Os Dois Anjinhos
19 Capítulo 16 – Perdidos no espaço
Notas iniciais
Então, espero que gostem desse capítulo e boa leitura. =D'
“Porque esta noite eu estou me sentindo como um astronauta; mandando S.O.S desta minúscula caixa (...); Se ouvir minha voz, venha me resgatar; você está ai fora? Porque você é tudo que tenho!”Simple Plan (música Astronaut)
Quando pensou direito, percebeu que não era uma reunião e sim uma apresentação para o presidente da empresa, o Uzumaki. Se ele aprovasse, Nobuhiko se encarregaria de mostrar o projeto para alguns acionistas e ela estaria livre. Sua sorte fora tão grande que, em menos de vinte minutos, estava sentada na cadeira diante a mesa de seu chefe enquanto esse falava algo sobre a aprovação ganha pelo seu patrão. Tentava prestar atenção e não tinha qualquer sucesso.
Naquele instante só tinha um nome e ele, infelizmente, tinha haver com a pessoa que tinha saído da sala há poucos minutos: Naruto. Sem dúvida, ele não parecia balançado com o termino com a loira ou vice-versa, pois Ino pareceu até feliz quando contou sobre o fim do romance. “Mas por que me sinto estranha?” Por fora, mostrava-se indiferente com tal; e, por dentro, sentia uma felicidade invadir cada célula do seu ser. E por que isso? Ela não sabia... Ou, melhor, fingia que não sabia.
— Hinata-san, está me ouvindo?
— Hã? — balançou a cabeça e sentiu as bochechas corarem. — Gomen, Nobuhi-sama, eu estava um pouco distraída, pensando sobre a reunião. — mentiu e respirou fundo; ela não sabia se era boa para mentir e pedia silenciosamente que fosse.
— É exatamente isso que falei, Hinata-san — ele sorriu e continuou. — Queria que me ajudasse a fazer meu discurso, visto que o projeto é seu e eu só irei apresentar.
— Nobuhi-sama, seria uma honra ajudá-lo — sorriu sincera.
— Arigatou e quero que vá para casa para poder fazê-lo — ele falou e ela estreitou os olhos.
— Nani? E se tiver algo para fazer? — indagou, surpresa.
— Hoje, não temos muito trabalho e espero que faça algo bom, entendido, Hinata-san?
— Hai... Se o senhor tem certeza, tudo bem.
Saiu um pouco receosa, esperando que seu patrão falasse para voltar e que era brincadeira e, para sua total surpresa, isso não aconteceu. Fechou a porta e esperou mais um pouco. Nada. “Que estranho. Nobuhiko-sama não é de liberar cedo”, pensava enquanto andava até seu setor, para pegar sua bolsa. “Ele sempre quer ter todos dispostos... Será que não pareço disposta?” Balançou a cabeça e pegou sua bolsa.
Tinha mais coisa para pensar do que aquele pequeno incidente.
Como, por exemplo, o caso da Ino com Gaara. O que poderia fazer? Certo, iria atrás da irmã se ela ainda estivesse viva e morando com o irmão, é claro. Viva, poderia estar. Morando com o irmão... Nem tanto, porém não custava tentar. O problema principal? Onde poderia encontrá-la. Ou melhor, onde poderia começar a procurá-la.
“Talvez seja melhor procurar alguém que tenha acesso ao endereço dele.” Pensou e encostou-se a parede, para esperar o elevador. “Mas quem poderia fazer esse favor para a Ino?” Não só para a loira como para ela também. Quem? Quem? QUEM? As portas do elevador se abriram e entrou ainda pensativa. Encarava o chão e esperava que a resposta viesse deste. Suspirou e levantou o olhar para o primeiro andar. Enquanto esticava a mão para o botão, seus olhos continuaram a subir e pareceu demorar uma hora até chegar o último botão.
Piscou e expirou. Seus pensamentos quase puderam ficar palpáveis e soube o que deveria fazer... Seria certo? Daria certo? Ela não sabia e nem previa; só queria que isso desse um bom resultado no final das contas.
(...)
Era um bom projeto, não tinha como negar, e seria logo aprovado por todos os acionistas. E a Hyuuga conseguiria boas oportunidades fora da empresa – e isso era bom para ela! A questão, naquele momento, não era sobre o sucesso da moça e sim sobre a moça. Ele não conseguia tirar aqueles malditos olhos prateados de sua cabeça e aquilo era uma merda; sem dúvida estava sentindo alguma coisa pela morena e era muito mais forte que uma simples atração corporal.
Suspirou e entrou em sua sala, fechando a porta atrás de si. No final do ano, os problemas começavam a surgir e sua presença na empresa era de extrema importância – quanto mais problemas finalizavam, mais outros novos apareciam como mágica.
Ouviu um barulho e assim saiu completamente de seus devaneios. Ergueu os olhos e encontrou sua sala vazia... Ou quase. Sua cadeira estava de costas para ele e não era assim que a havia deixado. Franziu o cenho e deu poucos passos até está diante sua mesa – passos que, por acaso, não eram nada silenciosos e de propósito. Quando parou, a cadeira foi virando lentamente e uma pessoa foi surgindo enquanto falava.
— Então, nos encontramos novamente... — murmurou o estranho-não-tão-estranho-assim e deu uma pausa dramática. — Finalmente!
— Sinceramente — revirou os olhos. —, eu ainda não me acostumei com você sendo engraçado, Sasuke.
O moreno deu de ombro e levantou-se da cadeira.
— E eu que esperava que você ao menos risse — o amigo confessou enquanto assistia o outro sentasse na sua cadeira. — Qual o problema, hein, dobe?
Suspirou e encostou-se a cadeira, olhando para sua mesa. Não havia um problema específico... Só sentia-se estranho, principalmente quando se lembrava da falade Ino. ‘Então posso dar um conselho de amiga? Você deveria conversar com a Hina-chan sobre os seus filhos.’ Ele até queria ir e seu objetivo naquele dia foi esse, entretanto, quando viu a mulher entrar na sala, sua coragem se esvaiu. “Eu quero ser um bom otou-san e isso inclui o fato de ser corajoso!” Pensou e assentiu.
— Naruto! — exclamou Sasuke e sacodiu a cabeça, ignorando os pensamentos.
— Foi mal! Primeiramente queria dar os parabéns ao novo casal – novo e mais esperado do ano, certo? — brincou e riu quando viu o Uchiha ficou um pouco vermelho. — Continuando: não é nada demais, só estou receoso com o caso dos... Meus filhos.
Viu o moreno ficar calado por poucos segundos e passou a mão pelo rosto. Lá estava ele, desabafando com outra pessoa – era claro que já havia contado para o seu melhor amigo de infância sobre os seus filhos, contudo, ainda estava desabafando. Estava se sentindo uma garota que contava tudo para suas amigas e não conseguia esconder nada destas. “Eu só falei sobre meu antigo namoro para o meu tou-san, o Ero-Sennin e com o teme! Não estou falando com todo mundo!”
— Não seria melhor ir falar com a Hinata?
— Por que todos falam a mesma coisa? — irritou-se e bufou. — Acredita que você já é a terceira pessoa que me fala isso em menos de quatro dias?
— Então por que ainda não foi? — indagou Sasuke e sentou-se de frente para o loiro, encarando-o nos olhos. — No último sábado, eu passei o dia inteiro com Sakura na casa dela e...— o moreno limpou a garganta quando percebeu o olhar malicioso do amigo. — Mente poluída. Enfim, passei com Sakura e as amigas dela, sem excluir as duas crianças...
— E como elas são? — não conseguiu segurar a pergunta e viu o amigo rir.
— Iguaizinhos a você! Tirando a inteligência, é claro.
— Eu estou mais interessado em ouvir sobre meus filhos do que suas indiretas para mim, teme! — sorriu acido.
— Foi direta mesmo, dobe! — o rapaz riu e deu de ombro.
O moreno continuou a contar sobre as crianças e o Uzumaki sentia a coragem voltar com todas as forças – seus filhos davam-lhe essas forças e novamente aquele sentimento desconhecido brotava em seu peito só em pensar neles. Ouviu o quanto eles discutiam e concluiu que eram tão diferentes quanto iguais... Idênticos a ele e Hinata: tão iguais quanto diferentes. Porque ambos se amavam, só que eram orgulhosos demais para falar. “Acho que mais iguais do que diferentes.”
— De tarde, os dois brigaram e você acredita que Sora ganhou? — perguntou o rapaz e Naruto voltou a si, arqueando uma sobrancelha.
— Como?
— Hinata-san colocou os dois de castigo e o garoto estava do meu lado, com o olho roxo e resmungando coisas como ‘por que ela pode me bater e eu não posso bater nela?’ ou ‘odeio ficar agindo como onii-san; sempre acabo com um olho roxo!’ — contou o outro e riu baixo. — Olhe pelo lado bom: seu filho tem caráter.
Riu com Sasuke. É claro que ele teria caráter; sua mãe era cheia de personalidade e as crianças teriam que puxar uma delas, certo? Era a convivência... Então, lembrou-se de uma frase dita por Hinata há dois meses. ‘Mas, Naruto, esse é o primeiro ano que eu moro com meus filhos de verdade.’ Ou seja, as crianças moravam com outra pessoa e só esse ano estavam sob o mesmo teto que a mãe. “Então, ela é tão nova quanto eu com o fato de ser responsável por duas crianças.”
— E Sora? Qual foi a reação dela? — ouviu-se perguntando.
— Ino ficou com Sora e falou que ela mostrava-se quietíssima, de cabeça abaixo e balançando o pé, como se esperasse por uma... — o Uchiha hesitou. — Surra e...
— A Hinata bate neles? — exclamou, tomado pela surpresa.
Logo a Hyuuga, a garota que sempre se mostrou um amor de pessoa e sempre elogiada por ser maravilhosa com todos os seres... A sua garota maravilhosa. “O tempo passou e ela mudou, Naruto.” A voz de Jiraya murmurou em sua mente, fazendo-o se recordar da conversa que tiveram, e balançou a cabeça, afastando todos esses pensamentos. Nada de conclusões antes do tempo.
— Bem, na minha presença, ela não se mostrou agressiva ou de pavio curto com os filhos. E Sakura fala que a Hinata-san não faz qualquer coisa além de colocar de castigo e conversar. Creio que Sakura não mentiria para mim...
— Mas e o medo de levar uma surra? — indagou e ajeitou-se melhor na cadeira.
— Eu não sei, dobe, não sei mesmo. Ino falou exatamente com essas palavras e só estou repetindo.
O loiro não teve como responder, porque foi interrompido pelo telefone. Olhou para o amigo e este deu de ombro, dizendo que a escolha era dele. Atendeu no terceiro toque, relutante.
— Hai?
— Uzumaki-sama, Hyuuga-san quer falar com o senhor.
— A Hyuuga? — perguntou, tentando não mostrar uma reação.
— Hai; ela diz que é de extrema importância.
Congelou. Será que teria que conversar sobre os seus filhos? Ela tomaria essa atitude? Talvez fosse melhor acabar logo com isso... E o que ele faria? O que poderia fazer? “Vai assumir esses filhos!” Uma segunda voz exclamou e soube que era a voz de sua mãe, Kushina. “Afinal, você não estava pensando lá na hora do bem bom – agora, assuma isso.” Aquela era a coisa certa a fazer.
(...)
— Ele permitiu sua entrada, Hyuuga-san. — Shion sorriu falsamente e Hinata se conteve para não retribuir.
— Arigatou, Shion-san.
“Que mulher mais mal educada!” Pensava enquanto se dirigia para a sala do Uzumaki. Era a segunda vez que via aquela moça e era tratada com mais pura falsidade que a outra nem tratava de esconder. “E o que eu fiz para merecer tal tratamento? Eu mereço fazer essa pergunta!” Será que ela sentia ciúme? Piscou. Era possível, sem dúvida, só tinha um pequeno detalhe: ciúme por Naruto era compreensível. E a Hyuuga? A secretária sentia ciúme dela por estar indo falar com o rapaz?
“Ah, chega! Tenho coisa mais importante do que isso.”
De olhos colados no chão, esticou a mão para tocar na maçaneta da porta de madeira e, quando tocou o objeto, este foi girado e a porta foi aberta violentamente. Sua mão continuava parada no ar enquanto seus olhos corriam dos pés a cabeça da pessoa que estava a sua frente, passando pelas pernas cobertas, o tronco erguido com ombros largos e pescoço forte. Assim que encontrou o rosto com três marquinhas em cada bochecha e duas sobrancelhas loiras erguidas em uma expressão de clara surpresa, sentiu o coração bater mais rápido e seus pulmões começaram a pedir por mais ar.
Duas grandes infinidades a examinavam como se ela fosse a coisa mais rara e bela no mundo e ainda conseguiam se mostrar indecifráveis. A distância também não ajudava a ler aquele olhar, pois, naquele instante, estavam perto que ela tinha levantar a cabeça para poder ver seu rosto. A pior parte era a sensação que a prendia naquele olhar e o sentimento que crescia em seu peito –e ela sabia qual era esse sentimento, por mais que não o quisesse por perto...
Alguém pigarreou e ambos piscaram, voltando a vida. O sangue que seu coração bombeava a pouco, agora se concentrava apenas em uma parte: nas suas bochechas. Olhou para o chão e não teve coragem de olhar para a pessoa – a vontade de cavar um buraco e enterrar a sua cabeça como uma avestruz era a única coisa que poderia ter coragem. Ouviu algo vibrar e o esfregar de tecido antes de ouvir a voz da pessoa.
— Está na minha hora — o desconhecido era um homem e, para a infelicidade da morena, ela conhecia o dono da voz; Sasuke, namorado de Sakura. — Ja ne, dobe. Ja ne, Hinata-san.
Respondeu ‘ja ne’ quando o moço passou por ela e a resposta dele foi algo do tipo ‘cuida bem dele, hein?’. Sem sombra de dúvida, ela corou mais do que o normal ou mais do que o possível. No corredor, pode ouvir o moreno atender ao telefone de um jeito carinhoso e se sentiu obrigada a entrar completamente na sala, fechando a porta atrás de si e deixando o outro sozinho com seu telefonema. Então, ficaram em silêncio.
Mordeu o lábio e não sabia se conseguiria levantar o olhar, mesmo não sentindo dois olhos azuis sobre si. Para onde o loiro estaria olhando? Ela estava curiosa para descobrir, porém estava envergonhada demais para levantar o olhar e estava mais uma vez presa por causa de um sentimento. Onde estava a sua motivação agora? Fugira? Sumira? Evaporara? Era bem provável que sim. Assim que começou a sentir arrependida, a imagem de Ino e Gaara sorrindo um para o outro e dando um singelo beijo, como sempre faziam antigamente – eles mereciam a felicidade e eles eram a sua motivação.
Respirando fundo, levantou o olhar e percebeu o Uzumaki havia acabado de se sentar e estava encarando-a. Aproximou-se da mesa e sentou na cadeira, apertando a mão sobre as pernas. Que droga de nervosismo!
— O que é tão importante a ponto de você vir aqui, Hyuuga?
Graças a Kami! Ele havia puxado assunto, agora, era só falar.
— Er... Creio que não esperava me ver hoje novamente.
— Realmente, eu não esperava — o loiro confessou e deu de ombros.
— Bem, sei que não nos falamos muito e que não somos tão próximos quanto antigamente — falava enquanto começava a brincar com os dedos indicadores, tentando ignorar o fato de estar na frente do homem que mais amou em sua vida inteira. —; sei também que eu não tenho o direito de pedir qualquer coisa a você. Mas eu queria pedir um favor para você... Um grande favor, para ser sincera.
Levantou o olhar novamente e arrependeu-se amargamente por tal feito, pois não conseguiria sair daqueles malditos olhos. Era impressão dela ou ele parecia perplexo? Não sabia e queria descobrir... Em um dia, quem sabe.
— E qual seria?
— Daria muito problema para você se me... — pensou um pouco nas palavras e respirou fundo. — Se me passasse um endereço de um funcionário daqui da empresa?
(...)
— Hai, minha hime?
— Nossa, que amor — sua namorada riu e só de ouvir aquele riso, sentiu-se bem.
— Com você, sempre. — confessou e ouviu a porta fechar, abrindo um sorriso malicioso. — Sakura-chan, você não sabe o que aconteceu agora!
— É, realmente, não sei — respondeu a rosada, brincando com ele. — Vai me contar?
— Só por causa da brincadeira, não.
— Ai, Sasuke-kun, conta logo, vai?
Ele odiava quando ela fazia aquela voz manhosa e odiava saber que ela estava fazendo bico, porque, sempre que fazia essa voz, fazia bico – era automático, segundo ela. Por que ele odiava? Simples: ele sempre cedia. “Então, seria mais certo eu odiar o fato de me derreter por ela?” Não, certamente não.
— Lembra que eu falei que hoje iria visitar o Naruto? — perguntou e diminuiu os passos.
— Claro! Como ele está?
— Melhor agora, isso eu garanto — sorriu malicioso e quase pode ver o ponto de interrogação na expressão da amada. — Voltando... Estávamos conversando sobre Sora e Kouji...
— Como assim? O Uzumaki Naruto conversando sobre seus filhos queridos?
— Na verdade, eu falei sobre eles; sabe, características, atitudes – coisas básicas.
— E como ele reagiu? — indagou a moça, parecendo animada. — Ficou perguntando sobre as crianças? Ficou sorrindo? Ficou avoado com um sorriso no rosto?
— Por acaso eu estou namorando uma vidente? — brincou e ambos riram. — Aconteceu isso tud o. Aí, há pouco mais de cinco minutos, a secretária ligou e avisou que ele tinha uma visita; chuta quem?
— A Kushina-san? Minato-san?
— Não; ninguém mais ninguém menos que Hyuuga Hinata.
— Nani?
— E essa nem é a melhor parte... Quando o Naruto estava abrindo a porta para mim, para mostrar que é cavaleiro até com os gays — revirou os olhos. —, deu um encontrão com a Hinata-san.
— NANI? Para o mundo que eu quero descer! Encontrão? Como? Com quase beijo?
— Mais ou menos isso.
— Ai meu Kami-sama! — exclamava a rosada. — Mais aqueles dois são uns bakas mesmo! Por que não assumem logo que se amam e param com essa história de passado? — e depois resmungou algo como ‘parecem até Gaara e Ino’.
— Parece quem? — perguntou, mesmo ouvindo perfeitamente bem o nome ‘Gaara’ e 'Ino’.
— Ninguém não, meu amor.
— Hum, sei... Mas uma coisa eu posso confirmar com o fato do casal Naruto e Hinata... — fez pausa apenas para sorrir — Os dois se amam, pois em um momento pareciam estar na Terra e, no seguinte, completamente perdidos no espaço; estavam completamente perdidos no olhar do outro.
(...)
— Nani? — foi a única coisa que saiu de sua boca.
Se estivesse se preparando para conversar sobre os filhos, estaria com a cara no chão agora. Bom, sua cara estava no chão – já estava pensando no que falar depois que ela exigisse que cumprisse seu dever como pai. E foi, mais uma vez, surpreendido. “Eu realmente tenho que ter mais de um pensamento”, pensou e deu de ombro. Seria melhor que voltasse a prestar atenção na morena a sua frente.
— Daria muito problema para você se me passasse um endereço de um funcionário daqui da empresa? — ela repetiu lentamente, como se tivesse explicando algo para um bebê.
— Que funcionário?
Perguntou sem pensar e sentiu o maxilar ficar tenso. O que diabos era aquilo? Por incrível que pareça, dessa vez, ele sabia a razão. Era algo azedo e que era muito difícil de ignorar, sinceramente. Ficava ali sempre, teimando e fazendo mal ou até deixando as coisas mais ‘fofas’ para algumas pessoas, todavia, para aquele loiro, aquilo era o pior dos sinais. Sim, ele estava sentido ciúme; e sim de novo, se ele estava sentindo ciúme, ele sentia algo pela moça de olhos perolados.
— Um amigo meu, Sabaku no Gaara — respondeu a mulher e deu um sorriso amável. — O senhor deve conhecê-lo...
— Hai, conheço — “só não conheço esse gosto azedo que estou na boca ou, muito menos, gosto dele”. — É da administração, certo?
— Hai, hai! — o sorriso dela ampliou e a vontade dele de fechar o semblante também. — Eu quero fazer uma coisa para ele e preciso ir à casa dele.
— Hum, entendo... — “Merda de gosto!” — Eu posso até passá-lo...
— Sério, Naruto-kun? Ai, você não sabe o favor que estará me fazendo...
Só ele havia notado ou ela havia mesmo falado ‘Naruto-kun’? Seu coração começou a sair do ritmo normal e lembrou-se da última vez que ela o havia chamado daquele jeito... Mexeu-se na cadeira, tentando achar uma posição boa, e engoliu seco quando viu aqueles olhos o fitando tão brilhantes e legíveis, como uma criança que acabara de receber o presente que sempre quis, que quase sentiu o coração na boca. A Hyuuga não sabia que tinha aquele efeito sobre ele e nem mesmo ele sabia... Até o momento.
— H-hai — “não acredito que eu estou gaguejando!”. —, mas eu tenho uma condição.
— Eu aceito! — mostrou-se firme. — Estou completamente de acordo com qualquer coisa!
— Ótimo! — um sorriso cresceu em seu rosto e não soube se era de felicidade ou por causa daquele plano diabólico que surgira em sua mente.
(...)
— Ótimo? Pra quem? — bufou e cruzou os braços sobre o peito. — Não acredito que aceitei isso!
— ‘Eu aceito! Estou completamente de acordo com qualquer coisa!’ — riu o loiro. — Foram essas as suas palavras; agora, pague por sua língua.
— E por que, diabos, você acha que eu iria pensar – pensar não, imaginar – que sua condição era ir junto comigo?
O homem deu de ombros e voltou a se concentrar na estrada. Ela ainda se perguntava se era brincadeira e se ele sairia do carro, mandando-a ir a pé. Quando ele falou sobre ‘condição’, estava feliz demais para pensar na consequência dessa e qualquer outra coisa, entretanto, só foi ele falar ‘vamos no meu carro?’ que ela percebeu a burrada que tinha feito. “É isso que dar pensar nos outros antes de você, sua baka!” Acusava-se incessantemente e se dava razão. Poderia ter pensado só um pouco antes de agir e...
Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu a voz de Adele soar no fundo de sua bolsa e abriu esta, procurando seu celular. Sabia que era Sakura, pois só ela tinha a música Set Fire To The Rain como toque. Quando conseguiu achá-lo, respirou fundo e evitou olhar de canto de olho para o motorista.
— Hai, Sakura-chan?
— Que história é essa de você ter ido à sala do Naruto? — a outra perguntou e a morena congelou no banco do carro, sentindo a bochecha queimar. — Quero detalhes, respostas, brigas, beijos...
— Sakura! — exclamou, fechando os olhos e tampando o rosto de vergonha. — Eu não vou falar sobre isso nesse momento.
— Hummm, então a coisa foi boa — quase viu o sorriso malicioso da amiga e sentia o olhar do Uzumaki sobre si, deixando-a ainda mais vermelha. — Se é pra contar pessoalmente, quer dizer que as coisas foram muito boas.
— Sua pervertida! Sasuke, além de fofoqueiro, está te levando para o mau caminho. — apontou e a amiga gargalhou no outro lado. — Primeiro, não teve beijo algum e não vai ter — respirou fundo quando a rosada murmurou ‘me engana que eu gosto’ antes de continuar. — Segundo, não vou falar nada sobre isso, pois não estou na melhor das situações e não me venha com ‘hmmmmmmm, tô sabendo’ que, acredite, não está sabendo mesmo.
— Ih, num precisa ser grossa; eu já entendi — pela voz, a moça mostrava-se magoada e aquilo fez o seu coração apertar.
— Gomen, Sakura-chan, eu não queria ser grossa, mas não estou com a melhor das companhias nesse momento — ela mandou e foi claro que a outra pegou a indireta.
— Ei, não sou tão ruim assim — protestou o loiro e a moça tampou o bocal do aparelho.
— É falta de educação falar enquanto outra pessoa está ao telefone!
— Mas eu não gosto que fiquem falando mal de mim, sendo que eu não posso me defender. — rebateu ele e ficaram se encarando fixamente, estreitando os olhos.
— Vai dirigir, porque eu tenho filhos pra criar e uma longa vida pela frente — ignorou-o e voltou ao telefone. — Onde estávamos?
— Tem certeza que não rolou beijo? — perguntou a Haruno, com um sorriso malicioso.
— Absoluta! Agora, você entende o porquê.
— Perfeitamente e é sobre essa pessoa, que está ao seu lado e pronta para segurar a sua mão novamente quando eu desligar, sobre a qual quero falar. — dizia a moça e pode ouvi um suspiro cansado, ainda que Hinata tivesse revirado os olhos no ‘pronta para segurar a sua mão’. — Essa pessoa e a nossa querida loirinha, na verdade.
— Ino? O que tem ela? Aconteceu alguma coisa? — perguntou, preocupando-se.
— Não, ela está bem, mas aconteceu uma coisa sim. — pode ver a amiga franzi o cenho e, quando ela abaixou o tom de voz, suas suspeitas foram confirmadas. — Hoje mais cedo, nós conversamos pelo telefone sobre o caso Ino-Gaara, certo?
— Hai, depois que eu desliguei, eu tive uma reunião surpresa, que maravilha.
— Me conte quando chegar em casa; a questão é que a loirinha chegou logo após a nossa despedida e perguntou o que eu tanto falava com você. Tentei mudar de assunto e não deu muito certo, então, eu tive que falar umas mentirinhas básicas.
— Mentirinhas básicas? — perguntou e engoliu seco. — Eu odeio quando você fala alguma coisa com ‘inha’ no final. Fala logo para eu já juntar dinheiro para o meu enterro.
— É sério, Hinata. Era questão de vida ou morte – ou eu contava a verdade e o plano iria por água a baixo ou contava uma mentira que a distraísse!
— E quais foram as ‘mentirinhas’?
— Er... UmasupostaconversaentrevocêeNarutosobreSoraeKouji — sorriu a outra e suspirou aliviada, como se tivesse falado alguma coisa coerente. — Bom falar com você, Hina. Beijos, tchau...
— Sakura-chan, eu não entendi nada. Repete devagar, onegai.
— Suposta conversa entre você e Naruto — sussurrou e sorriu novamente. — Pronto.
— Sakura...
— Conversa sua com Naruto — murmurou baixíssimo.
— Sakura!
— Ai! Uma suposta conversa entre você e Naruto sobre seus filhos! Pronto – dessa vez, até a Ino já sabe que eu menti!
Sentiu todo o ar fugir de seus pulmões e piscou. Sora e Kouji; seus filhos. Havia se esquecido deles e de conversar sobre eles com o loiro. Um sentimento estranho e péssimo se apoderou de seu coração e sentiu, mais do que nunca, vontade de chorar. Não tinha mais dúvida: era a pior mãe do mundo e qualquer um sabia disso. Mordeu o lábio inferior e impediu-se de chorar, ainda mais na frente do rapaz. “Ainda tenho chances de falar com ele sobre meus filhos”, pensava, contudo, o sentimento não diminuiu e mordeu-se com mais força.
— Hyuuga Hinata! Responda-me! — Sakura gritava ao telefone e foi quando voltou ao momento.
— Gomen, Sakura-chan — murmurou, simplesmente. — Tem como ser mais especifica sobre as mentiras?
— Hai — respondeu a amiga, que havia notado a mudança de humor da moça, e continuou a falar. — Resumindo: Naruto querendo a guarda das crianças e sendo um tou-san mais presente; vocês dois se juntarem para contar para as crianças a verdade; que rolou um clima entre os dois e passaram até o telefone. O resto é não tem muita importância, pois são só os detalhes da conversa, sabe?
— Aham... Eu vou ver o que faço.
— Gomen, Hinata! Eu não pensei direito na hora e acabei falando demais e...
— Tudo bem, Sakura-chan, eu entendo... Arigatou por tudo, principalmente por ter encobertado. Ja ne.
— De nada e ja ne.
Ela estava tão deprimida que não havia escutado a amiga direito, apenas desligou ocelular e ajeitou-se melhor, entrando em um silêncio mortal.
Notas finais
Pessoas, teve um pequeno momento NaruHina e um ciúme do Naruto pelo Gaara que eu achei muito fofo. ^^' E, no próximo, vai ter mais um pouco e quem sabe um... Deixa eu quieta, hehe'
Gostaram? Não gostaram? Eu realmente espero que me perdoem!
Bjs a todos e bom feriadão! ^^'
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