e puxou o braço, saindo rapidamente do refeitório... Ou será que de perto da rosada?
(...)
Ele não podia acreditar que ela havia desmaiado. A morena havia se portado tão profissionalmente e, só quando tocou no assunto ‘filhos’, desmaiou. O que será que ela esperava que ele fizesse? Forçaria algo? Por qual motivo iria forçar algo? Estava tão confuso que não percebeu quando a pegou no colo e levou-a para fora da sala. Não se surpreendeu quando viu a sala de espera vazia e colocou deitada no sofá de três lugares.
— Anda, Hinata! — chamou o Uzumaki e sacudiu os ombros dela — Acorda logo, vai!
Como se tivesse o escutado, a Hyuuga gemeu e suas pálpebras ficaram trêmulas. Os olhos prateados começaram a aparecer novamente e um alívio preencheu o loiro. Hinata colocou a mão na cabeça e foi levantando devagar até está completamente sentada. Olhou ao redor confusa e, como se alguma luz tivesse sido acendida, lembrou-se do que aconteceu... Bem, foi o que ele constatou depois que os olhos dela se arregalaram e se afastou dele.
— Como você sabe sobre meus filhos? — indagou diretamente e sua respiração estava fora do normal — Eu não falei nada sobre eles com você.
— Então, você pretendia me esconder sobre seus filhos?
— Você não respondeu a minha pergunta. —apontou.
— E nem você a minha.
Ficaram se encarando fixamente enquanto os minutos passavam; ambos tentando encontrar respostas dentro daqueles olhares e ambos sabendo que não conseguiriam se decifrar. Sempre foi assim, sempre seria. Só saberiam algo do outro se este o contasse e ponto final. Naruto foi o primeiro a desistir; desviou o olhar e suspirou, pondo-se de pé.
— Vamos conversar na minha sala, antes que Shion volte. — murmurou e a viu relutar — Onegai, Hinata.
Hesitando, a morena levantou e seguiu o rapaz. Por algum motivo, soube que não poderia fugir. Sentou-se novamente na cadeira e viu quando ele fez o mesmo. Ficaram em suas posições tensas até ela repetir:
— Como sabe sobre meus filhos?
— Hinata — começou após um suspiro —, estava no seu currículo que você têm dois filhos pequenos.
— Eu não coloquei isso! — apontou a morena e cruzou as pernas, nervosamente — Como foi parar no meu currículo?
— Foi Nobuhiko que colocou. Sabe, Hinata, ele gostou mesmo de você. Nobuhi é realmente muito amável com todos, mas não se engane pelo jeito doce; ele sabe ser um chefe exigente. — confessou e apoiou-se sobre a mesa — O motivo principal de ele ter posto essa informação era para me informar. Nos dias de hoje, é complicado contratar uma mulher com dois filhos pequenos...
— Pois, muitas vezes, os filhos são uma desculpa para faltar o trabalho. Meu otou-san sempre disse isso. — ela completou e abaixou a cabeça, pensando — Mas, Naruto — quando ele deu por si, o olhar dela estava preso ao dele —, esse é o primeiro ano que eu moro com meus filhos de verdade. Minha responsabilidade como okaa-san foi imposta apenas este ano, então, não sei ser uma okaa-san. Como agir, como ser, o que aconselhar... Eu não sei de nada disso.
Por essa, ele não esperava... O choque que passou por sua mente foi quase instantâneo. A Hyuuga sempre se mostrou forte e determinada com tudo e aquela ‘confissão’ deixou-a completamente sem barreiras, nua. Era tão estranho quanto a vontade que sentiu de se levantar e ir abraçá-la. Levantou o olhar e viu que ela apertava as mãos e segurava suas lágrimas.
— Sinto muito. Não era minha intensão...
— Não sinta — a moça levantou o olhar para o teto, tentando reprimir as lágrimas que teimavam em rolar — E-eu sou culpada por isso, mas eu não me arrependo. A-amo meus filhos mais do que m-minha vida e eles foram e sempre serão os meus anjinhos. Quando voltei da faculdade, grávida, eu já sabia o que meu otou-san faria...
E ela continuou a falar, contudo, o Uzumaki havia parado na palavra ‘grávida’. Ela havia dito ‘voltar da faculdade’ e‘grávida’ na mesma frase. Algo começou a martelar na mente dele e algumas peças foram se encaixando. Ela tinha voltado da universidade, isto é, era uma estudante quando descobriu que estava grávida. Então, será... É possível que... Engolindo seco, concluiu o que deveria fazer: perguntar.
— Hinata... — chamou, um pouco incerto se deveria continuar — Com quantos meses você estava quando voltou para casa?
— Eu estava com dois — entregou e fungou. A morena estava tão presa em conversar sobre ‘como ser uma boa mãe?’ que acabou não notando o que falava.
Naruto voltou a pensar, mais especificamente, voltou a viajar em seu passado. Eles haviam passado uma noite juntos e, para a surpresa dele, não haviam se prevenido... Ela sumiu por dois meses e não apareceu mais... Assim, na mente do loiro, o quebra-cabeça estava montado. Só faltava a confirmação.
— Hina-chan — chamou e sabia que ela odiava que ele a chamasse assim; ela, finalmente, voltou ao seu normal e o encarou de olhos estreitos — Eu sou o otou-san de seus filhos?
Ainda tinha lágrimas em seus olhos quando terminava de processar as palavras que acabara de ouvir em sua mente. De estreitos, seus olhos duplicaram de tamanho. “Mas o que ele falou?” Perguntava-se a Hyuuga enquanto tentava fazer seu coração voltar ao ritmo normal. Ela não tinha ouvido direito; não poderia ter ouvido direito! Engoliu seco e apertou as mãos mais uma vez.
— N-nani?
— Eu sou o otou-san de seus filhos... — desta vez, não foi uma pergunta; era mais uma afirmação que ele estava fazendo para si mesmo.
Quando procuraram alguma coisa dentro dos olhos do outro novamente, ambos ficaram surpresos ao encontrar apenas uma coisa: medo. “Por que está com medo?” Queriam perguntar, entretanto, o orgulho era maior e apenas desviaram o olhar. Ela estava com medo que ele rejeitasse os filhos; e ele? Estava com medo... Que ela não permitisse que visse os filhos? Nem ele sabia que medo era aquele que crescia dentro do coração, só sabia de uma coisa: queria, mais do que tudo, conhecer os filhos dela. Os seus filhos...
— Não vai me dizer? — perguntou o Uzumaki e ela prestou atenção, mesmo não olhando.
— De que adiantaria?
— Muita coisa...
— Não, não são seus filhos. — ela voltou a encará-lo e levantou uma sobrancelha como se dissesse ‘acha mesmo que eu acredito?’ — Viu, não adianta. Então, não vou falar nada.
— Só fale que são e pronto!
Suspirando derrotada, Hinata levantou-se da cadeira. Por incrível que pareça, ela não desmaiou ou teve outro filho com a descoberta; desde que ela entrou pela porta, sabia que alguma coisa iria acontecer e que ela teria que aguentar. No meio do caminho entre a saída e a mesa, sua bolsa estava no chão, desde o momento que havia desmaiado. Sem demorar, foi até esta e pegou-a, procurando alguma coisa. Quando achou, voltou para o loiro e deixou alguma coisa sobre sua mesa. Enquanto saia, rendeu-se e murmurou:
— Hai, são seus filhos.
Assim que ela fechou a porta, Naruto esticou-se para pegar o que ela havia deixado sobre sua mesa. Pegou e virou para cima. Era uma foto. Havia duas crianças nela e estas estavam abraçadas. O menino abraçava a menina pelo pescoço enquanto ela fazia o sinal da paz com os dedos e piscava. Riu e viu os olhos azuis e os cabelos azulados. Eram parecidíssimos com os pais, não negaria. Quando reconheceu, sorriu ainda mais. Não pode acreditar que era pai daquelas crianças que conheçeu no hospital, junto com Ino. "Sora e Kouji", lembrou-se dos nomes e sorriu novamente.
Notas finais
OMG! Que final, né?
Esse capítulo, sem dúvida, é para os meus leitores nervosos. KKKKKKKKKKKKKK'
Naruto descobriu, finalmente. E agora? O que que vai acontecer... Puts, nem eu sei.
Comentem. ;D
Bjs da Karol.
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