Os Dois Anjinhos
7 Capítulo 6 – “Como assim, UZUMAKI?”
Notas iniciais
Bem, mais um capítulo que acabei de escrever.
O próximo é meio que a segunda parte desse capítulo, mas espero que gostem desse. =D
Obrigada pelos comentários e pelo apoio por causa da minha prova.
"Para se descobrir novas terras, deve-se estar disposto a perder a terra de vista por um longo tempo."André Gide
Balançou a cabeça e concentrou no prédio a sua frente. Entrou e acenou para todos que conhecia ou que via com frequência. Foi para o lado esquerdo da recepção – nem se deu o trabalho de informar nada, apenas acenou com um sorriso – e encontrou-se na frente de três portas dupla de metal, o elevador.
Já estava com saudade de Naruto, então, no horário de almoço de quarta-feira, resolveu visitá-lo. Sua sorte era que a empresa era bem próxima ao hospital, duas quadras apenas. Quando a porta do elevador se abriu, quase deu um grito frustrado. Realmente, já estava de saco com esses encontros.
Na sua frente, um rapaz de cabelo curto e ruivo, olhos verdes claros e pele extremamente branca. Apoiava-se com apenas uma mão no lateral do elevador, apoiado em apenas uma perna enquanto o outro se enroscava nesta. Levantou um pouco a cabeça e, ainda um pouco surpreso, deu um meio sorriso. Vestia um terno preto e, na posição que estava, deixava-o irrevogavelmente sexy.
— Ora, ora, ora, se não é a loirinha. — seu sorriso ficou sarcástico e Ino perdeu todo o encanto pelo rapaz naquele momento. — Parece que sentiu falta do chefinho, né?
— Não é da sua conta, Sabaku—rebateu a loira e bufou — Ande, saia daí! Tenho que ver Naruto antes que acabe meu horário de almoço.
— Olha que sorte a sua: não irei sair. Eu acabei de voltar do almoço e, graças a Kami, não tenho namorada para visitar no meu horário predileto. — sorriu e deu espaço a mulher — Aproveite a minha companhia.
— Não, eu espero outro elevador, obrigada.
— Bem, não querendo estragar seus planos, mas já estragando, seria melhor vir nesse, pois aquele ali tá no décimo quarto andar e, o outro, é apenas para funcionários de limpeza. — apontou, respectivamente, e voltou-se apoiar no elevador.
Ino bufou e rendeu-se, entrando no cubículo de metal. Sabaku no Gaara apenas deu um sorriso vitorioso. Assim que a porta foi fechada, o silêncio estalou-se por todo o local. Naquele dia, até a música do elevador não tocava, deixando o clima mais tenso.
— São quinze andares — Gaara quebrou o silêncio e pode ouvir o tom irônico em sua voz — Você não vai falar nada?
— Não. — falou a Yamanaka, sem encará-lo.
— Não? Está passando mal, Ino-chan?
A loira bufou e cruzou os braços. Eles se conheciam bem, pois já tiveram sua história de amor (se é que deveria chamá-la assim). Desde a adolescência até a universidade, namoraram e tiveram um bom relacionamento. Entretanto tudo mudo quando Ino pegou Gaara beijando uma garota qualquer e terminou tudo. A pior parte foi esquecê-lo e, só conseguiu fazê-lo recentemente, quando começou a namorar Naruto. O que deu errado? Acabou descobrindo que o ruivo trabalhava com o loiro. O pior? Gaara era quase o vice-presidente da administração geral, ou seja, muito amigo do seu namorado.
— Estou dividindo o elevador com você. —rebateu a loira novamente — Mereço um desconto.
— Isso tá mais com uma desculpa para mim, Ino-chan...
— Não me chame assim! — explodiu — Você perdeu esse direito.
— Que isso, Ino-chan. Águas passadas devem ser esquecidas.
— E também não adianta chorar pelo leite derramado.— dessa vez, o sorriso vitorioso veio de Ino quando percebeu que o rapaz não tinha mais como rebater.
Poucos minutos depois, a porta do elevador foi aberta. O ruivo virou-se para ela e a garota, novamente, não via arrependimento naqueles olhos. No fundo, tinha uma esperança que ele falasse que a queria de volta.
— Então, ja ne, Ino-chan. — brincou o ruivo novamente.
— Não, não. É Sayonara, cabeça de fósforo. Sayonara. E não me chame assim.
Gaara sorriu e saiu. Por algum motivo, o rapaz parecia gostar do apelido. Ignorando o fato, Ino só sentiu-se segura quando a porta se fechou. Ela, mesmo apaixonada pelo Uzumaki, ainda sentia algo pelo ruivo... O que não era lá uma coisa muito boa.
Deixou o rapaz longe de seus pensamentos quando a porta do elevador foi aberta e sorriu. Saiu do cubículo e seguiu o corredor que era lindamente decorado com vasos e pinturas. No final deste, havia outra porta dupla, mas não era de metal e sim de madeira grossa e polida. Abriu e seu sorriso se tornou falso.
— Yo, Ino-chan — a secretária também abriu um falso sorriso.
— Yo, Shion.
Loira de farmácia, pensaram as duas juntas. Era óbvio que se odiava, já que Ino era namorada de Naruto enquanto Shion era a secretária que o queria. O loiro era o único que não notava a queda da sua secretária particular e, quando Ino comentou, Naruto defendeu-a. Isso mesmo, defendeu aquela loira falsa!
— Que nada, Ino-chan — falara o Uzumaki —Trabalhamos há tanto tempo juntos e ela nunca demostrou nada por mim. Garanto que é apenas sua imaginação.
Minha imaginação... Sei.
— Shion, poderia avisar para o Naruto-kun que eu estou aqui. — pediu, fingindo ser educada.
— Gomen, Ino-chan, mas Uzumaki-sama está extremamente ocupado e pediu para não ser incomodado.
— Mas eu sou a namorada dele! — deu ênfase a palavra “namorada”, como se tentasse esfregar isso na cara da outra loira.
— Ainda assim, falou para não ser incomodado.— disse a secretária.
Ino bufou, mas não desistiu, seguindo para a sala do namorado. Shion, que estava atrás de sua mesa com um sorriso cínico, levantou-se e ficou no pé da outra loira falando coisas como “não faça isso” ou“ele pediu para não ser incomodado”.
Do lado de dentro da sala, Naruto respirou profundamente e desligou o telefone. Mais um problema que teria que resolver logo ou seus planos de sair com Sasuke de sair à noite iriam água abaixo. E ele queria contar as novidades para o amigo, já que ele era o único que sentia poder confiar. Contar para Ino que a chegada de Hinata o deixou um pouco inseguro com o relacionamento que tinham estava, obviamente, fora de cogitação.
A porta se abriu com violência e o loiro tomou um susto quando percebeu que era a namorada. Não morre tão cedo, ironizou, mas ficou com a expressão séria. Pediu para a Shion não deixar ninguém entrar e lá estavam as duas.
— Uzumaki Naruto, que história é essa de não deixar ninguém entrar? — perguntou sua namorada sem nem ao menos sorrir.
— Gomen, Uzumaki-sama, eu tentei impedi-la, mas ela insistiu em ver o senhor. — falou Shion, puxando o saco para Ino.
— Tudo bem, Shion-chan, arigatou mesmo assim.— suspirou e dispensou a loira com um aceno. Ino, aproveitando a deixa, virou-se para a secretária e deu língua. Shion respirou profundamente e fez uma pequena reverencia, saindo e fechando a porta atrás de si.
Os dois estavam sozinhos na sala. Ino virou-se para o namorado com uma carinha inocente e andou lentamente até ele. Naruto conhecia aquela expressão e ele sempre deixava de ficar estressado com Ino por causa dela, todavia, naquele momento, o problema com a empresa estava fixo demais em sua cabeça para aquela carinha mudar o que estava sentido. E, quando Ino esticasse para beijá-lo, ele vira o rosto.
— O que foi, Naruto-kun? — perguntou e sentou-se sobre a mesa do namorado — Você parece sério.
— Eu pedi para a Shion não deixar ninguém entrar e você quase que a atropela. Eu queria que a respeitasse, Yamanaka Ino.
Yamanaka Ino. Naruto nunca a chamava assim, apenas quando estava realmente estava muito agastado. Ela não sabia o que falar, pois quando abria a boca, segundo suas amigas, ela acabava falando demais. Contudo, o loiro acabara de pedir para ela respeitasse aquela secretária dele, que dava algumas indiretas e se jogava em cima dele sempre que podia. Em cima de seu homem.
— Sério, Naruto, sério mesmo? Você realmente vai proteger sua secretária?
Naruto conteve um suspiro. Odiava quando tocavam no “assunto Shion”, porque sempre acabavam brigando. Infelizmente, daquela vez não foi diferente.
(...)
— Ai, gomen. Eu... — quando reparou em quem esbarrara, acabou perdendo a fala.
Na sua frente, estava ninguém mais ninguém menos que um cara muito lindo, com cabelo escuro bagunçado, olhos escuros e pele branca. Características que ela conhecia tão bem, mesmo sem ver a tanto tempo. Seu coração disparou quase que automaticamente e sentiu as bochechas corarem. Ele não mudara nada; só aparentava estar mais maduro e mais responsável.
— Sa-Sasuke?
Sasuke estava tão chocado que não conseguiu fazer nada. Sentiu algo estranho em sua barriga, como se... Se tivesse borboletas dentro de seu estômago. Aquilo era estranho de se sentir, mas era algo estranhamente bom.
(...)
Hinata acabara de colocar comida para seus filhos. Virou-se para chamá-los e levou um susto quando notou que os dois já estavam sentados na mesa esperando sua mãe colocar seus devidos pratos. Não aguentou e riu, colocando as tigelas com misoshiru* e vendo os filhos pegarem os hashis.
— Pensei que não gostassem de misoshiru. —comentou Hinata, vendo os filhos devorarem a sopa.
— Eu não gosto. — confessou Kouji.
— Nem eu — murmurou Sora —, mas eu quero conhecer a nova escola.
— Eu também. Estou extremamente ansioso.
Hinata e Sora viraram para o garoto e levantaram a sobrancelha juntas. Kouji riu e engasgou-se fazendo a irmã e a mãe ficarem preocupada. Elas são tão iguais que assusta, pensou Kouji enquanto seguia o conselho de Hinata de levantar os braços. Se Sora era tão parecida com Hinata... Era para ele ser parecido com o pai. Não era?
— Está tudo bem, meu anjo? — perguntou Hinata, tirando o garoto dos pensamentos.
— Estou sim, okaa-san. Só engasguei.
— Ok, beleza. — sorriu Sora, disfarçando que estava preocupada a segundos atrás — Mas de onde você ouviu a palavra... Qual foi a palavra mesmo?
— Extremamente ou ansioso? — perguntou o garoto e viu a pequena Hyuuga assentir — Oba-san Ino falou ontem.
— Quando? — perguntou Hinata.
— Quando falou sobre o namorado. — o garoto fez uma careta — Aquele tal cara que veio aqui. Lembra que eu te falei, Sora?
— Lembro sim. Aquele que você falou o nome. Uzumaki, certo?
A Hyuuga congelou. Como assim, o tal cara que veio aqui? COMO ASSIM, UZUMAKI? Como eles sabiam dele? Hinata sentia o coração disparar e a respiração ficar pesada. O que será que eles sabiam que ela não sabia?
— Você não falou para mim, Kouji. O que eu perdi? — perguntou Hinata.
— Eu iria te contar ontem, oba-san, mas estava tão ocupada por causa da escola. Então tá, eu conto agora...
E começou a falar. Para o desespero de Hinata, Kouji imitou o sorriso que fez no pesadelo e era, realmente, igual ao pai. Sabia que tinha sido apenas um pesadelo, mas será que isso era uma mensagem do subconsciente de seu filho? Mas que mensagem? Kouji mesmo pensou que ela nunca falava dele. Nunquinha. Riu de alívio quando soube que nem ele nem Naruto tinham se visto, mas não ficou tão feliz quando descobriu uma única coisa.
— Ai, a oba-san Ino falou “vocês nunca acreditariam se eu falasse que estava namorando Uzumaki Naruto!” e eu lembrei que sempre quis uma moto Uzumaki. Agora, mais do que nunca, quero comprar essa moto, okaa-san. O problema é que o nome Uzumaki Naruto é muito familiar. Como se eu já tivesse ouvido várias vezes...
— Eu, por incrível que pareça, também pensei já ter ouvido esse nome — concordou Sora — Mesmo que só lembrando-me de ter ouvido quando você me contou.
A Hyuuga temia por isso, mas uma lembrança deixou-a um pouco perdida. Lembrou-se na época que estava grávida. E de quando sua médica falara para conversar com a suas crias sempre que puder.
Flash Back On
Quando Neji estacionou o carro em frente à casa dos Hyuuga, Tenten fez questão de ajudar Hinata a sair do banco da frente. A Hyuuga, como sempre fazia, reclamou e falou que não precisava de ajuda. Contudo, a Mitsashi ignorou-a e andou com a amiga até chegarem dentro de casa. Colocou-a sentada na varanda no banco de madeira com almofadas de três lugares e sentou-se ao seu lado, com um lindo sorriso.
— Como se sente, Hina-chan? — perguntou já sabendo a resposta.
— Sinto como se... — sentiu uma lágrima quente rolar pela sua bochecha e sorriu — Como se eu fosse explodi de felicidade, Tenten!
— Imagino que sim, Hina. Não é todo dia que se descobre que está grávida de gêmeos.
A Mitsashi sentiu-se tão animada quanto Hinata. Fazia tanto tempo que a amiga não abria um sorriso tão perfeito que soube que aquelas crianças fariam uma grande mudança na vida de todos, em especial, na vida tão sofrida da Hyuuga. Já passara por tanta coisa: a perda da mãe, o desprezo do pai, a paixão por um cara que apenas quis dormir com ela. Acho que eu não conseguiria suportar nada se fosse ela, confessou a morena em pensamentos e sentiu-se orgulhosa por ser amiga de uma pessoa tão forte quanto Hyuuga Hinata.
Nesse momento, Hanabi apareceu na porta e, sem esperar, deu um forte abraço na irmã que riu e afagou no cabelo escuro da irmãzinha. Surpreendendo Tenten, notou que a pequena – não tão pequena assim –estava chorando e com um sorriso nos lábios. Neji, provavelmente, já deveria ter contado a novidade.
— Ai, Nee-chan, estou tão contente. — murmurou Hanabi num tom afável e foi a vez de Hinata chorar —Saiba que, mais do nunca, estarei do seu lado.
A Hyuuga mais velha sentia-se completa e amada. Seu pai, pela primeira vez, estava extremamente ansioso para ver os futuros netos; sua irmã estava ali, abraçando-a e murmurando que sempre estaria com ela; seu primo e, quem sabe, sua futura esposa – e sua melhor amiga – estava sempre ajudando e dando tanto apoio que sentia-se como se fosse seus filhos que, provavelmente, seriam tão paparicados por todos. Inclusive por mim, sorriu e mais lágrimas rolaram.
— Arigatou, Hanabi-chan, Tenten-chan. —conseguiu sussurrar.
Os segundos se passaram lentos e, então, Hanabi afastou-se e sentou ao lado da irmã, perguntando como tinha sido a consulta. Hinata, ainda com lágrimas e sorrindo, contou tudo nos mínimos detalhes. Contou quando se assustou ao ouvir dois corações ao invés de um e que, quando olhou para doutora Ogawa, a viu sorrir e confirmar com a cabeça. Enquanto falava, Hinata via Tenten e Hanabi ficarem com os olhos brilhando.
— Que lindo, Hina-chan. — sorriu a Mitsashi.
— Muito perfeito, nee-chan. — abraçou Hanabi e ouviu a barriga da irmã roncar — Meu Kami! Esquecemo-nos do almoço, Tenten-chan.
— Ai, Kami-sama! É mesmo. — as duas levantaram e correram para dentro — Já voltamos com sua comida, Hina-chan!
A morena, agora sozinha, riu e aconchegou-se no banco. O sol estava aparecendo pouco atrás das nuvens e o vento frio assoprava seu cabelo. Faltavam poucos dias para a neve começar a cair e teria que aproveitar o pouco calor que fazia bem para seus filhos. Olhando para as montanhas, deixou um sorriso triste aparecer.
Mesmo passando por um momento feliz, queria saber como ele estava. Naruto.
Fazia cinco meses e não tinha notícias de ninguém. Nem de Sakura, nem de Ino, muito menos de Naruto. Quis saber qual seria a reação do rapaz quando ela, uma garota do interior, chegasse com um sorriso envergonhado e falasse: parabéns, você será pai de gêmeos! Como sempre, na imaginação dela, ele fazia uma cara de desgosto e falaria que o problema era dela. Abaixou a cabeça e sentiu outra lágrima rolar, caindo na barriga coberta pela blusa. Que sarcástico, não?
— Meus anjinhos, no futuro, creio que vocês iram querer conhecer o pai de vocês — murmurou, acariciando a barriga que já aparecia — Não sei se seria certo, porque, eu acho, que Naruto não seria um bom pai. É apenas um rapaz de vinte e dois anos que tem um grande futuro pela frente. Naruto vai administra a empresa do ojii-chan**, meus anjinhos...
E, desde então, Hinata conversou com seus filhos sobre tudo, incluindo o pai deles. Todos os dias, todas as horas que ela estava sozinha e em todos os lugares. Fazia isso, pois, naquela época, pensava que não voltaria a Tóquio e que, como ainda estava na barriga, não se lembrariam, mesmo sabendo que eles a ouviam.
Flash Back Off
Naquele momento, Hinata suspirou e arrependeu-se por ter falado demais no passado. Agora, não poderia deixar de pensar que seus filhos sabiam da existência de Naruto. E, por parte, aquilo era sua culpa.
Notas finais
* Misoshiru é uma sopa saudável, pois é cheia de verduras. Ou seja, faz sentido eles não gostarem, KKKKK'
** Ojii-chan é avô.
Espero que tenham gostado e até o próximo.
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