Os Dois Anjinhos

3 Capítulo 2 – Descobrindo os anjos


Notas iniciais
Obrigada. Cena, geovannana, naruhinarut, Mari_lc, Mandinha_Chris, alana, Hinatinhah, Mimii-chan, AnaHinata54, Cari-chan e karolina-chan. Vocês deixaram-me muito feliz.
Ai vai mais um capítulo e espero que gostem desse também.
Ah, meninas, como prometido, eu pesquisei sobre o Obasan e descobri que Oba-san é realmente tia. Obaa-san que é avó. Desculpa ai o tumulto, tá. ><'

"A criança é um por natureza um ser do encantamento, um ser que experimenta a leveza, e que não retém a dor." Cris Griscon

O som era a única coisa que se ouvia no pequeno táxi. Sakura estava na frente, guiando o motorista rumo a sua casa, enquanto os outros três estavam no banco de trás, fazendo silêncio, olhando para os vidros e admirando a cidade. Ou apenas perdidos em pensamentos. Sora não sabia os outros, mas tinha certeza que ela estava.

Fazia quase meia hora que estavam no carro e Tóquio era realmente grande e bonito, contudo, pressentia algo errado. Talvez porque seu irmão estivesse quieto demais. Talvez porque o motorista do táxi parecia um assassino maníaco... Ou talvez porque sua mãe não estava sendo... Exatamente como sua mãe era.

É, era um jeito estranho de dizer ainda assim não deixava de ser a mais pura verdade.

Hyuuga Hinata sempre se mostrou uma pessoa forte, lutadora e amável. Pelo menos, na frente dos filhos. Falava que, se não fosse por eles, ela já teria desistido da vida. Isso até pode ser verdade, pensava triste. Mas fazia uma semana que estava diferente. Mais aérea, mais ansiosa, mais tensa. Tudo depois que seu avô avisou que iria bancar os estudos dos netos fora da pequena Konoha e mandou os três para Tóquio.

Não entedia o real motivo. Não mesmo.

— Okaa-san — chamou, virando para encará-la, e recebeu seu olhar e o do irmão também —, está tudo bem?

— Hai, meu amor. — respondeu a morena com um lindo sorriso — Por que não estaria?

— Não sei. — suspirou e olhou para o irmão — Apenas por saber mesmo.

Notou que sua mãe ficou um pouco confusa e tentou descobrir alguma coisa, olhando para Kouji. Todavia, só Sora entendia a mensagem de “não faça isso” bem vivos e chamativos nos olhos azuis. Naquele momento, a menina soube que o irmão estava pensando na mesma coisa, só que, muito diferente dela, estava esperando o momento certo para enfrentar a mãe.

— Chegamos! — comemorou Sakura, entregando o dinheiro e saindo do carro — Está é minha humilde casa.

Sora foi a primeira a sair do carro, já que a casa era do seu lado da janela, no lado direito. E se viu diante uma casa de aparência espaçosa e aconchegante. Era uma mistura das antigas casas japonesas com um toque mais atual. Diferente de como pensava, não parecia um cubículo, como os supostos apartamentos de Tóquio.

Na frente, um jardim médio com algumas cerejeiras e bordos que estavam em cores lindas. Deveria ser porque era outono... Um pequeno caminho de pedra levava à escadinha que dava uma varandinha vazia. Em frente à escada tinha uma porta de madeira. Aliás, tudo que havia ali naquela varanda era de madeira: o chão, as paredes. Uma típica casa japonesa, pensou e seguiu Sakura.

— Sakura-chan... — começou Hinata, mas não terminou. Como os filhos, estava tão deslumbrada que perdeu a fala.

— Eu sei, é bem bonita. — sorriu a rosada, orgulhosa, logo deixando escapar um desanimado suspiro — Quando descobri que tinha, nem acreditei.

— Como você comprou oba-san? — perguntou Kouji. Sora, por algum motivo, soube que seria melhor ficar em silêncio e admirar a casa, mesmo prestando atenção na conversa. Ouviu sua mãe reprender o irmão, mas então:

— Há três anos, meus pais sofreram um acidente e vamos dizer que foram dessa para a melhor... Que Kami-sama os tenha. — ela tentou sorrir, mas saiu uma careta que só a menina pode ver — Otou-san sempre falou que deixaria várias casas para mim, mas nunca pensei que fosse verdade, afinal não tínhamos muito dinheiro. Não poderia manter todas as casas, então vendi algumas e comprei essa com o dinheiro e a ajuda de Ino.

— Gomenasai, Sakura-chan — murmuraram os três e a rosada olhou para todos, pensando que fora de propósito. Surpreendeu-se quando percebera não era nada disso.

Uma mistura perfeita da Hina com o Naruto, pensou e sorriu largamente. Ou, quer dizer, duas misturas.

— Não foi nada. Já faz três anos, mas a vida é assim. É o nosso ciclo.

E continuou andando. Por um momento, Sora notou que Sakura sofrera demais e fez uma coisa que nem a sua suposta “tia” nem sua mãe esperavam. Correu e abraçou a rosada. Bem, abraçou as pernas, pois, como qualquer criança de cinco anos, ela ainda era baixa.

Sakura olhou para Hinata que olhou para a filha, tão confusa quanto ela. Viu quando Kouji correu e também a abraçou. Aqueles dois seres, tão estranhos e tão familiares ao mesmo tempo. Aqueles dois seres que, até o dia anterior, nem sabia que existia, estavam ali no seu quintal, confortando-a com um amor inocente e apoiador.

Não entendia como, mas se sentia tão tocada por aquelas crianças que quis voltar a ser criança; brincar com seus melhores amigos, em vez de ficarem distantes; estar na escola e só responsabilizar por suas lições de casa, em vez ter que dar duro para conseguir o pão de cada dia; quis apenas chegar a casa e abraçar a mãe e o pai, falando que odiava ser criança. Quis chorar.

As crianças se afastaram quando sentiram Sakura mexer-se e agachar-se, ficando na altura de ambos. Sorriu e sentiu lágrimas descerem em seus olhos. Os pares de olhos azuis seguiram as lágrimas e limparam ao mesmo tempo. Aquele azul tão conhecido e tão misterioso...

— Não chora, oba-san. — sorriu Kouji.

— Nós não iremos te abandonar tão cedo. — completou Sora e beijou o rosto da rosada.

(...)

Depois daquela cena tão linda e chocante, Hinata sentia-se feliz.

Seus filhos gostaram de Sakura desde que estiveram no aeroporto, contudo, ficou extremamente surpresa ao vê-los tentando, de alguma maneira simples, confortando-a. Conhecia-os, obviamente. Que mãe não conhecia suas crias? Sabia também que ambos eram imprevisíveis e sabia também que aquela era uma coisa que era sua. Imprevisível, complexa. O pai deles era quase que o oposto.

Entrando na casa, a Hyuuga pode examinar perfeitamente tudo. A casa era maravilhosa, tanto por fora quanto por dentro. As paredes eram perfeitamente decoradas com papéis claros, e o chão era de madeira escura e vernizado. Diante a porta, tinha um corredor espremido e, ao lado deste, uma escada que deveria levar aos quartos.

O pequeno hall tinha duas passagens: a esquerda levava a sala, um lugar com muitas janelas e espaço. Um sofá de três lugares, uma namoradeira e um tapete, ambos vermelhos escuros e impecáveis. Uma tevê média estava ligada no canal de culinária, mas o local estava vazio; a direita deveria levar a cozinha, entretanto, não soube de imediato, pois a rosada levou os três para a sala.

— Ai, essa porca! — resmungou Sakura, irritada e desligando a TV com um controle.

— Ei, eu ouvi isso! — gritou alguém e apareceu na entrada da sala — E eu estava vendo.

A mulher era extremamente conhecida. Cabelo longo e loiro, preso em um rabo de cavalo alto e firme com uma mexa menor na frente do olho direito. Os olhos azuis claros mostravam irritação e a pele branca estava um pouco avermelhada no rosto. Estava com uma blusa sem manga roxa, um par de chinelos e um short curto, deixando a mostra suas pernas invejáveis. E, por último, percebeu que a garota estava com um avental e uma espátula na mão. Em seu rosto, alguns pingos de alguma coisa não identificada eram bem vistos por qualquer um.

— Você é um desastre na cozinha, Ino. Sorte eu ter chegado a tempo, senão eu teria perdido minha linda casinha. — Hinata prendeu o riso quando ouviu Sakura falar e viu Ino ficar mais vermelha.

— Ah, sua testuda! Eu juro que vou...

— Testuda? — perguntaram Kouji e Sora e foi nesse momento que a loira notou as crianças e a morena.

A Hyuuga estremeceu. Não sabia porque, mas tinha medo que Ino descobrisse que aquelas crianças eram filhos de quem eram. Quis, realmente quis, saber aquele pressentimento. E, quando viu os olhos azuis se arregalarem para ela, pensou que esse pressentimento fosse um aviso que algo a aguardava.

— Hina-chan? É você?

— É... Sou eu sim, Ino-chan. — sorriu envergonhada e ficou surpresa ao receber um abraço apertado da amiga.

— Ai, Hinata! Você não sabe como senti sua falta. Passamos por tanta coisa e eu queria tanto que você estivesse com a gente com o seu otimismo falando “Que isso meninas! Nós iremos conseguir”. Hina-chan, nunca mais faça isso, ouviu? Nunca mais me mate de susto, ouviu, sua louca?

Enquanto Ino falava sem parar, Hinata segurava-se para não chorar. Ela se lembrava de como ela era: sorridente, inocente, amorosa e otimista. Sempre falava aquilo para as meninas quando saiam da faculdade pensando que não se formaria tão cedo, já que ambas faziam medicina, enquanto ela fazia arquitetura.

Agora estavam ali, todas formadas – Ino e Sakura deveriam ser médicas e ela conseguiu retomar a faculdade de arquitetura, afinal – e ainda eram amigas. Como se esses seis anos não tivessem passado e eram aquelas jovens poderosas e belas. Amigas. Sem consequência pela falta de contato.

Então, lembrou-se do motivo de ter sumido por seis anos. Afastou Ino e sorriu largamente para a amiga.

— Ino-chan, quero que conheça duas pessoas. Ou melhor, duas pessoinhas. — a morena murmurou ainda sorrindo e pegando a amiga pela mão. Puxou-a até sua menina e Sora sorriu um pouco tímida — Essa é Hyuuga Sora — e virou a loira para o filho que estava ao lado da irmã —, e este é Hyuuga Kouji.

— Hyuuga? — falou após alguns minutinhos, um pouco confusa — Quer dizer...

— Quer dizer que os dois são meus filhos, Ino-chan.

Todos riram da cara de pasma que a loira fez. Ficou abrindo e fechando a boca, como se tentasse formular alguma coisa e nada saia. Todavia, quando a mesma pronunciou, era esperado que falasse o que falou: merda.

— Hinatinha, eu não sabia que você era assim. As mais quietas são as mais safadas. — um sorriso malicioso cresceu em seu rosto enquanto a morena sentia as bochechas queimarem violentamente.

— Ai, porca! Não fale assim na frente das crianças. — repreendeu Sakura e fez as amigas olharem-na.

— Claro, mas ainda quero conversar com você, hein senhorita Hyuuga?

— H-hai. — respondeu, já sabia o que vinha. E a loira e a rosada quase gargalharam.

Assim que acabou aquele momento tenso, Ino ofereceu-se para mostrar toda a casa para os visitantes e, quem sabe, futuros moradores. Hinata e seu orgulho não queriam morar dependendo das suas amigas, pois ela – por mais que tenha demorado mais do que o normal – também se formou, só faltava arrumar o emprego.

O problema começou quando seus filhos mostraram-se tão afetivos com Sakura e Ino. “Nós não iremos te abandonar tão cedo.” Desde que Sora murmurou aquelas palavras para sua suposta tia, sentia um peso no coração. E notara que Kouji e a amiga loira se davam bem, já como parentes. Não é atoa que Ino seria a madrinha de Kouji, pensou e conteve um sorriso.

— Uau! — foi tirada de seus pensamentos ao ouvir os filhos exclamarem e prestou atenção.

— Nossa...

Ino os guiou para os fundos da casa – como Hina pensara, aquele corredor estreito levava ao local. Só não esperava que tivesse um jardim perfeito neste, com direito a um pequeno laguinho que no meio havia uma pequena ilha com uma casinha sem paredes e de madeira.

Lembrava uma cena clichê de filme romântico.

— Gostaram? Eu e a testuda investimos neste lugarzinho. Quando compramos a casa, aqui era um terreno vazio e morto, sem nada verde. — a loira falava orgulhosa.

— Quando vocês compraram a casa? — perguntou Sora, não contendo a curiosidade. Hinata olhou-a e a menina entendeu o erro — Gomen, Ino-chan, foi falta de educação.

— Que isso! Para de meter medo na garota, Hinata! — bufou Ino e continuou — Enfim, compramos faz quatro anos. Reformar tudo e por completo demorou quase um ano e meio, fora da grana gasta.

— E lá na frente? Vocês também reformaram? — Kouji perguntou e a morena suspirou. Culpa da Porca-chan.

— Hai. Na frente foi mais simples, pois era menor.

Continuaram a visita, subindo para o segundo andar. A loira mostrou os quartos e os Hyuugas ficaram surpresos pela quantidade de cômodos aquela casa tinha. Contando mentalmente, havia dois quartos vazios, como se estivessem preparados para eles. Balançou a cabeça. Ainda não pensaria nisso.

Desceram e sentiram o cheiro maravilhoso de sopa. Sora e Kouji se entreolharam e...

GOHAN*!

... Sumiram de vista.

— Oh, Kami. — suspirou Hina e Ino gargalhou.

Entraram na cozinha e pode ver finalmente o lugar. Era tão espaçosa quanta a sala, contudo, era diferente: na parede e no chão tinham azulejos brancos e cinzas, respectivamente. Os balcões eram de madeira clara e os eletrodomésticos também eram claros. No canto próximo a porta, havia uma mesa encostada na parede e sob uma janela que estava fechada. Nesta mesa, tinha quatro lugares e dois eram ocupados por duas crianças hiperativas.

— Crianças, isso não é a janta. — brincava Sakura enquanto servia arroz em pequenos recipientes de vidro — É apenas o lanche de vocês, entenderam?

— Até porque quem vai fazer a janta sou eu! — gabou-se Ino e a rosada colocou os potes e os hashis na frente dos meninos, ignorando-a completamente.

— E não tem como repetir, capite?

— Hai. — sorriram e começaram a comer desesperadamente, mas pararam quando a mãe coçou a garganta.

— Calma! Alguém pode se engasgar e a comida não vai fugir. — uma ideia veio a mente da morena que sentou em uma cadeira na frente de ambos — Sabiam que, quanto mais rápido comer, mais fome irão sentir?

Os pequenos arregalaram os olhos e se entreolharam, voltando a comer de um jeito normal, quase devagar demais. Revirou os olhos. Algo lhe dizia que seus filhos não estavam com tanta fome, pois não fazia nem uma hora que haviam comido um rámen... Ou era isso que pensava.

— Sakura-chan, que horas são?

— Quatro e meia. — falou a amiga, levantando o relógio de punho para ver a hora.

— Nani? — exclamou e perguntou a Hyuuga ao mesmo tempo — Nós temos que ir! Eu ainda tenho que alugar uma casa, comprar uma cama e comprar comida. — suspirou. Teria que ser assim.

— Para de palhaçada, Hinatinha! — bufou Ino enquanto ficava ao lado de Sakura que estava diante a mesa, fitando a morena fixamente — Sabe que pode morar aqui conosco. Nós pagamos as contas até você arranjar um emprego, então dividimos.

— É, Hina-chan. Não será problema algum, até porque Kouji e Sora são crianças muito comportadas, não são? — as três olharam para os dois que até pararam de comer – se é que e comiam, já que a conversa também era de ambos os interesses. Mesmo sendo impossível, as amigas poderiam jurar que estava vendo auréolas sobre as cabeças destes.

— Onegai, okaa-san, onegai! — imploraram juntos, como já de costume. A expressão de ambos era de derreter qualquer coração.

A morena suspirou alto. Odiava ser orgulhosa, mas odiava ainda mais quando ficava na aba das pessoas. Queria ceder, queria que aquelas carinhas ficassem sorridentes, afinal, dependia da felicidade de seus dois anjinhos, mesmo que lhe falasse que era melhor não. Então, acabou falando:

— Hai, ficamos aqui. Mas eu prometo a vocês duas que iriei ajudar a pagar as contas e... — ela não terminou, pois ouviu um barulho estranho. E corou violentamente ao descobrir que esse era o som de uma pessoa faminta, e que essa pessoa era ela.

Gargalharam todos e foram abraçar a Hinata. Afinal, haviam feito seu orgulho sumir.

(...)

— O que você queria falar conosco, Ino-chan? — murmurou Hinata, pegando dois copos de plástico e servindo estes com água.

— Só queria que vocês soubessem que teremos uma visita especial. — sorriu a loira e Sakura levantou uma sobrancelha.

— Quem? O seu namoradinho imaginário, porca-chan?

— Ah, ele existe, testuda. — bufou irritada, o que fez a morena rir baixinho — E hai, é ele mesmo.

— Claro, sem problema. Agora, eu vou dar água para os meus bebês. Já volto. — sorriu Hina e sumiu pela entrada.

Já era de noite. Hinata tinha feito o jantar, mesmo Ino insistindo que ela deveria fazer. A morena e a rosada ficaram perguntando o motivo, mas ela apenas falava: “Depois eu conto, fofoqueiras”.

Assim que as crianças bocejaram, Sakura levou-os para o seu quarto, para que pudesse arrumar um dos quartos que estava vazio. Quando voltou, já estavam dormindo. Ajudou a amiga levá-los para o quarto, enquanto Ino arrumava – secretamente – a mesa do jantar.

Ouviram a campainha e a loira deu um gritinho, animada. Quicou para fora da cozinha, falando “ele chegou!”. Sakura revirou os olhos e ouviu a porta abrir. Como estava de costas, não viu o tal cara.

— Sakura, este é o meu namorado.

Virou-se e sentiu seus olhos se arregalarem. Ai meu Kami-sama!

Notas finais
E então? Que acharam?
* Gohan é arroz, gente. Aquele famoso arroz japonês e não o filho do Goku em Dragon Ball, tá, KKKKKKKKK'
E no próximo capítulo, teremos o primeiro aparecimento de Naruto. VIVAAAA!