Os Dois Anjinhos

14 Capítulo 11 – Dizendo Ao Mundo (SasuSaku)


Notas iniciais
YO meus leitores! =D'
Muito obrigada por todos os comentários! As opniões levaram a um belo momento SasuSaku, ou seja, minha homenagem aos fãns do casal. ;D'
Esse é o último capítulo do ano e espero que gostem, pois não sei se boa com momentos SasuSaku. ;p'
Boa leitura.

Qualquer medo em minha alma, estou abrindo mão; e quem perguntar, eu deixarei saber...”Taio Cruz (música Telling the World)

Quando entraram no restaurante, Ino ficou de queixo caído. O lugar era lindo, com um saguão imenso e decorado com uma mini cachoeira. Um garçom os guiou para uma mesa com vista privilegiada de toda Tóquio – sim, o OAZO era no último andar de um prédio alto. O encanto com as luzes coloridas foi quase instantâneo e apoiou-se em seu cotovelo; daquele ponto de vista, conseguia ver a beleza de um centro urbano, uma coisa que ela pensava que não existia.

— Acho que você gostou do lugar — sorriu Naruto e ela prestou atenção nele pela primeira vez desde que entraram no recinto.

— Eu não gostei; eu amei, Naruto-kun. — deu um singelo sorriso e sentou-se a mesa.

Ele seguiu seus movimentos e receberam os cardápios. Decidiram pedir sushi, o prato mais famoso dos japoneses, e fizeram o pedido, mesmo o loiro relutando, pois queria pedir seu famoso rámen. Quando o garçom se afastou, ficaram alguns minutos em silêncio, perdidos em seus pensamentos.

Naruto pensava em como havia sido o dia. Conversou com o homem que queria contratar Hinata e pensou seriamente sobre o assunto. Se fosse contratar, teria que, pelo menos, chamá-la para ver se era lá essas coisas que Nobuhiko falou, o que seria um problema. Não conseguiria ficar com a Hyuuga, preso em uma sala e não perguntar sobre os filhos que ela tinha.

A loira também estava pensando na mulher de olhos cinzentos e, ironicamente, pensava sobre seus filhos. Olhando naquele momento para o Uzumaki era quase óbvio notar as semelhanças que tinham, mesmo morando com as crianças por apenas cinco dias. Queria poder ajudar Hinata. Queria saber qual seria a reação do loiro quando descobrisse que tinha dois filhos com sua amiga. Talvez ele doasse algum dinheiro para ajudá-la com os pequenos; talvez ele os abandonasse... Balançou a cabeça para livrar-se de tais pensamentos e limpou a garganta.

— Então, Naruto-kun, como foi seu dia? — o viu despertar de seus pensamentos e encará-la.

— Normal. Creio que tenha sido a mesma chatice que sempre foi — o rapaz deu de ombros e suspirou, encarando-a — E o seu dia, Ino-chan?

— Nem um pouco animado — mentiu a loira. Ela não poderia simplesmente falar que recebeu um buque de flores de Gaara — A única novidade é que tenho que aturar o meu chefe substituto...

— Mas por quê? Aconteceu alguma coisa com se supervisor?

— Hai! Acredita que a okaa-san do coitado faleceu...

E assim começou uma amigável conversa. Aqueles dois riam, brincavam, divertiam-se. As pessoas que passavam o olhar de vez em quando pensavam que se tratava de dois amigos que gozavam um ao outro ou até um casal que estava se conhecendo. Tanto o Uzumaki quanto a Yamanaka tinham que concordar: naquele momento, não se viam como um casal; apenas amigos.

(...)

O sorriso daquele homem fez seu coraçãozinho disparar mais uma vez. Coitado daquele pequeno órgão; não conseguia parar de bombear sangue desde o momento que havia visto Sasuke ao pé da escada, conversando com os pequenos Hyuuga. Estava tão belo, com uma calça jeans preta e uma camisa gola V listrada com cores neutras além de sapa-tênis democrata cinzento e um casaco da mesma cor. Mal notou quando o veículo parou, pois estava tão entretida.

— Bem, chegamos — sorriu o Uchiha e Sakura saiu de seus pensamentos, olhando em volta e ficando surpresa.

— Mas já? Foi tão rápido...— sorriu envergonhada e soube que ela que estava feliz demais e não percebeu nada.

— Tenho que concordar; as coisas voam quando nos divertimos.

Observou seus lábios formarem um pequeno sorriso e, sem conter seus movimentos, sorriu de volta. Era magnífico quando via que qualquer sorriso naqueles perfeitos lábios rosados fazia os olhos verdes esmeraldas brilharem intensamente. Lembrou-se do encontro e saiu do carro, andando até o outro lado e abrindo a porta para a moça sair. Viu um sorriso agradecido e fechou a porta.

— Para onde vamos? — perguntou a Haruno quando notou que estava na frente de um prédio de, no máximo, cinco andares, completamente pitado da cor bronze.

Deu um meio sorriso e não respondeu, apenas andou até o prédio. Em poucos minutos, estavam saindo do pequeno elevador que ainda tocava aquelas músicas ambientes. Encarou a rosada olhar para os lados num corredor vazio e encará-lo confusa. Apontou com o indicador para cima e riu baixo quando ela ficou mais confusa ainda.

— Não tem mais nenhum andar lá para cima, Sasuke-kun.

— Pelo menos, o elevador não pode nos levar, certo?

Pegou a mão da mulher e sentiu aquela corrente correr de leve entre as mãos. Guiando-a, seguiram para a porta ao lado do cubículo de metal e subiram uma escada que não parecia ter fim. Quando abriu uma segunda porta e passou por esta, ouviu Sakura prender o fôlego e a viu olhar em volta com um brilho de contemplação.

O local que estavam era o terraço do pequeno prédio. A vista era maravilhosa: bem na frente, estava a Rainbow Bridge* com as belas cores do arco íris, enfeitando-a, e pouco atrás estava a Torre de Tóquio – também iluminado – e o centro da cidade. As luzes deixavam tudo mais perfeito e, quando olhou para a rosada, sentiu o coração bater mais rápido. A expressão de encanto era tão inocente que ela parecia uma menina. “A minha menina” pensou involuntariamente e, em vez de ficar surpreso, deu um sorriso.

Pegou a mão dela e, mesmo esta ainda congelada, guiou-a até mais a frente, onde desceram poucos degraus e se depararam com uma mesa coberta até os pés. Duas cadeiras estavam diante o objeto, uma de frente para outra. Sobre o manto, havia dois pratos, talheres e guardanapos; para iluminar, a mesa estava cercada com velas de tamanhos diferentes e dava um clima mais romântico.

—Sa-Sasuke-kun... —foi a única coisa que Sakura conseguiu sussurrar ao constar que estava num sonho, completamente distante da realidade.

— Gostou? — perguntou um pouco receoso daquele ‘jantarzinho’ não ser aprovado pela amada.

— Eu não gostei — soltou a rosada e virou-se para o moreno pela primeira vez —; eu estou apaixonada por isso tudo. Eu... — “ainda sou apaixonada por você também”, pensou a Haruno e conteve-se — Eu não sei o que dizer.

— Isso já basta — respondeu o Uchiha e foi até a mesa, puxando uma cadeira para ela.

Ela, sorrindo atoa, sentou-se e acompanhou-o com o olhar enquanto este seguia até a outra cadeira. Parecia que aquela noite seria perfeita e que nada estragaria nada. Quando Sasuke sentou-se e olhou para Sakura, chegou a apenas uma conclusão: aquele encontro seria marcante.

(...)

Estavam em silêncio enquanto comiam seus deliciosos sushis. Ainda que tentasse se concentrar em comer, Ino não conseguia parar de pensar em... Tudo! Lembrou-se que estava na frente de Uzumaki Naruto, um famoso empresário, seu namorado e pai de Sora e Kouji; e também que, por mais que este fosse seu companheiro, pensava em outro. Pensava em como estaria Gaara e porque ele lhe mandou aquelas linda flores.

Balançou a cabeça e voltou para os filhos da Hyuuga. Ela tinha pensado em fazer uma coisa, contudo, estava com medo que desse errado. E se o loiro desconfiasse? Se ela não gostasse da resposta? Se ela tentasse fazer alguma? Se ela não gostasse da resposta e tentasse fazer alguma coisa para mudá-la? “Eu tenho que tentar” pensou determinada.

—Hm... Er... Naruto —chamou a Yamanaka, sem encará-lo.

— Hai, Ino-chan — levantou o olhar para mulher e pegou outro sushi.

— Er... Bem... Eu queria... Queria te perguntar uma... Coisa muito importante — o nervosismo era evidente na voz da loira, o que deixou Naruto preocupado.

— Pode perguntar.

— Hã... Se... Se você descobrisse que é otou-san, qual seria sua reação?

O efeito da palavra atingiu o Uzumaki em cheio. Primeiramente, arregalou os olhos e o queixo caiu. Depois, deixou tanto o sushi quanto o hashi caírem dentro o prato com um banque surdo. Descobrisse que é pai? O que Ino estava insinuando com isso? Será... Será que ela está grávida? Não, não era possível. Afinal, eles sempre se protegiam... E se a camisinha rasgou? Engoliu seco e bebeu todo o saque que tinha no copo de uma só vez.

— O que você está querendo dizer, Ino? —perguntou o loiro, ocultando um pouco o desespero em sua voz.

— Não estou dizendo que estou grávida —revirou os olhos e riu da cara aliviada do rapaz — Só quero saber qual seria sua reação em descobrir que é otou-san.

— Hipoteticamente?

— Hipoteticamente. — concordou a Yamanaka.

Franziu o cenho e olhou fixamente para seu prato. A pergunta o pegara de surpresa. Como reagiria? Ficaria surpreso, sem sombra de dúvidas. E depois? Como agiria com os filhos? Como deveria agir? Namikaze Minato, seu pai, fora muito ausente durante sua infância, pois não havia terminado a faculdade quando engravidou sua mãe e, quando foram forçados a se casar, o peso de duas empresas caiu nas costas de Minato. [N/A: havia duas empresas: a Namikaze e a Uzumaki, então, elas se juntaram e ficou só Uzumaki. ;D]

Resumindo: não sabia ser pai.

— Eu não sei, Ino-chan, sinceramente. —confessou Naruto e passou as mãos nervosamente pelos cabelos — Sabe que tive uma infância um pouco conturbada.

— Hai, hai. — sorriu amigavelmente e tocou a mão do loiro —Eu devo imaginar.

Viu o rapaz sorrir e levar a sua mão até os lábios, dando um beijo carinhoso. Por alguma razão, soube que ele seria um bom pai, porém não seria ela que contaria para ele esta novidade.

(...)

Já fazia alguns minutos que estavam andando lado a lado em silêncio. Diante ao prédio, havia um pequeno parque com várias árvores japonesas e alguns bancos de madeira. O local estava cheio de casais e todos pareciam ter a mesma ideia deles: dar um passeio e conhecer o píer da baia de Tóquio.

A vontade da rosada era esticar a mão para a dele e entrelaçar seus dedos, entretanto, não faria. Sasuke também não estava muito distinto, imaginando como seria abraçar os ombros de Sakura e apertá-la contra si; parecia ser uma boa, todavia, não o faria. “Talvez pense que eu estou indo rápido demais”, pensaram juntos.

Atravessando o parque, chegaram ao seu destino e não foi surpresa ver o píer cheio de pessoas. O moreno olhou em volta e achou um lugar perfeito para ficarem. Pegou a mão da moça e guiou-a para debaixo de uma cerejeira. Sentaram-se próximos e encaravam a ponte. Engolindo seco, o Uchiha olhou para a rosada de canto de olho e murmurou:

— Continuo muito silencioso, não é?

— Tenho que concordar — confessou a Haruno e riu baixo —, mas têm manias que nunca mudam.

— Você não seguiu muito esse conselho. —apontou e a viu arquear uma sobrancelha — Você não é igual a garota escandalosa da minha juventude, Sakura.

— Ah é? — o tom de sua voz fingia estar indignada —Então, era assim que você me via quando mais nova: uma garota escandalosa?

— E irritante — confessou e riu da expressão dela.

— Sasuke-kun!

— Nani? Eu estou sendo verdadeiro.

A rosada vez uma cara emburrada e infantil, porém logo acompanhou a risada do moreno que fazia seus pelos se arrepiarem. Posteriormente, conversaram e lembraram-se de seus passados. O papo estava tão bom que não perceberam quando o tempo passou e, quando deram por si, estavam apenas os dois no lugar.

— Uau! — exclamou Sakura — Eu acredito que já deve ser tarde.

— Pois é, então, vamos andando? —levantou-se e ajudou a Haruno a se levantar.

Caminharam pelo mesmo caminho que tinham feito antes. O vento frio passou pelos dois e a moça sentiu, ficando arrepiada e abraçando-se. O rapaz, instantaneamente, tirou o casaco e cobriu os ombros dela, quase ficando com o braço ali. Ela sentiu o calor da peça e o perfume másculo e perfeito dele enquanto sorria agradecida. Quando estavam próximos da saída do parque, o Uchiha recordou de uma coisa que queria perguntar.

— Sakura-chan... — esperou até que a mesma o encarar — Aquela moça que mora na sua casa, Hyuuga...

— O que tem a Hina-chan? — estranhou.

— Como a conheceu?

— Foi na época da faculdade.

As peças de encaixaram. Hyuuga Hinata, a mulher que o Uzumaki estava tentando esquecer. Se fosse mesmo a moça, fazia sentido o amigo não esquecê-la com aqueles olhos viciantes e exóticos.

— Ela é a garota que teve um caso com Naruto, Sakura-chan? — perguntou e percebeu que a rosada ficou surpresa.

— Como você sabe disso, Sasuke-kun? Ah, deixa pra lá! Você e Naruto ainda são amigos e ficam fofocando coisas.

— Ainda são amigos? Por que, vocês não são?

— Éramos! E muito amigos. — sorriu triste e abaixou o olhar — Naruto-baka se afastou de mim no sexto período da faculdade...

— Quando Hinata foi embora, certo?

— Hai. Eu acho que eu trazia muitas lembranças dela para ele. Não só eu como a Ino, mas depois de um tempo eles começaram a sair... Hoje, são namorados.

— Sei... — abaixou a cabeça e chutou uma pedra — Posso fazer outra pergunta?

— Já fez uma, mas pode sim.— riu e ele deu um sorrisinho.

— E aquelas crianças? São filhos da Hinata?

— Hai. — respondeu somente e Sasuke sorriu quando suas suspeitas gritaram que sua hipótese estava certa.

— E são filhos de Naruto também, não são?

Assim que as palavras chegaram aos seus ouvidos, paralisou e seus olhos se arregalaram. Como chegara a tal conclusão tão rapidamente? Certo, era quase óbvio encontrar as semelhanças entre as crianças e o loiro, entretanto, como ele chegara a essa conclusão em segundos? Não, alguma coisa deve ter feito chegar a tal. Só poderia! Só que, naquele momento, mesmo relutando, Sakura não poderia contar a verdade para ele. Pelo menos, tentaria.

[recomendo colocarem essa música aqui > http://www.4shared.com/mp3/bxVVB2zE/07_Telling_the_World.htm]

— N-não, Sasuke-kun. — sorriu trêmula — Sora e Kouji não são filhos de Naruto.

— Duas coisas — falou o moreno repentinamente, levantando dois dedos — Primeiro: sei quando você está mentido e acredito que esteja fazendo isso agora; segundo: aqueles olhos e aquelas atitudes só pertencem a Uzumaki Naruto, Sakura-chan. Só acredito que não são filhos de Naruto se descobrir que ele tenha um irmão-gêmeo.

She's the one, she's the one (Ela é a escolhida, ela é a escolhida)
I say it loud (Eu digo isso alto)
She's the one, she's the one (Ela é a escolhida, ela é a escolhida)
I say it proud (Eu digo com orgulho)

Viu quando ela abaixou a cabeça e apertou mais o casaco contra o seu corpo. Ela não precisava dizer mais nada, pois ele já concluíra que estava certo. Não teve tempo de pensar em mais nada, porque a rosada acabou de pegar sua mão com força e puxou esta ao seu encontro, descansando-a sobre o vale entre os seios. Sasuke corou e tentou puxar a mão, contudo, a mulher não deixou e apertou mais a mão contra o local.

I'm telling the world (Eu estou dizendo ao mundo)

That I've found a girl (Que eu encontrei uma garota)

The one I can live for (Que posso viver por ela)

The one who desserves (A única que merece)

— Sasuke-kun, onegai, não conte a Naruto. —murmurou e levantou o olhar para encarar as pedras de ônix — Onegai! Eu sei que vocês são amigos, mas Hinata-chan está escondendo dele. Ela diz não quer que ele saiba das crianças, pois tem medo que ele ignore-as. Ela sofreu demais com a ignorância do otou-san e não quer que os filhos passem por isso. Eu acho que ela está errada em relação ao Naruto rejeitá-los, mas, se é para alguém contá-lo, esse alguém tem que ser ela. Onegai, te pedindo de coração: não fale nada para ele.

Sakura voltou a respirar e seu torso subia e descia rapidamente. O Uchiha estava surpreso e pensou um pouco. Ela estava certa: não era ele que deveria contar ao Uzumaki e sim a tal moça. Se fosse ao contrário, ele preferiria que a rosada lhe desse a notícia, não seu melhor amigo. Suspirou e sorriu de canto.

— Acho que me convenceu, Sakura-chan.

I'm telling the world (Eu estou dizendo ao mundo)

That I've found a girl (Que eu encontrei uma garota)

The one I can live for (Que posso viver por ela)

The one who desserves (A única que merece)


To give all the light (Para entregar todo o meu coração)

A reason to fly (Uma razão para voar)

The one I can live for (Aquela para quem eu possa viver)

A reason for life (Uma razão para a vida)

Sem se conter, a Haruno sorriu e o abraçou. Estava tão feliz que não percebeu que estava abraçando Uchiha Sasuke, sua paixão de criança. O rapaz ficou estático e não sabia o que fazer. Após alguns longos segundos, passou suas mãos pela cintura fina da moça e apertando-a contra seu peito, ficando assim por mais algum tempo. Era tão boa a sensação de ter um ao outro naquele abraço, como se fosse o lugar mais seguro e certo de se estar.

Então, um choque de realidade a fez acordar. O que estava fazendo? Como pode se deixar seguir seus instintos? Não deveria ter feito isso! “Agora, ele vai achar que você está indo rápido demais!” Pensava enquanto se afastava lentamente. “Sakura, sua baka!” Sentiu as bochechas queimarem e olhou para baixo, notando que as mãos de Sasuke ainda estavam em sua cintura. Não conseguia levantar o olhar ou pedir desculpas.

— Sakura-chan, eu posso fazer uma coisa? —perguntou de repente em um sussurro e ela sentiu o ar quente bater em sua testa.

Ainda sem olhá-lo, assentiu e virou o rosto para o lado. Sentiu uma mão que estava em sua cintura subir para seu queixo e levantar seu rosto. Quando foi pega pelo olhar com um brilho misterioso, sentiu o coração acelerar e sua respiração ficar pesada. Estava tão perto – menos de dez centímetros de distância e aquelas pérolas negras não facilitavam em nada.


Oe oh oe oh
Yeah yeah
Oe oh oe oh
Yeah yeah
Oe oh oe oh
Yeah yeah

Como imã, os rostos foram se aproximando e, finalmente, os lábios se tocaram. Preliminarmente, em um beijo simples, apenas um roçar de lábios. Querendo que aquilo se aprofundasse, a Haruno passou os braços em volta do pescoço e o puxou para mais perto; notando o incentivo, o moreno envolveu pela cintura com mais força e começou a aprofundar o beijo. Quando as línguas se tocaram, o choque percorreu pelos dois foi intenso e incentivador.

“Tão bom”, pensavam juntos enquanto se apertavam contra si. “Tão viciante”. Viajavam em seus paraísos particulares e nunca mais iriam querer sair daquele mundo imaginário.

(...)

Estendeu a mão e pegou o pano de prato. Levantou o olhar e sorriu. Já fazia duas horas que Sakura havia saído com Sasuke e Hinata sentia-se feliz pela amiga, pois estava na cara que as coisas estavam indo bem. E Ino também deveria estar em um encontro. “Pelo menos, elas estão felizes em suas vidas românticas” Pensou e deu um fraco sorriso, que logo sumiu.

Nunca teve essa sorte e não sabia se algum dia teria. Claro, já havia saído com algumas pessoas enquanto esteve em Kohona; a última até havia sido seu chefe, Inuzuka Kiba. O problema foi na hora de apresentá-lo para seus filhos...

Flash Back On

Andavam lentamente pela rua e riam de alguma coisa que o rapaz acabara de falar. O por do sol estava atrás deles, guiando-os pelas calçadas, mesmo já sabendo qual era o destino. Virando a próxima esquina, estaria em frente à casa dos Hyuuga. Queria apresentá-lo para os familiares, principalmente aos seus filhos. Kiba era um moreno de cabelos castanhos e olhos que lembravam fendas; duas marcas vermelhas em cada bochecha e um sorriso sempre confiante.

A morena adorava a companhia do Inuzuka, pois ele sempre a fazia rir e esquecer-se dos problemas. E, acredite, naquele momento, haviam problemas de sobra para ela. Parou em frente a casa e hesitou por um longo momento. Seu pai poderia estar em casa e não permitir que entrasse, porém, ainda teria que apresentar o rapaz a seus filhos. Afinal, estavam saindo há um mês. Sentiu duas mãos em seus ombros e olhou sobre estes, encarando um sorriso incentivador do moreno e sorrindo de volta.

Mordendo o lábio inferior, abriu o portão e caminhou calmamente até a porta, ainda sentindo as mãos quentes de Kiba em seus ombros tensos. Sem demoras, bateu na porta e ouviu passos do segundo andar em grande velocidade. Sorriu ansiosa e viu a porta ser aberta; no mesmo instante, foi quase que atropelada por seus filhotes. Tinha sido tão rápido que teria caído se não fosse o homem que segurava seus ombros.

Okaa-san! — exclamaram ambos e levantaram as cabeças, ambas com os olhinhos brilhando — Que saudade!

Riu e agachou-se, ficando na altura deles. Tinham quatro anos e nove meses e eram super espertos. O orgulho da mamãe.

— Mas eu estive aqui ontem...

— Não importa —sorriu Sora.

— Nós estávamos com muita saudade! — completou Kouji.

— Muita mesmo? —perguntou, sorrindo de canto.

— Muita muita muita mesmo! — responderam e abraçaram a mãe, que começou a dar vários beijinhos em cada um.

A Hyuuga também estava morrendo de saudade. Era horrível ter que morar separado deles, porém ainda não tinha condições para mantê-los. Sim, não leu certo: Hyuuga Hinata não morava com seus filhos. Eles, infelizmente ou felizmente, pertenciam a seu pai, pois este tinha a guarda das crianças – desde que nasceram até os dias atuais. E seu pai ainda não a desculpara por ter voltado grávida para casa, porque também tinha sido posta para fora de casa.

Pois é, a vida dela não era um conto de fadas como você pensou, né?

Lembrou-se do moreno que observava a cena com carinho e afastou-se do abraço apertado dos seus bebês. Sorriu e levantou-se, ficando ao lado deste e foi então que percebeu que os dois já sabiam sobre o tal cara.

— Meus anjinhos, esse é Inuzuka Kiba, um amigo de trabalho — viu o rapaz dar um sorriso e acenar.

— Yo Sora, yo Kouji. — agachou-se enquanto era acompanhado pelos olhares deles — Como vão?

— Bem —responderam firme e não sorriram.

“Isso não vai prestar...” Pensou a morena quando viu Hiashi aparecer na porta e mandá-los entrar.

(...)

O jantar estava uma delicia! Claro, a cozinheira dos Hyuuga era a melhor. Desde que Hanabi havia ido para Tóquio, não tinha ninguém na cozinha, já que só tinha seu pai – Neji e Tenten haviam se casado e estavam morando em outra casa em Kohona. Então, a moça foi contratada e o Hyuuga não se arrependia disto.

Kiba e Hiashi conversavam enquanto Hinata ficava com as crianças. Depois de um tempo, o celular do rapaz tocou e, pedindo licença, saiu da casa. Sora e Kouji o acompanharam com o olhar e se entreolharam, sorrindo. Começaram a subir as escadas e deixaram a mulher confusa.

— Aonde vão? —perguntou Hinata.

— Vamos pegar um brinquedo novo — respondeu o menino.

— É, queremos que você veja! — concordou a garotinha e voltaram a subir.

A Hyuuga, tão encantada com a presença dos filhos, não percebeu o brilho maroto nos olhos destes e, quando se deu conta que estavam demorando, era tarde demais.

O grito masculino vindo do lado de fora fez que tanto Hinata quando Hiashi pulassem de susto. Correram para fora e seus queixos caíram. Em suas frentes, estava o Inuzuka completamente molhado de olhos fechados e cuspindo água. O celular estava no chão, completamente destruído tanto pela força do impacto que o levara ao chão quanto pela água. A morena tampou a boca com as mãos e olhava pasma para a cena.

— K-Kiba-kun —sussurrou e foi aproximando-se — E-eu sinto muito. Acho que a calha cedeu e...

Parou quando ele apontou para cima e levantou a cabeça. Na janela, estavam Sora e Kouji segurando um balde, sorrindo vitoriosos. Voltou a olhar para o rapaz e novamente para os filhos. Aquilo só podia ser brincadeira... Quando seus olhos pararam sobre ele mais uma vez, o mesmo retribuiu o olhar e, para seu espanto, não havia um brilho de entendimento e sim de ódio. Ainda a encarando, marchou fulminante para fora e, depois do portão, não olhou para trás.

Flash Back Off

Ela deu uma risadinha e terminou de secar o último prato. Agora, ela ria, porém, antigamente, ficou muito chateada com suas crias. Kiba, após aquele dia, não falou mais com ela e, para seu alívio, não havia a colocado na rua.

— Qual é a razão para essa risadinha?— murmurou alguém e quase deixou o prato cair com o susto — Calminha, Hina-chan!

Virou e respirou aliviada ao perceber que era Ino que sorria para ela de uma maneira divertida. Estava tão presa em sua lembrança que não ouvira a amiga chegar... “Ou ex-amiga?” Perguntou-se e sentiu um aperto no coração. Ainda não sabia se estava ou não perdoada pela loira e aquilo estava deixando-a aflita.

— Por que está me olhando desta maneira? —perguntou a Yamanaka e aproximou-se da morena.

— É que... Eu não sei se você me perdoou ou não —confessou baixo e olhando para seus pés, mexendo-os nervosamente.

— E você ainda não sabe? — riu a loira e abraçou a Hyuuga que não esperava por aquilo — É claro que eu já te perdoei, Hina-chan! Você é minha menininha tímida. — riu ainda mais assim que viu o sorriso envergonhado da amiga, corada — Ou não tão tímida? — sorriu maliciosa.

— Ino-chan! — repreendeu a morena, corando ainda mais.

Abraçaram-se e ficaram assim até ouvirem o som de um carro parando. Entreolharam-se e seguiram para a janela da cozinha que dava para a frente da casa. Viram Sakura saindo do carro e sendo abraçada por Sasuke enquanto guiava-a para a porta. Sorriram maliciosamente e uma coisa aquela noite garantira: a rosada tinha muita coisa para contar para elas.

Notas finais
Pois é, a vida da Hina não foi tão fácil como aparenta, não é? D:'
FELIZ ANO NOVO, GALERA! Muito obrigada por fazerem minha primeira história um sucesso, porque, sem vocês, essa história não continuaria. =D'
Tudo do bom e do melho a todos.
Bjs e até o ano que vem. ;D